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domingo, 4 de abril de 2021

Vigília - ALBERTINA PEREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

No desgaste da vigília
Se consubstancia o poema:
Da entrega, de delírios,
Do dia vertido noite,
Dos desejos em dilema,
Da miséria que se amoita,
Da loucura, insano teorema
De inebriantes quimeras,
De enlevos, de martírios,
De entusiasmos, talvez perdidos.
Recriam-se caras memórias
Tornadas ténues histórias
De profundo fascinar.
Quiçá se dramatizadas,
Ou cantadas para ninar,
Sejam afinal trajectórias
Dispostas a se entrançar...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 3 de abril de 2021

Noite de insónia - ALBERTINA PEREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Uma noite de insónia
Mal dormida e mal parida,
Cansada da vida,
Fantasma de mim,
Que persiste, resiste, insiste.
Conto a lenteza das horas
Nos ponteiros luminosos
Que em frenesim
Galopam madrugada fora.
Envolvendo o pensamento
Um abraço sedento
Da tua presença memória.
E sinto-te ainda, assim,
Meu amado querubim,
Num desejo fascínio
Cujo encanto me namora.
Não dou por perdida a noite
Porque te penso e me envolves
Em predilectos recantos
De húmidos espasmos lassos
De cansaços inebriantes,
Ainda me surpreendes, amante,
Pleno de profundo encanto.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 6 de maio de 2018

Ser mulher - ALBERTINA PEREIRA (VIOLETA)


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Sou ser em construção
de processos, de redes,
em teias conspiradas,
transferidas de antemão.

Sou o caminho percorrido
na vereda imaginada,
na fantasia ingénua do existir,
na memória infantil cristalizada.

Sou o sentir do vento
lambendo as formas,
irrompendo neblina adentro,
rasgando os véus dos céus em que voei…
Sou a solidão da recordação
num traço de saudade.

Sou a certeza do nada
no vazio do querer,
a letra desenhada
no manto alvo da folha que me desvela,
fazendo-me, às vezes, ser.

Sou daqui e de agora,
tanto quanto dali e de além ou de outrora.
Sou casuisticamente reflexo,
dos outros, regurgitado nos contextos;
de mim, nas sombras espelhadas, nos pretextos.

Sou dádiva no torvelinho do acontecer,
que se faz e quer Ser (mais que parecer).

Sou laço pungente que se desenlaça,
na trapaça de desobscurecer
o obnubilado padecer…

Sou presente,
em passado respigado
e num futuro ausente…
Sou canção de embalar,
nostalgia de entardecer,
num pôr de sol a arder.
Sou, enquanto sou lacuna,
espaço livre de ser
que se quer reconhecer…

Sou argamassa ainda,
e telhado, e casa, e candelabro.
Serei?!

Sou simplesmente glória,
por ser amiga, por ser amante,
por ser mãe e ser história.
Por ser, naturalmente, MULHER!


EM - VOZES IMPRESSAS - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA