segunda-feira, 29 de julho de 2019

Vírus - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Foste cravando garras infectadas venenosas
No meu corpo ardente e sedento de paixão
Em eras de crassa ignorância e desconhecimento
Aniquilando o amor, sonhos, venturas e desejos.

Incitavas prazeres entre lençóis de percal
Alardeando festins e foguetórios em surdina
Equivocados e entrelaçados aos gemidos de êxtase
Em regozijos e certezas ao mortífero cadafalso.

Provocaste alterações em atitudes e comportamentos
Deste à minha vida vis desprezos e preconceitos
Humilhações por consciências castradoras.

Décadas passadas por incertezas e desafios
Vergas-te ao crónico e indetectável
Permites sorrisos e esperanças no amanhã!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Circunstância - GONÇALO MIRANDA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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-Olá
- Bom dia como estás?
- Bem, e tu?
- Eu também.
Como estás a passar?
- Uns dias melhores que os outros
não me posso queixar.
- De facto? Pois, e a chuva é para ficar?
- Esperemos que não,
afinal isto é quase verão.
Um dia destes vamos à bola.
- Claro, vamos à luz ainda tenho a camisola.
- Velhos tempos.
- Sim, há quanto tempo não te via?
- Demasiado.
- Eu ligo... qualquer dia.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 28 de julho de 2019

Lamento - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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se eu um dia gritar todo o meu cansaço
       todo o meu desespero
       sufocado no peso ancestral de lágrimas paradas
       para não perturbar o sono dos homens felizes
hão-de ver que é de raiva o meu lamento
       por não ter asas para poder quebrar nos olhos espantados
       dos meninos que me não entendem
       por ter de ficar imóvel na praia ambicionada
       perpetuamente moribunda
       coberta pela bandeira universal do sangue

hão-de ver que é de raiva o meu lamento

(ou se preferem
de amor)

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

XXXI - MARIA TERESA DIAS FURTADO

Num dia de Verão, aproximou-se da água que tão bem espelha o céu azul sem fim. Encheu o poema de salpicos e houve pássaros que se aproximaram por vê-los brilhar. Num plano acima, dominava uma imponente magnólia onde luzia uma flor Branca que balouçava ao vento, mas não caía. O rumorejar das palmeiras em leque. Instalou-se nos versos daquela tarde de alegrias e companhias. Toda a natureza meditava nos poemas e neles se encantava.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

sábado, 27 de julho de 2019

Almas Penadas - CRISTINA MOITA

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Mundo diabólico por onde se exibe
Cada vez mais o homem que nada o instiga
Impotente o que vive sempre em desassossego
Querendo entender o que nada lhe traz.

Chega até o ódio a ter perna curta
Desfilando em almas com a memória curta
Ouve-se a falar de amor como fosse um prémio
Que é dado de cor perdendo a ciência.

Andam presas fáceis por aí moribundas
Acreditando em farsas hedionda, imundas.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Segredos - ISABEL BASTOS NUNES

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E no segredo de um querer bastante
Fundiam-se as almas nas manhãs salgadas,
E tomaram-se de amores,
E o desejo ardente
Vibrante e quente
Brotou como se fossem flores,
Num mar de madrugadas.

E fundiram-se num só.

E viviam a sós a febre das ânsias
Como se os corpos fossem fogo em brasas.

E tornaram-se-lhes os olhos em lágrimas
Na forma de um bailado ritmado,
De tal forma estranho e sem jeito
Que pôs entre os dois, um desejo insatisfeito
E quebrou-se o encanto que os unia.

E o segredo tornou-se mágoa
E a mágoa tornou-se agonia, ciúme e inveja
E, aquele amor inacabado morria
Como flor sem água, numa jarra sombria.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Passado feliz, futuro impossível - ALEXANDRE GERARDO

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Os dias eram felizes,
Mas rapidamente se tornaram tristes e vazios
Quando te foste, quando me deixaste
Partiste sem aviso,
Como o meu coração
Em bocados pequenos e destroçados.
Não procuro sofrer, no entanto,
Tiraste-me a razão de viver
Que mais hei de eu fazer?
Sem futuro fiquei
Para o passado não há volta...
Resta-me apenas o presente
Um presente sem vida, uma vida sem alma, uma alma vazia
Alma essa que está a esvanecer
Isto tudo porque me sinto a morrer.

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A culpa é do cão - ELÍDIO ROSA

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Há tempos, pedalando a bicicleta,
vi-te na rua à chuva, caminhando.
Puxavas pela trela um cão perneta
que atrás de ti ia coxeando.

Arranjei coragem e meti conversa
com a desculpa de saber do animal
e parados à chuva, sem ter pressa,
ficámos à mercê do temporal.

Com tatuagens e argolas no nariz,
tentei ter um ar “cool” e modernaço.
Queria chegar-me a ti e assim fiz.
Com a desculpa do frio, dei-te um abraço.

Então, quiseste saber do meu gosto
e o que fazia para me divertir.
Por causa dos enfeites no meu rosto
pensaste que ouvia música a partir.

Surpresa, quando disse o que gostava,
tu achaste que eu estava a brincar.
E, rindo-te, dizendo que troçava,
foste embora com o cão a manquejar.

Eu quero é que me deixem sossegado
a viver a minha vidinha em paz.
Por não gostar de rock, mas sim, de fado
não quer dizer que eu seja mau rapaz.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Poema de estacionamento - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

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Estalo o plástico de mais uma embalagem de medicamentos.
Abro mais uma garrafa para afogar meus lamentos.
Acendo mais um cigarro, cuspo o meu catarro,
Abro a porta, entro para o carro.

Os médicos tinham-me dito:
"O senhor assim não vai durar muito."
Pois então eis-me aqui: pobre, podre e careca,
A apostar com a morte em mais um jogo de sueca.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Recomeçar - MANUELA DINIZ

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Recomeçar...
é a oportunidade de viver
sonhos adiados
que no tempo se perderam,
mas que nunca nos esqueceram!

Recomeçar...
é abrir o coração,
recuperar a ilusão,
fazer nova tentativa
de mudar algo na vida!

Recomeçar...
é arriscar,
perder o medo
de voltar a errar!
É a nós mesmo perdoar,
é reabrir segredos
libertar medos
e de cara e coragem
fazer nova viagem!

Que a cada dia que passa
possamos recomeçar,
sem medo de tropeçar!

E assim, escrever nova história,
com sorrisos e esperança
e sempre, sempre, sempre,
com muita confiança.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Ânsias - MANUEL MACHADO

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Espreito
por janelas
entreabertas,
corpo
tenso e frio,
em busca
do desconhecido.
Ânsias
desmedidas.

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Escrever com ou sem palavras - GABRIEL PENICHE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Sonhar, escrever, dizer,
Com ou sem palavras,
Aquilo que se sente
Bem dentro do peito.
E por gestos e olhares
Se deita a voar
Como o pensamento
Que alimenta o desejo oculto.
Transforma sem medo o modo de sentir,
O viver que extasia
E que em sonhos imersos,
Tal como as almas in versos,
Vive a felicidade
Que o mundo lhe oferece.

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

terça-feira, 23 de julho de 2019

(Im)perfeito - MARGARIDA SEIXAS


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

 Sei que não encaixo,
Nem sigo o padrão.
Não faço bem feito, e ponho-me a jeito,
Das bocas que falam e me dizem que não!

Pinto esta vida
Com a minha cor!
Estampo a minha tela: borrões de aguarela!
Não decoro o texto nem sou bom ator!

Desvio das setas!
Foco na miragem!
Faço o meu caminho, errante e sozinho!
Em busca de pistas para esta viagem!

Se gostas aceita,
Segue em contramão!
Sigo o meu efeito, com ou sem defeito!
Se queres verdade, esquece a perfeição!

EM - III CONCURSO LITERÁRIO - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Canção para um segundo abril - ALICE VIEIRA

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hei-de voltar contigo à terra do silêncio renovado
a escorrer
              morno
dos lírios das nossas mãos unidas

encheremos os olhos de raízes verdes
e as palavras de sangue
serão apenas o murmúrio original
dos rios que vão surgir
sob os nossos dedos

saberemos que é dia
e que o sol vai nascer pela primeira vez

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

É vão - MARIA DOLORES PITEIRA

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Não te acredito
Acabei para ti.
Fingimentos sem sonhos,
Os sonhos estão frente a frente
Comigo. Meus.

E tanto que foste fútil.

EM - ABRAÇAR A LIBERDADE - MARIA DOLORES PITEIRA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Irrita-me - CRISTINA MOITA

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Irrita-me tanto fogo
Irrita-me tanta desgraça
Porque é que não chegam logo
E acabam com a nossa raça.

Que raio de homem é este
Que não sabe o que é um filho
O que cá deixa é tão agreste
E nem lhe mede o rastilho.

Já comeu tanta poupança
E nunca cagou um troco
Fica-lhe tudo na pança
E julga que traz um cachopo.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Deixei - ISABEL BASTOS NUNES

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Deixei que as minhas mãos se entrelaçassem nas tuas
E esperei que o teu olhar se virasse para mim com ternura
Como era teu costume à espera do meu consentimento
Como sempre te era esperado e desejado,
Mas a tua mão ficou inerte, como inerte ficou o teu olhar
E nem sequer para mim sorriste, como era habitual.

E então, lembrei-me das nossas risadas, dos pequenos
e subtis encostos
Na cumplicidade de uma rebelde fantasia, enquanto me
afagavas o cabelo, e ríamos por tudo e por nada, numa
ingénua felicidade, ignorando os perigos que nos eram
reservados.

Agora,
Ah! Agora parecemos dois manequins de loja, estáticos
e parados, com os dedos tocando-se ao de leve, sem
nenhuma emoção, completamente gelados como se fora
pelo vento gélido do Norte.

Sei agora o que há tanto tempo me querias dizer e hesitavas
sempre que o querias fazer,
Porquê?
Porquê tanta espera para me dizeres que te ias embora?
Olha,
Quando fores, sai de noite ou de madrugada, quando
eu estiver a dormir, deixa a tua roupa espalhada, o perfume
que tu usas, e o som das tuas gargalhadas... que eu,
Eu vou fingir que não dei por nada.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

Sombras - MIGUEL FITAS FERREIRA

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Contornos que nos fazem querer parecer ser,
Nuvens pretas que nos fazem adivinhar.
Tão grande é a sua ausência de caráter,
Que desaparecem se luz houver no seu lugar.

EM - A LUZ POUCA QUE NOS VÊ COM RAZÃO - MIGUEL FITAS FERREIRA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 21 de julho de 2019

Vivo no silêncio - LUIS VILHENA

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Vivo no silêncio,
Minha alma afogada.
Uma mulher separada
Nesta sociedade aprisionada.

Olhares descriminantes,
Desnuda-se o corpo de uma mulher.
São tantos os homens ignorantes
Que não a sabem acolher.

Sou vítima,
Forçada e amarrada
Numa sociedade que se diz avançada,
Toda a mulher deveria ser honrada.

EM - PALAVRAS VIVAS - LUIS VILHENA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Quando eu for brisa - SHIRLEY PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Quando eu for brisa
e você sentir um leve
toque em seus lábios
serei eu depositando neles
os beijos que a vida
não me permitiu lhe dar!

EM - MERCÚRIA - SHIRLEY PINHEIRO - CATALINA EDIÇÕES