quinta-feira, 10 de março de 2022

Sou da terra que floresce - FRANCINE MARIA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Eu sou do Nordeste
Terra d’onde floresce amor
Do povo cabra da peste
Um povo batalhador
Que traz na sua memória
Um sonho realizador

Na sua pele
Deixa a marca registrada
De lá do meu sertão
Onde ficará marcada
Em toda a sua história
Que já foi muito contada.

É entender desde menino
Ninguém fica para semente
Crescendo vai entendendo
Que é errando que se aprende
A mudar o seu destino
Fazendo com que ele tente.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A passageira - MARIA FRATERNA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Teima em ser flor
Pinta-se de pólen
É fruto quase maduro
A brilhar na Terra

A passageira

Pernoita com amor
A namorar as estrelas
Adornada de rendas
A confidenciar beijos à lua

A passageira

Prende-se à imensidão do céu
Esvoaça em versos de sol
Tão cheios de amor
E deita-os ao mundo

A passageira

Tece cada instante
Rodopia estonteante
Ecoa cânticos ao criador
No santuário da sua alma

EM - DE DENTRO PARA FORA - MARIA FRATERNA - IN-FINITA

quarta-feira, 9 de março de 2022

Horizontes - CONCEIÇÃO CRUZ

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No sol, das nossas violas.
No lá, das suas violas. “Taranranram” ...
A lua se enamorou de Júpiter!

A árvore tão solitária olhou para o horizonte,
buscou o azul do céu e se enamorou de sua sombra.

No lá, das nossas violas.
No sol, das suas violas, a lua se enamorou de Júpiter.

Aqui é o meu paraíso, tem tudo que eu preciso:
o céu e a terra se encontram.
Mistérios silenciosos... Mas, o silêncio grita!

No dó, da minha viola. No ré, da sua viola.
No mi, das suas violas...

Estou só, mas não sozinha: trago memórias só minhas...

Eu sou o seu horizonte! Você é o meu horizonte!
A lua é testemunha, o céu é o guardião de um amor
que não termina, de um amor que jamais termina...

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Serão Horas? – VANDA OLIVEIRA

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Serão horas de fora? Ou fora de horas?
Ora ou oral,
Que horas serão, afinal?
Oh maçada! O meu relógio estancou!
Além de hora e em fogo de fora?
Há quantos presságios de tempo a tempo...
Lamento o meu relógio estar tão desatento.
Impossibilitando-me de trilhar este agora fenomenal
Ou hora, difícil se encontra este encontro.
Fora em que o sonho alenta, lento e marginal.
Hora e som de rouxinol, terno, quase chora.
Outrora diversa,
Hora de sombra, tamanha de tempo, seja melhor
Flora feita, de simpatia e nostalgia.
Dos ora que fora de hora em hora.
Hora dos solitários. Vários.
Passam horas. Passam fora.
E dos ora que o tédio queima sem apregoar.
For'aqui dos que te querem.
Hora dos que teimam noite e dia...
Cora do mar e do mar paladar...
A mar. Amar.
Hora de acordar. Pedem ao tempo para os avivar.
Fora de febre e de calma,
Hora em que se arruma o som
E o seu em tempo, e se benze o luar.
Fora dos truques e magia.
São ilusões sérias para recordar.
Hora de pensar.
Para existir e criar.
Aflora da saudade e reflectir, e dar.
Como me sentes, tu, eu e para te pintar...
Hora das artes. Aperfeiçoar...
Fora dos que não estão e querem ficar.
Hora dos que imaginam sem se lembrar...
Fora de ti, somente um nome.
Raça, asas, sei lá se para voar
Hora dos órfãos, consolar,
E dos que não têm ninguém para abraçar.
 
Fora dos que sofrem e dos presentes.
De olhos curiosos a compor e a falar.
Hora de vir... na hora. Fora de sol, ávido de luar agora
Hora ao minuto para mim e ti e na hora,
Fora nem mais um minuto, vem, vamo-nos poetizar.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Mundo verde - ARLINDO ANDRADE

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Sinto o vento
que me assobia aos ouvidos
uma melodia de sons
que proveem
dos quatro cantos do mundo...
Olho para o alto,
o céu coberto de nuvens que passam
carregadas de mistério
sopradas por aquele vento
que me assobia.
À minha volta
há flores cor de prata,
outras reluzem como o ouro,
flores cor de ouro e de prata,
porém, simples e tão frágeis.
Há mar, há lago,
há água nas barragens...
natureza refletida
num pedaço de mundo ainda verde,
que ressurge quando Cabo Verde
é visitado pela chuva amiga.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Coletânea Ecos do Nordeste - FRANCINE MARIA

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Coletânea Ecos do Nordeste
Da editora In-Finita
Que fica lá em Portugal
E incentiva na escrita
Falando da nossa cultura
Nosso Nordeste ela recita.

Ela tem o intuito
De dar continuidade
Ao trabalho realizado
Com cordialidade
Divulga a língua portuguesa
Sempre com amabilidade.

Vários escritores
Falam do nosso chão
Do nosso mandacaru
Também do nosso gibão
Seja mais um eco
De raiz, de tradição.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 8 de março de 2022

Mulher de Vermelho – VALLDA

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Por ti gritei a liberdade! Por nós, a alforria
que desonrava a pátria, se disso dependesse...
por mais que por outro vil, me prendesse
essa era a causa fulcral pela qual lutaria!
 
É sabido que nada disfarça e que pouco renega
e que o meu espelho de tanto reluzir, acalma...
Não é pelo corpo. Expande minh' alma;
liberta meus sonhos; sossega...
 
Se surgiam do nada, vozes que pediam
e até rostos perdidos que nada sabiam,
esperavam um não e eu dava-lhes o sim!
 
Em nome dum sonho corri eu, destemida
e entre as mulheres, a de vermelho vestida
matei todas as outras que viviam em mim...

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

O que é que recordamos - ANTÓNIO MOTA

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1.
O que é que recordamos de cada dia em cada ano?
Não é a vida feita de anos, mas de fiapos do tempo que
lembramos. São as memórias assim. Não as há contínuas,
sequenciadas, unas. Afloram submersas, sempre quando
querem, donde não se sabe, nem como.
2.
Da sombra das lembranças retalhadas vimos. São
remendos as memórias, presumíveis pequenas bóias, que
ficaram de naufrágios esquecidos, âncoras que saltam
do abismo e do apagamento de navios. Somos o que da
sombra nos fazemos ser.
3.
É imenso muito mais o que esquecemos que o que
sabemos. A memória, se a temos, é uma manta de retalhos
pequenos, que urdimos e tecemos. Não é a vida feita
de anos, mas de fiapos apenas do tempo que lembramos.
O que é que recordamos de cada dia em cada ano?

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Viagem ao sertão do meu painho - FELINTO GADÊLHA SEGUNDO

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A mala grande e velha a amarrar
Bagageiro a pesar, com cordas a enlaçar
Ansiedade feliz do meu pai, para sua terra voltar
Ansiedade feliz da minha infância, prazer em recordar

Voltar a Campo Grande do RN, ao Sítio Cajueiro
Estrada longa e esburacada
Caatiga seca
A falta d’água
Pedras na terra
Frio na barriga
Frio na madrugada

Lá no sertão do meu painho
Cajueiro é imbuzeiro
Oratório é obrigatório
Lembranças da carroça velha e do jumento.

O retorno pra casa da mãe Maria, em seu peito a esperança
Lembranças da minha infância
Da alegria do meu painho
Pra matar a saudade
Daquele seu ranchinho

Brincadeiras com seus irmãos
Anedotas a contar no alpendre
D’àquela casa que a todos acolhia
Saudades daquela humilde gente

Menino na porteira
Matutando a espiar nos canteiros
Chinelo a chiar logo cedo
Noite no claro de candieiros
Alegria de quem chega
Pra logo partir ligeiro

Visita de casa em casa
Apadrinhando a criançada
Galinha e farora não faltava
Melancia pra matar a sede
de quem se acostumou com o clima da cidade
Mas que desse sertão seco, guardava tamanha saudade

E quando lá chovia,
Festas de São João, Santo Antônio ou São Pedro,
fartura tinha
Lembranças de uma boa herança
da cultura do seu pai Antônio,
do milho verde, do feijão e da bonança

E hoje Painho?
Memórias daquele tempo, daquelas viagens, do seu sorriso, que jaz se foi
Lembranças dos cáctos, xique-xique, mandacarú
Vento quente, pedras na terra, barragem que já sangrou

Este sertão, levo no coração,
da humildade e do valor que se tem para o sertanejo
a lenha no fogão
Da vovó guardo o cheiro do seu cachimbo a fumar,
e suas mãos a rezar e nos abençoar
Carrego nas lembranças o banho de cuia, a casa grande,
as redes a balançar

Foto da família Gadêlha na sala, conversas sem ter tempo pra se preocupar.
Viagem ao sertão do meu painho.
Saudades de lá.
Recordações na alma que não dá para apagar.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Netos - FERNANDO VASCONCELOS

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O filho,
Filha,
De minha filha!
É como se fosse,
Meu primeiro rebento...
O amor é tal qual o mesmo,
Bate forte veemente ...
Mesmo que lhe corra nas veias,
Outro sangue estranho e premente.

EM - A SEMENTE - FERNANDO VASCONCELOS - IN-FINITA

segunda-feira, 7 de março de 2022

Excitação - CLAUDIO BUZZO

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Dos seus cabelos correm o perfume da flor
E a eterna luz da sua tez aveludada
Formosa me encanta, e perfuma os ares...
E dos teus seios, a minha vontade desejada!

E era tudo silêncio... O vento soprava...
E a cada passo meu... o vento saltitava
Incitando teus beijos de estrelas de prata
A noite sorriu... E o vento me carregava...

Era o encontro meu na calada da noite
Com teu corpo excitante que me esperava.
E, a sedução, igual aos ventos de açoite...

Carregava-me ainda mais veloz à sedução
O perfume da flor dos teus cabelos exalava
Ao encontro da tua nudez à minha excitação

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Flor da Liberdade - ANTÓNIO ALMEIDA

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A liberdade chegou bem cedo
Pelas mãos de uma flor
Ganhou coragem perdeu o medo
Se aventurou contra um rochedo
O enfrentou de alma sem dor…!
Uma liberdade que a vermelho
Tem no cravo essa flor
Um reflexo que no espelho
Sentenciada pelo vermelho
A liberdade mudou de cor!
Abraça a noite numa canção
Tem o povo a seu favor
Tem liberdade no coração
No Abril a união
Numa luta por amor…!
No emergir da madrugada
Trás um cravo em sua mira
Uma esperança conquistada
Numa primavera alcançada
A liberdade ninguém nos tira!

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Galo da madrugada - EUNETE SILVA

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Galo da madrugada,
Carnaval a recordar,
Pensando?... Só sintam!
Matutei e vou matutar...
Trinta vezes repetidas,
Fui o galo observar!

O que é o galo?
Uma história, uma brincadeira,
Um símbolo, uma alegoria, um carnaval?
É bom, gostoso e não faz mal!
Vê o galo, os blocos, as fantasias e os foliões,
Alegram os corações, daqueles que vão brincar...
Trinta vezes repetidas,
Fui o galo observar!

Como a vida é louca,
Todo mundo Boca a boca
Bebendo, cantando, vendendo e comprando...
No galo tudo dá!
Trinta vezes repetidas,
Fui o galo observar!

Brincadeiras de crianças,
Que brinca só na lembrança,
Sem saber o que é brincar,
Velhinhos jogando prosa,
Senhoritas cheias de rosa,
Enfeitando para danar!
Trinta vezes repetidas,
Eu estava na avenida,
Fantasiada para pular!

Vendo o galo da madrugada,
Achando bom e bonito,
É um desfile bem rico,
Da cultura popular!
Trinta vezes repetidas,
Eu estava na avenida,
Fantasiada para pular!

Porém, é lastimável,
Que diante deste momento,
De tragédia mundial,
A passarela está vazia,
Para tristeza total!

Espero que seja passageiro,
Quero de volta a alegria,
Daqueles carnavais,
Que trinta vezes repetidas,
Desci e subi na eletrizante avenida,
Ao som dos batucais.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Intrigas - CRISTIANO CONSTANTINO

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não sente muito
mas o pulso ainda pulsa
num corpo cansado, de coração vulnerável
com pulmão a expirar...

quando perde a razão
é razão adoecida de emoção
fazendo jus ao guerreiro solitário
de sentimento solidário

rosa, balão, quentão
ano novo é prorrogação
e se agora chove é para enterrar intrigas
uma ou outra descabidas
hoje ou depois; aqui, noutro lugar

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

domingo, 6 de março de 2022

Corpo e alma - CARMEN LÚCIA DE QUEIROZ PIRES

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há dias não escrevo...
corrigindo: escrevo, mas...
nada sai de mim no papel!

até penso: - eu não sou eu

minha escrita, não sei porquê
vem e vai...
eu fico sem saber
se estou no passado ou no futuro

no presente? - não estou!

no passado fica o machucado
dos momentos vividos
que remoemos, remoemos
até soltarmos o grito contido

no futuro está a esperança
ah! a bendita esperança
àquela da caixa de Pandora
mas... ainda não vivenciei ela
para sentir o gosto do seu triunfo

eis-me no meu presente
no dia a dia das minhas loucuras
dos meus desejos...
contidos desejos!

na nossa despedida fiquei oca
saiu tudo de dentro da mim
até o coração levaste
somente a mente ficou
para que eu pudesse escrever
essas linhas tortas

vou esperar por você
talvez a espera me faça entender
que não sou só corpo, sou alma
e minha alma é você

assim,

- quem sabe?

poderei de novo escrever

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Quinhentos mil barcos sulcam (poema inacabado) – TECA MASCARENHAS

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QUINHENTOS MIL BARCOS SULCAM
o mar dos meus olhos já corroídos de tanto sal
velas brancas como mortalhas embalam
as quinhentas mil almas que vogam à deriva
e quinhentas mil lanternas ardentes
sinalizam os desenlaces
nos suplícios das solitárias separações
sem despedidas
 
quinhentas mil velas reluzentes como fogo fátuo
se incrustam feito cravos em minhas retinas
indeléveis marcas de inimagináveis e devastadores
tempos de guerra
que vitima desarmados soldados-heróis
e deixa quinhentos mil nomes amados
escritos a fogo nos desolados corações remanescentes
 
– que se colham dos bosques das campinas
das montanhas das colinas
quinhentas mil flores das mais belas
quinhentas mil camélias e quinhentas mil papoulas
quinhentos mil lírios e quinhentas mil calêndulas
quinhentos mil miosótis e quinhentas mil açucenas
quinhentas mil rosas e quinhentas mil violetas
quinhentos mil jasmins e quinhentas mil verbenas
quinhentas mil flores das mais belas
 
– que se clamem aos quatro ventos que dispersem
sobre os quinhentos mil barcos
esse véu de lágrimas perfumadas
e envolvam em diáfano bálsamo
as quinhentas mil almas dizimadas
e cada um dos seus quinhentos nomes
reverenciando a memória das intempestivas mortes
 
para que enfim sigam seu destino
até o mar do infinito sideral
onde à espera jazem ancoradas
outras centenas de milhares de estrelas...

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Nó - ANA S LOBO

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Tu e eu já fomos um Nós
Agora somos um nó
Que não conseguimos desatar.
Uma vida enlaçada
Bem alicerçada
Com tanto para dar.
De repente desmorona
Cai redonda
A rodopiar.
Fica sem forças
Arranca destemida
Para sair desse lugar
E regressar ao início
Depois de tanto suplício
Com muito para dar.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Sou nordestina - DIVANI MEDEIROS

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Sou filha do sol escaldante do sertão,
Do pedregulho que alicerça o solo do nosso chão.
Da água do pote, sempre fria,
Dos caminhos íngremes de todos os dias.
Da flora com espinhos, que fortalece,
Destemida e guerreira que feliz amanhece.
Nordestina, com sotaque no falar,
Mulher de luta e resistência no caminhar.
Na essência valoriza sua raízes,
Do forró na palhoça, momentos felizes.
Tradição, identidade e emoção,
Orgulho desse chão que me criei.
Legado de uma região que me encanta,
E que tenho amor e respeito desde a infância

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Rim’ações - INÊZ OLUDÉ DA SILVA

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meu cérebro de um lado
tem uma caixinha
com pó de desrimarica
não rima coisa com coisa

do outro lado
outra caixinha
chamada poerimário
sabe rimar coisa com coisa
minha cabeça arejar

me elevar o humano
às vezes até melhorar
os destemperos na vida

EM - OS POEMAS QUE O DIABO AMASSOU - INÊZ OLUDÉ DA SILVA - IN-FINITA

sábado, 5 de março de 2022

Do meu jeito - ANGELI ROSE

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Sinto teu arfar sobre minha pele
Derreto-me coberta de desejo
Junto à vulva que lateja e aquece
Pensamento se perde benfazejo

Instante fugaz, a cada vai-e-vem
Do meu jeito de mulher a querer
Mais e mais sugar o néctar do bem
Eu e você, juntos, meu bem querer

Retorno ao sonho da vida rente
Que escapa entre o tempo e a mente
Dona de mim e do prazer dolente

Sigo a pressa na rua, quase nua
Tomo o ônibus e penso em você
Menstruo a lua, hoje tem canjerê!

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA