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segunda-feira, 6 de março de 2023

Último embalo T. M. GRACE

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Quantas memórias olfativas
Me traz a brisa das cerejeiras em flor.
Na ténue rugosidade do seu tronco,
Sinto a seiva pulsar nas suas veias,
Entre os seus ramos, algumas teias.
O duelo entre a minha sombra
E as flores salpicadas de branco e rosa, começa
Sob o olhar atento da lua...
Pensamentos saltitantes de uma alma dispersa,
Embalada sob um céu de diamantes,
Que tenta despertar
Ao som do zumbido do bater de asas
De um casal de beija-flores.
O meu rosto sorve sôfrego algumas gotas de água,
Talvez sejam lágrimas derramadas pelos meus amores.
Mais um embalo agitado, me sacode com violência,
Eu inquieto-me com este insólito embalar,
Engulo em seco numa amarga sofrência
Num derradeiro e último esforço, abro os olhos
E realizo que sou uma náufraga em alto mar...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Nas rimas dos meus poemas - T. M. GRACE

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Eu,
Prisioneira dos meus silêncios
Que se prolongam na noite negra
Despertada pelas longas badaladas
Do som grave dos sinos da catedral.
Eu,
Singelas pinceladas de tom ocre
Como um pôr de sol à beira-mar
Emoldurado numa tela vazia,
Pendurada no abstrato pensamento
Que desaparece no desague de uma lágrima.
Eu,
Toda ternura
Embalada no leito do nevoeiro que perdura,
Escondida em cortinas de aço
Traspassada por lanças
Embebidas em veneno de escorpião.
Eu,
Mergulhada em apneia,
Danço no oceano ávido por um gole de vida,
Em pontas, tontas
Nas rimas dos meus poemas
Presa na minha própria teia
Solto letras espertas,
Que se afogam numa numa taça de sidra,
Num ápice sou ludibriada por teoremas
Vendo na feira da ladra, histórias prontas.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 15 de agosto de 2021

Nasci para amar - T. M. GRACE

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Não, não nasci para carregar ódio no coração,
fardo esse, tão pesado que nos vai corroendo e aos poucos
impedindo de avançar,
nem para sentir no âmago do meu ser o travo amargo da
indiferença e do desprezo,
muito menos sentir na pele as chicotadas dolorosas da rejeição.
Não, não nasci para ter como companheiro o medo,
obsessivo, temível e que traiçoeiramente nos vai desnudando a
alma e deixando despidos das armas necessárias para enfrentar as
batalhas da vida.
Não, não nasci para andar de mãos dadas com o preconceito,
nem abraçar a crítica e muito menos o desrespeito, nem ser
cúmplice da atrocidade humana que ultraja o meu irmão.
Nasci para reverenciar a minha alma nobre, e elevar ao estatuto
de realeza outras almas mesmo que perdidamente afastadas da
sua verdadeira essência.
Nasci para fazer vénia ao sol, à lua e a todo o cosmos pela sua
infinita grandeza e clemência.
Nasci para plantar sorrisos como se fossem extensos campos de
girassóis.
Nasci para lançar sementes e povoar o mundo de tudo o que
possa alimentar e perfumar a vida de quem faz da terra o seu
temporário lar.
Nasci para plantar canteiros de amor por onde o meu espírito
nómada me levar.
Em suma, nasci não apenas para viver, nasci para amar, amar
tudo aquilo em que eu tocar ou apenas imaginar...

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Arco-íris de papelão - T. M. GRACE

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Num piscar de olhos as ruas ficaram desertas,
A esperança ficou suspensa,
Expectativas jazem cristalizadas no tempo,
Persianas corridas,
Gentes espreitando inquietas,
Abrindo frestas à saudade e ao desalento.
No céu o sol e a lua continuam brilhando sublimes,
E os milhões de estrelas reluzentes no firmamento…

Revela-se o olhar de almas indiferentes, perdidas,
Resta-nos sonhar como que por casualidade,
Cerramos nossos olhos, nossas mentes estão incrédulas.
Será que estamos a sonhar?
Os ecos de almas solitárias se encontram,
No silêncio de um vazio forçado,
Mas seguem escutando o sopro da vida,
Entre soluços numa face de lágrimas banhada.

Mas além, sim, lá do outro lado,
Escuta-se o gargalhar de uma criança,
Num desafio lançado por muitas outras mais,
Por telefone ou pelas redes sociais,
Para redescobrir e dar cor ao símbolo da esperança.

Todos unidos por um só bater de coração,
Afinal o planeta também precisa respirar,
E a humanidade carece aumentar a sua fé,
De olhares perdidos no horizonte,
voltámos a sentir a mãe terra pulsar,
E cada um espalhou pelo mundo
e em todo o mais pequenino lugar,
O seu lindo arco íris de papelão,
Afinal a vida é feita para nos ensinar,
Ela simplesmente é como é...

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA