Adivinho esta construção: uma cúpula
que abriga o mundo. E o mundo roda sobre
si próprio, fechando o círculo dos instantes
no centro da eternidade.
Ponho esta cúpula no cume
de um monte. O dia nasce, derramando na esfera
de vidro o líquido luminosos da madrugada,
com o brilho puro de um seio.
E bebo esta luz, num desejo ébrio
de nascente, ouvindo os primeiros pássaros
soltarem-se da noite com o canto côncavo
com que acordam o dia.
EM - A MATÉRIA DO POEMA - NUNO JÚDICE - DOM QUIXOTE
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