sexta-feira, 31 de maio de 2024

Cravos de Abril - Biamaria

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ouvia-se pela cidade
A palavra liberdade
Pela noite dentro, um ou outro lamento
E já de madrugada, antes da alvorada
Numa noite que de grande, foi pequena
As rádios cantaram, Grândola Vila Morena.

Houve respeito e silêncio
Para ouvir aquele poema
Mostra como é a nossa gente
Meu povo querido e paciente
Lutou pela mudança
Com esperança e tanta nobreza.

E foi por isso que os nossos soldados
Plantaram campos de cravos e papoilas de mil cores
Calaram o choro e o pranto das mães
Acalmaram as suas dores.

Quem são aqueles jovens..?
Que nos ofereceram a liberdade
Hoje e sempre se falará disso
Para nos poupar, foi só um reboliço
Podia ter sido uma grande revolução,
Mas Eles, os Heróis
Chegaram de cravo na mão.

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Ave Ma(ter)ya - Natália Correia

Enche-te oh meu coração
Copo de vinho excrescência
das coisas todas me serem
latifúndio por ausência.

Leva o rebanho de ovelhas pretas
da minha alma taciturna
à constelação das tetas
da sagrada vaca nocturna.

Põe-me o anel zodiacal
como uma águia no dedo
para o casamento mercurial
que comigo farei em segredo!

EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Passagem - Therezinha Lima

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Eu passei um longo período
Morta e cheia de vida.
Sem sentido e cega
Com vida, sem viver
Sem visão e enxergando
Com audição obstruída
Onde ninguém ouvia
Nem via
O peso que eu carregava
No corpo, na alma.
Numa gestação dolorosa
Num parto silencioso
Com dores interiores
Aí eu nasci
Para morrer
Por não enxergar
E não saber viver.

EM - LACUNAS DA ALMA - THEREZINHA LIMA - IN-FINITA

Olhos meus - Maria Antonieta Oliveira

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Estes olhos estão cansados
Muitos anos já passados
E cristais de puro sal esvaziados
Olhos lindos de outrora
Verdes, castanhos, ao teu olhar
Viram muros
Viram estradas
Viram caminhos partilhados
E muitos outros já usados
Olhos grandes de outrora
Bem mais pequenos agora
Tristes, magoados
Sem os teus para beijar.
Estão felizes quando vos olham
Sorriem de gratidão
Olhos estes tão sofridos
Já pequenos de vencidos
São verdes da cor do mar
Ou castanhos para sonhar.

EM - QUANDO O CORAÇÃO FALA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Clausura - Maria Cabana

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nunca fui de me queixar, 
Mas meu tempo já se foi. 
Este tempo é que me dói, 
Mas, vou deixá-lo passar. 

Há sorrisos que são dores 
Há partos que são silêncios 
Há lágrimas que não têm lenços 
Há beijos sem seus amores. 

Tanto rosto é madrugada. 
Que na tarde é que se mostram, 
A outros rostos se encostam, 
Fazendo deles noite fechada. 

Tenho tanto e tenho nada, 
Tenho o tempo em ferida. 
Tenho este rosto de vida, 
Na minha carta fechada!

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Gosto de brincar - Elizabete Dente

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Gosto de brincar, 
Gosto de saltar 
E de partilhar. 

Que partilhas tu? 
Diz-me, meu menino, 
Que és tão pequenino. 

Partilho a inocência, 
A minha candura, 
Partilho a luz de uma alma pura.

EM - JANELA DA MINHA ESCOLA - ELIZABETE DENTE - IN-FINITA

terça-feira, 28 de maio de 2024

A voar - Belinda Raitt

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ó águia lá em cima,
Como quero juntar me a ti!
Asas estendidas através da corrente,
A flutuar, a fluir, penas a agitar
Ligeiramente à medida que viras,
Rodas, tornas, na brisa, no ar,
Estás a nadar com as nuvens,
A mergulhar com os raios do sol,
És a rainha do céu, o guardião da luz.
Dali em cima, percebes todos
Os pormenores do universo,
Os segredos, a verdade,
Que só podem ser vistos
Quando afastas-te do mundo
E voas alto, e mais alto ainda,
Agora só um ponto negro,
Um sinal de pontuação,
Uma exclamação,
A furar o expansão
De tudo o que pensávamos ser real,
Nós, seres frágeis, humanos,
Enquanto que caímos novamente
Para a terra e recomeçamos
A busca para a liberdade.

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Aprendi - Tito Lívio Lisboa

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Aprendi nesse tempo a ver no escuro
Onde rosas e lírios brilham mais
Aprendi a bordar o velho furo
Com calma percebi que se refaz

Capturei na mão sopro de abril
Em sua remissão fiz-lhe um soneto
Calmamente teci um sonho anil
E parti para a esquina em amuleto

Passei pra uma menina um anel verde
Ela riu e depressa pôs no dedo
Aprendi nesse tempo como ser

de bruma: branca, rápida e sem medo
Sendo assim, fomos juntos em inventos
Catando sonhos com dois cata-ventos

EM - 7 JANELAS PARA O TRANSITÓRIO - TITO LÍVIO LISBOA - IN-FINITA

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Na hora - Antónia Balsinha

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Liberdade!
Onde estás?
Onde moras, tu agora!
Tristeza invade casa
Casa da dona Aurora
Santa rendição na hora
Parte do país triunfou
Da casa da dona Aurora
A outra parte abalou
Muito rico ficou mudo
Abalou para o Brasil
Outros tantos pra Madeira
No 25 d’ Abril
Ocultando pátrio amor
Foram de livre vontade
Pensando logo regressar
Sem ter dó nem piedade
Era triste sinónimo
Trocarem leis suaves
Revolução nunca parou
Marcelo entregou chaves
Como Afonso D’Albuquerque
Que só português entende
D’Atlântico ao Índico
E do ouro reluzente
Glória e misérias
No mar chão e no mar cão
Abril não foi suficiente
Para o bem da Nação

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Amor, passarinho! - Elizabete Nascimento

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Não quero o amor virtual. 
Quero o amor (im)possível, 
passarinho. 
Aquele... 
que esquenta e esfria, 
que desinquieta e beija. 
Que na real! 
Sirva-me, carinho e vinho. 
Depois??! 
Depois é outro dia, 
que descubra os caminhos... 

Se não houver outros encontros, 
que vá em busca de outros ninhos... 
Quem sabe ao voar, 
ele deságua e se transforme, 
numa mistura de céu, 
laranja com azul-marinho. 
Eu quero coisa simples, 
só um amor passarinho!

EM - GRANADA - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

domingo, 26 de maio de 2024

Primavera Liberdade - Bárbara Mercês

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A senha numa canção fora dada
Naquele mui memorável dia
E p’los já reunidos esperada
Quando a madrugada rompia

No meu Abril a jactância
De um cravo rubro oferecido
P’la mão de uma criança
E no cano da arma mantido

O perfume destes cravos perdura
Perfume a liberdade que inebria
Foi ela que destronou a ditadura
E quão grande foi nossa alegria

A bandeira no alto em segurança
Nas ruas da minha nação
Vermelho rubro que emoção
E também verde esperança

Ao centro amarelo é sua cor
Colocada foi em cada janela
É tão maravilhosa e tão bela
Como o meu Abril em flor

Abril não deixes que te matem
Eu não te quero ver morrer
Não permitas que te amordacem
Sempre contigo quero viver

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Tocar o teu corpo - Tito Lívio

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Tocar o teu corpo, percorrê-lo com os meus dedos, a minha boca, 
saber dos seus exactos caminhos. 
E como ele, sempre a meu lado, adormeço no meu leito vazio, 
onde os lençóis ainda guardam o perfume de ti.

EM - VIAGENS PELO CORPO - TITO LÍVIO - IN-FINITA

sábado, 25 de maio de 2024

Raízes - Therezinha Lima

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A vida determinando vida
Movimentando os seres
Para cumprir sua missão
De seguir caminhando
Nessa realidade
Na busca de verdades
Mesmo sem razão.
Aceitar o que não condiz
Com suas raízes profundas
Que a Terra amorosamente
Um dia vai resgatar
Buscando impiedosamente.
Sem dó! Sem piedade!
Sua vida alcançar.

EM - LACUNAS DA ALMA - THEREZINHA LIMA - IN-FINITA

Queria cantar-te - Maria Antonieta Oliveira

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Saí por aí sem rumo
Queria enaltecer-te
Cantar o teu fado
Dar a conhecer ao mundo
O mundo que foi meu
Aquele que eu não soube cantar
Não escrevi a letra
Não compus a música
A pauta, ficou em branco

Nem viola, nem guitarra
Nem preto do xaile, usei
Nada pelo teu fado mudei
E o tempo, o tempo do nosso fado
Sem compasso, nosso fado
Num ápice passou
Sem que eu o soubesse viver
Não soube cantar teu fado
Porque não mo deixaste escrever.

EM - QUANDO O CORAÇÃO FALA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Asas de penas - Maria Cabana

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Sem penas não sei voar 
Com penas voar não sei 
Tento apenas esvoaçar 
Em penas que já penei! 

Somos produto de penas 
Sem penas o que seríamos 
Sendo grandes ou pequenas 
Sem elas não viveríamos! 

Dei asas às minhas penas 
Se fizeram um tempo novo 
Me sinto tão só e apenas 
Filha das penas de um povo! 

Resguardo todo o meu sorriso 
Nas penas que em mim sofreram 
Pois tanto delas ainda preciso 
Nas saudades que não morreram!

EM - A CASA VERDE ESPERANÇA - MARIA CABANA - IN-FINITA

Construí castelos - Elizabete Dente

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Construí castelos, 
Fiz composições, 
Estudei matemática 
E muitas lições. 
A mais importante, 
Que reside em mim, 
É levar para a vida 
Um amor sem fim. 
Espalhar a paz, 
Partilhar o pão, 
Ver, em cada olhar, 
Um rosto de irmão.

EM - JANELA DA MINHA ESCOLA - ELIZABETE DENTE - IN-FINITA

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Dizem-me - António MR Martins

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dizem-me
das falácias descompostas
e doutras prosápias expostas
para além do amargo pólen
que se espalha nas palavras

dizem-me
da omissão desgastada
do paradeiro das apostas
do medo desconsolado
que nos afasta da contenda

dizem-me
dos contrastes desfigurados
do sentido aleatório
do arrepio da fala
que nos prende a voz guerreira

dizem-me
do mais que aqui não digo
de tantas e tantas outras coisas
da mancha dum alastrar crescente
que deste morrer cúmplice nos suspeita

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Ela que vem do mar - Tito Lívio Lisboa

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Ela que vem do mar com suas redes
Com sonhos que trafegam entre os dedos
Como nuvens de peixes em enredos
A fonte a saciar as minhas sedes

Ela que vem do mar, cálida e nua
O exílio dos corais preso aos cabelos
Caravelas nas ancas como apelos
E o nácar do suspiro herdado à lua

Ela que vem do mar como surfista
Após se colorir ao véu da espuma
Feita de ouriço, estrela, equilibrista

Ela que vem do mar e a mim se ruma
Cederá o sexo à pérola entrevista
E o dia tornará leveza em pluma

EM - 7 JANELAS PARA O TRANSITÓRIO - TITO LÍVIO LISBOA - IN-FINITA

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Impunidade - Antero Jerónimo

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Das muralhas frontais da tua determinação
Pensamento vigilante nas ameias da coragem
Com o fogo do sangue correndo nas veias
Implodiste a vontade de respirar liberdade
Na noite longa clareaste a madrugada

Hoje as muralhas estão corroídas
erodidas por ventos agrestes de corrupção
As ameias enfraquecidas de valores
não conferem proteção ao amor pelo próximo
Corre pelas veias o sangue da indiferença
cobiça e inveja são armas dilacerantes
O dia cinzento ecoa em seu prolongado lamento.

Levantem-se as sentinelas da integridade
Sacuda-se das vestes o cheiro bafiento a impunidade!

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

De que lado nasce o sol - Elizabete Nascimento

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O nascer do sol, 
espetáculo, 
esplendor de luz e cor. 
Oferenda de um novo dia, 
todo dia é criança, 
dia para fazer diferente, 
dia para olhar diferente 
dia para ser diferente. 
A luz do sol, 
filtro de renovação: 
renovação do ser; 
renovação do querer; 
renovação da forma de oferecer. 
O nascer do sol 
no despertar da vida, 
toque suave 
no cheiro e no encanto 
do abraço quente, 
como sensações 
do primeiro beijo, 
provocação da luz 
que emana fogo 
de dentro da gente.

EM - GRANADA - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA