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quinta-feira, 4 de março de 2021

Tributo a Nísia Floresta - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Para Fátima Bezerra, governadora do RN

O “Emílio” foi escrito por Rousseau
Sobre a educação só masculina
E Mary Wolstonecraft o retrucou
Exigindo igualmente a feminina
– No Brasil, nossa Nísia publicou
Tradução desse livro libertano,
Desejando um Brasil republicano.
Nos livros escolares, minha gente,
Tão grande educadora cala ausente
Nos dez pés de martelo alagoano.

O Rio Grande do Norte tem cidade
Em honra de seu nome batizada
Mas em livros didáticos não há-de
Ser junto a Castro Alves celebrada?
A escola nos esconde essa verdade:
No tempo do escrever machadiano
Já falavam mulheres ano a ano
Nas páginas de livros e jornais
Desejando parlamento e tribunais
Nos dez pés de martelo alagoano.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 3 de março de 2021

Poema das commodities - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Nossa história não é mais que um relato
Das matérias aqui sempre extraídas:
O nome de “Brasil” atesta o fato
– Árvores que estão já quase extinguidas.
Para plantar-se cana fez-se um trato
E o rei deu as terras divididas,
Dos índios roubando o litoral:
Salvador nasceu qual capital.

Quando o ouro surgiu lá nas Gerais
Cá no Rio embarcava pra Lisboa
Que o dava ao inglês sempre voraz
Que pra nascente indústria tal escoa.
O Barão de Mauá nos quis iguais
Mas a monocultura o atraiçoa:
Os vis escravocratas do café
Fazem nosso país andar de ré.

Delmiro Gouveia no sertão
De Paulo Afonso extrai sua energia
Enfrentando os ingleses qual leão
– Sua indústria com eles competia,
Quando um crime sem nome ou solução
Toda a obra no abismo arremetia.
Outro golpe sofremos mais fatal:
Perdemos para os ianques o Pré-Sal.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Tributo a nísia floresta - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
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Para Fátima Bezerra, governadora do RN
O “Emílio” foi escrito por Rousseau
Sobre a educação só masculina
E Mary Wolstonecraft o retrucou
Exigindo igualmente a feminina
– No Brasil, nossa Nísia publicou
Tradução desse livro libertano,
Desejando um Brasil republicano.
Nos livros escolares, minha gente,
Tão grande educadora cala ausente
Nos dez pés de martelo alagoano.

O Rio Grande do Norte tem cidade
Em honra de seu nome batizada
Mas em livros didáticos não há-de
Ser junto a Castro Alves celebrada?
A escola nos esconde essa verdade:
No tempo do escrever machadiano
Já falavam mulheres ano a ano
Nas páginas de livros e jornais
Desejando parlamento e tribunais
Nos dez pés de martelo alagoano.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 15 de dezembro de 2019

Poema das commodities - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Ecos do Nordeste neste link
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Nossa história não é mais que um relato
Das matérias aqui sempre extraídas:
O nome de “Brasil” atesta o fato
– Árvores que estão já quase extinguidas.
Para plantar-se cana fez-se um trato
E o rei deu as terras divididas,
Dos índios roubando o litoral:
Salvador nasceu qual capital.

Quando o ouro surgiu lá nas Gerais
Cá no Rio embarcava pra Lisboa
Que o dava ao inglês sempre voraz
Que pra nascente indústria tal escoa.
O Barão de Mauá nos quis iguais
Mas a monocultura o atraiçoa:
Os vis escravocratas do café
Fazem nosso país andar de ré.

Delmiro Gouveia no sertão
De Paulo Afonso extrai sua energia
Enfrentando os ingleses qual leão
– Sua indústria com eles competia,
Quando um crime sem nome ou solução
Toda a obra no abismo arremetia.
Outro golpe sofremos mais fatal:
Perdemos para os ianques o Pré-Sal.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Oração do Rio Doce - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Sellow, em minhas águas afogado
– Matou-te a Cachoeira minha Escura –,
Se te restou por mim qualquer ternura
A Deus pede por este rio manchado.

Contra mim demoníaco pecado
Foi feito e tal crime impune dura:
Nos cofres da SAMARCO uma ranhura
Têmis não fez com gládio autorizado!

Nunca mais passará por Colatina,
São Roque, Itarana nem Linhares
Outra vez minha linha cristalina?

Roga a Deus a pior praga que achares;
Que Xangô saiba tudo quanto fale
O povo contra quem suga meu vale!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Prece no morro do Borel - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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A trombeta dourada que portavas,
Anjo, numa favela carioca
Quando a missão cumprias de anunciar
A redenção do povo sofredor,
Uma bala chamou para teu crânio,
Confundida que foi com um fuzil.
Teu algoz, Gabriel, perdoarás
Por amor da notícia que não deste.
Roga a Santa Luiza que lhe dê
Na favela visão tão acurada
Quanto a que não lhe falta no Leblon
Onde erros a polícia não comete.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Metanímia - EDSON AMARO DE SOUZA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Nesta data que triste lembrança deixará,
Em que o Brasil perdeu Dom Evaristo Arns
E meu coração incrédulo chorou a partida do sorriso que consolava os pobres
E dos braços que amparavam os oprimidos,
Entregou-me o correio a dádiva do meu querido:
Um livro de Mia Couto
– Na primeira página, uma dedicatória escrita por tua mão.
E beijei as letras azuis como se beijasse os teus dedos
E senti nas amadas palavras gravadas o sabor que sentiria
Se fossem teus lábios distantes
Nos meus lábios sedentos de teu ser inteiro.
E em nada me importa que a Igreja condene este amor.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS - ANTOLOGIA - IN-FINITA