Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Infância de alguns - JOÃO BARNABE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Pode sempre ser melhor
Podia ser pior
Na discordância de que uma criança cresceu
O Pobre rapaz de cascais junto do mar
Rejeitou-se num ser que impregna a fama
E deixou o escorrer de uma família
Adormecer a casa gelada
Sente os óculos fixando imóveis

E treme ao sentir que o aperto noturno
É a falta de amor de um paterno
Onde está a infância
Daquele jovem inchado e sentado de lágrimas
Realmente podia ser pior
Podia não ter calor numa tarde de verão
Podia não ter pulmão que enchesse a garganta seca
Podia ter perdido o enterro da pátria
Podia tudo e podia mais ainda
Assim se fez amargurado
Assim se fez encavalitado
Nas costas de um destino
Onde nunca viverá sozinho.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

Isquemias - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ontem corria por lezírias verdejantes
Avistava manadas possantes e bravias
Sentia odores emanados da terra lavrada
Abria os braços em desejos loucos
Cerrava os olhos sonhando reter o inalcançável.

Hoje acordei meio inerte, trôpego e balbuciante
Pensamentos distorcidos, desconformes, atabalhoados.
Invade-me instintiva frieza inexplicável.
Tateio lentamente o outro amorfo de mim
Constato e percepciono dura realidade.
Jorram rios lacrimais de olhos tristes nublados!

Amanhã busco braços pujantes da esperança
Regatearei forças nunca antes imagináveis
Arregalarei os olhos a novos aprendizados
Ocorrerão lutas repressivas ao negativismo
Recordarei liberdades vividas, sentidas e amadas
Ansiarei cuidadores e cuidados em nobres almas.
Sonharei outros lugares, gentes e mares
Nunca d’antes navegados!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Adjectivo de mulher - LITAS RICARDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Sacerdotisa, Deusa, Curandeira,
É assim ser mulher,
Pensar com o coração,
Agir com emoção.
Emotiva, Ágil, Transformadora,
É assim ser mulher,
No olhar uma vasta contradição,
No ser ser, muita intuição.
Mãe, Esposa, Amiga,
É assim ser mulher,
Numa só, muitas funções,
Fortaleza nas suas relações.
Cega, Ave, Perfumada,
É assim ser mulher,
Ser sem intenções,
Ser sem exigir distinções.
Mágica, Sonhadora, Luz,
É assim ser mulher,
Usar o seu poder com amor,
Doar seus braços com fervor.
Chorona, Sorridente, Charmosa,
É assim ser mulher,
É ser sem louvor,
É sem sem fazer favor.
Uma doce e singela canção,
Com poder de vulcão!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

O fado da minha vida - EMÍLIA DE LURDES BONA NUNES


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA


O fado da minha vida
É sofrido, é chorado
É uma brisa fluida
É um choro amargurado

Este fado que não canto
Que guardo em mim fechado
É uma alma em pranto
Num semblante magoado

É um fado de saudade
Daquilo que não vivi
É um fado que me invade
Sempre que penso em ti

O fado da minha vida
E o meu triste bailado
São um retrato sem vida
De quem nunca foi amado


EM - III CONCURSO LITERÁRIO - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Afinal, sempre soubeste - ADOLFO LEITÃO CARVALHO

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Nunca o mostraste,
nunca o disseste.
Mas sentia-te a sugar mesmo ao lado da orelha,
que apesar de velha é minha,
e o sangue querias levar.

Chegou alguém e te arrancou,
com cuidado, mas magoou.
E eu, deixando que o faça,
lambi-lhe a mão
como quem diz:
- Leva, leva, essa carraça.

EM - ENQUANTO AS MÃOS AINDA TREMEM - ADOLFO LEITÃO CARVALHO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Suor esperma amor - ANA P DE MADUREIRA

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suor esperma amor
e a ânsia de ti
rodeando-me o céu
desvendando-me a pele
com a lentidão precisa
de quem vai a trote

ofegante
oferto-te o espartilho
e em cada laçada desfeita
o arrepio
da nudez chegada

e neste crescendo
em som
o brilho em queima dos olhos
que se espelha
e febril te provoca
num
quero-te agora gemido

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Biografia - LINDEVANIA MARTINS

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sem espelho
onde conhecer seu rosto

sem vínculo
com nenhum outro ser

permitiu que o monstro
único a lhe oferecer uma flor
ofertando o que não se pode ofertar
a acolhesse

quase custou sua vida

mas iniciou
dentro de si
a construção
de outros modelos
de existir

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sonho de criança - MANUELA DINIZ

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Sonho de criança
Já todos fomos
deliciosamente criança
e tivemos no olhar
magia e esperança,
candura,
doçura.

Já todos sonhámos
ser alguém na vida:
talvez doutor
ou professor,
figura pública,
jogar futebol,
ser advogado ou Juiz!

Cada um terá seus sonhos,
mas...
o maior de todos
é ser FELIZ!!!

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Sentimento - HORÁCIO ALMEIDA

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Solidão desmedida
Sentimento de mim
Numa noite perdida
Uma emoção sem fim
Triste sentida solidão
Por um amor ausente
Meigo olhar sorridente
Admiro tua força maior
Na cumplicidade da vida
Tens meu apoio e ternura
Que tanto desejas na vida
Melhores dias surgirão
Ao encontro da liberdade
O tempo dará seus frutos
Na procura da felicidade
Para minorar sofrimentos
Embrenhados na diversão
Ludibriando sentimentos.
Vivendo enganosa ilusão.
Anseio pegar-te com jeitinho
Sentir teu calor com emoção
Abraçar, beijar-te com carinho
Alicerçando a minha paixão
És uma mulher doce e altiva
Muito carinhosa e atraente
Sinto-me cada vez mais cativo
Do teu encanto, permanente
Escrevo esse sentido poema
Não sou poeta, nem trovador
Exprimo o que me vai na alma
Para ti linda princesa, meu amor.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA

Sopro de liberdade - SÃO SILVEIRINHA

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Estico o braço
e afasto aquela nuvem
que se apodera do sol,
como se este lhe pertencesse!

Ele, de ar altivo,
agradece entregando-me
um sopro de liberdade
que esvoaça por ali perdido.

Cuidadosamente, embrulho-o
com as asas dos meus sonhos...
com o alento do meu querer...

Depois, subo ao topo do mundo para o libertar,
àquele sopro de liberdade
que esvoaçava por ali perdido.

EM - OUTRAS LIBERDADES - SÃO SILVEIRINHA - EDIÇÃO DE AUTOR

O acaso - LIÈGE DE MELO

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Não tem idade,
tempo,
lugar fixo para estar.

Vagueia em mim,
em você,
nas incertezas do olhar.

Entra na casa,
no caso,
na vida em ocaso.

Age oculto,
     a vista,
     sem que a ele,
     ninguém resista.

Nas variáveis do alegre e triste,
nunca desiste: persiste!

O acaso, por acaso,
                            E X I S T E!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

terça-feira, 28 de maio de 2019

Mulheres - ANABELA SANTOS

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Mulheres são lindas
Assim como as flores
Com, ou sem espinhos
Mas sempre uma flor.
Num lindo jardim ficar
Podem brilhar e amar
Num lindo doce lar
Seu amor poder espalhar
Em braços se perder
Amar até morrer.

EM - DEIXEI O CORAÇÃO FALAR - ANABELA SANTOS - IN-FINITA

Na noite - CRISTINA MOITA

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Na noite
Guardo o escrever
Na noite
Guardo o silêncio nos lábios
Na noite
Falo às estrelas
Conto as nuvens
Fluem ondas
De meteoros
Adormeço com os astros

Na noite
Caem granizos em petardos

Nesta certeza
Que os sonhos
Adormecem acordados.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Mala de piolhos - KETELY TEMPER ALMELA

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Augusto, menino viajante,
Coleciona piolhos em sua mala
De embargante, de viajador,
De sonhos, de expectativas vivas,

Augusto, menino embarcador,
Para o Brasil, um país de paz e amor,
Está viajando para visitar o orfanato
Que até fazer dezoito anos morou

Augusto adora conhecer o mundo,
Pessoas, lugares e sonhar,
Mesmo tendo um grau de esquizofrenia
Nunca abandonou a sua própria vida

Augusto, cadê os piolhos que tinhas quando,
Chegou pela primeira vez neste orfanato?
Bebê sem família, dinheiro e aconchego,
Que foi encontrado em uma mala de viajar.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Por mim - ALICE VIEIRA

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só por mim
sem o fantasma absurdo a renascer em ódios
sem o estertor do luar a esmagar-me na teia
sem a voz insensível no adeus adiado

só por mim
e não pelo possível nenúfar a chorar-me nos olhos
ou o mar desmedido a inundar-me os braços
ou a paz desenhada no meu corpo mole

só por mim
        terra esquecida

com o teu olhar perdido sobre a lama

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Lágrimas - ALBERTO CUDDEL

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Mesmo que as derrame em silêncio
Na clausura da alma, sem que me escorram no olhar
Ainda assim, serão lágrimas, será emoção
Não choro as despedidas, as ausências
Choro recordações, vivências, lembranças
Amores, um simples toque, um gesto
O cansaço do dia, choro também o silêncio...

Jamais chorei os espinhos, as pedras
Mas choro pétalas, os muros, os castelos
Choro um verso, uma estrofe
A bondade, amizade, a caridade,
Um abraço, um encontro...

As lágrimas são meras gotas
Que me vão escorrendo pelo sorriso...

EM - COMO FAZER AMOR - ALBERTO CUDDEL - IN-FINITA

Sabedoria - LUIS VILHENA

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Sabedoria não se ensina
Revela-me o senhor.
Obra bendita
Santo Pecador.

Pura sabedoria
Obra de Bem Sirá
Para quem tanta euforia
Toque de uma sinfonia.

Sabedoria, quero conhecer-te
Minha hipocrisia.
Olhos vedados, todos os meus dias
Quero amar-te com sabedoria.

EM - PALAVRAS VIVAS - LUIS VILHENA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Febre - JULLIE VEIGA

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No aconchego da manhã fria
Tuas palavras febris
- em mim, imperecíveis -
Convulsionam as horas
Tingindo calor

Devoro o ar quente que me ventas

Na mesa, o café esquecido
Sob os efeitos da termodinâmica

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Simples, como eu... - MANUELA DINIZ

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Escrevo de forma simples,
tão simples como eu...

Gosto do jeito como vejo a vida...
sem complicar,
sem julgar,
sem ódio,
sem rancor
e tento pôr,
em tudo o que faço,
uma partícula de amor...

Escrevo de forma simples,
porque as coisas simples me atraem...

Uma minúscula flor
ou um colorido pardal,
até o grito das gaivotas,
que comparo a uma orquestra musical,
desafinada,
estridente,
pois não sei se discutem
ou se cantam
mas, a mim... encantam!

Gosto da simplicidade das feiras,
das cores,
das frutas e das hortaliças,
da vendedora que apregoa,
do garoto que passa a correr,
da mãe que ralha e ameaça bater...

Sim, escrevo de forma simples
porque assim eu sou,
assim eu vivo,
assim me dou.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

domingo, 26 de maio de 2019

Interpretando-os - JOÃO BARNABE

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Interpretando os que falam sobre a terra
E os que plantam a inveja de um olhar
Cada olho que germina
Abre a folhagem e o sol interrompe
Ele não quer iluminar esses olhos
Que da terra nasceram
Mas que foram plantados por alguém
O sol recusa-se a pecar
A fornecer vitalidade para quem desesperadamente
Quer envenenar uma vida tão luminosa

Os astros flamejantes entram em colapso existencial
E as luas, cometas e pedregulhos
Que viajam pelo universo que existe em todos nós
E a vida fugaz luta
Treme de frio e rubra a pele
A escamação dilatante e a sede em frente
Vão todos atrás da confusão universal

Certa certeza de que o universo criado
Foi atrás de um criador que jaz
E vai semeando uma dor um filho aqui
Outro acolá
Então os dois vão-se recusando a regar
Fecundar o mar de olhos verdejantes
E os mundos acabam enfim por terminar.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

Visita - ANITA SANTANA

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Conversa de pássaro no telhado
Vem fazer parte do silêncio
É companhia orquestrada
            Pra quem está só.
É refúgio para os pensamentos
De voos distantes e pouso incerto
É carona para andanças aventureiras
A passos intrépidos , cambaleantes.
Cantarolam.. e cantarolam...
Até  que é chegada a hora
E segue em revoada na busca por abrigo
E eu permaneço aqui ...
            Sem canto e sem asas...!


EM - VERSOS & CLIQUES: INSTANTES - ANITA SANTANA - EDITORA ZARTE

Todas - JANETE GONÇALVES DE FIGUEIREDO SILVA

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O homem que me ama é um santo,
Pois sou mulher difícil de amar.
Trança e unge minhas pernas como um monge,
que se desvencilhou do manto, a agonizar.

O homem que ama é um tolo,
Pois só vê o corpo, a carne, os ossos e sangue,
quando me olha em nosso leito.
Não consegue ver sentimentos, dentre os lençóis,
Pois escondo, como louca em seu degredo.

O homem que me ama é uma fera,
Quando me olha como caça a abater.
E eu, como caça, fujo em uma desabalada, doida
Para me deixar alcançar a frente, e enlouquecer.

O homem que me ama comanda meu navio,
E navega firme, quando sou mar bravio,
Pronta a naufragar em quem em mim navega.

O homem que me ama não diz que ama,
Pois palavras, ele diz, não me traduzem,
Mas me quer e me faz forte para eu ser única, e,
muitas e todas que eu quiser ser, e ele... Ama todas elas.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sentidos cegos - MANUEL MACHADO

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Desejo minhas mãos incólumes, sadias
Fortes mas sensíveis ao meu bastão Hoover
Ávidas aos carinhos na tua pele sedosa,
Famintas de Braille em leituras ou escritas.

Há chilreados no ar, aves, pássaros nunca vistos
Pressinto distante tua voz melodiosa e meiga
Meu corpo estremece ao bater de ondas nas rochas
Jorram gotas salinas, por melodias orquestrais.

Hoje pairam no ar distintos cheiros de alfazemas
Anseio Primaveras de camélias e roseirais
A pituitária estremece ao sentir cozinhados, doçarias
Meu olfacto galopa e vibra nas asas do vento.

Rejubilo ao distinguir sabores de sal ou agridoces,
Sorrio aos rodopiares de danças entre língua e papilas,
Minha boca queda-se à tua de odores frescos,
Paladares astutos espicaçam prazeres inesquecíveis.

Minhas janelas para o mundo nunca se abriram.
Intensidades luminosas de ontem, agora penumbras,
Apenas imaginadas cores vagueiam pensamentos.
Saboreio tua boca, tateio meu corpo, glorifico a vida!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

sábado, 25 de maio de 2019

Desaprendido - LAURINDA RODRIGUES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
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Não ter brechas no meu corpo luminoso
Sem um modo impecável
Na fantasia e no ser

Vir ao mundo falar-vos de Saudade
E regressar
Para o nada que de tudo é feito

Aceitar as vossas queixas
Cântico
De passagem para o silêncio

Tudo deveria (pelo menos)
Ser desaprendido

EM - VERTIGENS DO SER - LAURINDA RODRIGUES - EDIÇÃO DE AUTOR

Quero o silêncio - ANA P DE MADUREIRA

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quero o silêncio
das manhãs escondidas
por dentro do mato
enquanto
os olhos se cerram
pingando a noite
e as árvores se alongam
farejando o vento

e no cimo dos montes
os passos
viajam nas mãos
no cheiro da terra
adormecida ao sol

e escuto
as vozes não ditas
que pairam recônditas
guardiãs dos meus mistérios

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Que não nasçam mais rosas de Hiroshima - JAMMY SAID

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Toca os Tambores Africanos...
Seus Sons Atravessam Oceanos.
Um Pedido de Socorro...
Os Índios Cantam e Dançam em todo Mundo.
E Passaram os Anos.
Adultos, Crianças e Adolescentes.
Precisam se Conscientizar.
Amar...Amar...Amar...
Ouçam o Assobio do Vento.
Anunciando novos tempos...
Fecham os Olhos e Sintam.
Se Permitam.
E Tempo de Plantar.
Não vamos deixar Morrer as Flores.
As Cores...
Que não Nasçam Rosas de Hiroshima.
A Bomba Nuclear.
Destruição e Mortes.
Sofrimentos e Dores.
E o Povo jogado a Sorte.
Vamos Reconstruir...
Um Mundo perfumado
Um Povo Amado...
Quero Viajar, Passear.
Conhecer Lugares e Histórias.
Culturas!
Sem Pessoas que explodem em Nome de Religiões.
Que a Única Religião Seja o Amor.
Quero Sair sem Medo Pelas Ruas de meu País
Conquistar meus Direitos sem Prisão
E não sentir meu Coração parar com um Tiro.
E Viver em um Mundo Prisão.
Que a Natureza, os Animais.
Tenham Direito a Vida.
E as Cidades não sejam Poluídas.
Quero acreditar no Valor da Vida...
Não a Desconstrução de Ideologias...
Um dia Cantou o Poeta Cazuza.
“Ideologia, eu quero uma para Viver.”

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Primeiro esboço para uma autobiografia - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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estou calma e dura
vencida no olhar dos que me sabem só

cansada de esperar o teu perfil
nas margens sem fronteira duma aurora
exigi que nascesses do silêncio
e sorri
confiada no milagre

estou calma e dura
vencida no olhar dos que me sabem só

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Saudade minha - ANABELA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Chuva bate na janela
Está na hora de acordar
Mas com vontade de ficar
No aconchego do lar
Vento, chuva, frio
Faz frio, estremeço
O dia vai começar
Com esperança
De te encontrar
Para te dizer que tenho
Saudades de te ver
Afagar teus cabelos
E em teus braços me perder
Com muito amor para te dar.

EM - DEIXEI O CORAÇÃO FALAR - ANABELA SANTOS - IN-FINITA

Teu corpo - HORÁCIO ALMEIDA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA IN-FINITA
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Teu corpo ondulado
Desperta minha mente
Gera excitação latente
Amo teu leito aveludado
Sôfrega ânsia desmedida
Sentida e desejo querida
No empenho é louvor
Absorvo teus fluidos
Na paixão do amor
Beijados e transpirados
Mistura sabores salgados
Saboreados sem pudor
Profundo amor insano
Com ternura e afectos
Profano é pura iguaria
Elevação e magia
Bênção com fervor
Nunca será heresia
Nossos corpos entrelaçados
Com odores perfumados
Adormecidos e consolados
Romântico por natureza
Candura afecto almejado
Volúpia e intensa pureza
Desejo, êxtase, consagrado
Não sou poeta, nem trovador
Afável amistoso carinhoso
Sublimo neste poema louvor
Enalteço a nobreza do amor.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA

Poema do desalento - IZILDA BICHARA

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Neste dia, um poema.
Um só poema,
que pede para ser escrito,
que pede para ser o grito
das vozes que nunca falam,
dos estômagos vazios,
das crianças sem escola,
daqueles que dormem nas ruas,
daqueles que morrem de frio,
dos que se escondem no medo,
dos que madrugam nas filas,
das mulheres espancadas,
dos inocentes tombados.
Um poema sem futuro
àqueles a quem tanto faz,
já que não têm amanhã.
Nem hoje.
Nem nunca.
Neste dia, um poema.
Só este poema-grito.
Um poema silencioso,
sem rima, sem esperança.
Um poema sem poesia.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Vida, dor, morte de felicidade - ALEXANDRE GERARDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Traidora é a morte.
Num momento vivo, noutro deixo de estar.
Traidora é a morte,
Que não me deixa lutar.
Traidora é a morte que num instante: ZAP!
Deixa-se de cá estar.

Mas traidora de verdade não é a morte!
Mas sim a vida,
Cheia de mágoas, horrores e dores,
Destruidores de felicidade e criadores de horrores.
Traidora de verdade é a vida
Que mata, corrompe e corrói,
Enquanto que a morte é a salvadora das dores
Põe fim a tudo, a uma vida de terrores.

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Dançar - LUZ LOPES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Quero dançar contigo
Todas as músicas de amor,
Encostar-me a ti, peito a peito,
Num sentimento profundo.
Dançar contigo
Até ao fim do Mundo!

EM - GRITOS DE SILÊNCIO - LUZ LOPES - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Acolhe-me - ALBERTO SERRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

acolhe-me
amor
na colina
breve
do teu
ventre.
beija-me
com todas as palavras
pontuações.
ouve a minha respiração
nos teus
seios.

acolhe-me
amor
na
escala
exacta

dos
teus
olhos
outonais.

EM - À SOMBRA DO SILÊNCIO/À L'OMBRE DU SILENCE - ANTOLOGIA BILINGUE - MOSAICO DAS PALAVRAS

Oferenda - ISABELLA BRETZ

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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(para minha mãe)

Era ali que tinham fim
meus pequeninos
gigantes medos
Envolta de mim,
esse jardim
mostrava do mundo os segredos,
a direção em seus dedos

Pisco e o tempo já passou
E quem foi ao chão
já voou
Ajuda-me a ser
Mas deixa-me ser
Assim também eu farei por ti,
só assim poderemos
ser nós
E como um barco que navega
a sós
vai, vai
onde quiser,
mas leva em si seu ouro.

Se eu não conseguir
dizer, mostrar, desencobrir...
Perceba por mim,
veja por mim
E deixa eu de novo abrigar-me em ti
Deixa eu de novo abrigar-me em ti
Me deixa voltar ao calor
em ti.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quitéria - CRISTINA MOITA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Um poema rouco, com falta de ar,
De perninhas gorduchinhas e doentes
Que só eu posso gostar,
E quem vier a seguir que lhe conheça os dentes.
“Ai filha” ouvi tanta vez
Com aquele sorrisinho maroto,
Se um sorriso eu não esquecer,
Vai-me sempre entrar no goto.
Vou guardar como um docinho,
Na minha memória do gosto.
E por falar em cair no goto,
Caiu meu tio na desgraça
Quando me levou à taberna
E eu soltei uma ameaça,
Com bêbados nunca dancei,
Em pequena, nem sequer lhe olhei para o rosto,
Se querem beber bebam água,
Depois não venham com a mágoa!
Sempre tive mau feitio, embora fosse engraçada,
Como dizia a minha tia Quitéria
– Esta miúda é uma endiabrada, mandou o bêbado para um sítio
... Ah minha desgraçada!

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Amor e os dias - ALBERTO CUDDEL

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Pudessem os dias ser apenas amor
E as horas ausentes de dor!

Mas correm direitos os ribeiros
Mastigando as pedras, carreiros
Minutos caídos em sobranceiros
Trilhos, pelejados de caminheiros!

Os dias em que deito a cabeça
Na erva fresca do teu decote
Não são tempo que ainda meça
Ou que em mim hoje o recorde,
São dias, meramente dias...

Mesmo que interrogasse o espanto
Os deuses, o teu choro de pranto
Nada saberia de ti, de mim, dos dias
Apenas certo e desconcertante, sofrias
Pela ausência de gestos, de dias, de amor!

EM - COMO FAZER AMOR - ALBERTO CUDDEL - IN-FINITA

Estória - ALEXANDRE CARVALHO

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Escrever um quadro como ucronia
pintando o céu com tinta encantada
alegrando a tua noite de monotonia
desapertar o teu corpo na estrada

Não adormeço esmagado nesta insónia
engano-me nas batidas aladas do grilo
clamando por companhia de cerimónia
na arte mágica dum amor sem sigilo

A chuva seca a lavagem da alma
olhos tristes refletem-se no vidro
aumentam o brilho de vivalma
com paz interior de choro anidro

Congelam em cristais os sonhos
despertam oceanos dos sentidos
as tuas palavras toques medonhos
num sussurro de ósculos perdidos...

EM - ESTIRADOR COM ESCRITOS - ALEXANDRE CARVALHO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Gaivotas (fêmeas) no horizonte - ISABEL FURINI

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vento marinho do entardecer
cheiro de iodo
a praia é invadida pelos gritos das gaivotas

somos arrastadas pelas torrentes de pensamentos
(veleiros imprudentes)
deslizamos nossa alma
entre
as silenciosas pausas
dos            espaços            vazios

nas praias, nos rochedos
e nos mares desertos
enxergamos nosso ego feminino
(gaivota sem ninho)
ancoramos nos perigosos alcantilados
do ego
e poetizamos mundos impossíveis.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Que é feito de ti? - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

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Rosto de mulher,
Ama o mar,
Olha sem ver,
Ama sem saber amar.
Terra de reis, futuros e orações,
Reduzida a velhos, pobres e ladrões.
Que é feito de ti,
Rosto de mulher amada?
Onde já não se ergue o estandarte,
Onde a corrupção descoseu a bandeira
Onde roubar é uma arte.
Que é feito de ti,
Portugal?
Nação comida,
Temperada com o próprio sal...

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

terça-feira, 21 de maio de 2019

Solidão - MARIA DA ESPERANÇA LOUREIRO

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No céu não havia estrelas
E também não estava a lua
Era uma noite de sequelas
E estava só, na minha rua.

E pensei: que noite triste
Que tristeza é a solidão
E quem a esta resiste
Tem um forte coração.

EM - OUTROS TONS DA MEMÓRIA - MARIA DA ESPERANÇA LOUREIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Entre a realidade - JOÃO BARNABE

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Memórias inviáveis entre a realidade
Incapazes de se fixarem entre o mundo dos mortais
Onde perduram tais assombrações
Que difundem se entre ondas de multidões

Muitas dentro dos meus olhos
Onde pela cegueira não se vê
Vieram doutras vidas doutros mundos
Não as fiz nesta vida sólida
E não sei de onde vêm agora

Memórias que são minhas sem as fazer
Mas as saudades e realidade de as ter
Fazem crer que as vidas se misturam
E entre o presente e o futuro
Fica um espaço vazio
Que é preenchido por memórias lúcidas
Que nos deixam perdidos por temer a demência
E vai a vida atenta, inexplicável até pela ciência.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

À minha mãe - ISABEL BASTOS NUNES

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Há tanto tempo que não ouço os teus passos
Que não sou abraçada pelos teus braços
E que me sinto na mais negra solidão.
Ficaram desertos, aqueles quartos
Que tu, com tanto carinho decoraste
Cortinas nas janelas, sofás fazendo contrate,
Até um candeeiro azul
Que eu tanto queria tu minha mãe me compraste.
Tinha tanta força tinha a tua vida
E tantas vezes por mim mal entendida,
A culpa não era tua Mãe
Mas sim já da minha rebeldia.
E eu dizia coisas que tu não podias entender
E que tanta força tiveram na nossa vida,
Mas que eu exigia que me compreendesses
Porque também eras artista
E tocavas piano e cantavas como ninguém
E eu adorava ouvir-te minha Mãe.
Talvez agora entendas,
Que o meu sonho de ser poetisa
E do qual tu tanto te zangavas
Porque dizias o que eu devia era estudar
Por fim, se começa a vislumbrar
E eu sei que de onde estás me dás força para continuar
Só me falta o teu abraço... só me falta estares comigo.
Beijos minha Mãe

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Realidades poetizadas - MANUEL MACHADO

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Deveis ler estes meus escritos,
Baseados na vida das nossas gentes,
Como constatações assistidas no dia-a-dia
Em sofrimentos de abandono e dor.

Sentireis choros de corações amargurados,
Almas em corpos despedaçados e mutilados,
Sem lamúrias sedentes de compaixão
Apenas alertas às angústias de amor ausente.

Pressentireis o deslizar suave e calmo
Da pena sobre folhas brancas amarfanhadas
Pela mão de escriba ouvinte e solidário.

Realidades assistidas, vividas, poetizadas,
Intuitos apelativos às consciências
Por entes próximos, distantes ou ausentes!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Madrugada - MANUELA DINIZ

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Aconteces todos os dias do Ano.
É verdade,
que nem sempre te acompanho
mas... sempre que posso voltar,
fico na expectativa do teu acordar!!!

Nunca acordas de maneira igual!
Os meus olhos
ficam atentos à tua luz
que nos teus raios, me seduz.

Sinto-me como que numa enorme sala de espetáculos
onde sou a única espectadora.
Às vezes choro,
às vezes rio
e tu pareces brincar comigo!

Que linda és madrugada!!!
Que feliz sou quando te vejo!
São momentos a três,
Tu... eu... e o Tejo.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

Viajante - ADOLFO LEITÃO CARVALHO

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Quando vem o amor
Ele traz a alegria. Essa alegria
traz consigo alguma tristeza.

É por isso que estamos tristes quando amamos.

O que não podemos esquecer é que a
Alegria é a verdadeira amante e que a tristeza é só
uma viajante
- Uma viajante?
Uma viajante...

EM - ENQUANTO AS MÃOS AINDA TREMEM - ADOLFO LEITÃO CARVALHO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Família - INÊZ OLUDÉ

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Nasci numa família
Muito engraçada
Uns tinham tristezas
Outros tinham mágoas
Uns amavam
Outros odiavam
Uns costuravam
Outros sonhavam
Todos brincavam

Em fins de tarde
No muro da casa
Inventavam brinquedos
Trocavam figurinhas
Todos sorriam

Para diminuir o mal do mundo
Inventavam auroras e utopias

Da minha infância
Tenho este legado
Carburante da poesia
O riso e a alegria
As brincadeiras
O bom humor e a ironia,
O amor pela vida
A fantasia e a filosofia

Minhas lembranças
São pirilampos
Que me alumiam
Assim vou levando
Sem sofrência
Sem muita dor
Sem angústia
Sem mal-querência
Sem dissabor

No meu percurso
Meu percalço
Ando descalça
Se houver pedras
Brinco com elas

Dar a volta por cima é a minha sina

Essa é a vida que construí
Com teimosia, muita pirraça
Sigo cantando com muita graça
o meu destino quero beleza
E não desgraça

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Fogo - ANA P DE MADUREIRA

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fogo
labaredas das mil palavras
no pavio hirto
de quem as fecunda

fogueira do sem som
que em mim crepita
e me inunda de versos
no jorro da lava

ventre mundo
o que me deixa prenhe

luxúria
a que derrete
o quente da minha vela
na sísmica vontade
que em mim trepida
nesse molhar das línguas
na braseira das bocas
onde se cravam os beijos

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

domingo, 19 de maio de 2019

Teu olhar - HORÁCIO ALMEIDA

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A candura do teu olhar
Sublime na tua pureza
Tenaz vontade de amar
Sedução e muita beleza
Desse teu amor imenso
Empatia química emoção
Sedento de amor intenso
Idílica e bela sedução.
Teus olhos brilhantes
Fervilham de emoção
Doces e cativantes
Prendem meu coração
Teus lábios sedutores
Adorava sentir e beijar
Doce Iguaria e sabores
Sublime forma de amar
Doce linda e bela flor
Quero partilhar contigo
No teu ninho de amor
De ti me sinto cativo
Perfumado teu peito
Sinto beleza serena
O amor no teu leito
Partilha e paixão plena.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA