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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Sob a janela, feito flor de cera - ROSA MARIA MANO

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Sob a janela principal, feito flor de cera,
um cão moribundo vigia.
A mulher já não tem dentes, a pele não transpira.
Vestem negro o chão e as camas onde se deitou,
o gozo empapando a alma do planeta
no futuro que não houve.
Havia filhos feito fantasmas,
delinquindo as flores brancas,
macerando orquídeas de ácido.
A Terra não vinga.
A palavra gume morreu na garganta,
ferindo afagos e colmeias.
Paridos pelo sangue arroxeado dos séculos,
ruelas escuras, fissuras, afiados corais contaminados
pela fuligem gorda do descaso.
Em torno dos túmulos (quando houver),
a brancura da túnica que envolve a morte
há de sonhar amarelos.
E acolherá os pequenos,
os futuros interrompidos,
apartados dos seios,
frios fantasmas com dedos de finíssima textura,
petrificados diante das auroras.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

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