quinta-feira, 11 de março de 2021

Ao futuro - ELÍGIO DE AZEVEDO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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I
Oh! Futuro me responde
Quero a tal felicidade
As surpresas que escondes
Irão pro poço da saudade

II
Não adianta adiar
Não adianta esconder
Quem nasceu para amar
Cedo ou tarde vai saber

III
Torturas às vezes serve
Pois quem vive a sonhar
O destino assim escreve
Só aprende se apanhar

IV
Isso se passa comigo
O tempo passou eu sei
Pode ser até castigo
Mas não te esquecerei!

EM - ESCOLA DE POESIAS - ELÍGIO DE AZEVEDO - CHIADO BOOKS

Ledos devaneios - LIÈGE DE MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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E, se...
Fosse possível mudar o passado?
Ter percorrido outros atalhos.
Deixado o que virou cascalhos,
Livres, sem amarras da ilusão.

E, se...
Não houvesse o medo de sair?
Abandonando os desejos roubados,
Os elos quebrados, o fel da ingratidão.

E, se...
Incertezas virassem realidade.
Pessoas tivessem selo de qualidade
A vida abraçasse a verdade.

Talvez, quem sabe?
Exaurir-se o olhar esvaziado.
O equilibrar-se pelo lado trocado.
O gosto do estar errado

E, se...
Houvesse uma nova história.
Congelando alegrias, pregando vitórias.
A beleza dizendo adeus à tristeza.

E, se...
Tudo fosse coerente...
Com certeza,
Não haveria este dia em que estou presente.
Já que eu seria outra: totalmente diferente.

EM - ROTAS POÉTICAS - LIÈGE DE MELO - IN-FINITA

quarta-feira, 10 de março de 2021

O Brasil é uma rima - ESIO RAFAEL

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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O brasil é uma rima desde o homem cultural mais remoto
A nação se mexe constantemente dentro da sua panela
de raças borbulhantes
O brasil é uma rima de cores sonorizadas de ritmos
cadências e orações
O brasil é uma rima no requebrar do corpo e da alma
da mulata
O brasil é uma rima do canto dos emigrantes até a ginga
e o charme da raça negra
Do drible do jogador da várzea aos estádios
O brasil é uma rima de magia e de bailado
O brasil é uma rima do nordeste brasileiro desde a criança
“Que mexe remexe e remexe e dá nó nas cadeiras”
O brasil é uma rima que dança no rumor surdo de um sol
que brilha treme
E agita as ondas claras e turvas do mar nordestino
Num imenso salão de brincantes que correm,
param e pulam sem perder o compasso:
O mateus joão gilberto é quem estica
O mateus jackson do pandeiro é quem encurta
O mateus anacleto é quem imprensa
                                           Enquanto o ouvinte surta
                                           Nesse mundo de miragem
                                           Nem todo longametragem
                                           Rouba a beleza do curta
O brasil é uma rima no toque e no compasso do pilão
de pilar café

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O doce amargo do nunca mais - ITANIRA SOARES

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Cada vez que provo teu doce amargo
Afogo meu coração
Numa infinita solidão
E desembarco sem direção
Nos sinais ínfimos da escuridão
Tateando as paredes
Da minha fraqueza vã.

Cada vez que a lembrança
Em uma bandeja traz-me beijos,
Teu doce amargo fere meus lábios
E sangra minha alma,
E cospe minhas dores
No lenço que deixei no passado
De lágrimas molhado
Acenando um adeus para nunca mais!
Nunca mais!

EM - INEXPLICÁVEIS POEMAS - ITANIRA SOARES - IN-FINITA

terça-feira, 9 de março de 2021

Daqui a pouco - ESIO RAFAEL

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Daqui a pouco vai embora um!
Vai embora um!
Na tora!
Vai embora um! Da toca!
Vai embora um! De tôca!
Vai embora um! No taco!
Vai embora um, vai embora um! Canalha!
Vai embora um capacho!
Vai embora um no braço!
Vai embora um! Vai embora um! Sistema!
Vai embora um fiasco!
Vai embora um no tacho!
Daqui a pouco vai embora um!
Vai rolar um! Vai rolar um! Vai rolar um caboclo!
Pisando firme e forte, mudando a nossa sorte!
Vai rolar um!
Vai rolar um!
Vai rolar um!
Até ontem louco!
Só pra quebrar de coco qualquer qualquer zum, zum, zum!
Daqui a pouco não terá mais problemas!
Vai rolar um poema!
Vai rolar um poema!
Vai rolar um pó - ema!!!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 8 de março de 2021

Saudade - ERIVALDO LEITE DE LIMA

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1
Saudade por favor faça um favor
Vá correndo bater na porta dela
Saudade por favor diga pra ela
Perdoar este pobre sofredor
Não mereço sofrer tanto por amor
Saudade não quero ouvir mais não
Não suporto mais viver na solidão
Tenha pena desse pobre coitado
Eu sou um vaqueiro apaixonado
Cansado de correr pelo sertão

2 
Saudade já tentei mais não consigo
Preciso esquecer está mulher
Fiz de tudo ela faz o que bem quer
O seu lazer é maltratar comigo
Saudade não mereço este castigo
Preciso me curar desta paixão
Não suporto mais ver meu coração
Sozinho sem ninguém abandonado
Eu sou um vaqueiro apaixonado
Cansado de correr pelo sertão

3 
Saudade por favor preste atenção
Pare de bater na porta errada
Se tem alguém querendo ser amada
Sozinha como eu na solidão
Saudade por favor faça isso não
Tenha pena desses pobres coitados
E não deixe por aí abandonados
Não é pecado agente querer amar
Saudade não se pode maltratar
Nem separar Corações apaixonados

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 7 de março de 2021

Só vou sair com Vacina - ERIVALDO LEITE DE LIMA

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1
Eu não vou sair de casa
Para agradar a ninguém
Os shoppings podem abrir
Não vou gastar um vintém
Chega de tanta agonia
Se dane a economia
Com os facistas também

2
É melhor perder dinheiro
De que ganhar um caixão
No inferno não tem banco
Ninguém faz aplicação
Se você no céu chegar
Você só vai encontrar
Gente de terço na mão

3
Por isso fique calminhos
Pra tudo terminar bem
Se você dança forró
Dança no ano que vem
Evite aglomeração
Se não você cidadão
Vai ou fica sem ninguém

4
Sem ninguém ninguém suporta
Ninguém vive sem paixão
Se você for vai deixar
Seu amor na solidão
Se ela for deixa o marido
Você indo deixa partido
Um sofrido coração

5 
Se os dois colheram frutos
Desta bonita união
Quem irá regar os sonhos
De Maria e do João
Qualquer um perder seu tino
Sem pai sem mãe sem destino
Sozinho na multidão

6
O filho sem pai é como
Um carro desgovernado
Sempre se perde nas curvas
E no abismo é jogado
Vive no mundo sem rumo
Uma parede sem Prumo
Pendendo pra todo lado

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Por agora - ROSA MORENA

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Por agora
Não mexam com as minhas incertezas
Elas ocupam todos os espaços.

EM - LATITUDES DE INTIMIDADE - ROSA MORENA - IN-FINITA

 

sábado, 6 de março de 2021

Ninguém mente ao coração - ELÍGIO DE AZEVEDO

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I
Podemos mentir! Não ao coração
Esse silente vibra compassado
Reage sim a cada emoção
Vai de calmo à acelerado!

II
Compasso ou ritmo ele dita
Não admite erro ou ingratidão
Tenta acalmar a alma triste aflita
Nos faz até sonhar, numa canção!

III
Por estar triste sentindo o abandono
Relembrando as passadas glórias
Em frias tardes assim de outro outono
Vai revivendo as belas histórias!

IV
Vividas lá em longínquo passado
Vêm lá do fundo de dentro d’alma
Embarga a voz do ser amargurado
Mas mesmo assim, o Coração se acalma!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Fotografia - LIÈGE DE MELO

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Olho a foto em minhas mãos,
ela acorrenta o tempo,
refaz um momento
da imagem que foi minha um dia.

Tantos anos se passaram, no entanto,
por encanto, afogada em letras,
                                                permanece
entre páginas de um livro, envelhece.

Me ver naquele espelho de outrora,
transmuta meu ser
                             a tantas memórias -
risos, cheiros, irreverência, histórias

De um tempo contido, achado e
perdido, num fragmento fugaz,
                           da vida em aurora.

EM - ROTAS POÉTICAS - LIÈGE DE MELO - IN-FINITA

sexta-feira, 5 de março de 2021

À Senhora Saudade - ELÍGIO DE AZEVEDO

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I
Junho o mês do frio inspirador
Nos traz de volta o passado distante
Recordações, se teve um grande amor
Que nos perturba a paz a todo instante!

II
Tantas fogueiras estrelas e balões
Das alegrias, festas das quadrilhas
Os lindos sons das marchas e baiões
Só transforma a dor em maravilhas!

III
Maravilhas como o te conhecer
Fantasiada oh! Matutinha linda
Brincamos juntos até o amanhecer
Aquela noite, não esqueci ainda!

IV
Hoje eu lembrei-me que saudade atroz
Que fez curvar-me a Senhora Saudade
Nesse soluço que me embarga a voz
Mas me devolve a felicidade!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Meu violão e meu vizinho da mata - ITANIRA SOARES

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Cordas tangentes de meu violão
Violam meu coração
E tangem os aboios tristes e dolosos
Dos meus ais sem compaixão.

Olhos medrosos se escondem num repente
E eis que entre a dor contida do meu canto saudoso
Pousaram no pinho pés descalços afiados
Meu vizinho da mata, um pássaro queixoso.

Não ouvi seu queixume, não entendi seu pousar
Continuei a cantar acompanhei seu vôo alado
E daqui da bananeira ao lado
Ficou ele a me escutar.

EM - INEXPLICÁVEIS POEMAS - ITANIRA SOARES - IN-FINITA

quinta-feira, 4 de março de 2021

Tributo a Nísia Floresta - EDSON AMARO DE SOUZA

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Para Fátima Bezerra, governadora do RN

O “Emílio” foi escrito por Rousseau
Sobre a educação só masculina
E Mary Wolstonecraft o retrucou
Exigindo igualmente a feminina
– No Brasil, nossa Nísia publicou
Tradução desse livro libertano,
Desejando um Brasil republicano.
Nos livros escolares, minha gente,
Tão grande educadora cala ausente
Nos dez pés de martelo alagoano.

O Rio Grande do Norte tem cidade
Em honra de seu nome batizada
Mas em livros didáticos não há-de
Ser junto a Castro Alves celebrada?
A escola nos esconde essa verdade:
No tempo do escrever machadiano
Já falavam mulheres ano a ano
Nas páginas de livros e jornais
Desejando parlamento e tribunais
Nos dez pés de martelo alagoano.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Mulher um universo vida - JOSÉ LUÍS OUTONO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

No acto de conjugar o verbo
SER
a envolvência das ondas
MAR
ditam sentires e os apelas
MULHER
esculpem olhares e esboçam
ODORES
tão sensíveis que definem
AMOR
num voo solitário e
AMIGO
parafraseando gritos de um
IODO
ímpar e sedutor em
SORRISOS
ou telas coloridas de
SONHOS
qual jardim onde cada flor segreda
HINOS
intemporais e os
OLHOS
escrevem continuadas gotas de um
ORVALHO VIDA!

EM - SER MULHER III - COLECTÂNEA - MOSAICO DAS PALAVRAS

quarta-feira, 3 de março de 2021

Poema das commodities - EDSON AMARO DE SOUZA

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Nossa história não é mais que um relato
Das matérias aqui sempre extraídas:
O nome de “Brasil” atesta o fato
– Árvores que estão já quase extinguidas.
Para plantar-se cana fez-se um trato
E o rei deu as terras divididas,
Dos índios roubando o litoral:
Salvador nasceu qual capital.

Quando o ouro surgiu lá nas Gerais
Cá no Rio embarcava pra Lisboa
Que o dava ao inglês sempre voraz
Que pra nascente indústria tal escoa.
O Barão de Mauá nos quis iguais
Mas a monocultura o atraiçoa:
Os vis escravocratas do café
Fazem nosso país andar de ré.

Delmiro Gouveia no sertão
De Paulo Afonso extrai sua energia
Enfrentando os ingleses qual leão
– Sua indústria com eles competia,
Quando um crime sem nome ou solução
Toda a obra no abismo arremetia.
Outro golpe sofremos mais fatal:
Perdemos para os ianques o Pré-Sal.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Dos olhos de sarnambi grande às lambretas - NEGRA LUZ

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Eu vejo lambretas.
Ela via olho de sarnambi grande.
Eu vejo iguarias exóticas.
Ela via a fome.
Eu desejo o que vejo.
Ela enganava- se que gostava.
Eu não penso em nada,
Só como.
Ela, mesmo engasturada,
Agradecia.
Eu não reflito as minhas garfadas.
Ela traduzia cada olho que da casca tirava.
E concluía:
Pior era a vida de quem nada come.
Negra Luz

EM - UM MUNDO EM VERSOS (CLUBE AMANTES DA POESIA BRASIL) - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

terça-feira, 2 de março de 2021

Vida do Sertanejo - EDNALVA CRISTINA

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Logo cedo, manhazinha,
Quando a aurora anuncia
Ouço o cantar do galo
Numa grande sinfonia

As aves são seresteiras
Vários cantos, muitos pios,
Anunciando desde cedo
O esplendor do dia

O vaqueiro em seu cavalo
Cavalgando a trotar
Desce e sobe nos lajedos
Pra boiada, aboiar...

O sertão nordestino
Tem grande manancial
Tem o rio São Francisco
De integração nacional

A vida do sertanejo
É um deserto sem cor
Passa fome, passa sede,
Traz no peito muita dor

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Em teu olhar - ROSA MORENA

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Em teu olhar
Há um pássaro aprisionado.
Até quando?

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Caipira pequenina - EDNALVA CRISTINA

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A caipira pequenina,
Há tantos anos nasceu
Escolheu Santo Antônio
Para ser padrinho seu!

Santo Antônio quando a viu
Um sorriso logo deu,
Deus, Deus meu...
Essa menina peralta
É a luz dos olhos meus

Santo Antônio muito feliz
Um belo nome lhe deu
Vou chamá-la de Antonina
Pra lembrar o dia que nasceu

Santo Antônio logo foi
Reunir-se com a família
Pra no dia do batizado,
Realizar uma quadrilha

No dia do batizado
Santo Antônio cochilou
Não viu a treita das tias
Que outro nome botou
Ao invés de Antonina
Azenaide anunciou!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A prece - ELÍGIO DE AZEVEDO

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I
Deus, transformai-me num condor
Dai-me asas grandes pra voar
Quero ir longe em busca do amor
Pra viver sempre alegre e a cantar!

II
Dai-me a glória de eterno sonhador
Deixai que sinta o espinho da saudade
Plantai em mim a semente do amor
Quero encontrar tal felicidade!

III
E na Prece que vos faço ajoelhado
Reconheço que amar não é ruína
Tenho um puro coração apaixonado
Sou condor, não ave de rapina!

IV
E na glória desse sonho esplendor
Na certeza desse amor eu encontrar
Tira o bico forte e curvo do condor
Dai-me boca doce e quente pra beijar!

EM - ESCOLA DE POESIAS - ELÍGIO DE AZEVEDO - CHIADO BOOKS