domingo, 16 de janeiro de 2022

À velocidade da luz - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Todos os dias a vida acontece
Volátil e efémera
A alegria e a tristeza quase se sobrepõem
Nem se chega a poder sentir.

Há tanta coisa para ver
Tanto desejo a realizar
As exigências são tantas
E o tempo sempre a fugir.

A terra está constantemente a rodar
Um mundo em convulsão
À velocidade da luz
Nasce e morre um coração.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sábado, 15 de janeiro de 2022

Pela luz de teus olhos – FLAVIANE BORGES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Pela luz de teus olhos eu entreguei a alma de meus desalentos

Balbuciei o amor que chegara apressadamente e não percebi
Entreguei a fome de desejos resguardados, fiz-me pedinte de migalhas
Vi-me despida dos versos e silenciei minhas secas palavras.
 
Chegaste-me como o orvalho de uma manhã ensolarada de verão 
Foste vento de fim de tarde, a tocar a face rosada de minha timidez 
E eu, adormecida nos enleios dos versos que li nos livros, amei-te…
Como quem ama a figura sofrida de um poeta que versa o amor em meias estrofes
 
Contrário ao meu sentimento, que desejou-te por estrofes inteiras
Por versos e rimas perfeitas em cada reticência de teu corpo...amei-te!
 
Pela luz de teus olhos visitei o inferno, por um instante do paraíso 
Fiz morada na vastidão do tempo que durou instantes
Reguei todas as plantas, de todos os jardins, plantei rouxinóis e cactos
Para que cedo viesses tu, sentar-se no verde gramado de minha esperança
 
Sonhei-te por todas as noites, que me fora permitido viver
Vi-te no raiar de cada dia, na agonia de que no brilho lá estarias
Eu me vi, pela luz de teus olhos, mas a vida sem teu amor é como 
um arco-íris que perdeu a cor, e sem cor nem brilho deixa de ser ele mesmo
 
E o deixando de ser, já não é…
Que falta faz o que não existe?
Mas não o meu amor por ti.
Não saberia explicar nem por uma eternidade tal desalento.
 
Pela luz de teus olhos, que verso este poema sentido e mal rimado
Que rasgo o peito em ferida dor, que resmungo estas palavras de melancolia.
Pela luz de teus olhos, que na moldura amarelada contemplo…
Ali, onde guardo-te na serena noite de cada sonho rotineiro 
Até que contigo me encontre, no mesmo jardim por mim plantado
 
No mesmo brilho do sol de verão, numa linda manhã orvalhada
Na mesma estação, no mesmo comboio, no mesmo tempo e destino
na mesma vida, na mesma eternidade.
Para aliviar-me desta dor e saudade…
Que é amar, pela luz de teus olhos.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Dos embrulhos – FERNANDO LAGES

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Minhas mãos escorrem sobre seu rosto,
e meu beijo se esparrama em sua nuca.
Desembrulho-lhe até lhe deixar maluca,
esgoto o tempo para lhe sentir o gosto.
 
Se em sonhos lhe embrulho em quadros,
em realidade me desembrulho a pensar:
“melhor seria se eu lhe pusesse a nadar
mergulhada em meus lençóis quadrados”.
 
Embrulho seus cabelos em minha mão
e me enredo em seu sacro segredo.
Seus olhos vêm que não sou homem são.
 
Embrulho seus sonhos em minha mente,
ó mulher dona de todo o meu desvelo!
Canto-lhe o meu mudo pranto reticente...

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Amar a todos – FERNANDA BEATRIZ

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Eu quero amar-te
Ó tu,
De olhos em bico
E a ti,
Que não pensas como eu;
 
Eu quero amar-te
Ó afro,
Nessa pele escura
Em contraste
Com esta minha brancura;
 
Eu quero amar-te
Aqui e ali,
Nómada errante
E a ti,
Sem bens, sem fé e sem lar;
 
A Vida há de levar-me…
A Vida há de ensinar-me a amar a todos
E, só depois…
Plena de Amor repartido e acolhido
Não mais verei:
Olhos em bico;
Pele escura ou a minha brancura;
Nómadas ou sedentários…
Outras Fés…
 
O Mapa Mundo
Será só Terra e Mar
Sem fronteiras, sem domínios
Sem predomínios,
Por onde poderás
Voar
Navegar
Caminhar
Passar
Ficar
Ir e voltar,
Livre de medo
Livre de fome
Livre de solidão,
Viver de Vida
E ascender ao Céu.
 
Livre!!!!! Livre!!!!
 
Mundo Nação,
Porque
Exauridas as hipóteses
De sobrevivência
A quem insistir a tanta
E tão rude divisão.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Às vezes corpo, às vezes... íntimo – FÁTIMA MOTA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Não fiques presa
aos meus infinitos desejos
nem aos poemas que ora escrevo.
São minhas as palavras ditas
e todas as promessas feitas
são meus os segredos tantos.

De ti as orações benditas
nas contas do rosário santo.
Teus são os malabares 
e as crendices nas linhas sinuosas
da mão caprichosa e atirada.

São teus,  os anseios e meus,  os arremedos
tentativas enfeitadas da  ilusão primeira.

É nosso o momento esparso
querentes  corpos jazem
à espera de um vinho tinto,  adocicado
que não arranhe o paladar
pois que  o dia é  noite
e a língua molha a orelha morna.

São nossas as palavras mudas
pois o verbo inútil gera-se no silêncio.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Eternidade - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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deus é um bom pretexto
para justificar
todo tipo de insanidades

se ele existisse não permitiria
tanta ignomínia
debaixo dos céus
em seu nome

se ele fez o homem
à sua divina imagem
porque ele é eterno
e o homem é mortal?

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Coração Bandido - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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Coração bandido
Indomável e traidor
Assolapado e sofrido
Inundado de amor
Em mil pedaços partido.

Dentro do peito palpitas
Frágil e desanimado
Dificilmente acreditas
Foste severamente enganado
Embora nem sempre admitas.

Sem mais tempo a perder
Deixa o passado de lado
Está na hora de reerguer
Não durmas acordado
há tanto ainda para viver.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A rosa de alzheimer I - JOÃO RASTEIRO

Mãe, vá, vamos ainda viver um pouco?
- Filho, alguém me sussurrou na noite dorida
que tenho de partir com a minha solidão,
entregar o sopro que nos dias estendidos usei,
imagino, então, que irás entristecer como a morte
que não pernoita na indolência da colheita,
dissipar-me-ei no corpo e na luz, tenho de partir,
e como as mães que esmoem a tristeza dos filhos
desprenderei o júbilo dos buracos negros... e
partirei com a nómada alegria dos pássaros.

EM - OFÍCIO - JOÃO RASTEIRO - PORTO EDITORA

domingo, 9 de janeiro de 2022

Amor sem abrigo – EMANUEL CATALÃO MARÇAL

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Quando a noite leda me persegue
Instala-se em mim a demagogia
E o medo persegue-me e não cede
Em perfeita e admirável teimosia,
 
A madrugada… rebenta em mim
Como uma vaga feroz e ondulante
E a lua, quieta, abraça-me e beija-me
Como a um ser perdido e errante,
 
E nas palavras loucas que nunca digo
Soltam-se os gemidos de choro e saudade
Das noites que ganhei ou perdi contigo,
 
E algures onde as sombras se escondem,
De coração partido, sem amor nem abrigo,
Amo-te, rendido. Hoje mais do que ontem.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sábado, 8 de janeiro de 2022

Bicarbonato de soda - JOÃO RASTEIRO


Um tal de Fernando António Nogueira Pessoa,
ocultava sempre as múltiplas e habituais cartas
que recebia de um certo Álvaro de Campos,
todos esses papéis pálidos hoje se deixaram
de jogar pelo puro prazer do impensável
"e as lágrimas de ametista caem no lago" oculto
em atroz explosão dentro de sua cabeça,
nos veios fundacionais do rito e da loucura,
até Pessoa a propósito de metafísica dizia às vezes:
"dêem-me de beber, que não tenho sede!"

EM - OFÍCIO - JOÃO RASTEIRO - PORTO EDITORA

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Amanhã... – DEUSIANA SILVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Silêncio de uma tarde
Emerge das águas
De minha alma
Palavras nunca ditas,
Mas sentidas por mim
Cujo tempo tratou
De nos reencontrarmos.
Inspira me neste momento
Para um amanhã
Que poderá tornar se
Significativo
Para que  não fique
Imergido nas águas
Eternamente.
A natureza praieira
Com ajuda do destino
Conspirará a nosso favor.
 
Saibas que seu abraço
É como o acolhimento
Da lua com o sol
Numa conquista diária
Deste eterno amor!

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Deus três - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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as práticas divinas
deixaram um testamento
longo e trágico
de morte e destruição
dilúvio, apedrejamentos
maldiçoes, pragas, estupros
pedofilia, incestos
sacrifícios

deus era tão bom
que próprio filho sacrificou
com a desculpa deslavada
de salvar a humanidade
que ele destruiu varia vezes

torturado até a morte
abandonado
até hoje adornam as igrejas
com imagens aterrorizantes
e vendem verdadeiros
pedaços da cruz
onde o pregaram
e comem seu corpo
sob forma de pão de miga

e você, cidadão de bem
me diz que eu tenho
que seguir o seu exemplo
ou é doido de pedra
ou acha que eu sou
vá à puta que lhe pariu
tenho mais o que fazer

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Brumas do vento – DANIEL BRAGA

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O tempo voa nas brumas do vento

E o vento sopra ao longo das memórias
E das memórias constroem-se pensamentos
Em pequenos puzzles cheios de histórias
Recortes de vivências com significado
No tempo e à medida que o vento sopra
As memórias esvoaçam alimentando a alma
Como leves penas de recordações e emoções
Saudades de um tempo que não volta
Ficam as mágoas e alegrias revisitadas
Puzzles recortados, imagens com lágrimas
Momentos de um tempo que se esvai
Espólio marcado por sensações sublimes
Um amor que se fortalece no tempo que passa

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Silêncio, Serenidade e Incenso de Alfazema - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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No silêncio do meu quarto,
Observo no exterior o inverno
Através da janela sinto o tempo
Por instantes, hiberno.

Na serenidade deste espaço,
Escolho música para escutar
Vivo apenas este momento
A minha alma quer se aquietar.

Por momentos esqueço a insatisfação
Distraio a mente com outro tema.
Este cenário só é possível completar
Com o cheiro do incenso de alfazema.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Génesis - JOÃO RASTEIRO

Depois das queimas as trovoadas, a luz atestada
da terra extasiada pelas áscuas hibernais das fêmeas
brotando a pedra, o toiro, o homem,
a voz corpórea de uma cidade lavrada em clarões
despidos de olvido, de fogo vivo e desejo.

E as palavras doridas em nervos e tendões abençoados
em casulos de oiro, puros fosseis em teias de amores
mortais que procriam a avidez das crias
pulsando uma sísmica e indomável geometria aberta.

EM - OFÍCIO - JOÃO RASTEIRO - PORTO EDITORA

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Ao Casimiro de Brito - JOÃO RASTEIRO

O corpo flutua incendiado e dobrado
como os tendões duros da terra
em "seus contornos recortados contra a luz".

Eu sigo o eco da maturação perfeita
o círculo fechado no halo dos enigmas
que ignora a extensão de sua púrpura teia
"onde a cidade, o céu e os montes" explodem.

EM - OFÍCIO - JOÃO RASTEIRO - PORTO EDITORA

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Êxtase – CLAUDIE LANGE

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Tão nua quanto a verdade,
Incandescente de vibrações divinas,
Se livrou de todos os fantasmas.
No instante, redentora de seus desejos, jorrava sobre todas as outras qual uma fonte,
o conteúdo do vaso sagrado.
Uma mulher de vanguarda, renascia, despindo-se diante de sua deidade.
Encontrar-te-ei entre o Solo e o Luar,
O sentir e o existir,
Nas infinitas liberdades,
Dispersa da lucidez.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

domingo, 2 de janeiro de 2022

O poeta – CLÁUDIA MONTEIRO

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Há na conceção de um poema o poder da criação.
O poeta é o deus omnipotente da escrita, que cria, mata ou salva, a seu bel-prazer.
Urde enleios para um eu  poemático,
Marioneta nas suas mãos de artista.
É o pintor que, com os seus pincéis, o embrenha numa floresta encantada, ou o borrata de cinza e o atira para a rua, a pedir esmola.
É a mulher que decide parir, as vezes que quiser,
Filhos que só a si pertencem
Únicos, mas amados de igual forma,
E que os dá a provar ao mundo... 

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Eu nasci - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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como qualquer sertaneja
vendo aquelas belezas
aquelas tristezas
as dores, os sofrimentos
hoje sou as consequências

como disse Nietzsche
o filósofo que se desnorteou
ficou doido, mas
deixou esse pensamento
que me norteia
o que não me matou
me deixou mais forte

coragem
fortaleza
para tudo tirar de letra

a ironia, o amor
e o ódio
isso tudo é
um juramento inusitado
não vou deixar você
usar meu passado
para meu fraquejamento

sou forte
sangue quente
sopa de leite
que sobe rápido
não demora
me transporta
me deporta
transborda

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

sábado, 1 de janeiro de 2022

Canção da Chuva - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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Pling!…Ploc!...Chuuuu!...
A água cai do ar
O melhor é correr
Se não te queres molhar.

Fiiiiii!...Pum!...Pum!...
Começou a trovejar
Relâmpagos intensos
Vêm nos assustar.

Vvvv!... Vvvvvv!...
O vento à festa se veio juntar
Nem o guarda-chuva
Te pode salvar.

O frio e o granizo
Também se quiseram mostrar.
Ping!…Ping!... Ping!...
O temporal está a abrandar.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA