Mostrar mensagens com a etiqueta Virgínia Finzetto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Virgínia Finzetto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Desterro - VIRGÍNIA FINZETTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto conexões neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link


dê-se por satisfeito
se te enterrarem uma flecha no peito
que penetra fundo é dói
não por acaso em tudo há dois gumes
enquanto um cura, o outro destrói
e para quem não aguenta o intento
vem o suicídio, súbito ou lento
a perseguir a hipotética paz dos cemitérios
nunca se provou, nem mesmo a ciência
que no profundo sono da morte
cada ser [ateu, crente ou cético] leva escondido
um quê de profético e originário
que une a humanidade
em um estúpido e último desejo imaginário:
querer perpetuar a mesma incerteza de sentir em tudo
esses dois lados que rejeita
[e pelos quais se sofre uma vida inteira]
e parte-se com a lembrança de voltar a ver o sol raiar
[mesmo que quadrado]
no dia do juízo final
[que não há no calendário]


EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS - ANTOLOGIA - IN-FINITA

terça-feira, 24 de julho de 2018

(A)paga-se com o tempo - VIRGÍNIA FINZETTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto conexões neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link



a velhice chega
apesar da irreverência
e, enquanto me admiro
no reflexo da vitrina,
ouço a voz de ‘deus
em minha própria consciência:
“fiz tudo o que ‘eu pude!”
e em resposta repentina
grito alto a um adolescente:
“eu também, eu também!”
ele se vira para ouvir a menina
e vê uma louca madura contente
que não deve à vida um vintém

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS - ANTOLOGIA - IN-FINITA