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domingo, 10 de julho de 2022

Universo - GIL BHRAS

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Na imensidão do universo,
Sigo os passos nebulosos da realidade,
Ando carregando na alma pintada de desencanto,
O amaranto que alegra o tempo.

Tudo que está contido no meu ser,
Traduz em parte minha dúvida minha aflição,
Enquanto a outra parte é certeza que carrego,
Travestida de ilusão.

Afinal, as coisas que nos acontecem,
São fragmentos de mundo que desfilam diante de nós,
Acabam interligando uma inquietude,
Com a forte vibração que alude.

Ah! Se essa dúvida que carrego em demasia,
Pudesse me tirar esse sentimento forte e profundo,
Sombra que me invade vinda de um passado,
Irresoluto e infecundo.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 18 de março de 2022

Saudade - GIL BHRAS

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Ah! Que saudades!
Do carnaval da Bahia,
Do frevo pernambucano,
De pular até raiar o dia...
Me esbaldando na folia.

Na televisão só se via alegria,
Calor, suor e energia,
Da cor do amor e do pecado,
Em que todos ficavam atiçados!

Ah! Que saudades!
Dos momentos de outrora,
Daqueles tempos de ciranda,
Que participava com outras crianças,
Das brincadeiras de roda!

Ah! Que saudades!
Das fogueiras e balões,
Canjicas, quadrilhas e quentões,
E a música que é tradição,
Das festas de São João!

Ah! Que saudades!
Das noites coloridas e frias,
Que a dança e o quentão aqueciam...
Com as brincadeiras e alegorias,
E nos corações - só alegria.

Olho agora com tristeza e desolação,
O novo normal que irrompeu nossa tradição,
Festas juninas, Bumba meu boi, Carnaval,
Folia de Reis, Congada e Festival.

Espero que não se alongue por demais,
Essa ingrata pandemia a arrefecer,
Pois, estamos em momentos de agonia...
Nossos festivais não podem morrer.

Tenho saudade das tradições que era só beleza,
E agora está fazendo falta aquela fulgor e energia,
Parte da nossa cultura e elemento...
Da nossa natureza!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 13 de julho de 2021

Às vezes - GIL BHRAS

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Às vezes fico atenta para entender,
Tudo que vem da natureza salutar,
Às vezes me diz coisas sem querer,
Às vezes me alucina sem falar.

Vivemos no mundo de alcatifa e lontra,
Sem saber o que é fictício ou apraz.
Será que é genuíno viver no faz-de-conta?
Ou afinal de contas tanto faz?

Fazemos parte da natureza,
Sempre imbuídos de certeza.
Será que sou mesmo audaz?
Ou apenas vivo na profícua confusão?

A vida vive nos pregando peças sem razão,
Colocando abaixo as verdades,
Removendo do seu ser profundo,
O que no fundo,
Era somente vaidade.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA