Amor de irmã, de noiva, amor de pais,
Já tive a dar-me enlevo, a dar-me encanto;
Mãos de mulher para enxugar meu pranto,
Lábios piedosos a abafar meus ais.
Abriu-me a lira os mágicos portais,
Vestiu-me a fantasia com seu manto,
E foi minha alma a Deus, solta no canto,
Ao sopro de asas leves, ideais.
Quando porém lhe falam de ventura
Dói-se o meu coração - logo procura
O estranho bem, as longes alegrias...
Dedos febris, a fronte húmida e triste,
Fui sempre o cego pálido que insiste
Em ver os seus anéis de pedrarias!
EM - POEMAS 1934-1961 - PEDRO HOMEM DE MELLO - ASSÍRIO & ALVIM
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