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quinta-feira, 29 de abril de 2021

A condição do possível - LENHA DIÓGENES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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No campo das incertezas,
uma rara força poética
peleja pela alvorada.
Sem se adaptar à dinâmica do capital,
avança,
desvelando a quimera dos dias.
Quanto mais o tempo passa,
mais dureza nos corações.
Como enfrentar o mundo?
Uma tímida esperança
tinge, com uma beleza difusa,
a silenciosa manhã.
Ressurge a coragem
que ficou perdida
e o medo recua.
Com a sensibilidade aguçada,
renova as forças para enfrentar a batalha
contra a desumanização da sociedade capitalista.
A alma boêmia festeja.
A apreensão do real,
a partir das suas contradições, foi ampliada.
A luta pela vida,
articulada ao conhecimento crítico,
torna possível o que parecia ser impossível.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Ancoradouro - LENHA DIÓGENES

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As águas claras do tempo
umedecem a cidade solitária.
Um novo dia, coberto pela luz a manhã,
nasce na luminosidade do infinito.

O sol indiferente, com sua luz cortante,
contempla as feridas da nossa história.
A vida, a luta diurna e noturna
arames farpados aprisionando o coração.

Uma esperança risonha pulsa,
desafiando a violência que atravessa o caminho
dos errantes.
Os arbustos espinhentos da cotidianidade
transformam-se em versos vigorosos e resistentes.

O crepúsculo arrasta o azul do dia.
Sangue e suor respingam
no choro necessário da canção rubra,
evocando a sensibilidade sonora do poeta.

Na palidez dos dias doloridos,
um novo amor renasce no coração dos povos pobres.
E, na fronteira da angústia, a força
ancora nos braços da imperceptível ternura.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 17 de janeiro de 2021

Fragmentos - LENHA DIÓGENES

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Frágeis,
caminham pelas ruas escuras.
Pobres,
descem as ladeiras
em busca
de pão, de poesia.
Errantes,
despem-se das frias e estéreis lembranças.
Indefinido sentimento,
indefinida palavra.
O presente é feio, corrompido.
A métrica do poema,
na imagem noctívaga,
perpassa os encantos.
O combate, na sociedade dividida,
devora o poeta.
Invoca a força anônima
para eliminar
a guerra, a dor.
Um alquimista
recorta e cola
os fragmentos de lutas antigas.
Na urdidura do poema,
a denúncia das atrocidades,
anunciando a possibilidade
da transformação histórica.

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA