Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Navio naufragado - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Vinha dum mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.

É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez veias
E uma medusa em vez de coração.

EM seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.

E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves de cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.

EM - ANTOLOGIA MAR - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - CAMINHO

1 comentário:

  1. Belíssimo como todos os que escreveu.
    Sou fã incondicional.
    Obrigada por no-lo trazer!

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