sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Palavras vazias de mim! (excerto) - Lídia Palminha

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Releio cada palavra que escrevi e…
há tanto vazio nelas,
entre cada uma,
em cada sentimento relatado
e não existem emoções que consigam preencher.
Perdi o sentido das palavras pelo caminho,
aquele sentido que tinha raízes em algum lugar,
que tinham uma conexão única,
sem necessitar de qualquer justificação e…
E o vazio aumenta em cada frase
torna-se num abismo difícil perceber,
difícil de explicar.
Larguei de mim o senso do verbo amar,
neste caminho em que criei tantos vazios espaços.
Há tanto a dizer por cada letra que se une,
há tanto para escrever por cada palavra que se junta e…
Há tanto que não é escrito nem dito
e tanto que nem consigo sequer escrever ou dizer
e a poesia, essa, eleva-me em devaneio.

Deixo de reler, pela minha incompreensão
aquela que há muito me deixa cansada,
extenuada por não querer menosprezar alguma palavra
ou algum sentimento e…
...

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Lisboa (1957) - Ivo Álvares Furtado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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A bordo do navio Alcobaça,
tudo era descoberta e novidade,
nos 24 dias repletos,
de brincadeira e chalaça,
até chegar a Lisboa,
almejada cidade.

Pelo canal do Suez
alcançámos o Mediterrâneo,
chegámos a Lisboa em Novembro,
em dia de frio, de que bem me lembro.

Lisboa daquela época, mostrava,
uma cidade em remodelação,
em que a televisão despontava,
e o metropolitano estava em construção.

Cidade cosmopolita e buliçosa,
do Rossio e do Chiado,
das leitarias e das casas de fado.
“Quem quer figos, quem quer almoçar”,
as vendedeiras ambulantes, ouvia-se a apregoar.

A mesma cidade onde o padeiro distribuía
o pão de porta em porta, a cada dia;
onde os autocarros da Carris eram verdes, então;
e os palhaços no Coliseu me enchiam o coração.

A Lisboa que já sentia como minha,
onde havia os típicos sons da flauta dos amoladores,
os ardinas e os polícias sinaleiros a cada esquina.
Era o fascínio que a Lisboa de então, tinha.

A cidade que então conheci,
de Alfama à Madragoa,
foi a maravilhosa Lisboa,
onde transitoriamente vivi!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

De um azul Templário - Joaquim Paulo Silva

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De um azul Templário
o pássaro sinaliza
a estação e o seu fim
espírito livre afim…

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado da Azenha (Moinho velhinho) - Fernando Silva

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Naquele moinho velhinho
Ficava mesmo a caminho
Das capelinhas da serra
O moleiro levava trigo
Pra moer ao seu amigo
Que vivia naquela terra (bis)
Quando chegou ao moinho
Avistou um rapazinho

Que estava desaparecido
Perguntou-lhe qual a razão
Aquele dócil coração
Porque estava tão sofrido? (bis)

Peço-lhe especial favor
Não me leve ao dissabor
De voltar àquele lugar
Fui ali tão maltratado

E passei um mau bocado
Sem saber o que é amar (bis)
Serei guarda do moinho
Mesmo que esteja velhinho

Neste lugar descampado
Posso até ser um rapazinho
Quero seguir o caminho
Que me estará destinado. (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Parafraseando - Frassino Machado

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«Para o amigo Mário Lima»

“Sou um corredor da fortuna”
Confessa este distinto atleta
E… não há dúvida nenhuma
Que a vida, assim, é mais completa…

Estando ou não em condições,
Sob o ponto de vista da saúde,
São belos os sonhos e as ambições
E esta FORTUNA é uma virtude.

Correr e correr é saudável,
É saudável e dá prazer,
E, nesta postura admirável
Até a dor se torna lazer…

Sabe-se que há outros caminhos,
Que são aliciantes e fictícios,
Todavia os seus “pergaminhos”
Acasalam-se com os vícios…

“Morrer a correr” é paixão
E dá força à alma, afinal;
Quem o sente, assim, tem coração
E liberta-se do hospital!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Pareciam mais brancas as gaivotas - Graça Pires

Pareciam mais brancas as gaivotas
que adejavam o cais das colunas,
à procura da geometria dos passos
daqueles homens que vieram
agitar os ventos e as marés.
Havia réstias de luz a inundar
as colinas de lisboa
e a suspender o tempo irrepetível
de um aceno que a madrugada
transformou num tumulto de gente.

EM - ERA MADRUGADA EM LISBOA - GRAÇA PIRES - POÉTICA EDIÇÕES

domingo, 8 de dezembro de 2024

Renascendo - Carla Pimenta

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Já não sei quantas vezes da tumba saí
Quantas vezes as tristezas sacudi
Das lágrimas perladas um majestoso colar fiz
Ou quantas vezes da morte escapei por um triz
Já não sei se sou flor sazonal
Se possuo raízes profundas que nas memórias me prendem
Se chego com a Primavera nas asas de uma andorinha
Ou se regresso com os ventos de outono
Renasço a cada batida do coração num compasso apressado
A cada sorriso teu envolto no denso nevoeiro que persiste em meus dias ardonar
Renasço das profundezas da alma na mais dura realidade de já não te ver
Ateei este lume constante que em mim acendeste como alimento de uma utopia
Aprisionei a Fênix que em mim vive e de gelo a rodeei
Sepultei as mágoas… as tristezas… as palavras vis…
Adubei a esperança… reguei o desejo… cultivei a empatia e assim renascia…
Renascendo me reconstruo… me renovo… me reinício…
Volto as costas ao mundo e num grito sufocante de quem tem as entranhas
rasgadas renasço uma vez mais…
Já não sei se morri… se adormeci…
Se tão somente renasci de uma falácia chamada vida!!!!

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Desejo - Lídia Palminha

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Um dia perguntaram-me o que desejo,
naquele instante, não soube o que responder,
mas hoje, diria que é ver distantes paisagens,
de beleza inigualável.
Um dia perguntaram-me o que desejo,
naquele instante, de nada lembrei,
mas hoje diria, que é ser como o Mar,
ser portadora de tal caráter.
Um dia perguntaram-me o que desejo,
naquele instante, fiquei a pensar,
mas hoje diria, que ser brisa,
para os rostos mais tristes acarinhar.
Um dia perguntaram-me o que desejo,
naquele instante, nada desejava,
mas hoje diria, que ser um sonho,
para rechear os corações de esperança.
Hoje perguntaram-me o que estou a desejar:
.. a cada amanhecer, a concretização;
a cada entardecer, sorrir com gratidão;
a cada dia, SER ação do sentir do meu coração!

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

sábado, 7 de dezembro de 2024

Mangueiras da minha terra - Ivo Álvares Furtado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Num país tropical,
poderiam ser, goiabeiras, bananeiras,…,
mas são as mangueiras,
que abordo neste poema,
tendo esta árvore como tema
e como bandeira.

Na minha terra há mangueiras frondosas,
de verde escuro coloridas;
apoiado num dos seus ramos,
quando em menino,
obtinha frequentemente guarida.
O doce que resultava,
das mangas que recolhia
e que minha avó cozinhava e fazia,
uma bela “mangada”,
que tão bem me sabia.

Anos mais tarde, já em Angola,
também assim aconteceria,
quando nos intervalos da escola,
trepava, lesto e acedia,
a uma apetitosa manga,
que do chão vislumbrava
e para a qual, de imediato, corria.

São lembranças da minha terra
e da vida com sabor tropical, que queria;
que saudade eu tenho,
ainda hoje em dia!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Fim da Jornada - Joaquim Paulo Silva

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Pelos que jazem
na campa solitária
um Requiem não chega
só o sal das lágrimas
do nosso imenso Portugal…

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Alexandrino do Noquinhas (Água pura) - Fernando Silva

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Naqueles limos vida, pura desgraça
As águas cristalinas, frias se agitam

Onde vivem os pássaros, que ao longe gritam
Enquanto essa corrente, lentamente passa (bis)

Água pura imensa, da fonte vai descendo
Do nascente que fica, no cimo da montanha

Esperança de vida, pró monte vai correndo
E nesta abundância, sublime e tamanha (bis)

São corpulentos despidos, na água, descanso
O teu rio desliza, sublime na corrente

Leva a sujidade, os fantasmas na frente
Parece um ribeiro vazio, dócil e tão manso (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Caminho para o poema - Frassino Machado

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“Os passos de Eugénio”

Que rumo seguirei para chegar ao poema?
Passo aqui, passo ali, sobre as pedras da calçada…
As palavras são essas pedras que o sustentam
Pequenas, médias ou grandes, eis a jornada
E o caminho para lá chegar.

Rumo certo, rumo incerto, apenas a intenção
De que o poema se revele, certo ou não.
Para onde vais, poeta? “O meu mundo é o horizonte
E o meu horizonte chama-se universo”
Quem te disse que as palavras já são poema?
“As palavras, as minhas palavras não mentem…
Elas me segredam, nas velas da emoção
E ao ritmo pausado do coração,
Se o poema se encontra alojado ou não”.

As palavras convivem, umas com as outras:
Os ais, as sílabas, o seu corpo mesmo,
As coisas, os sons e os sinais, todos se revelam.
E os poemas falam… “já não há palavras interditas.

Rente ao pensar, ao dizer e ao sentir,
Aí está o poema na sua plenitude, no seu devir!”

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Quinta essência - Fátima Santos

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Sonho
Estrela da manhã
Que ilumina esperança vã
Água límpida do mar
Que me incentiva a cantar
Urze das serranias
Que me protege das ventanias
Vento calmo e acariciador
Que dissipa minha dor
Sonho
Essência quinta da Humanidade
Terra água ar fogo éter
Mão de Deus e verdade
Onde os quatro elementos são a essência
Mas o Quinto a permanência.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

Ter uma trave - Leonora Rosado

Ter uma trave
Antes do pensamento
Que me diz que é nada
Que é vento
folha em movimento

EM - TRAUMA - LEONORA ROSADO - LICORNE

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Amor de mãe - Maria João Abreu

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Amor de mãe,
é afecto desmedido
carinho contido,
um bem querer com amor,
que tão bem faz crescer.
É essência que alimenta,
a base que cimenta,
O porto de abrigo…!
É asa protectora
é ombro e riso,
aconchego amigo
Sempre e quando é preciso.
É pureza no julgar,
pura ternura no olhar
é voz amiga
que oferece dedicação,
e perde privação!
É sentimento nobre
puro amor,
cuidado e manejo diário,
mesmo em momento de dor.
Amor de mãe,
É poesia no seu mais profundo ser,
a melhor inspiração,
a mais bonita missão,
e a maior bênção que uma criança pode ter,
num abraço sem padecer.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

És tu! - Lídia Palminha

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És tu o meu tema
tu, que abres o meu caminho a cada manhã
que recebes o meu peso,
pés que desejam caminhar levemente,
cordialmente.

És tu o meu tema
tu, que trazes obstáculos aos meus dias
que recebes as minhas lágrimas,
água salgada que anseia continuar a descobrir,
a sorrir.

És tu o meu tema
tu, que me testas com inúmeras provocações
que recebes as minhas dores,
transmutação nesta minha caminhada,
dedicada.

És tu o meu tema
tu, que me arremessas contra a parede
que recebes a minha tristeza,
transformação de dor,
em amor.

És tu o meu tema
tu, que me inspiras a erguer a cada manhã
que recebes toda a minha vivência,
vida que vibra em alma,
(en)calma.

És tu o meu tema
tu, que acolhes os meus sonhos
que recebes o melhor de mim,
alma que vibra em vida,
por vida.

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Margão (excerto) - Ivo Álvares Furtado

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Nasci em Margão,
onde também nasce o rio Sal,
lembro-me ainda hoje, com a mesma paixão,
das brincadeiras que fazia, no meu enorme quintal.

Aqui, em Goa, onde também Camões viveu,
nas suas ruas passeou e percorreu;
onde se inspirou e escreveu,
os seus primeiros poemas,
bem aqui.

Aqui também, aprendi,
a falar Concani,
a par do idioma Português
e ainda hoje, de quando em vez,
relembro alguns termos,
dos quais não mais me esqueci.

Na bela praia de Colvá,
jogava ao ringue e corria
e deste modo despendia,
com outras crianças de lá,
a energia própria da infância,
no decorrer do dia.
Banhava-me nas águas mornas,
privilégio tropical;
dormia uma indolente “sorna”,
deitado no areal.

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

domingo, 1 de dezembro de 2024

Despeço-me do Verão - Joaquim Paulo Silva

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Despeço-me do Verão
e do cheiro a noite
limpa
aonde termina a madrugada
com a luz clara em nossos rostos.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Acácio (Recordações do passado) - Fernando Silva

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Trago noites nos meus dedos
O teu nome nos sentidos
Recordações do passado

Os meus passos são segredos
Meus sentimentos sofridos
Pelas esquinas deste fado (bis)

Já não sou mais a criança
Que brincava com outras mais
À porta da escola da vida

O tempo trouxe a mudança
Não desejo voltar mais
Àquela vida sofrida (bis)

Meu presente e passado
A curva da minha vida
A solidão do meu dia

Deixei escrito num brado
Uma paixão perdida
Num desejo de alegria (bis)

Trago ruas nos meus dedos
A vida nas tuas mãos
No céu as minhas preces

No coração trago medos
Na crença nas tuas bênçãos
O amor que tu mereces (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA