Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A borboleta - LARA SALGUEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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A borboleta é bonita
E muito catita
É laranja e rosa
E gosta dos meus textos em prosa

Sabe dançar e também cantar
A sua voz é como a do ar
Gosta de girar
Quando ponho a rádio a tocar

Borboleta voa, voa
Voa até à feira da Brandoa
Mas depois volta para mim
Que uma amiga como tu não se perde assim

EM - SER AMIGO NÃO É DIFÍCIL - LARA SALGUEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A ponte dá a ver - ANGELI ROSE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Passamos por ela e vemos o passado
cadeado do amor sem chave
Andamos entre nós mudados
Amarrados pela dor da saudade
História sem volta e sem messias
Fantasia forasteira doada e dividida
Aonde vamos com essas vindas e partidas?
Aonde foram os conquistadores de sonhos
e riquezas escravizados?

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

As três Marias no Calvário - MANOEL DIAS DA FONSECA NETO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

No flagelo do calvário de Jesus
Pedro o negou pela terceira vez.
Os discípulos temeram ao ver a cruz,
Três mulheres ficaram, com altivez.

Três Marias, de alma desesperada,
O seguiram na lancinante dor,
Açoite, sangue, carne lacerada,
Aflitas expressavam todo amor.

Maria, a mãe, o filho acompanhava
Com olhar de ternura e compaixão,
Maria Cleofas sempre a confortava,
Madalena, revolta e paixão.

As três Marias acolhem seu amado
Com mui doçura e lágrimas de emoção,
O torturado, morto e lancetado
Por praticar o amor e o perdão.

As três Marias, com terna coragem,
Nos legaram a mais humana lição,
Na paixão de Jesus e sua passagem
Cumpriram, sem temor, sua missão.

EM - MADALENA E O SAGRADO FEMININO - MANOEL DIAS DA FONSECA NETO - EXPRESSÃO GRÁFICA E EDITORA LDA

domingo, 16 de dezembro de 2018

Epopeia - VERGÍLIO DE SENA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Tu, Epopeia do sagrado
arrancada de cada Mão,
entre a Luz e o Pecado
que é o Homem na sua melhor dimensão.

Eu que canto os Grandes, tal como são,
os Majestosos em toda a sua postura,
os que são Homens em toda a sua condição
que pelo próprio Tempo se procura.

Tu, Epopeia, viagem secreta e imortal,
Tu, que és o rosto da Humanidade;
ser distinto e natural,
Quem Lê-te, procura em ti a Liberdade.

EM - O HOMEM É O HOMEM DO HOMEM - VERGÍLIO DE SENA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Pesqueira, um poema de amor - AUZEH FREITAS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Dos caminhos que a carruagem da vida fez

na sala do meu coração ficou a poeira
que deixo se unir a neblina do tempo
para eternizar minha doce Pesqueira.

Uma estação e um cruzeiro.
Brilho de incontáveis estrelas.
Braços abertos igual Cristo Redentor
faz de Pesqueira um poema de amor.

O palácio do bispo e Dom Mariano,
a Rosa das minhas festas, o Cristo Rei.
Bailes nobres no 50. Simples no Radicais.
Lembranças que não esquecerei.

A Peixe, seus doces e aquela chaminé
Que na minha memória ainda sopra
a fumaça da Paz, do Trabalho e da Fé. 

Sou poetisa guerreira sem medo
Dentro de mim, Santa Águeda
A força das pedras e do lajedo.


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Da visão em filigrana - MARIA JOÃO CANTINHO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Desdobra-se o nojo, o sangue, a vida
que se celebra no avesso da noite,
o olhar acossado do nada, esta raiva
uma bomba prestes a detonar
na flor amaldiçoada
de um silêncio esventrado.

Porque passas tu sem ver
as sombras e o escuro incêndio da folhagem
o cheiro e o dia, onde tudo te entorpece
as rugas antigas de um muro
onde sentiste que as palavras
te tinham abandonado em definitivo.

Para que nos serve a língua, o coração
em salmo adiado, se a linguagem nos abandonou
e nos sentámos na grande pedra
a olhar o vazio
a decifrar modos de sentido
que nos traem, sempre,
fugindo na sombra dos dias.

É esta a pobreza
que nos faz voar
ao encontro das árvores
e do céu.

EM - DO ÍNFIMO - MARIA JOÃO CANTINHO - EDITORA PENALUX

Referências - ANDRÉ LUÍS M. GALVÃO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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A palavra que mais detesto
é adeus.

Porque é estéril,
porque extingue,
porque se fecha para o futuro.

Adeus tem cheiro de escuro,
é uma sombra sem chance de luz.

Sua engenharia
entorpece as esperanças
e marca o coração
sob o signo da saudade.

E, para além do estilo
e de sua torpe semântica,
é a palavra mais vil,
a qual prefiro não pronunciar.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Eternamente nós - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Olho o céu estrelado
Tento encontrar a luz
A tua luz
A luz do meu caminho
No teu caminho sonhado.
Quero o brilho do sol
Num mar de prata
Purificando os meus passos
Nas pegadas do caminho.
Quero que a luz do céu estrelado
E que o brilho do sol
Iluminem a estrada
De um mar prateado.
Ai esse céu estrelado
Brilhando ao sol
Será meu e teu
Um dia
Em que seremos
Eternamente nós.

EM - OS SONS DO SILÊNCIO - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

sábado, 15 de dezembro de 2018

Perdoa-me por eu ainda te amar - ISABEL BASTOS NUNES

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As palavras que te escrevo
Não são meras palavras ao acaso,
São anos de vida, sentindo-me culpada
E tantas vezes perdida, como flor pisada e esquecida
Numa laje do chão, já meio apodrecida.
Imponho-me a mim própria um castigo
No perturbador mistério do antigo fatalismo
Restando-me apenas, dedicar-te este poema de dor e solidão
Escrevendo-te, como se porventura ainda me amasses
E as nossas almas e corpos ainda estivessem unidos,
E tu me perdoasses.
Sei bem, que já nada me espera,
Não há nada mais triste, como o tempo consumido
Imaginando o regresso de um passado,
há tanto tempo esquecido.
E interrogando-me porquê, deixei nas tuas mãos a minha vida

EM - À PROCURA DE MIM - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

Permissão - AUGUSTO MILER

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Seja dia
Ou noite
Vento traga
A esperança
Do sopro de vida
Do cheiro de lembranças 
Da vontade incontida
De amar a vida
E as suas delícias
Retratadas no seu corpo
Onde quero morar
E lá permanecer e sonhar
Até quando tu deixares.

EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

A tempestade - MARIA SALVADOR

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No olho da tempestade
o silêncio
alimenta-se da fúria

EM - DA MINHA JANELA/FROM MY WINDOW - MARIA SALVADOR - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A ordem estanque - ANDRÉ LUÍS M. GALVÃO

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A ordem estanque das coisas
precisa ser quebrada.
Antes as espadas, hoje as palavras
rompem qualquer reino instalado
sobre o caos incólume.
Mas empunhar palavras
requer muito mais coragem
e não parece haver
ser algum disposto
a tão grandiosa tarefa.
Eis que então,
sem barulho ou estupor,
a ordem estanque das coisas
vai continuar.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Respirar - SUSANA PIRES

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Entre o respirar
E o último ato
Está o Ser
Destapando verdades

Os mais desassossegados
Não descansam as mentes

Noite;

Dias;

Correntes;

O corpo é figurante
Da linha da vida
No país onde não importa a
Língua
Nas praças gesticulam, pensamentos
E em pensares
Filósofos determinantes

Tudo é vida
Tudo é sentido

O mundo continua
Redondo
Só mudam os verbos
E o conteúdo
Existe lugar para tudo
Mas gente que não pensa
Asfixia a leveza da sugestão
O espírito vagueia
Entre os astros
E a semente do conhecimento
Sem interrupção
De sabedoria
Abertura central
Das infindas questões

E o que passa a ser a razão?

Nascendo a poesia devorando

Humanidade


EM - MAR INTERIOR - SUSANA PIRES - IN-FINITA

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Diz-me onde se ama mais - SUSANA NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Diz-me onde se ama mais
Senão no fogo que te sai dos dedos
No que sai dos teus lábios em chama...
Diz-me em que corpo outro, se ama mais
Senão no teu
Desenhado em flores
Despido no meu...
Diz-me onde se ama mais
Senão no teu peito que te foge
Desenfreado no galope dos sabores...
Diz-me...
Quero ouvir-te
Quero sentir-te
No meu corpo feito teu
Na entrega do teu no meu
Num cristalizar de suores...
E são sem rumo
Sem curso
Sem resto
São o que não resta de nós
Diz-me onde se ama mais
Senão nessa suplica que nos sentiu a fome
Senão nessa volúpia que nos matou a sede
Na garganta feita voz
Nesse amar que nos amou

EM - NA PELE DA PALAVRA - SUSANA NUNES - IN-FINITA

Cinza ou Azuis - AUGUSTO MILER

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Quero um dia lindo
Um dia belo
Um dia amarelo
Em tons de cinza ou azuis.
De ponta a cabeça
Que nunca esmoreça 
O nosso perdão.
Quem sabe um trabalho...Bem executado
De boa intenção
De modo inocente, gestos aparentes
Com emoção!
para um louco desejo
Me esvaziar de paixão.

EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Recados e beijos - JOÃO DORDIO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

O que fazes a tantos beijos?
Só para me dares trabalho no recomeço...
A tua sorte é eu não me cansar.

Na nossa rua há sempre caminhos novos para passearmos à noite.
Os beijos passam a ser o chilrear dos sentidos e a constante Primavera da paixão.
A Lua não pára de dar recados às estrelas...

Perguntas o que faço a tantos recados?...
Torno-os nas histórias de nós...

EM - NÃO FAÇAS BARULHO. FUI ALI GRITAR QUE TE AMAVA - JOÃO DORDIO - EMPORIUM EDITORA

Os sentidos - ANANDA LIMA

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É preciso ver com olhos da alma.
Enxergar profundamente o ser que assenta o corpo.
Encantar-se com os sinais que cada traço humano
carrega em si.

É preciso sentir o cheiro da essência humana.
Perceber de tal modo, que seja possível mergulhar
em seu ser.
Inebriamento do eflúvio exalado, constituição
de uma memória.

É preciso saborear pausadamente.
A língua, usada apenas para degustar cada sabor,
como a riqueza humana pede.
Mergulho profundo nos sabores da vida.

É preciso ouvir com resiliência a dor e a alegria do outro.
Escutar sem crítica, mas com a sensibilidade divina.
Salvar uma vida pode ser apenas escutar.

É preciso tocar com delicadeza.
A sutileza de um toque permite sentir as nuances
da vida e do ser.
A mão possibilita perceber a si e o outro.

É preciso sensibilizar os sentidos.
Estes são instrumentos divinos para a vida plena.
É desvelar a vida com os sentidos eternos.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Enquanto a vida nos quiser - VÍTOR COSTEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR


Vogámos, viajámos,
viajantes nos tranformámos
ao sabor das leis de um Universo
que se fez tão nosso,
poema de um só verso
em fogo e alvoroço,
no acaso dos dias
nas carícias sadias
no aroma da hortelã
ao nascer da manhã
e falámos cometas
e voámos borboletas
e respirámos estrelas
e sonhámos aguarelas
e, sorvendo a luz do Sol
como um brilhante farol,
em nós se formou o luar
entre a noite e o mar
e a navegar continuámos
nos idílios que inventámos
enquanto o poema crescer,
enquanto a vida nos quiser!

EM - ASAS DE COLIBRI - VÍTOR COSTEIRA - ANDORINHA EDITORIAL

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Deserto dos sapos - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Que horas largas.
Que bairro movimentado.

Que bairro é esse?
Que casa é essa que não tem vizinho?
Só árvore.

Tenho andado.
Andado muito.
Sem descanso.

Batendo no que não é parede.
Olho tudo.
Formiga.
Abelha.

A quietude é infernal.
Repleta de movimento.
De convulsão.

No quarto só ando nu.
Feito menino.

Não me engano.
Tremo!
Mas não me engano.

Colheita é demorada.
Minha barba é demorada. Arrasta no barro.
No focinho da vaca.

EM - DECADENTISTAS - PLÁCIDO VILLANOVA - CONFRARIA DO VENTO

Sem título - ASA BRANCA DO CEARÁ

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Sou a mistura de artes

Como o pintor faz nas telas
Sou marceneiro, alfaiate
Amante das coisas belas
Tenho tantas profissões
Que me perco dentro delas

Ó mundo de ilusão
O qual não posso mais ver
Devido a escuridão
Que pairou no meu viver
Minhas noites são eternas
Escuras como cavernas
Da mais terrível aparência
Meus olhos se opacsseram
O brilho imenso se perderam
No fim da minha existência
Quando Deus reto juiz
Chamar-me a eternidade
Atenderei bem feliz
A ordem da divindade
A vida é um episodio
Que deve se dar sem ódio
sem duvida e sem má querência
Quando eu estiver na cova
A cruz servirá de prova
Do fim da minha existência.

EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA