sábado, 30 de novembro de 2024

Ser-se poeta não tem cura - Frassino Machado

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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“Para Maria João de Sousa”

Verdade! “Ser-se poeta não tem cura”
E não precisa de pedir licenças…
É a mais saudável de todas as doenças
E a forma mais distinta de cultura.

Sim, não tem cura e nem exige avenças…
Confessa a Vate, d’ alma bem segura,
Repleta de d’ humanismo e de ventura,
Convicta da mais rara das essências!

«Ser-se poeta» não tem cura, não,
Confesso, também eu, por vocação
Persistente na acção e na conduta.

«Ser-se poeta» é ser-se combatente
De justa causa – bela e atraente –
De verso em verso é esta a nobre LUTA!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Sol - Fátima Santos

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É preciso o sol para que a vida possa pulsar
É preciso o sol para que a lua possa brilhar
É preciso o sol para que a flor possa crescer
É preciso o sol para que o trigo possa amadurecer
É preciso o sol para que a poesia seja caminho
Quando nossa alma se encontra em desalinho
Pois é a sua luz que nos acalenta na tormenta.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

Um menino... - Graça Pires

Um menino tomado pela surpresa,
contagiado pela luz daquela manhã,
anteviu o futuro por cumprir.
E como quem sobe ao topo dos sonhos
pegou num cravo e, com mãos firmes
colocou-o no cano de uma metralhadora.
A simplicidade impregnada em seus dedos!
A imagem correu mundo.
E o menino?

EM - ERA MADRUGADA EM LISBOA - GRAÇA PIRES - POÉTICA EDIÇÕES

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Um outro de mim - Dulcí Ferreira

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Despi o teu corpo de Mulher
Admirei-o, seduzi-o, fi-lo meu
Desfolhei-o com todo o meu bem-querer
E o meu corpo se fundiu ao teu.
Cobri-o com carícias de cetim
E num jeito muito próprio de ser
Tatuei-o com batom de cor carmim.

Vesti o teu corpo com doces afagos
Adornei-o de vontades e beijos
Senti-o escaldante, ardendo em desejos
Erótico, frenético, arrojado
Grito suavizado no toque dos dedos.

Rasei minha língua, qual pincel
Nas tuas formas cheias, robustas
E com pinceladas ousadas, astutas
Desenhei-lhes novas ilhas de mel
Onde loucamente nos amamos
Onde livremente somos quem queremos.

Amor ardente, lava de vulcão incandescente
Delirando de prazer, imploras mais de mim
Em êxtase, a essência fundimos por fim
Na volúpia de um orgasmo transcendente.

Arrebatado por ti, um outro de mim
Num corpo diferente.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Portais da alma - Lídia Palminha

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Correndo-se desmedidamente
nem se observa o nascer da mais bela flor,
fecham-se os olhos à beleza
fecham-se possibilidades com medo da incerteza.

Incerto é e será o caminho
pois cada passo, é um mistério
mas… impossível, o olhar não consegue mentir
reinventa-se e permite-se sorrir.

Reinventar é voltar a viver
é colher o mais belo da vida,
na bênção de um secreto olhar
que de relance, oferta força a conquistar.

Conquistar a paz
através de olhos embriagados de amor,
qual dor ou cansaço
naquele olhar, terno regaço.

Regaço que aconchega,
abraça sem sequer tocar,
olhos que falam no silêncio mais profundo
beijando o coração fecundo.

Fecundo em emoções de vida e de viver
onde a magia constantemente acontece,
observando a vida com calma
na sabedoria de observar através dos portais da alma!

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Alma minha, alma nua - Desafinador de palavras

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Alma minha, alma nua
Porque te despiste? Porque te mostraste?
Porque quiseste, que eu me expusesse desta forma?
Revelasse os meus sentimentos
Os meus pensamentos, depravados, sem vergonha

Alma minha, alma nua
Quem te disse que eu queria abrir o meu coração?
Quem te disse que eu me queria mostrar?
Porque quiseste mostrar que eu amo?
Que eu sei amar, mas que não quero amar
Tenho medo de amar
Tenho medo de pecar

Alma minha, alma nua
Agora, estas minhas asas abertas
Vou ter de as fechar
Para tapar e esconder a minha face
A minha vergonha
A minha vergonha de amar
Para não voltar a pecar
Para não voltar…
A amar…

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Dedicatória às Pessoas com Poesia - Ivo Álvares Furtado

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Há pessoas, com quem nos cruzamos no dia a dia,
que não querem saber de poesia!
Temos pena, porquanto não têm a sensibilidade,
para absorver o sentido da poesia.

Outras há, que gostam e leem poesia.
Ainda outras, que sentindo, têm avidez pela poesia.
Há aquelas que não conseguem viver sem a poesia!
As mesmas pessoas, que no seu dia a dia,
vivem o prazer e agem com a delicadeza da poesia.

Porque é a minha visão,
que deve existir poesia,
em cada gesto ou ação;
porque considero que com a poesia,
se acrescenta à dimensão do mundo,
a dimensão humana e a sua valorização…;
a estas pessoas que respeitam,
leem, valorizam, difundem e praticam a poesia,
dedico este poema.

A estas valorosas e sensíveis,
Pessoas com Poesia!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Flutua a mágoa - Joaquim Paulo Silva

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Flutua a mágoa
num corpo
nu
Madrugada ausente
na tua lua.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Alexandrino Martinho D’Assunção (O Fado mora aqui!) - Fernando Silva

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O fado mora aqui
Eterna saudade
Nos sonhos que eu vivi
Nas ruas da cidade
Fado aguarela
Pintada neste jardim
Amor vem à janela
Cantar o Fado pra mim

Nas ruas da cidade
Alegres madrugadas
Quero ao fim da tarde
Sorrisos gargalhadas
Ver meu rio verde
Do alto da colina
Poder beber da sede
Da boca da varina

O fado mora ao lado
Dum craveiro d’esquina
Regressou do passado
P’la voz duma varina
Desceu a Madragoa
E suspirou profundo
Nascido em Lisboa
O fado é do mundo

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Rosa da tarde - Frassino Machado

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“Ao Frei Adriano Brites”

Rosa da tarde, rosa bela formosa,
Acabo de a colher no meu jardim;
Da cor do mel e tão deliciosa
Com um aroma igual ao do jasmim.

Rosa bela formosa, rosa da tarde
Quero-a sem espinhos pra abraçar
E tê-la neste meu peito que arde
Na busca dum prazer de encantar.

Vou colocá-la aos pés da Virgem Santa,
Que a cada hora espera lá por mim,
No tabernáculo que sempre me encanta
Pois que me faz lembrar o meu jardim.

Rosa da tarde – que tão bela está! –
Tomara que outras rosas venha a ter…
A Virgem Santa dela gostará (?)
E, se gostar, muitas mais irei colher!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

domingo, 24 de novembro de 2024

Raios de luz - Fátima Santos

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Na despedida do dia o sol entardecia
Pincelava azuis alaranjados
E arco-íris avermelhados e anilados
Um quadro de resplandecente alegria
Tudo tão sereno e harmonioso
Tudo tão equilibrado e perfeito
Que seria por certo o fim do dilúvio
O encerrar de tormentos e lamentos
E a promessa de uma nova vida
Fosse Deus ou Íris a anunciar
Esse tempo de paz e de amar
Esses raios de luz na despedida.

EM - COSMOS POÉTICO - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

sábado, 23 de novembro de 2024

Árvore da vida - Tita Leal

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Não me quero deixar morrer
Nem tão pouco me crucificar
Porque prometi à vida
Jamais deixar de te querer
Contudo por ti fui esquecida
Ou foi o tempo que me andou a enganar

Levaste uma parte do meu destino
E tudo o que a nossa árvore alimentava
Esta saudade crescente
Que fere, desgasta e dói
Muito mais do que imaginava

Na fonte dos meus encantos
Por ti fiquei a esperar
Escondendo o meu tempo de luta
Como pequeno barco
No alto mar a baloiçar

Só os meus pensamentos estão cheios de vida
Alimentando esse teu amor ausente
Nas palavras e rimas deste poema perdida
Na minha frondosa fantasia
Estarás sempre presente

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

Paz - Lídia Palminha

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(trabalho interno dedicado à incompreensão)

Hoje decidi semear a paz,
perdoando o passado,
reconstruindo o presente;
hoje decidi ter como meta, a paz,
mesmo que no meio de problemas,
confiando na minha incerta certeza;
hoje concluí que a paz dos teus olhos,
mesmo que esteja na solidão,
são o meu alimento no amor;
hoje percebi que a paz nas relações,
mesmo que no silêncio,
é também paz na fé;
hoje, em consciência, percebi que a paz,
mesmo que os pensamentos a queiram desviar,
é constante felicidade a conquistar;
hoje sei que a verdade da paz,
alimenta o perdão,
e que na hora da partida da vida,
haverá paz no adeus!

EM - VELEIRO DAS SETE CORES - LÍDIA PALMINHA - IN-FINITA

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Amor sem fim - Desafinador de palavras

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Andei por aí fora
Durante tanto tempo
Procurando me encontrar
Procurando uma razão para viver

Tive tudo na mão
Perdi tudo, tantas vezes
Trabalho família e amor
Fui um derrotado

Mas tu… me tocaste
E eu senti o teu amor por mim
Mas tu… me tocaste
E eu senti o teu amor sem mim

Fiz sexo
Meti droga
Procurei
Nada encontrei

Quis morrer
Apertei a mão à morte
Falei ao diabo
E ele quase me matou

Mas tu… me tocaste
E eu senti o teu amor por mim
Mas tu… me tocaste
E eu senti o teu amor sem mim

Andei por aí fora
Sem vontade para viver
Mas tu me tocaste
Ó Jesus…
Meu Jesus…

EM - VIAGEM - FRANCISCO MCM FAUSTINO (DESAFINADOR DE PALAVRAS) - IN-FINITA

Poesia fluente - Ivo Álvares Furtado

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Poesia fluente,
proveniente de uma fonte,
oriunda algures na nossa mente;
que jorra incessantemente,
em discurso sensível e coerente,
de forma leve e fluente.

Assim surge a minha poesia,
em cadência própria,
de experiências do dia a dia,
a que se somam outras,
com laivos de fantasia.

A acrescida sensibilidade,
esta bênção concedida pela Divindade
e que agradeço com humildade;
flui com subtil sentido de oportunidade,
trazendo consigo o prazer e a felicidade.

Assim previno o desgosto e a solidão,
pois mantenho sempre aberto
um canal extraordinário de comunicação,
que a todo o momento espelha alegria
e espanta a tristeza e a escuridão.

Caminhando deste modo na vida,
…, procuro encontrar o facho,
a cada dia que passa,
da alma grande do poeta,
que incessantemente procuro
e sinto-me muito aquém,
pois que ainda não o acho!

EM - A LÍNGUA PORTUGUESA QUE NOS UNE - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

As pérolas - Joaquim Paulo Silva

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As pérolas
Do rio
São sombras
Da alma.

EM - DIÁRIO DAS LEMBRANÇAS PERDIDAS - JOAQUIM PAULO SILVA- IN-FINITA

Fado Alexandrino do Laranjeira (Responde meu irmão) - Fernando Silva

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Responde à madrugada
À sombra mais querida
Na voz do silêncio
Ecoam teus passos

Diz à noite acordada
Que sua luz enegrecida
Ao luar num prenúncio
Deixa raiar os laços (bis)

Responde à tua dor
Aos versos que aprendi
À tua boca purpurina
De sabor genuíno

Pergunta meu amor
Poemas que escrevi
Tua dor de menina
Hoje espero por ti (bis)

Respondi à solidão
À sombra da calçada
Aos ecos que propagam
Na noite mais bela

Responde meu irmão
À luz mais iluminada
Que os ecos apagam
Pra lá desta janela (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

O Cardo-Mariano - Frassino Machado

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Em agrestes terrenos e em monturos
Viceja uma das mais estranhas plantas:
O cardo-mariano, d’ atributos puros,
Em toda a natureza uma das mais santas.

A sua flor é macia e graciosa,
De múltiplas cores, as mais variadas:
Assenta numa auréola espinhosa
Mas atrai as borboletas delicadas…

Todos os insectos revelam uma paixão,
Naquele sabor a mel que vão sugar:
Assim a natureza é-lhes uma bênção
Naquela existência rara de encantar.

O cardo-mariano é como a vida real,
Inteiramente agreste e doloroso:
A bela flor é a sua alma natural
E o seu néctar é doce e delicioso.

Há plantas e plantas, há flores e flores
E, entre amarguras, há belezas e sabores!

EM - CORAÇÕES ANSIOSOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA