domingo, 6 de fevereiro de 2022

Encantos - ANITA SANTANA

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Da terra brota indecifrável canto
Florescendo manhãs orquestradas.
Em dias de sol ou de invernadas
Derrama belezas e encantos!

Sublime é este indescritível lugar
Que vive sob imensa magia
Desde o alvorecer com alegria
E chegada noturna do brilhante luar.

Em meio às constantes belezas
Sem se esperar chegam tormentos
E Também as indesejadas tristezas
Invadindo sombrios pensamentos.

Chuvas de inverno apagam dissabores
Dilui angustiantes e secos prantos
Faz brotar singelos e eternos amores
Surgem passarinhadas com belos cantos

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Amor perfeito (traído) - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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A Zé Limeira

ousar a vida como poeta
é romper com as normas
impostas por aqueles
que tem medo de viver
momentos atrevidos
tem o pensar poético
destroçado e incubado
não desencuba
nem vai pra Cuba
se pelo menos lesse
memórias de Brás Cubas
teria inteligência ao cubo
para não ser obtuso
de pensamento obscuro

ser pequeno
sem compostura
mofa perante o medo
caga regras estapafúrdias
para os poetas colhudos
não percebe, o abelhudo
que ninguém cala
um poeta do absurdo

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Estrangeiros de mim! - CARMEN LÚCIA DE QUEIROZ PIRES

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hoje eu quero
fazer tudo ao contrário:
falar, comer, andar
ouvir, sorrir, partir,
cantar, saltar, amar

se alguém achar estranho
e dizer que sou incoerente,
vou explicar ao contrário,

usando meias palavras,
ora num tom alto ora baixo,
vou acelerar sem confundir
se alguém me perguntar
o porquê disso

vou dizer apenas
que àqueles que supunha conhecer
nada tinham de perfeito
e por isso resolvi ser assim

ora salgada ora insossa
ora açucarada ora aguada

dessa forma
talvez perdoem-me aqueles
que pensava serem amigos,
mas que concluí
serem apenas velhos conhecidos,
quiçá estrangeiros de mim!

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Colheita – MANOEL BARBOSA

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Voo alto, mundos, desconheço distâncias
por você voo em pensamento, lapido sentimentos
às vezes em voo rasante, vou ofertar flores, agradar-te.
Conhecendo-te me sinto diante de um jardim de encantos
repleto de cores, suas preferidas, contemplo, encanto-me.
Enquanto voo, mergulho no imaginário, crescente colheita
rosa, hortênsia, íris, orquídea e outras, amorosa sintonia.
Ah! Obra prima da natureza, exuberante beleza, tu, poesia.
Sigo, embrenho-me no silêncio, palavras e inquietação
me transformo em cores diversas, entro em seu pensamento
entrego-me a ti, personifico-me, universo de abstrações.  
Enfim, voo ao seu encontro, vou à colheita dos belos frutos
voo, vou partilhar o que ainda não foi dito com palavras
voo no compor de versos que me levam a você e gratidão.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

A bailarina - ANTÓNIO MOTA

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1.
Na Babilónia, a melhor de todas, era adivinhada, por
figuras gráceis, de leveza e luz, uma bailarina. Só de arte o
corpo, seda em movimento, de saber o espírito, fulgurante
e vivo. Emergira, um dia, dum tempo antigo, deitado
no leito da vida. E enquanto emergia dançava e escrevia,
esplêndidas, a força, a beleza e a sabedoria, que trazia
consigo. Era ela a sacerdotisa suprema das artes sagradas
da escrita e da dança nas águas do rio.
2.
Em todas as eras, hordas de bárbaros vieram arrasar
a cidade. Violaram tudo o que mais valia, excepto a
bailarina. Assim, a sua vitória não podia nunca ser
consumada e reconhecida. Ignaros, não entendiam os
bárbaros que um corpo, só de arte feito, e do espírito,
é inalcançável. Mas não desistem. Ainda a perseguem,
e aos filhos dela, porque ela ensina a força, a beleza e a
sabedoria, nas artes sagradas da escrita e da dança nas
águas do rio.
3.
Em vagas sequentes, vieram e vieram, uns e outros,
e insistiram. Por várias vezes, destruíram a cidade, e
pilharam tudo. Mas a bailarina nunca apanharam, que
ela é a arte personificada e o espírito. Doce e delicada,
mesmo perseguida, sedutora e culta, ela resiste, e não será
vencida. Muralha invicta, contra a barbárie, ela vencerá.
Indestrutível é a força, a beleza e a sabedoria gravadas nas
artes sagradas da escrita e da dança nas águas do rio.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Descrição de um dia de chuva - ANDRÉ SANTOS SILVA

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Quando começa a chover:
alegria, comemoração, satisfação,
café com leite,
pão com manteiga
e, se tiver, requeijão.
Êta, friozinho bão!

Quando continua a chover:
blusa de frio, cobertor quentinho,
um bom programa de televisão.
O filho e o cachorro
entram em casa com os pés sujos
e começa a inquietação...
A mãe desliga a televisão,
fala uns três palavrão,
levanta do sofá
e pega o pano de chão;
olha pros dois, atravessado,
e começa a limpar o chão.
Depois, guarda o balde, o rodo, o pano,
e, de novo, liga a televisão,
deita no sofá e solta uns ronco
igual a barulho de caminhão.

O filho quer sumir dali,
mas tem medo da situação,
tenta sair à francesa,
pra não levar um safanão.
O cachorro ainda late
e piora a situação.
A mãe, ao acordar,
jura de pé firme: “Eu num tava dormindo não!
Onde você pensa que vai, nesse baita chuvão?”
E o filho se contenta
com a tal programação.
SENTA NO SOFÁ
com uma raiva que não passa não.
E escuta a mãe roncar,
mas tem que jurar que tudo aquilo é ilusão.

Quando a chuva demora mais dias:
chuva é muito bom,
mas tá na hora de parar;
já tenho muitas roupas sujas
e poucas pra usar.
Se chover por mais uns dias
não vou aguentar.
A casa está imunda e limpa não vai ficar.
Pra falar a verdade, eu não vejo a hora
do sol voltar a brilhar.

De repente, o sol aparece,
a vida segue.
Quando começa a fazer sol...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

A língua do fato - ANGELI ROSE

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A língua do trapo sem papo
É a mesma língua de fino trato
Para quem silencia no ato
Ao ver a chuva de palavras caindo
Sobre a cuca do bardo
Aquele que inspira almas com o abstrato
Mas finge vozes diversas
Que nem as corujas conhecem
Muitos tentam decifrar os versos do poeta
Criador de tretas enfiadas pela goela
Daqueles que o leem e olham para as estrelas
É tudo invenção da língua de trapo, fino trato
Extrato do papo das canções
Fábulas imaginadas sobre o porvir
Dos dias loucos por vida
Qual criança alegre com o brinquedo
Saia de sua cidade e veja o fato
Em língua nova sem marcação
No dicionário grosso, conhecido e lato
Pacato mundo dos substantivos e artigos
Distantes dos rápidos movimentos dos verbos
É a língua do fato que move o prazer
De quem lê e ouve ao longe o gênio
Sem lâmpada, só pra bem-fazer...

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Asas de alma - ANTÓNIO ALMEIDA

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Mas que alma sorridente
Alma nua, tão diferente
Será a tua certamente
Vivente de paixão que nos juntou…
Que de encontro ao peito
De Invulgar jeito
Desagua louca a preceito
Na foz do leito do coração!

De asas abertas
Me entrelaças
Me abraças… destemida
De alma nua, vestida
Sem medida fingida
Te entregas seminua
Voando à lua
Sem preconceitos, no meu eu…!

De alma nua de ensejo
Seara moldada a desejo
Primavera de semente de fina flor
Deusa papoila de amor despida
Em noite que não findou…
Num poema que amanheceu
Na alvorada… extenuada
Um a seu gosto que amadureceu
Num verão de agosto
De asas abertas, tu e eu!

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Incertezas - ANDRÉ GALVÃO

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Cidade pequena,
lugar nenhum

Braço de mar,
lugar algum

E longe de tudo
parece estar o mundo,
por entre as ondulações
da estrada,
encolhido no acostamento
da vida

Longe estamos nós
num mundo enorme,
cheio de pessoas pequenas,
mas repleto de ilusões

Restam-nos os desencontros
enquanto a vida
segue como a estrada:
em meio a retas, curvas, desvios
e muitas incertezas.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Estrada - ANA S. LOBO

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Olhar sem ver o tempo passar
Continuar a correr e nada alcançar
A pressa que se instala e não deixa avançar
O destino traçado noutro lugar.
Desenfreadamente percorro a estrada sem fim
Onde um túnel se instala dentro de mim
Dele não saio. Não consigo sair.
E a estrada afinal, era um pedaço de mim.

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De repente, um repente - ANDRÉ GALVÃO

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Eu pensei num poema
Que não precisasse rimar,
Eu nunca vejo problema
Se o final não combinar

Mas para falar do nordeste
Precisei mudar minha intenção
Este mundo, do sertão ao agreste,
Mexe com a minha emoção

Chega até ser difícil assimilar
Tanto brilho e tanta beleza
Neste raro e contraditório lugar
Onde a miséria convive com a riqueza

E muito além da seca e da pobreza
Este fértil solo tem para mostrar:
A força desse povo dá a certeza
De que esta terra vai prosperar.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Centro-oeste - AMANDA PEREIRA SANTOS

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por aqui não temos praias
e nem glamour demais

há muito verde
e água doce

não é por menos
que estamos
no coração
do país

agora,
sofremos com queimadas
e incêndios criminosos

o cerrado pede ajuda
e nós?
precisamos valorizar a natureza local

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

A hora da eterna despedida - ANA MENDES

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Por entre a multitude de cores
Elas enclavam um destino
Partilham os seus abrigos, sabores
Pouco a pouco de mansinho
Ainda cedo por verdes claros
Tornam-se escuras e amarelinhas
Toca o sino, é meio-dia
Desbotam sobre o castanho
Tingindo o próprio caminho
Da seiva num emaranho
Correria sem sentido.
Na batalha costumeira
Dos céus se afastam voando.
Prendendo-se sobre uma teia
ou dormindo no chão frio...
Ouço a hora que compassa a vida
Manto de retalhos de árvores cansadas
Cobrindo as grandes raízes até ao rio
Fertilizando novas folhas esverdeadas
Assim o outono canta o seu fado vadio
E na eterna despedida
Vibra o minuto do adeus
Vento sábio as acompanha sereno
Num cantar de lamentos em silêncio
Batendo ao compasso de tempo ameno
Todo o adeus que lhes vai dentro...

ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Poema do café - AKYCIANE KELY DE SOUZA

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No ranger da cadeira na calçada
Rodeada de risos e burburinhos,
Muitas memórias foram criadas
E regada por aquele cafezinho.

Se o cantar do galo avisa a hora do ferver,
No nascer do sol ele esperta o doutor.
E mesmo servindo de alimento na fome,
Hoje dividi opiniões sobre seu favor.

E a amiga que sofre ou até aquela que sorrir
Todas em volta do seu calor,
Compartilha seus segredos e afagos,
E nem percebe a hora de partir.

Mas é na mesa da sala do professor
Que testemunha os momentos de respirar,
Mesmo que não entenda o tumulto e as risadas
Mas o companheiro acalenta e o faz recomeçar.

Se alguém estiver triste, ofereça café.
Se alguém estiver sofrendo ofereça uma xícara de café.
Mas se alguém não estiver nada bem, seja seu café.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Tornar-se-á - CRISTIANO CONSTANTINO

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quando escrevo semimorto
quase em estado vegetativo
eu transcendo o mundo real
e levo dele somente o caos
caos que alimenta e fabrica
cada palavra, quente ou fria
que redunda na fala escrita
intimista

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Invisíveis - ALINE BRANDT

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O clima de violência
Faz a fuga do menino
A sempre severa família
Desconhece seu destino

Passa fome... Passa frio
É amarga a solidão
No cenário só um rosto
Quer lugar na multidão

A calçada é sua cama
As estrelas um telhado
Travesseiro não existe
Para o coração maltratado

Quando se vive na rua
É comum ser ignorado
Por muitos se é visto
Por ninguém enxergado

Para sobreviver
Vende balas no sinal
Janelas que se fecham
Passar fome é natural

Um dia contudo
Um anjo aparece
Com olhar bondoso
Ajuda oferece

O menino maltrapilho
Recebe abrigo e proteção
O mais importante porém
A oferta de educação

O menino cresce
E se torna bem feliz
O seu anjo de bondade
É tudo que sempre quis

É hoje simples lembrança
Aquele viver sozinho
Lhe chegou a grande luz
E acertou o seu caminho

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Novo tempo – LENITA STARK

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Outra cartilha
seguiremos
novas regras
em cena
imagens inovadoras
veremos
entre o ontem e o hoje
pontes construiremos
indivíduo e coletivo
ações humanitárias
alternativas
uma nova história
viveremos...
 
A pauta da vivência
no momento:
discutir a ausência.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

A morte não gosta de flores - ANA MARTA

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Não fujas porque ela não corre atrás!
A Morte vem de frente e jamais te cruzarás com ela.
Quando ela vier, já terás partido.
A Morte não gosta de flores
mesmo que exalem o mais magnífico dos perfumes,
que ostentem as cores mais fabulosas ou que tenham
custado uma fortuna.
A Morte não gosta de choros, lamentações e despedidas,
daqueles que, normalmente, te ignoram ou que,
diariamente, nem se lembram de ti.
Não gosta de elogios e de homenagens, nem que, aos
olhos do mundo, quando nos rouba sem misericórdia,
sejas transformado num Ser perfeito...
Porque a Morte sabe que é em Vida que deves ser amado,
homenageado,
agraciado, condecorado ou, simplesmente, amado.
A Vida, sim, gosta de flores perfumadas e coloridas, gosta
de palavras doces, ama a gratidão e a resiliência.
A Vida gosta de festa e alegria, de companhia e gratidão.
A Vida é imoral e injusta, aceita-te nas tuas ilusões de
grandeza e riqueza. Aceita que sejas o que queres ser e és.
Mas a morte não!
A Morte gosta de solidão, de infinito e de nada.
A Morte gosta do vazio e da igualdade.
A Morte não te julga e torna-te igual a todos os outros,
aos que foram e aos que irão.
A Morte é o mistério da Vida e não o contrário.

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Dona Branca - AKYCIANE KELY DE SOUZA

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O brilho que reflete de sua pele negra,
Nega seu nome, mas se compara a luz da sua alma.
Alma leve e coração grato, que expande sua alegria.

Quando criança, trocou a boneca de pano pela enxada
E nem assim, perdeu a esperança de voar.
Quando abraçou seus rebentos, eu sei que ousou
E decidiu que seus destinos seriam melhores.
Seria possível?

Se trocou a enxada pelas fraldas, não foi utopia ou só sonhar.
Ela foi enchendo a casa de livros, cadernos, lápis e foi
Plantando sonhos, iluminando caminhos, fazendo história
Por onde passou e a tia Branca, professora se tornou.

Ela é a filha do xique-xique que venceu.
Ela é a voz de alguns sufocados pela dor da fome.
Ela é a oração de um coração de mãe aflito.
E enquanto chamam ela de Dona Branca,
A chamamos de mãe.

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Preguiça - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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se eu fosse a justiça divina
não condenava a preguiça
e deixava a poeta adormecer

se eu fosse a justiça dos homens
em dava um tempo pra nada
me sentava na calçada
para ver o sol nascer

se eu fosse parida
por um astro vagabundo
sairia pelo mundo
iluminando o entardecer

como não sou nada disso
ilumino o feitiço que fiz
para a noite amanhecer

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA