Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

domingo, 31 de maio de 2015

Lê apenas - LUÍS FERREIRA

Amor,
Palavra tão vulgar,
Com quatro letras apenas...
Que preenche o meu corpo.
Amo... e digo-o ao mundo
Despindo todo o vocabulário
Numa nudez embriagada de combustões
Que alimentam todo o meu ser.
Escrevo letra por letra,
Saboreando todos os momentos,
Em que me desgraço
Quando estremece a minha carne
Em convulsões de prazer.
Amor,
Palavra que violenta o meu ser,
O equilíbrio da minha alma,
Que me faz sonhar acordado,
Completando toda a minha natureza.
Amor... Meu Amor,
Amo-te.

EM - O CÉU TAMBÉM TEM DEGRAUS - LUÍS FERREIRA - ESFERA DO CAOS

sábado, 30 de maio de 2015

As coisas fora do lugar - JOSÉ ALBERTO OLIVEIRA

A ausência medida neste rosto humano,
a boca desampara o segredo de um desejo,
que o olhar nega; noites rasuradas,

aflitas e sem partilha, no pendor torpe
que as coisas desejaram, por fora do lugar
comporem outra ordem, que tememos.

EM - TENTATIVA E ERRO - JOSÉ ALBERTO OLIVEIRA - ASSÍRIO & ALVIM

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Bola de sabão - ALEXANDRE CARVALHO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Sentimento é paixão
um sabor a batom
apaixonado é sentir o bem
é o calor da conexão
estado de espírito bom
que pensamentos não proíbem.

Viver o que ele nos oferece
pensar em ti com paixão
faz com que tudo recomece.

Sinto ver bolinha de sabão
fragilidade imprevisível
multicolor, impenetrável
não tem filamento de fusível
o desejo não é interminável
como o reflexo duma paixão.

EM - AGUARELA DE POESIA - ALEXANDRE CARVALHO - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Lição - NOÉMIA DE SOUSA

Ensinaram-lhe na missão,
quando era pequenino:
"Somos todos filhos de Deus; cada Homem
é irmão doutro Homem!"

Disseram-lhe isto na missão,
quando era pequenino.

Naturalmente,
ele não ficou sempre menino:
cresceu, aprendeu a contar e a ler
e começou a conhecer
melhor essa mulher vendida
- que é a vida
de todos os desgraçados.

E então, uma vez, inocentemente,
olhou para um Homem e disse "Irmão..."
Mas o Homem pálido fulminou-o duramente
com seus olhos cheios de ódio
e respondeu-lhe: "Negro".

EM - SANGUE NEGRO - NOÉMIA DE SOUSA - MARIMBIQUE

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Teu beijo é um poema - AMÉRICA ROLDÃO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Pensava que era tudo igual
até te provar...
não... tu és sublime
tua boca é poderosa
teus lábios macios e húmidos
transportam-me para outro mundo
num tocar tão profundo
a tua língua... ah essa língua!
penetra em mim voraz e eu... incapaz
de lutar entrego-me... sem forças
o teu beijo tão... especial
como especial é tudo em ti...

EM - AMANTES DA POESIA - ANTOLOGIA - UNIVERSUS

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lembrando: Cesário Verde - VÍTOR CINTRA

Se a voz do sentimento não se mede
Na rima do poema, que se escreve,
Jamais poderá ter significado
Fazer da poesia enorme brado.

Mas ver e perceber a realidade,
Permite à poesia que a verdade
Transforme cada verso em mais-valia,
Capaz de dar sentido ao dia a dia.

Em versos de sabor alexandrino
Soubeste pôr rigor no realismo,
Deixando transbordar o romantismo.

E só o fim precoce, por destino,
Que cedo nos calou o teu talento
Tornou cada poema num lamento.

EM - NAS MARGENS DO ESQUECIMENTO - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Navio naufragado - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Vinha dum mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.

É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez veias
E uma medusa em vez de coração.

EM seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.

E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves de cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.

EM - ANTOLOGIA MAR - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - CAMINHO

domingo, 24 de maio de 2015

Soneto da rosa - VINICIUS DE MORAES

Mais um ano na estrada percorrida
Vem, como o astro matinal, que a adora
Molhar de puras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida.

E da fragrante tepidez sonora
No recesso, como ávida ferida
Guardar o plasma múltiplo da vida
Que a faz materna e plácida, agora.

Rosa geral de sonho e plenitude
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude
Para que o sonho viva da certeza
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza.

EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE

sábado, 23 de maio de 2015

O revólver - JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

Quando nos disparamos do que somos
quando nos encantamos e seguimos
o contido estampido do silêncio
que nos rebenta dentro dos ouvidos
a corola pistola   o suspiro do tiro
já não nos basta a bala da palavra
o gatilho dos dedos
o alvo do sentido.

Trincamos uma pétala de cor
e matamos no cheiro duma flor
cinco sentidos unidos.

EM - OBRA POÉTICA - JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS - EDIÇÕES AVANTE

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Voz que se cala - FLORBELA ESPANCA

Amo as palavras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

EM - FLORBELA ESPANCA - SONETOS - BERTRAND

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Conto II - CORSINO FORTES

A minha mãe vendia pão ao luar
E mel às crianças da beira-mar
          Pagavam moeda
Moeda de carvão
E marulho da moeda
          no mergulho do mar alto
E por vezes
A fidúcia do rosto
          sem timbre de selo branco

EM - A CABEÇA CALVA DE DEUS... - CORSINO FORTES - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Escrita literária - ANTÓNIO MR MARTINS

na prateleira as lombadas
entre os livros empilhados,
pelas folhas encadernadas
de conteúdos misturados.

Vendo as fotos dos autores
tanta diferença além sexo,
leitura de muitos sabores
tendo seus textos em anexo.

Tanto se escreve da morte
da palavra que não se cala
na esperança que é sorte.

O romance que não abala
e no verso perde seu norte,
pela literatura embala.

EM - MARGEM DO SER - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

terça-feira, 19 de maio de 2015

Nocturno - NATÁLIA CORREIA

Ó noite! Mãe dos lírios e das feras
Tu que deleites e delírios geras
E as almas soltas do carnal degredo,
Dá a beber no último cansaço
De seu rosto perdido no meu berço
À sede do que sou, o teu segredo.

EM - POESIA COMPLETA - NATÁLIA CORREIA - DOM QUIXOTE

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Esperança - RUI CORREIA

No ar sente-se a tristeza
originada pela incerteza.
Já nada é certo
tudo é errado
mas haverá sempre esperança
enquanto no rosto de uma criança
existir um sorriso
inocente e bondoso.

EM - POETAS DA LUA - ANTOLOGIA - LUA DE MARFIM

domingo, 17 de maio de 2015

Infinito amor - ANA COELHO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Desliza a madrugada
embalada na doce canção
das tuas palavras...
O meu peito suspira
soluços embriagados
no infinito amor
da primavera dos teus lábios,
o verão que trazes nas mãos
os meus cabelos de luz
alvorada de emoções...
Teus olhos negros espelham paixão
o sonho em que te encontrei
quando o teu olhar me procurava.
A minha alma estremece
na imensidão do amor
que escorre em seiva suave,
de quem ama e é amado...

EM - NUANCES DE UM SILÊNCIO A DOIS - ANA COELHO/ JOSÉ ANTUNES - EDIÇÃO DE AUTOR

sábado, 16 de maio de 2015

No verão... - GRAÇA PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

No verão, as mulheres caiam as casas e as memórias.
De branco: como as estevas e a lua cheia.
Os seus anseios se espalham, com a brisa,
na quentura das noites.
Por isso, conservam no olhar uma inesperada tristeza.

EM - POEMAS ESCOLHIDOS - GRAÇA PIRES - EDIÇÃO DE AUTOR

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vácuo - VERA SOUSA SILVA

Ficou tudo lá atrás
arrumado num cofre sem chave
e num lugar recôndito
sem luz. As traças
já comeram o conteúdo
derrotadas pela natureza
que as persegue, sofrida.

Lá atrás havia um cofre
sem chave. Havia uma caixa
sem luz.

Vazia.

EM - ATÉ AMANHÃ - VERA SOUSA SILVA - LUA DE MARFIM

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Insano - ÂNGEL MAGALHÃES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Quero escutar os teus gemidos
quero-os gritos de prazer insano
quero-os com cheiro a amor profano
onde provo do teu orgasmo escaldante,
teu cheiro intenso de amor assassino da saudade imensa
fazes-me febril e a minha mente já não pensa
deixa-me arder por completo com a tua chama
deixa-me sentir o teu amor que em mim entranha
vem, minha louca sensação
entra devagarinho e desperta-me em minha cama
meu antro de perdição.

EM - PECADOS - NAS ASAS DO DESEJO - ÂNGEL MAGALHÃES - EDIÇÕES OZ

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Frente a frente - EUGÉNIO DE ANDRADE

Nada poderia contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma
contra a luz, nada podeis.

podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.

EM - AS PALAVRAS INTERDITAS/ATÉ AMANHÃ - EUGÉNIO DE ANDRADE - ASSÍRIO & ALVIM

terça-feira, 12 de maio de 2015

4 haicu - CASIMIRO DE BRITO

10
Amo-te mas não digas
a ninguém: o mar sabe
as estrelas também

70
Se nos fascinamos
e tanto nos desejamos
qual de nós é quem?

97
A luz débil da lua.
Até pensámos que tínhamos
luz própria

290
Na barca do sono
me deito. Tu, a meu lado...
O amor é perfeito

EM - EROS MÍNIMO - CASIMIRO DE BRITO - LUA DE MARFIM


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Quando, ao cair da noite... - PEDRO TAMEN

Quando, ao cair da noite,
zumbe lá fora algo que não conheço,
será talvez o roçagar das nuvens
ou o ar agitado por um aceno
que me chama para longe deste banco.

E de repente choro
tentando não molhar a paz evanescente
que as minhas mãos seguram incompleta
e que um dia, perfeita, falará
ela própria comigo, meu destino.

EM - O LIVRO DO SAPATEIRO - PEDRO TAMEN - DOM QUIXOTE

domingo, 10 de maio de 2015

para o "canto do rio" - VASCO GRAÇA MOURA

barco que vais ao rio
e vogas sem motor
foge àquele baixio
e não vás lá pôr
o meu amor

ó vento és tão vadio
e roubas ao pastor
ainda um assobio
mas deixa uma flor
ao meu amor

nós vamos ao bugio
a ver do mar a cor
que doce é o desvio
se acaso eu for
com o meu amor

EM - POESIA 2001/2005 - VASCO GRAÇA MOURA - QUETZAL

sábado, 9 de maio de 2015

Mnemónica - FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

Na hora do zénite do sol passava
também a carroça do vendedor
de petróleo, na estrada, e agora
na fieira das memórias trazidas até hoje
para a purificação. Enrubesce,
ramo de rosas miúdas escarlates
que tomba sobre o arco do portão.
Floresce e seca, numa só minha pulsação!

Sê breve, eterna matéria, neste poema.
Ao ressoar o zunido das rodas
da carroça. Só as escarlates rosas
que viam o portão entreabrir-se
acompanhem a evocação.

EM - ÂMAGO - FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO - ASSÍRIO & ALVIM

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lembrando: José Saramago - VÍTOR CINTRA

Ardem silêncios na imensidão do nada.

O fogo-fátuo da memória
eleva-se, no negrume do esquecimento.

No Além, abrem-se trilhos de aridez
por onde se escoam as vozes caladas,
palmilhando as palavras ocas
em cavalgada mesquinha.

Nas margens do vazio
restam ecos de acordes, aguardando vez.

EM - NAS MARGENS DO ESQUECIMENTO - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Autópsia do amor - GOMES LEAL

O Amor - essa paixão romanesca e fagueira -
que os vates têm cantado em bemol comovido,
é, na forma, uma coisa assaz brusca e grosseira,
como o assalto da fera e o ataque do bandido.

Tal e qual como o lobo assalta uma cordeira,
a empolga e lhe crava o colmilho atrevido,
assim ataca o Amor. - São da mesma maneira
o Espasmo, a Fúria, o Uivo, o Estertor, o Rugido.

Nas contorções do Cio e os seus enlaçamentos,
há o ardor da Serpente, a enroscar-se nas preias,
e a estrangular o touro enorme e mugidor.

E quer cheire ao sertão, ou da Lais aos unguentos,
nos rosais, num covil, ou de Nero nas ceias,
- são sempre os mesmos ais, o Pranto, o Espasmo, a Dor.

EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Placebos - JACQUELINE AISENMAN

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Fechei os olhos
e os poros,
me tranquei
de fora
para dentro,
me senti ir.
Plácido
foi o instante
doce da partida,
sob os olhos
da tirana euforia
da volta.
E embora caladas,
anunciadas,
para parecer
reais,
idas e vindas,
vidas,
nada mais foram senão placebos.

EM - POESIA NOS BOLSOS - JACQUELINE AISENMAN - DESIGN EDITORA

terça-feira, 5 de maio de 2015

Da literatura - DAVID MOURÃO-FERREIRA



Os literaduros     Os literadonos
Com berros e murros se levam os tolos

Que vento os enfuna     Ninguém lhes resiste
Ó literadunas     Ó literadiques

Vão vendo alianças     entrando em conluios
com literadamas     com litaradúbios

Cada vez mais sábios cada vez mais finos
Literadurázios     Literadurinhos

Tão literadoces literadurázios
já parecem outros em seus ricos pátios

Tão literadoutos literadurinhos
Coitados de todos literadormindo

EM - MATURA IDADE - DAVID MOURÃO-FERREIRA - ARCÁDIA

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Inacessível - ANA CASANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Tudo absorvo
Tudo me inunda...
Tento dispersar-me
Tentando tornar inacessível
Esta minha alma vagabunda
Mas há quem a encontre
E desse encontro
Apenas nasce o frio
Do nítido vazio
Que provoca uma
Desesperada solidão!

EM - TERRA VERMELHA - ANA CASANOVA - EDIÇÃO DE AUTOR

domingo, 3 de maio de 2015

A dor destrói - ALICE SANTOS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

A dor destrói,
Mata, é cruel.
Seja de que forma for.
Maldade, ódio, paixão ou amor.
Mata sem dó nem piedade.
Vai sufocando,
Sangra e crava na alma,
Um respirar trôpego,
Consome com calma.
Lenta como a morte
Que nem o tempo apaga,
É implacável, é forte,
Curva como a foice, é veneno e amarga.
Disfarço a minha dor,
Com a máscara que a vida me ofereceu,
E nas manhãs em que acordo amargurada,
Coloco-a para ninguém ver as minhas lágrimas,
Escondidas numa face que sorri, e essa serei eu.

EM - FRUTOS VERMELHOS - ALICE S - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

sábado, 2 de maio de 2015

Nascimento - MIGUEL TORGA

Nascem os homens como deuses pobres:
Nus e de um ventre que desesperou
De os guardar
Sagrados e secretos no seu lago.
Nascem disformes, sem nenhum afago
Da raiva desabrida que os expulsa
E das mãos aterradas que os recebem.
Bebem
O ar do mundo aos gritos.
Olham sem ver, e são
Surdos e transitórios mitos
Da nossa devoção.

EM - POESIA COMPLETA VOL.II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O poeta, a rosa e o cravo - DALBERTO GOMES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

"O cravo brigou com a rosa"
E foi enfeitar o peito de Maria
Foi embelezar o cano do fuzil do soldado.

"De baixo de uma sacada"
O amor como as revoluções
Acontecem de mansinho
Tendo ideais como espada.

"O cravo saiu ferido e a rosa despedaçada"
O cravo é Símbolo
Como galo de Barcelos
Queridos pelo povo.

Das rosas lusitanas
Das suas pétalas despertas despetaladas
Pelo mundo foram espalhadas
Como alvissareiros poemas
De Camões e Pessoa.

EM - ENTRE O FADO E O SAMBA - COLECTÂNEA - EDIÇÕES OZ