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segunda-feira, 15 de junho de 2015

XXIV - VICTOR OLIVEIRA MATEUS

A brancura do muro contrasta com a negritude do mundo, com o salteio acobardado dos que na cegueira se fingem. É uma brancura que gratifica, que apura a teimosia de um olhar que busca e que levanta, para lá da sombra das árvores, essa qualquer coisa que se não vê, mas há. A brancura do muro não me separa da assassina frieza da rua, tão-só me protege do alvar sorriso de muitos, quando à noite o carro camarário, no seu ronceiro mastigar de imprestáveis, engole sacos com lixo, sofás esbeiçados, lavatórios antigos, tão antigos como a brancura do muro.

EM - NEGRO MARFIM - VICTOR OLIVEIRA MATEUS - LABIRINTO

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