quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Felicidade - CONCEIÇÃO FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nem sempre sou feliz,
Mas se o fosse
Seria também infeliz
Por não saber discernir
Por não saber questionar!

EM - SUSSURROS - CONCEIÇÃO FERREIRA - IN-FINITA

A luz de nós - MANUELA DINIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Hoje,
vamos criar novas oportunidades,
viver novos momentos,
deixar para trás
o que ontem nos magoou,
oferecer o rosto à luz,
mesmo que chova,
porque o sol continua lá!

Ou, então,
deixemos brilhar a luz
que temos dentro de cada um de nós!

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

Nudez rebelde - ARMANDO VELHO

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Corpos desnudos incitam sem falsos pudores,
a essência das emoções, aflora a extensão da pele.
O desenroupar sem culpa de uma alma naturista,
a nudez abraçou com serenidade
e o dom nativo busca a verdade de cada um.
Os silêncios são graciosidades na retina,
os fulgores são inspirações divinas,
e a infindável descoberta do outro,
embeleza, em mil faces, as nuances sonhadoras.

Os silêncios foram-se colorindo aos poucos,
a intimidade fez cair aos pés o preconceito,
e os sentimentos são agora claros e espontâneos.
Gestos reencontram a naturalidade permitida,
a paz caminhou lentamente pelo tempo,
e as convicções são controvérsias livres,
de uma privacidade desacorrentada.

As portas proibidas abriram fronteiras inspiradoras,
as suaves cortinas rasgaram as desigualdades,
e as temidas inseguranças desentraparam as noites.
As leis da natureza quebraram todos os segredos,
as passagens secretas consentiam espíritos livres,
que, num mundo repleto de sabores,
desafiaram sem medos, todos os imaculados corpos,
encarcerados na hipocrisia dos dias.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IV - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Poetas mortos - GONÇALO MIRANDA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Um artista
Para ser artista
Tem de estar morto
Porque a morte traz com ela
Oportunidades numa janela
Pela invenção de respostas inventadas
A perguntas nunca perguntadas
Estas alimentam debate
E semeiam incerteza
Que fogem à pureza
Enquanto a discussão arde
Com argumentos inválidos
De parte a parte
Que tornam mera obra, arte.

Qual o prazer de começar na meta?
Qual o desafio numa resposta correta?
Labirinto de pistas escondidas
Palavras que não serão esclarecidas
Perguntas que nunca serão respondidas
A arte precisa do "nunca se saberá"
Loucura que só a morte trará.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Evento - BEATRIZ H. RAMOS AMARAL

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR BEATRIZ H. RAMOS AMARAL

tome um aquário,
recorte
a nudez -
frase que se inunda
de não-água

na pressa
se inscreve
- em líquido -
o flagrante sem peixe,

o tempo de ser fogo
e o resultado do hifens

tome o desenho
da tocha,
que combustão
se há de

EM - MUNDO(S) 5 - COLECTÂNEA - EDIÇÕES COLIBRI

Despojos - ALICE VIEIRA

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ninguém sabe que nos nossos olhos
ainda existe uma canção que pede gritos
terra
vento
areia
ainda existe um poema perfeito
de água
de fogo
de granito
ainda existe um último luar que exige
corpos
cio
primavera

ninguém sabe que nos nossos olhos
ainda existe a solução do dia seguinte

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

Fantasias sem pudor - ARMANDO VELHO

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Gosto de te ver completamente nua,
e vou ao céu, com o perfume e sabor do teu sexo,
sem fôlego e selvagem, fêmea sem inibição,
vamos juntar-nos, numa só corporalidade.

Na sombra do quarto, os nossos gemidos mostram sem pudor,
uma vagina molhada, assim tão descontrolada,
e as línguas se entrelaçam, nas húmidas bocas cheias de desejos.
Sinto a pele a arrepiar ao percorrer o caminho do teu corpo.

O teu íntimo ardente, clama o meu forte desejo,
os nossos corpos explodem, os nossos corpos gozam,
o nossa vontade secreta grita com prazer,
em delírio, tantas fantasias doidas.

Quente e acetinado, algo transbordou dentro de ti,
desvairas e arranhas as minhas costas, com gozo do meu fruto,
tão doce a tua essência,
soube inundar a minha própria carnalidade.

O feliz cansaço nos invadiu,
fechamos os olhos, trocamos carinhos e sorrimos,
e já saciados por termos tido tanta satisfação,
a voluptuosidade permanece,
no contentamento e na felicidade de futuros encontros.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IV - ANTOLOGIA - IN-FINITA

XXXIV - MARIA TERESA DIAS FURTADO

Dia festivo. O poeta alegra-se com o aniversário de
Um amigo e dialoga com ele
No corredor das estrofes. Fez-lhe versos e uma
Canção. Passeou com ele junto da magnólia viu que
Ela era uma flor e um símbolo. Era a presença do
Leitor na página, na terra.
Na folhagem reluzente, na reverberação da luz.
O poeta pensou no dom das lágrimas, mas a sua
Alegria afogou-as.
O poeta é um livro em festa.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Pela madrugada II - CARLOS MANUEL FIDALGO GASPAR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Tela branca, sensatez
carvão, tinta da china
café quente, espertina
risco destemido
desenho,
no sentido
o pensamento rasgado
tela desbotada
pincel, terebintina
óleo azul,
aguarela carmin
pastel verde, acrílico lilás
flores, céu estrelado
tela nua
o que a imaginação me traz.

Traz o vento imaginário
que na tela não se sente
as nuvens sossegadas
que admiras contente,
o ocaso vermelho e lilás
dos risos bordados na janela
faróis que te guiarão
nos sentidos audazes.

De pés descalços,
caminho na lage fria
deito-me e adormeço
lúcido agarro os sentidos da tua pele macia.

EM - NA SOMBRA DAS PALAVRAS - CARLOS MANUEL FIDALGO GASPAR - EDIÇÃO DE AUTOR

Paradoxo - ALEXANDRE GERARDO

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Calor, frio
Verão, inverno
Amor, ódio
Tudo é contradição
Mas ainda assim nada resta
Apenas a constante insatisfação

A vida é contradição
Aceita, contraria
Mas tudo o que faria, não faria
Porque triste ficaria, feliz não seria
A vida se esvazia
Vida de dor não é vida
Senão mais do que uma mera ilusão tida
Por mera satisfação de vida de contradição.

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A paz de uma manhã de inverno - ANTHONY JUSZCZAK PORTES

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Trago o afago das noites em claro,
e dos olhos vermelhos do acordar sem dormir,
respirar cansado de quem não quer desistir, mas,
não tem forças para continuar,
trago meu cheiro cheio de saudades,
meus beijos secos de desamor
trago também meu fogo morto antes de aquecer
e minha melancolia diária em escritas medíocres.
Meu repouso triste e solitário nas tardes de domingo,
e tua carne, em minha é meu maior pesadelo
ter e não poder dar prazer, não ter e querer prazer.
São os sóis que nascem em dezembro que aquecem
o ano inteiro e o fruto da dor que repousa intacta
na grama até o apodrecer.
Os ventos, noturnos, me esfriam o rosto, calam-me
até a hora de andar sobre as cinzas,
o mais pesado e cinza dia, não contempla a beleza
do seu sorriso de despedida,
sabemos mais sobre a morte que o simples prazer
de beijar a boca doce de amor e desejo.
Eu, enganado, como não poderia deixar de ser,
andei para dentro do rio da sua alma,
molhei-me nas tuas incertezas, esfriei-me nas
suas indecisões, e tentei, em vão, te mergulhar
profundamente.
O que me resta depois deste dia, das botas molhadas
e do peito gelado é a certeza de nunca mais entrar
no mesmo rio.
A certeza que almas, rios, sorrisos e o gosto do beijo,
já não são os mesmos depois de abrir os olhos!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IV - ANTOLOGIA - IN-FINITA

A alquimia da vida - ISABEL BASTOS NUNES

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Confesso o imaginário do tempo
Sinto que renasço a todo o momento,
A vida, essa sim é cheia de segredos
Resumida numa esperança do incógnito

Não serei de modo algum uma alquimista
Que procura, nas eternas experiências, descobrir
A essência do que a vida nos demonstra
De tudo quanto podemos usufruir.

Haverá sempre alguém mais perfeito
Que saiba como ter a solução
E da alquimia passar ao concreto
Refulgindo à equação do coração.

Para além de mim há o pensamento
Das experiências químicas o resultado,
Se vejo quão absurda é a vida
Porque procuro obter o que me é negado?

Cansada de resultados não correctos
Porque os dados certamente estão errados,
Por invenções sucessivas de mim mesma
Me confesso caída, ao peso desses dados.

Não tenho mais invenções a fazer
Nem já me intrigam as amargas experiências da vida,
Por mais equações e experiências que faça
Já nada mais no mundo me intriga.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Fado maltratado - ELÍDIO ROSA

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Não façam mal ao fado
que o fado não é culpado
dos desmandos de quem canta.
Não façam mal ao fado,
ele não tem culpa, coitado,
por não ser boa a garganta.

Deveria ser proibido
tirar das cordas ruído
no lugar de notas belas.
Deveria ser proibido
desrespeitar o ouvido
de quem o ouve pelas vielas.

Cantar fado não é gritar,
muito menos cacarejar
num constante gargarejo.
Cantar fado é respeitar
quem perde tempo a pensar
nas rimas e no solfejo.

Deveria ser proibido
tirar das cordas ruído
no lugar de notas belas.
Deveria ser proibido
desrespeitar o ouvido
de quem o ouve pelas vielas.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

Poeta de rua - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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É poeta que não sabe escrever,
Sabe viver, sabe beber, sabe ser,
Não sabe verso.
Sabe tudo o que um poeta sabe
Menos o que um poeta tem de saber.
Não sabe verso, não sabe escrever.
A poesia sua é do tabaco,
A vida sua é de arte suja.
De garrafa na mão e mulher nua,
É poeta sem poema,
É poeta de rua.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Ecos - ANITA SANTANA

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Largada sobre o leito
Permite-se tempo vago
Mistura sonhos e pesadelos
Intricados dias vividos

Cabeça sobre travesseiros
Carrega o peso do tempo
Que se esvai na leveza do dia
Tempo em câmera lenta partindo
Colorindo cenas dos instantes

Entre lençóis
permanece absorta
contemplativa de si mesmo
sem a necessidade imposta
De ser preciso alguém ao seu lado

Caminha sobre telhados
Ouve Marisa, Adriana, Bethânia.
O mundo caótico que lhe oferecem
Não mais permaneça
com tudo que lhe subtrai
Passeia por Florbela, Cora Carolina, Cecília

E todas as fortalezas
que não sucumbiram e se armaram
com a palavra de ordem: Não... Não...
Não aos laços - suntuosas armadilhas
Não aos nós que pareciam
Não se desfazerem.

Palavras na voz de mulheres
Constroem liberdades,
Alçam voos inimagináveis
Descobrem atalhos. Como Cachoeira
Descem ligeiras, arrebentando, lavando tudo!

Vozes guerreiras
Alargam gritos silenciados
Como andarilhas descobrem caminhos
Recusam-se a seguir destinos traçados
Cantam na voz de Elis, Elza Soares, Marrom
Escrevem suas HISTÓRIAS
Com os pinceis de Frida Kahlo!

Largada sobre o leito
traça seu próprio caminho
Quando e como bem quer
Livre dos emaranhados
Presa às suas vontades!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IV - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Fantasia musical - JOSÉ LUIZ MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

Hoje a manhã me amanheceu sorrindo,
além do teu quintal, um avelós
que nunca vi, abriu um riso lindo,
quando escutei o som de sua voz.

risonha, como a flor da tamarindo,
do chamego dos pássaros, a sós,
de um riacho na foz do mar surgindo,
das lágrimas da chuva no algeroz.

Eu não sei se desperto ou dormindo,
me embalava no sono que bem-vindo,
no murmurejo que fazia o cós

do seu vestido, que presumo abrindo,
meu céu, um mar de flores colorindo,
quando, nesta manhã, ouvi sua voz.

EM - SEGUNDO LIVRO DOS SONETOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVOESTILO

domingo, 11 de agosto de 2019

Encantada estou! - MANUELA FRADE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Amor... Paixão doce...
Sentimento surpreendente
Mergulha em mim... em ti...
Perfume de uma flor linda...
Multiplicada e transformada...
Dois seres se espelham...
Num cálice de um néctar sensorial
Saboreado devagarinho...
Doce, suave amor...
Fervilha como paixão...
Mágico, profundo beijo...
Saboroso, amor louco,
Refrescante, excitante...
Delicioso... e ainda só
Apenas um beijo...
Indiscreto no seio do meu Amor!

EM - PINCELADAS POÉTICAS - MANUELA FRADE - IN-FINITA

Mãos - MANUEL MACHADO

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Abro as mãos vazias
cheias de nada,
quentes como fogo
abarcantes de carinho.
Mãos vazias de nada,
transbordam amor.

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Género feminino - ANGELI ROSE

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Mulher de rua
Mulher de beira
Mulher de cera
Mulher atrevida e nua
Mulher sem eira nem beira
Mulher inteira emudecera
Mulher cantante
Mulher avião
Mulher sozinha
Mulher drogada
Mulher sincera
Mulher obesa
Mulher negra
Mulher traída
Mulher anônima
Mulher atriz
Mulher cuidada
Mulher chave-de-cadeia
Mulher perua e rendeira
Mulher tapada e ignorada
Mulher franqueada
Mulher robotizada
Mulher numerada
Mulher sem fim...
Todas por um triz.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IV - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sobre a tarde poisa - SARA TIMÓTEO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Sobre a tarde poisa
A reflexão tardia trazida
Pelas folhas do mar,
Cavalgando a linha lúgubre
Deixada pelas marés do sol entrincheirado no sal cego
Das despedidas.

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA