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terça-feira, 24 de março de 2015

Da vigília aceso o farol* - ANTÓNIO GIL

Da vigília aceso o farol
a gávea do sonho erecta
haste de flor sem pétala
corola vizinha do sol

simultaneamente mastro
vela que se enfuna
e esfumada coluna
escrevendo no céu seu rasto

as palavras que formo
como fumo ou nuvem
evolam-se, evoluem
em seu fluido contorno

e a forma, submissa à luz
aprende, em tal movimento
que há que confiar ao vento
tudo o que o vento produz

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Da áurea... - ANTÓNIO GIL

Da áurea luz nascido
após o negro mais denso
e o branco mais intenso
coração enrubescido

aqui chegou sem labor
sem custo ou artifício
o sol que inicia o ofício
obrando sobre rubra cor

seja por sua alquimia
mágica, cada palavra
que pura, puro o consagra
pelo oiro de cada dia

e que seu canto lapidar
ainda doure as searas
e faça refulgir esmeraldas
no verde manto do mar

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Na fronteira do sono... - ANTÓNIO GIL

Na fronteira do sono, às vezes uma ou outra palavra, um ou outro verso, saltavam do escuro como faúlha imprevista ou rasto de estrela cadente: a sua luz intensa, fazia-me cair para o lado da vigília...

... e logo depois todo o processo se reiniciava: lento mergulhar, súbita emersão...

o corpo roçando o caule espinhoso, jurava desfolhar a rosa da insónia até desfazer a última pétala de trevas...

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Diógenes vs Alexandre - ANTÓNIO GIL

Leva daqui o momento
que tua presença perturba
e com ele, leva a turba
que profanou meu silêncio

e se te puderes afastar
antes do dia que tomba
leva também tua sombra
que me rouba a luz solar

ah, e apaga se possível
as marcas desta aventura
esfumando-se em noite escura
no céu de um sonho impossível

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sacra luz... - ANTÓNIO GIL

Sacra luz que me sitias
serás algo como aura
na manhã que me restaura
para idas alegrias

alameda e avenida
para o hoje que começa
seja a tua luz promessa
de nova e eterna vida

e enquanto me frequentes
jamais sentirei desdoiro
por me banhar em teu oiro
bebendo em tuas nascentes

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Voltarão as palavras - ANTÓNIO GIL

Voltarão as palavras
a ser pedras, agora
com talhe de amora
sementes furadas
pequenas contas
com as cores da aurora
perfeitas conchas
búzios, pequenas aras,
estrelas do céu e do mar:
lascas, cascalho, aparas,
gemas de pedras raras
que te ofereço em colar
em pulseiras, em tiaras.

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

domingo, 25 de novembro de 2012

Contra a árdua torrente * - ANTÓNIO GIL


Contra a àrdua torrente
do tempo que me recobre
água cristalina sobe
em busca de sua nascente

o fluir é este instante
em movimento contrário
partindo de largo estuário
desaguando a montante

memória: secreto labor
lugar de perpétua esgrima
alquímica matéria-prima
convertida em luz d'alvor

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Contra a árdua corrente* - ANTÓNIO GIL


Contra a árdua corrente
do tempo que me recobre
água cristalina sobe
em busca de sua nascente

o fluir é este instante
em movimento contrário
partindo de largo estuário
desaguando a montante

memória: secreto labor
lugar de perpétua esgrima
alquímica matéria-prima
convertida em luz d'alvor

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL- LUA DE MARFIM

* Os poemas deste livro não têm título. Usei o primeiro verso como título por questões logísticas.