sexta-feira, 5 de junho de 2020

Revelação - JOANA D'ARC PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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não sei explicar o filme que está a passar
na minha mente e não consigo parar
teus olhos, teu sorriso, o som da tua voz
ao meu ouvido sonho ingrato
que não me deixa acordar
ainda que lindo é preciso largar
deixar passar a vida e saber esperar
se vivo o que sonhei
o que sonho um dia virá

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Realidade - JOSÉ ALENTADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Em cada dia que passa, mais só me vou sentindo,
E quando no silêncio da noite me perco,
Um dia novo vem surgindo,
Onde só pode viver o mais esperto.

No raiar do Sol, uma esperança nova,
No cantar dos galos, a monotonia do lamento,
Ao rugir dos carros, o grito da dura prova,
No ladrar dos cães, clemência p’ra tanto sofrimento.

Tanta vaidade e maldade, para que fim?
Nada devia valer o dito de “olho por olho dente por dente”
Mas é esta a realidade que chega a mim.

Pouco se ama, se não se sente,
Recanto pobre, que outrora foi jardim,
É esta a realidade que tenho em mente.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Não é à toa - ROSA MARIA


LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não é à toa
que acredito sentir o cheiro de gente boa.
Não é o acaso
que me dita as palavras que solto neste instante,
muito menos me ensina rimas,
ou me dá voz para declamar,
o que sei e julgo sentir
pronunciando, sempre que possível, o verbo amar!
Não foi o destino
que me fez cruzar alguns caminhos,
perceber a amizade,
e até algum carinho!
Breves momentos,
espaços curtos, soltos no tempo,
algumas partilhas,
olhares sinceros,
sorrisos francos...
Por atalhos mágicos (minhas amigas),
surge empatia,
renasce a poesia!
Nos versos que inventar,
ficará a vossa presença, fotografada em memória,
neles tatuarei a gratidão,
o enorme desejo e vontade que, ao lerem-me,
consigam navegar, flutuar, acreditar...
conseguir fluir no que escrevo,
a forma de vos fazer sonhar!

EM - AMAR EM FRAGMENTOS DO SENTIR - ROSA MARIA - IN-FINITA

O sopro da utopia - JOSÉ ANTÓNIO PINTO


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Fecunda imagens
momentos e pensamentos
como carícias de mãe,
desafia e vence sonhos,
é capaz de esvaziar oceanos
com tempestades de sol
e soterrar passados com perfume de futuros
vacinados contra o negro e o mofo.
Pode destruir túneis de solidão
e substituí-los por fábulas ambicionadas de amor,
pode inventar plantações de vida
com esplanadas não vigiadas
nas quais conseguimos viver!

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Prece - EUNICE SISTI

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Oh Pai, não deixes que o mundo
faça de mim aquele ser onde não habita a fé
E que a fria luz da razão não se fortaleça às custas dos meus
deslizes
Oh Pai, dá-me leveza na alma para saber valorizar o que ainda
está por vir Permita-me que, de carinho em riste,
eu não deixe esmorecer o afeto (ainda que silencioso e anônimo)
Permita-me não ser perfeita Deixa-me ser o meu próprio anjo
protetor
Oh Pai, faz-me silêncio para ouvir o som da Tua criação,
nos momentos de hesitação e medo...
Ensinas-me a entender a arte vê a poesia, da vida que me deste
Sentir o tempo passar como uma lufada de vento frio em pleno
calor
De ver aquele rosto criança que era só meu
Eu queria descrever a minha alma, oh Pai. Amém.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Lamentos III - CLÁUDIA CAROLA

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Sei que nada do que vos diga
Vos fará sentir algo por mim
Mas confesso-vos esta fadiga
Este viver de dor sem fim
Raios! Para quê tudo isto?
Para quê a amarga existência?
Que nem no sangue de Cristo
Encontrei Vossa complacência
Que a morte vos seja pesada!
Que a vida vos seja cruel!
Já que vivi massacrada
E morri para existir neste fel
Onde está o eterno e doce amor?
Onde anda essa tal felicidade?
Hoje só grito dores e tanto rancor
Perdida na minha ansiedade
Mas que interessa isso a todos vós?
Que nem ouvem meus lamentos,
Por muito que grite... que erga a voz
Não alivio jamais meus tormentos
Odeio a Vossa felicidade tão falsa
Que me entope a alma de horror
Porque nunca dancei essa valsa
Cuja música de fundo é o amor!
Mas fiquem com a Vossa falsa alegria
Eu continuarei neste frio e escuro mural
Vivam a vida... tenha ela ou não magia
Um dia também Vós tereis vosso tribunal

EM - MARESIA DE POESIA - CLÁUDIA CAROLA - IN-FINITA

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Amo-te - ANA ACTO


LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não digas que me amas se apenas desejas
Nem que desejas sem me amar

Amo-te...
Devia ser palavra sagrada
não profanada na ignorância como alimento do ego
Amaldiçoados sejam os que a usam como isco à virtude
em corações carentes de esperança e afeto

Amo-te...
Se sentes ou o queres sentir
seja...
Mas amor não é palavra, é sentimento
Não se cria, nasce por dentro
E não to creio...
Não quando mo professas entre gemidos e beijos
ou em promessas que acreditas sou crente

Amo-te...
Em teus lábios sonhei ouvir-te a sussurrar
Agora prefiro o silêncio à palavra proferida
A verdade crua à doce mentira

EM - NUA - ANA ACTO - IN-FINITA

Pescadores de esperanças - JOSÉ ALENTADO


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Hoje pela manhã havia uma criança pescando;
Num gesto suave e amplo,
Lançou o seu anzol para longe na água,
E ficou à espera...
De cana na mão, com a linha esticada,
Na esperança de sentir um pequeno movimento,
Um leve mordiscar, um pequeno toque na linha;
Pacientemente aguardou, e ali ficou à espera...

Hoje pela manhã também havia
Um homem pescando sonhos;
Lançou para bem longe a sua linha
Em forma de esperança,
E deixou-se afundar nas águas calmas do sossego,
Ali não havia peixes curiosos ou famintos;
Ali somente havia o suave cristalino
Do sentir imerso do silêncio e da paz;
Ali só os sonhos podiam nadar;
Naquele lugar ainda morava a absolvição
Do pecado de amor

Hoje o pescador e a criança juntos
Respiraram o perfume do silêncio
Da manhã calma,
E ali ficaram na partilha daquele lago
Onde se pesca com a linha inquebrável
Da esperança

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Sou - C. GONÇALVES

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Sou pétala de rosa
Vento do Norte, maresia
Sou trovoada no escuro
Trova, prosa e poesia

Sou insónia na noite fria
A coragem por vezes sofrida
Sou o sucesso e a revolta
E tantas vezes preterida

Sou estio, desassossego
O desengano e a cordura
Sou colheita na madrugada
E proveito que perdura

Sou fantasia e conto
Um pequeno grão de areia
Sou caminho protegido
Fio em densa teia

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Alquimistas - MARIA TERESA HORTA

São os alquimistas do futuro
os poetas:
os feiticeiros, os bruxos
os profetas

EM - EU SOU A MINHA POESIA - MARIA TERESA HORTA - D. QUIXOTE

terça-feira, 2 de junho de 2020

Vida - GERTRUDES FERNANDES e JOÃO DORDIO


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É complicado pensar
Que não existe solução
Há que ter muita coragem
E lutar com decisão
A vida sabe sorrir
Quanto nela acreditamos
E a felicidade surge
Quanto menos esperamos

É complicado imaginar
Que não exista outro caminho
Há que ter atitude e muita vontade
Mesmo que pareça fizemos tudo sozinho.
A vida sabe retribuir
Quando por ela batalhamos
E a felicidade é uma horta tão bonita
Onde recolhemos para além do que plantamos...

Nosso caminho consiste
Em abrir os braços e voar
Ou levantar a pesada âncora
E livre no mar navegar
Há que viver a vida
E levar em consideração
Que nós não duramos sempre
Neste mundo de ilusão

O nosso destino consiste
Em destruir barreiras e criar pontes
Dar abrigo aos navios de esperança
E espalhar o amor por serras e montes
A vida é para ser vivida
Em pleno amor e paixão
Porque o tempo passa tão depressa
E a seguir não há outra ocasião...

EM - DUETOS DORDIANOS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

As palavras da mentira - JOSÉ ALENTADO


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As palavras que nos mentem
São as mesmas que nos amam
São poemas nas nossas bocas
Ou armas impiedosas
Em corações destroçados

As palavras que nos amam
Também nos podem ferir
São quentes enquanto paixão
Tão frias na hora de partir
Surdas mudas na traição

Os poemas nas nossas bocas
São violetas em Dezembro
Orquídeas por germinar
São aventuras dos poetas
Ou simples actos de amar

As palavras que nos gritam
São de revoltas escondidas
Afiadas em sofrimento
Rasgam-nos as roupas vestidas
Despem-nos em vil movimento

Ficam em silêncios escondidas
Com medos por descrever
Gastam-se em aventuras perdidas
Ficam caladas a ver...

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Com as unhas fincadas no vaso de barro -GRAÇA PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Com as unhas fincadas no vaso de barro
onde crescem as sardinheiras brancas,
ela rememorou alguns poemas
escritos em folhas de plátano
quando o outono, em ser percurso,
as dispersava nos caminhos.
Eram de amor as palavras que escrevia.
Palavras de sedução,
transparentes como a água.
Resvalando sobre o nome
que lhe conturbou o sangue.

EM - A SOLIDÃO É COMO O VENTO - GRAÇA PIRES - POÉTICA EDIÇÕES

Anjos e poetas - AUZEH FREITAS

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Que ninguém doma
um coração de poeta
nem emudece
o murmúrio do mar
que em ondas se encrespa
DISTO EU SEI!”

Sim, foram tantos
homens e deuses
Que Augusto dos Anjos
conclamou para apaziguar
seu coração, aquele vencedor.
NINGUÉM CONSEGUIU !

Vossos anjos te carregam ò poeta
com dom de asas e voar.
Mas nem eles conseguiram
Teu coração enfim, domar.
Nem o que se disse artista
com sua arte.
IMAGINEM EU, TUA POETA CONFRADE.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Apaixonei-me - ANA MARTA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Olhei para ti e apaixonei-me
Tatuei o teu nome no meu coração
Tatuei o teu ser na minha alma
Amo-te e é tão grande a emoção.

Fui feliz antes de ti
Só não sabia que não existia
Só não percebi o óbvio
Sem ti, eu nem sequer vivia.

Agora preenches-me
Sou amor, incondicionalmente
Sou alma pura e viva
E serei tua eternamente.

EM - INEXPLICAVELMENTE - ANA MARTA - IN-FINITA

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Baladas urbanas - MANOEL BARBOSA


LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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Belas na noite!
Aliás, na noite quase tudo parece belo
inspirando cantar belos versos
ou cantada direta.

Como se sabe a noite é uma criança
rondada por criaturas sem inocência
sempre atropelando a vida, a essência do prazer
apenas para satisfazer insaciáveis desejos.

Então, brindam à vida
em momentos de baladas urbanas na noite
sempre embalados pelo repouso do dia
para a máxima energia
na performance estrelada por lobos
sedentos, famintos, no cio
sempre à caça da presa fácil, na mira fácil
faro certeiro à noite ou à luz do dia.

EM - SANGUE E BLUES - MANOEL BARBOSA - EDIÇÃO DE AUTOR

Que podemos esperar? - JOÃO VIDEIRA SANTOS


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que podemos esperar
dos cantos suspensos,
dos áridos choros,
dos acordes do vento
no madrugar prematuro
de um dia sem voos?

... que só um deus sequioso
corta o vazio e brota o sol
em espadas de luz.

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Perto - O CAMÕES PRETO


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Correndo,
Respirarei,
Enchendo,
Meus pulmões de sangue.
Triplica,
O coração o seu bater
Estou vivo,
Isso o sei.

EM - RASGOS - O CAMÕES PRETO - IN-FINITA

Jogo de amarelinha - ANGELA RODRIGUEZ MOONEY

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Invado deselegantemente o espaço quadriculado e improvisado
no chão de cimento
Quase perco o equilíbrio
Quase despenco
Me aprumo, faço meu aquele pequeno espaço,
o número mal riscado
à frente, duas casas, o meu cansaço
O pulo deve ser preciso, mas eu resvalo
entre as linhas do quadrado
Noto: meus passos estão marcados: a pedra no chão,
a perna no alto, a ordem,
e o risco de queimar traçados
provocar riso
machucar o rosto
esfolar a pele
causar desgosto
Ainda assim, respiro fundo e salto
alcanço o céu,
esse meio círculo mal riscado
e pequeno.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Reflexos em palavras - CELSO CORDEIRO

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A poesia é um espelho
que é fiel quando plano,
outras vezes leva ao engano
por ser côncavo ou convexo.

Se a superfície é plana
reproduz as realidades
sem poéticas ambiguidades
nas emoções que imana,

se porventura é convexo
a realidade tem ampliação
e exulta a alegria e paixão
numa euforia sem nexo,

já se houver concavidade
disfarça e apouca a preceito
dor que o poeta traga ao peito
e a dimensão da adversidade.

Seja palavra vertida sem nexo
ou muitas vezes em distorção
de estado d’alma e coração,
poema é o poeta em reflexo.

EM - VERSOS COM REVERSOS - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA