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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Visita - ANTERO DE QUENTAL


Adornou o meu quarto a flor do cardo,
Perfumeio-o e almíscar rescendente;
Vesti-me com a púrpura fulgente,
Ensaiando meus cantos, como um bardo:

Ungi as mãos e a face com o nardo
Crescido nos jardins do Oriente,
A receber com pompa, dignamente
Misteriosa visita a quem aguardo.

Mas que filha de reis, que anjo ou que fada
Era essa que assim a mim descia,
Do meu casebre à húmida pousada?...

Nem princesas, nem fadas. Era, flor,
Era a tua lembrança que batia
Às portas de ouro e luz do meu amor!

in... Sonetos - ANTERO DE QUENTAL - Ulmeiro

Site da editora aqui

2 comentários:

  1. Lindo soneto, Antero de Quental é de facto um dos colossos da literatura portuguesa.
    Bela escolha, obrigado pela partilha.

    Bjs

    Sãozita

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  2. Muita ansiedade e muita triteza espelhada neste soneto. Afinal esperava pela flor, seria por uma rosa?
    Tudo ficou em aberto...

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