sábado, 5 de março de 2022

Despedida – Tânia Cerqueira

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Onde tudo se acaba
Num piscar de olhos
Num respiro profundo
Há lapso eterno
Tudo tão efêmero
Sem nexos
Aquieto-me.
És única opção
Esperar esse dia
Do apagar-se das luzes

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Portas de luz - ANA MENDES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Fui seiva, sangue, pulsar no peito
Ventre fértil, acolhedor
Esperança, medo, dor sem lamento
Tudo aquilo que chamo amor.

Sou força e grito que rasga a noite
Vento que leva a saudade, extrapola
Vontade afoite, desejo, deleite
Alimento que aréola e consola.

Ser um rio que percorre e lava
Barca que tudo carrega
Ponte ou ilha enclava
Cântaro de barro que escorrega.

Flor que perfuma a erva brava
Canteiro de milho dourado
Árvore na floresta que salva
Tronco quebrado, pelo sol queimado.

Serei matéria deslocada
No espaço ou na memória
Partícula para além transportada
Entre portais de luz e a minha história.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Nordeste: matriz de raízes culturais - DIVANI MEDEIROS

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Nordestino,
Povo forte e lutador
Desperta com o raiar do dia
Com o canto do galo e sua alegria
Deita quando o sol se esconde
No poente, por trás do horizonte
Destemido, como Lampião
Percorre com o gado no sertão
Sofre com a estiagem demorada
Se ajoelha, reza e faz prece nessa temporada
Nordeste de gente ilustre, como Luiz Gonzaga,
o rei do baião,
Ariano Suassuna e padre Cícero Romão,
Patativa do Assaré, homem de muita fé
A força desse povo, está no sangue que corre nas veias,
Forte como o xique xique, e a força da catingueira
Cultiva nas raízes, um legado pra vida inteira

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A lua e as estrelas - MARIA FRATERNA

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E tu dizes: gosto da lua,
E eu digo: gosto das estrelas.
Trocamos sorrisos,
Enquanto elas brilhavam.
Eis a nossa felicidade - e a da noite.
Se, hoje, elas cintilam,
Ficamos com luz,
E se for eterna,
Damos as mãos.
Subimos em êxtase
Para as nuvens confidentes,
Fora do restolho da terra,
Do trevo verde nas folhas,
Da tristeza nos olhos,
Que perderam o rumo,
No percurso dos canteiros,
Do jardim dos jasmins,
Onde as flores se entregam
Nas horas noturnas,
E lançam o aroma das pétalas.
E, eu, donzela, sigo em frente,
Com a estrela a enfrentar o que vier
E, tu levas a lua debaixo do braço,
Estranha lua que segue a estrela,
De rimas e pausas livres,
Em todas as sílabas do verso
Ditas em serenatas ao luar.

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

sexta-feira, 4 de março de 2022

Meu Brasil - ANA TEIXEIRA

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Como exaltava o poeta,
Em outros tempos
De nacionalismo e galhardia,
‘Meu Brasil brasileiro,
Vou cantar-te nos meus versos’.

Mas hoje, não mais.
Sentimos falta desse Brasil,
De belezas e riquezas,
Exuberância de norte a sul.

Onde as águas do Atlântico
Vêm beijar e reverenciar,
Onde pisaram tantos ancestrais
Cheios de esperança
E vontade de labutar.

Essa terra quase infinita
De coqueiros e sabiás,
De brisa boa e gentil,
Que acolhe de braços abertos
Gente de todas as cores e origens.

Em qualquer lugar
Dessa terra generosa,
O estrangeiro se torna brasileiro
Num abraço acolhedor.

Um Brasil de muitas línguas,
Costumes diversos e longínquos
Enriquecendo nossa cultura,
Acrescentando novos valores.

Arte multicolorida,
Alma gentil e sofrida
Buscou acolhida
Por entre coqueiros e arados.

Gentil mãe da cultura indígena,
Que outrora vivia sua liberdade
Hoje se consome no fogo
Do insaciável capitalismo.

Cada brasileiro e brasileira
Almeja salvar sua pátria,
Mãe gentil,
Abandonada e esquecida.

Em cada canto desse Brasil
Há uma filha ou um filho
Agradecido ou esquecido
Mas sempre acolhido.

Em noite de seresta e lua cheia,
Talvez sem a doce melodia,
Mas com o crepitar de sua mata,
Os Paus-brasis a clamar em silêncio.

Um gigante adormecido
Que teima em não se reconhecer
Entre os grandes do mundo
Na sua humildade em servir.

Já se vão quinhentos anos
Ou antes, milhões de dias e noites
Na escalada do tempo,
Escola que talha o curso da vida.

Vida próspera e promissora
De quem sonha e acorda com o sol,
Trazendo na bagagem
Trabalho e esperança.

Esse Brasil que sonha
Acalenta e embala
As verdades secretas
De um futuro radioso

Onde seremos irmãos
Da natureza escondida
Em cantos mais recônditos
Desse manancial inesgotável.

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Coroa Imperial – SÍLVIA SILVA

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26/Maio/2021 Em homenagem de ANCP.
 
Pode passar um ou quatro anos
Dessa tua cicatriz aberta
Conheço a tua alma
Traduzo o teu silêncio
Colo os teus fragmentos...
 
Deito uma coroa imperial
Deixamos os nossos respeitos...
 
Aninha as tuas fragilidades com as minhas
Nuas e reais emoções, por ele
Com todo o respeito
Permite-te sentir, sofrer, honrar
a memória D'ele...
porque ele decerto
orgulho em ti devolvido terá.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

A rapariga que colhia azedas - ANA MARTA

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Era assaltada pela recordação,
Num misto de saudade
De nostalgia e purificação
Dos dias de inocente liberdade
Quando ia à escola de manhã
Aprender a ler e a escrever
Na companhia de sua irmã
E desenhava para se entreter
E, de tarde, passava os seus dias
Deambulando pelas planícies amarelas,
Em doces e rocambolescas fantasias,
Em desafios e aventuras singelas
Criando histórias, inventando romances
Com princesas, príncipes e dragões
Declamando, em fantásticas performances
As mais inusitadas e felizes situações
Em todas estas tardes havia algo comum
Descansava e intervalava a imaginação
Colhendo azedas para enganar o jejum
Chupando-as para prolongar a encenação
Ah, nostálgicos dias idos!
Tantas recordações maravilhosas
Os cheiros que apuram os sentidos
E regressar a essas tardes saudosas
A rapariga que colhia azedas
Recorda esses deliciosos momentos
Onde todas as existentes veredas
Estimulavam os seus grandes talentos

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Poesia Baiana - CLÁUDIA GOMES

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Poesia Baiana
É assim
Colorida como nossa gente
Tem as cores do Axé
O gosto gostoso do acarajé
Os mais largos sorrisos das nossas baianas
E o toque do Sol
Que acende a esperança
Dentro de todos nós!
Poesia baiana
É a poesia da gente
Representa luta e resistência
Rabisca os sonhos
E faz as asas da imaginação
Sobrevoar
Por horizontes longínquos o vento cortar
E nas águas do Atlântico
A poesia baiana nos faz mergulhar!
Poesia baiana
É uma poesia bacana
Que faz a nossa vida
RIMAR
Com tudo de melhor que há!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 3 de março de 2022

legado brasileiro - AMANDA PEREIRA SANTOS

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quem seremos
daqui uns anos
quando olharmos para trás
e vermos o que deixamos?
lembre-se que
tem alguém lucrando
com a desgraça alheia

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

E depois - CLÁUDIA GOMES

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E depois da tempestade
Da triste devastação
Ficarão os ensinamentos
Para que haja o perdão
Para que os soberbos percebam
Que humildade e amizade
Devem ser levadas
Em consideração.

E depois da casa arrumada
Das tristes lágrimas de saudade
E de tantas outras de gratidão
Veremos os poetas mais livres
Buscando rimas (im)perfeitas
Para agradecer a toda Nação
Arrumaremos a nossa vida
Jogaremos fora o tempo perdido
Limpando nosso coração
Deixaremos a vida mais leve
Depois de vencermos
O que parecia invencível
Cuidaremos mais de nós
E dos nossos bons amigos.

E depois
Seguiremos neste imenso trem da vida
Sendo maquinistas ou não!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Tique taque - TITA TAVARES

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Meu tempo está voando
Alado de ligeireza
A minha vida levando
Num voo de incerteza

Será culpa do relógio que está na parede da sala?
Atrás das horas correndo, somando instante a instante
Impõe-me constantemente… seu ritmo e sua escala.

