Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
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domingo, 19 de agosto de 2018

Gataria - CARLOS ROLO

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na orgia dos gatos acordo
ressaca luzente
interrompe o disparo
o sorriso sem dente
res-caldo da noite
sangue azul fosforescente
pra um lado
pro outro
a TV posta-chão
gemido de gato
de fato
é o distrato do cão

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Mágoas - MANUEL MACHADO

Do que nos fazem ou dizem,
Vêm de onde menos se esperam
Tal libelinhas leves e transparentes,
Pousando em nenúfares dispersos
Em lagos de ansiedades e incertezas.

Muitas imbicam a mentes atentas
Leveza subtil sem deixar marcas,
Originárias de gentes desamoradas,
Votadas ao descaso ou adiaforia.

Poucas trazem garras afiadas
Cravando corpos já cansados
Às guerras consanguíneas sangrentas
Esventrando forças já exauridas,
Néctares até à última gota pressentida.

Nenhumas restarão agrilhoadas,
Presas a mentes meditadoras
A corpos energizados e alinhados
Sedentos a incondicionais amores.

Mágoas infligidas ao quotidiano da vida,
Firmeza haja à espinhosa deslembrança.

EM - TOCA A ESCREVER - ANTOLOGIA - IN-FINITA

neste horto de incêndios - ALVARO GIESTA

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entre o real e o ideal, sempre esta barreira
intransponível que se ergue todos os dias,
entre o mar das nossas lágrimas
e o sol do desejo por cumprir.

entre homens que buscam a visão do Bem
Supremo, caminho cego sem me ver,
os dias erguem-se vergados
à rigidez do tempo e dos homens
que cruzam auteros caminhos a percorrer,

a linha do horizonte perde-se naquela lâmina
de vida, onde o limbo da morte despenteia
a face do destino que espreita o palco nocturno
da cidade; e eu adormeço antes que os olhos
da saudade me ardam de cegueira, perdidos
na vertigem do longe e da ausência.

vês?
atormenta-me este sono por dormir de tanta
cegueira que vejo no coração dos homens cegos,
cegueira enorme e permanente
por não quererem ver! maior é a vontade de ver
e não poder ver nesta escuridão que povoa
o coração dos cegos, cegos.

EM - O PRANTO DOS LOUCOS LÚCIDOS - ALVARO GIESTA - TEMAS ORIGINAIS

Carne fraca - CARLOS ROLO

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a sensação que escorre da janela
rente ao vento que arvora
em bar cadinhos
gela a mesa no azul
profundo das luzes
do rio
uma buzina de ônibus silente
shááá
sente? por favor!
olhos tão dementes te trazem
Siryza tanto quase
que um dia tendente por.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Talvez - FILOMENA VILAS BOAS

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Talvez ria ou talvez chore
Talvez dia ou a noite encobre
Talvez sofra talvez ame
Talvez sonho ou realidade
Talvez chuva talvez sol
Talvez escuridão ou seja luz
Talvez desacreditar ou acreditando
Talvez o incerto ou abrace o mundo
Talvez insegurança ou determinação
Talvez a solidão ou esperança
Talvez me procure ou já me encontrara
Talvez e porque talvez
Um talvez em mim existirá

EM - RESPIRO DA ALMA - FILOMENA VILAS BOAS - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

sábado, 18 de agosto de 2018

Fora de área - CARLOS ALBERTO CAVALCANTI

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Hoje os orelhões
São solitários ouvintes,
Que, ignorados,
Numa praça qualquer,
Contemplam, em silêncio,
Os transeuntes agitados,
Que passam apressados,
Com os olhos fixos,
Na tela do celular,
(Seu ocular lar)
Na hipnótica ação
Que os conduz
Em servil abstração
E os mantém encurvados
Sob o objeto adorado,
Qual beato contrito...
... que se faz refém do rito
Em penitente oração,
Prá ver se, do além,
Lhe chega algum livramento
Prá tão grande solidão.
Enquanto tal não ocorre,
Os orelhões, depredados,
Tombam aos pés dos algozes,
Seu antigos confidentes,
Que agora, indiferentes,
Não lhe dirigem as vozes,
pois estão muito ocupados
em virtual servidão.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Tenho-me para te ter - JOÃO DORDIO

Tenho um passado de olhar,
Um passado de abraço,
Um passado de beijo.

Tenho um passado que me te faz levar para tudo!

Posso procurar e tu podes procurar...
Beijos!
Outros olhares!
Outros corpos!
Outros abraços!
Mas há uma porta que é só tudo de nós...
Há um todo que são todas as nossas partes...

Tenho um passado de ti que se fez presente em mim
E em tudo o que o futuro me reservar.

EM - TOCA A ESCREVER - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Terceiro compasso - MÁRIO PASSOS FURTADO

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tens um regaço por sob um livro
páginas ágeis
mãos abertas
corpo atento
caneta oportuna
caderno livre

EM - ANDAMENTOS - MÁRIO PASSOS FURTADO - CHIADO EDITORA

Amor cachorro bandido trem - BEATRIZ H. RAMOS AMARAL

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dolce, quando vem me arrebata
deixo o eixo e perco o prumo
livro o peixe das artérias
livre sempre mar-estrada
esse trem me arrasta
vagão-pedra esse cão
faísca de luzes no escuro
labareda e estrela acesa
vulnera e ilumina as manhãs
também sangra e me arrasa
quando vem desse jeito
amor cachorro bandido trem
em seus trilhos ácidos delírios
rios e terras e assobios
a meia asa da brisa
no agudo de espadas
amordrummond esse trem
flauta e fagote, Oxalá

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

O Douro - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Maravilhoso, sim, maravilhoso
Este Douro encantado de mil cores
Ladeado de vinhedos multicores
Que inveja o Paraíso, de formoso.

Perante o Douro, o mais é duvidoso
Na beleza, na alma, nos valores.
Em tudo quanto existe de primores
O Douro se levanta, caprichoso.

Embevecido na grandeza infinda
Que se depara, nunca vista ainda
Desafio os subidos horizontes.

Se o Éden existiu, segundo reza
A Bíblia sagrada, de certeza
Fora no Douro, para Trás-os-Montes.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Beijos - MARGARIDA CIMBOLINI

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ai, se eu tivesse beijos
ia pô-los à janela
teria assim mais ensejos
de pintar a minha tela

queria pintar o segundo
o enfunar de uma vela
pintava o amor no mundo
seria pintura bela

de beijos tecia a alvura
em bordados de matiz
pintava a sombra nua
dos versos que já te fiz


EM - VIVÊNCIAS - MARGARIDA CIMBOLINI - IN-FINITA

Ternura - ISABEL BASTOS NUNES

Deixa-me
Viver este momento
Onde o amor
Vive do eterno afago,
No agitar terno
Dos teus olhos
E dos carinhos
Que te faço.

Sente
Como meus dedos
Flutuam
Pelo teu cabelo
Desfazendo os caracóis
Que tanto
Cuidado tiveste
Em fazer
Só para me agradar.

Dá-me o teu sorriso,
O teu murmúrio
Quente ao meu ouvido,
E deixa-me afagar-te
Com ternura!

EM - TOCA A ESCREVER - ANTOLOGIA - IN-FINITA

O fado que nunca ouvi... - ISABEL BASTOS NUNES

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Olhos fechados
Xaile traçado
Vestido negro
Era só Fado!

Mãos enlaçadas
Cabelo solto
Rosto magoado
Ar desenvolto
Era só Fado!

Uma guitarra chora
A viola acompanha
Braços abertos
Semblante nublado
Era só Fado!
Voz cristalina
Silêncio fechado
Nada se ouvia
Era só Fado!
No seu cantar
Silêncio e amargura
E num choro magoado
Cheio de ternura
Era só Fado!

Este poema
Que eu fiz para Ti
Fala de um Fado
Que eu nunca ouvi...

EM - POEMAS POR ACABAR - ISABEL BASTOS NUNES - PASTELARIA STUDIOS

A depressão - BÁRBARA ABREU

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Quando uma dor invade a alma,
As manhãs são cinzentas e as noites se arrastam frias,
A vida deixa de ser uma bênção... e torna-se uma agonia.

Quando a cabeça não para de pensar,
Trazendo ideias confusas sobre dor e morte,
O corpo expressa todo sofrimento...
e o caminho torna-se um tormento.

Quando a paz deixa de existir internamente,
O vazio traz à tona o mal que se manifesta por dentro,
A angústia deixa de ser aparente...
e torna-se permanente.

Quando a mente inquieta desvia para lugares obscuros,
Conviver e viver... são missões impossíveis!
A cama no quarto escuro...
torna-se o verdadeiro refúgio.

Quando a tristeza chegar sem explicação,
E a serenidade se evadir... sem dar satisfação,
A melancolia deixa de ser indiferença...
e torna-se uma verdadeira doença.

Quando o grito por socorro não pode ser ouvido,
Morre-se devagar antes que seja percebido,
O homem perde a batalha... e torna-se um morto-vivo.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Amo o meu pescador -ZÉ MANEL DA LIXA

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Com seus músculos de guerreiro
De lutar com as águas do mar
Quebram como o milho do celeiro
Quando me está a abraçar

Abraça-me na partida
Quando parte para o mar
Com o beijo da despedida
Ficamos os dois a chorar

Ser amor dum pescador
É um amor a dobrar
Quando parte fica a dor
Dele nunca mais voltar

Caravela dá a partida
Para o peixe ir pescar
As mãos para o céu erguia
A pedir à Virgem Maria
Para o meu amor voltar
Para o voltar a abraçar

Caravela vinha longe
Esperei por ela a saltar
Essa linda caravela
Que tanto esperei por ela
Está à terra a chegar
O meu amor vou beijar

EM - AMOR E SEDUÇÃO - ZÉ MANEL DA LIXA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ao entardecer morre-se - MIGUEL CURADO

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... é a história de um homem sentado,
as pernas estão enfiadas nos olhos,
os braços devorados por aquela preguiça que ilustra
o tempo,
e mesmo assim um sorriso...

a espera de que a culpa desapareça em chuva
é contemplativa,
o calor,
faz o calor suar sangue e,
talvez por isso,
explique a inocência transparente aos olhos
dos que passam...

anoitece,
o homem morreu,
chamava-se desolação,
amanhã o sol talvez faça florir
em qualquer coisa pútrida...


EM - ABRIR OS OLHOS ATÉ AO BRANCO - MIGUEL CURADO - IN-FINITA

Quando o mar me acalma - ISABEL BASTOS NUNES

Todas as minhas ilusões
Todos os meus choros,
Silêncios, gritos e raivas
Foram projectados no tempo
E ao mar foram lançados,
Só ficando o meu silêncio.

E aí,
Eu lavei a minha alma
Sentindo-me renascida,
Num mundo de gente
Desatenta!
E o mar me acalma
E a brisa me tranquiliza!

EM - TOCA A ESCREVER - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Portais - FILOMENA LIMA

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Foi só um transe e
foi em trânsito - passagem -
numa das sete idades desta vida.
Outro portal; uma outra provação;
coragem, porque
a voragem do tempo é desmedida. foi
desfocado e foi focado e em viagem,
neste underworld, num carrocel,
numa corrida. E
para aqui eu perdida mas achada. Estendi-te
a minha mão, fingiste que agarravas mas abriste-a.
Encontro-me só mais uma vez, só
mas não triste. Da ilusão
irrompe nova, mais clara visão.

EM - UMA IDENTIDADE - FILOMENA LIMA - CHIADO EDITORA

Salmos de Davi - AUZEH FREITAS

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Com os salmos de Davi,
apascentei minha alma.
Sentei á mesa do senhor.

Dos meus lábios eu fiz cântaro
Da água que bebi, vinho era a cor.

Com aquele cajado invisível
que sempre tem me acompanhado.

Quando digo poesia pros homens da lei
ou quando falo com um pobre abandonado

DEUS, tu és o artista, o universo é tua tela,
eu simplesmente simples, a filha que fizestes
tua filha poeta.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Um dia - A. M. GUERREIRO

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Um dia por mim chorarão
Todos os amigos que aqui deixar
E plantas, árvores nascerão
No local exato do meu térreo altar.

Um dia por mim se arrogarão sermões
Pelo pouco ou nada que aqui fiz
E esses folclores, essas procissões
Serão sempre estrume do que nunca quis.

EM - T/SER - A. M. GUERREIRO - CHIADO EDITORA