Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Marques Gastão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Marques Gastão. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Amêndoa - ANA MARQUES GASTÃO

E assim do corpo resta um ocre tudo-nada,
do coração um suspiro em terra húmida,
do tronco a emanação de júbilo ou tristeza
quando o rosto se expõe de tão oculto.

Somos ensurdecedores cravos ou esferas,
ramificações em holística natureza e canto,
giramos em espiral, sendo a rotação amorosa
e o trato cruel, invisivelmente linguístico.

E de tudo ou nada sobra um sabor amendoado
quando te esqueces de ti, e, tardia, escreves
uma palpitação herdada, a dor e a cor do fruto
que desconheces e desejas alquebrada em sonhos.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mar vermelho - ANA MARQUES GASTÃO

No pavilhão da orelha
descanso o vento,
ao mar vermelho
pinto-o de branco
enquanto pressinto
quase um rebento,
uma flor, um unguento,
suportando, amáveis,
o peso do que sou.

Menos derramada
a letra, estende-se
harmoniosa, secreta
invernosamente
fraterna. Espectral,
desenha a escada
suavemente proporcional
aos limites do nocivo.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quantum de luz - ANA MARQUES GASTÃO

Sinto o bater d'um coração
fulgurantemente tosco
e pressinto, na ressonância
de meu pé, um súbito degrau
em radical recomeço.

Enquanto a vida age,
corro, às avessas, por dentro
dos olhos. A acuidade
visual é máxima,
traçada de mínio.

Não que a proteína opsina
tudo altere em meu olhar
de pigmentos dispersos,
apenas imagino,
nereide e neptúnica,
um quantum de luz.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE

sábado, 13 de julho de 2013

Pregadeira - ANA MARQUES GASTÃO

Cozo o botão
a linha de sangue
prego-o à página
cedo à seda.
Semeio outro nó.

Lesto, embalo-o
ao peito, digo:
meu anjo e anseio,
sou uma pregadeira
de aço e pó.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Adornos - ANA MARQUES GASTÃO


Valho-me de um ouvido
que quase não ouve
porque vê
em retrocedido olhar
do touro as asas.

Ó incorrupta voz
de suaves fragâncias
e tons de cáscara,
não exasperado
é o teu lugar de adornos.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE