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sábado, 4 de julho de 2015

Poema clandestino - FRANCISCO VALVERDE ARSÉNIO

Tenho pressa em libertar este poema clandestino, sinto-o agitado neste silêncio profundo, neste hiato vazio, neste espaço sem som. Se os versos são reflexos de uma chama perene, as horas que se esvaem asfixiam-me a garganta e delimitam o alcance da minha voz. Sinto-me aprisionado neste limbo, sinto-me um corpo post mortem em que as sombras são lilases, em que o verbo subsiste na quietude. Este embuce silábico, é uma onda que não chega à praia, é uma faca que rasga as vestes, que despe o corpo e o cobre de palavras nuas, é como se a água deixasse de correr nos afluentes que alimentam o rio. Ausento-me... Ausento-me e permaneço neste êxtase estonteante, e as cores das letras perdem-se em vendavais dispersos na calada de um olhar. Tenho pressa em libertar este poema clandestino que trago fechado na palma das mãos.

EM - MARGINÁLIA - ANTOLOGIA - EDITA-ME

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