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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Poema da selva - ANTÓNIO GEDEÃO

Se eu não fosse eu, teria ido além
e voltado contente.
Como não fui, resta-me este degrau
p'ra pensar nisso.

Andar no mundo
é como atravessar o continente negro
do berço à contracosta.
Vai-se crescendo e andando. Sonhando enquanto é tempo.
Depois...
Depois todos o sabem. As metáforas são fáceis.
São os olhos que espreitam na escuridão do mato,
redondos como sóis e acesos como chamas.

São os uivos, mais longos do que o fôlego,
que brocam a folhagem e esfrangalham os nervos.
São os ruídos secos, rasteiros e insinuantes,
no restolho macio, almofadado e húmido.
São os silêncios, os crivos de buracos imensos,
engolidores de espasmos e de espantos.

São isto e mais aquilo.
São aquilo e mais isto.
E assim por aí fora.
Todos o sabem no momento certo.
É só esperar um pouco.

EM - OBRA COMPLETA - ANTÓNIO GEDEÃO - RELÓGIO D'ÁGUA

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