Quis pará-lo ao acordar…
Quis eu imprimir o ritmo…
Certa de que o seu funcionar
Provinha da força de um mito

Mudei-o com toda a cautela
E sobre os ponteiros fiz reza
Cobri-o com uma tela
Com cenas da Natureza

O relógio mesmo enfermo
Não se queixou de seu mal
Ao tique taque pôs termo
Quebrou o seu ritual

Com meus sonhos derramados
Por tempo e tempo infinito
Os tiquetaques molhados
Tiniram em meu coração…
Soltando de um só grito
Do tempo a mais bela canção!

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

As minhas sementes - FERNANDO VASCONCELOS

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“as minhas sementes”
Plantei duas sementes,
No meu vaso de amor,
Reguei com todo o rigor,
Quer de noite quer de dia...
Fortificaram, floresceram!... mais tarde...
De uma, despontou de novo uma pequena flor,
Revigorante, reluzente,
Poderia até ser de diversas cores...
Mas será sempre fruto de meu amor!...
Iluminaste minha vida,
Regeneraste minha autoestima,
Renovando a luz de candeia,
Deste-me nova pincelada de amor!...
És fragrância...
És pétala surgida...
És alento de minha vida...
Aliando teu cheiro, em tónico
Entre frescura e cor.

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

quarta-feira, 2 de março de 2022

Foi ela quem provocou - ALINE BRANDT

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Rua pouco iluminada
O bruto está esperando
A jovem mulher não sabe
Que a paz está acabando
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Risco onde menos espera
No trabalho é encurralada
Noite em estágio avançado
É mulher desesperada
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Bela menina na festa
Muitos estão a cobiçar
Mas com droga na bebida
Sonhos vão destroçar
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Senhora dentro de casa
Costurar é o compromisso
Só que no meio da noite
Um mostro acaba com isso
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

No transporte coletivo
Muita gente está em pé
Ela é desprotegida
Frente ao cara de má fé
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Tem o que até foi amado
E acabou despedido
Sem chance de um retorno
Se acha atraente despido
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Menina no parquinho
Brinca cheia de alegria
Não vislumbra a emboscada
Que dos sonhos a privaria
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Estafada do trabalho
Só deseja descansar
Parceiro isso ignora
Nem aceita argumentar
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Feliz e ingênua menina
Vive os sonhos a embalar
Lá dentro da sua casa
Monstro vive a espreitar
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

O conselho é a denúncia
Informação da vítima é vital
Mas justiça por ser cega
Vai absolvendo o mal
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

Se for negro sem influência
Certas chances ela tem
Já se for branco e abonado
“Você queria também”
FOI ELA QUEM PROVOCOU!!!

(Poesia escrita para todas as Marianas - que são humilhadas,
subjugadas, maltratadas e ofendidas, só porque são mulheres,
neste gigante país chamado Brasil)

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Morrer na Praia – SANDRA RAMOS

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O meu ar é o teu,
a luz que incendia a tua alma, é a minha;
o teu azul pincela a minha essência,
o meu corpo é a tua existência.
 
És a Tela anunciada num museu,
és o meu escrito mais profundo,
és a escultura minuciosamente esculpida,
és a água da ondulação escorrida.
 
Desejo viver em ti,
ambiciono resgatar o teu melhor,
sonho em adormecer no teu embalo,
almejo percorrer-te no meu intrépido cavalo.
 
Não sei viver sem te ver,
recuso vegetar sem o teu odor,
e quando o meu respirar desaparecer,
desejo adormecer no embalo do teu entardecer...!
 
E ...nesse pequeno instante,
quando Deus me designar...,
…peço-lhe clemência...,
que me deixe - por favor - morrer no cloro da tua benevolência...!
Morrer na Praia…

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Sem lugar - TITA LEAL

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Quero estar num lugar
sem lugar
Distante
Ausente de mim

Já fui
o que de maior há no mundo
sonhadora
Onde todos os dias
me prendi ao amor
Sem o querer vencer

Tranquei-o em muros de esperança
Mas só nos meus sonhos de criança
o consegui
Por tanto querer amar
e no amor acreditar
Perdi

Quero estar num lugar
Onde só têm lugar
os pedaços de vida que reconstrui

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

O começo do fim - CRISTIANO CONSTANTINO

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finja ar de saudável
aparente ser menos instável
transpareça não estar vulnerável

trate-os com mais cautela
abaixe a cabeça, fale baixo
ou não pagarão seus honorários

sorria sob a máscara
vez ou outra faça graça
entretenha melhor a massa

e mascare a realidade
que te apunhala e apunhala
pela frente e pelas costas

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

terça-feira, 1 de março de 2022

Lá em casa... um café! – VERA SILVA

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Hoje acordei no meu Sertão 

Com um cheiro bom e acentuado de jasmim

Invadindo o quarto, a sala, a cozinha

Que alegria enfim!

 

Abri a janela e me deparei feliz

Com um tapete branquinho e perfumado

Como a me aguardar, recepcionar, dar boas-vindas

 

E foi assim que saboreei lentamente um café inusitado

Repleto de flores, cheiros, recordações...

Saboroso, único, especial!

Preparado com as sementes

Outrora plantadas, regadas, cultivadas

Que continuam a nascer, crescer e florescer lá no meu quintal do Sertão

 

Belos cafezais cujas floradas brancas parecem neve

Mas como aquecem o meu coração!

Resquícios de uma vida simples tão querida

Eternamente minha, eternamente bela

Lá em Casa para sempre aconchego de amor e paz!


EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Apoteose – RUNA

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se um homem estivesse acordado
no dia do seu próprio funeral
talvez esse acontecimento
pudesse ser uma festa
ou um momento para mais tarde recordar
 
com os amigos todos a acenar
à passagem do cortejo
e a gritar bem alto o seu nome
enquanto pombas brancas
se elevavam num imenso azul
 
músicos contratados
seguiriam ao lado do caixão
através das ruas decoradas
tocando música festiva
e varrendo a tristeza dos corações
 
viria gente de muito longe
apenas para aplaudir
ver com os próprios olhos
a derradeira encenação de um ator
a regressar de novo ao anonimato
 
o dia parecer-se-ia
com um qualquer domingo de verão
em que as pessoas saem à rua
para ver o sol brilhar
e celebrar o fascínio da vida
 
 
quando tudo estivesse terminado
regressariam todos a casa
cantando e dançando
sem arrastar o peso da saudade
ou qualquer outra consternação
 
o funeral de um homem
não tem que ser um episódio nefasto
pode muito bem ser a apoteose
de alguém que sai de cena
e emocionado se despede do mundo

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Redefinir Rumos - CHÁ RIZE

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O Brasil sem Ar
O Brasil sem Terra
O Brasil sem Água
O Brasil em Fogo
O Brasil sem Carne?
O Brasil está Osso
No playground do Bozo há mortes, destruição da Amazônia
e mais
Dando os nossos minerais
Foca no menino Branco a escola, morre o menino Preto
sem cota
Indígenas desaparecem do mapa, perdas incalculáveis
A inflação supera os índices de alta
O Brasil do Ouro
O Brasil do Pau Brasil
O Brasil da Cultura
O Brasil do Futebol
O Brasil terra do Sol
No Brasil Varonil
Choram as senhoras, riem os senhores sem afastar o nefasto
Gritando GENOCIDA tomamos as ruas, lutamos sem trégua
e por capricho da “elite do atraso” não por acaso, destroem o hoje.
Testes e vacinas vencidos liberando novas cepas e dinheiro correndo a rodo
Petróleo escorrendo dos dedos, Pré Sal sumindo de vista enquanto estupram a Petrobrás aqui na esquina.
No agora, incontáveis paraísos fiscais, barrigas e tanques vazios
Como no Big Broder a população acompanha a CPI,
terra adorada está na UTI, ainda a esperançar novos rumos.
No vindouro, com a primavera virá ascensão do Brasil.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Ni dieu, ni maître - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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não carrego cangalhas
nem deuses
nem mestres
nem diabos
nem senhores
eles que me carreguem

se meus ancestrais
foram escravos
eu sou livre

o meu caminho
certo ou errado
acompanhado ou solitário
que custe barato ou caro
que seja difícil ou fácil
sempre será anarquista
ácrata
libertário

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA