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segunda-feira, 4 de março de 2013

Consternação do nervo - JOSÉ CRAVEIRINHA


O desejo
consolida a nossa máquina de entrar
ardente no casulo dos cabelos escondidos
das raparigas com arrepios
que também elas imaginam
o salitre de um homem
na paulatina carícia
do pescoço mordido.

Mas
no meu coração
em estado de sítio
minha raça-cão mija nas botas
destes homens de solas no caminho
e masca na boca a prateada fivela
das correias à volta das maxilas.

E a consternação
deste nervo incendeia as cruas
mãos imperecíveis na desbotada ganga
da noite ultriz excitada a mel e gritos
pãp e água
e a ferro e fogo!

EM - OBRA POÉTICA I - JOSÉ CRAVEIRINHA - CAMINHO

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