Meu Deus, a natureza é branca.
E envolve as massas de barreiras sonoras
que a boca tenta soerguer num compasso de guia
pelos caminhos do texto:
a cada palavra o seu sinal de cor,
a triste magia de buracos e dedos, de flautas
e serpentes.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Vazio no meio do mar - ARMANDO SILVA CARVALHO

Quem ama o tempo como eu nesta manhã de ruídos
que se afastam de mim e me fazem sentir
vazio no meio do mar?
Quem devora este ar tão benfazejo à boca
e ao replicar das ondas
nos ouvidos como sinos de água?
Um tempo que se curva,
com o início nos joelhos dobrados na infância,
na mãe obsessiva,
e vem,
como de onda em onda,
transportando as dores, até este rochedo
que me suga os anos
e morde, devagar, a memória
da vida.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
29 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Ver tamanha beleza na flacidez das carnes,
nos pedúnculos dos braços,
ó doente acamada,
mas tão desenvolta em orquestrar as arestas diárias,
o curso metabólico do sangue,
atenta aos ruídos mínimos desse exercício
invasor, pesado, progressivo,
labareda da dor, matéria infatigável
do cansaço.
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nos pedúnculos dos braços,
ó doente acamada,
mas tão desenvolta em orquestrar as arestas diárias,
o curso metabólico do sangue,
atenta aos ruídos mínimos desse exercício
invasor, pesado, progressivo,
labareda da dor, matéria infatigável
do cansaço.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
25 - ARMANDO SILVA CARVALHO
A tua efígie foge-me, deixaste-a
adormecer sobre a almofada das tardes
últimas de maio
até chegar o dia dos teus anos.
Mas ela, ao acordar, entre as tuas amigas,
ficou junto de mim,
presa às fotografias moribundas.
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adormecer sobre a almofada das tardes
últimas de maio
até chegar o dia dos teus anos.
Mas ela, ao acordar, entre as tuas amigas,
ficou junto de mim,
presa às fotografias moribundas.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
20 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Não revolvam as casas
nesse escoar das águas de lavagens
que te entopem os nervos, ao contemplares o lixo,
acamado, vivo, no canto mais infeliz
da garganta e da sala.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
nesse escoar das águas de lavagens
que te entopem os nervos, ao contemplares o lixo,
acamado, vivo, no canto mais infeliz
da garganta e da sala.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 26 de novembro de 2011
18 - ARMANDO SILVA CARVALHO
As falas não sossegam, nem mesmo
as do poema,
estão todas amarradas pela sua voz gritante
que não desaparece e foge,
de sala em sala, mas tão transfigurada,
a reclamar uma justiça feita à sua medida,
pela sobrevivência.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
as do poema,
estão todas amarradas pela sua voz gritante
que não desaparece e foge,
de sala em sala, mas tão transfigurada,
a reclamar uma justiça feita à sua medida,
pela sobrevivência.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
16 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Às vezes na cozinha,
entre a loiça suja e o metal já frio
dos talheres diários,
um sopro de súbito leva-te a pensar
que ela está a chegar, tão quente e tão diligentemente
dona do trabalho, do valor do uso,
senhora do lugar.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
entre a loiça suja e o metal já frio
dos talheres diários,
um sopro de súbito leva-te a pensar
que ela está a chegar, tão quente e tão diligentemente
dona do trabalho, do valor do uso,
senhora do lugar.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 6 de novembro de 2011
14 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Deves caminhar a memória
para alicerces firmes e não exaltar o pranto
corrompido por imagens remotas, pelo espanto oculto
nas palavras soltas pelos corredores.
Tinhas só uma certeza: a morte dava os seus passos seguros
naquele corpo acossado, cada vez mais só,
e que já não te via nem ouvia.
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para alicerces firmes e não exaltar o pranto
corrompido por imagens remotas, pelo espanto oculto
nas palavras soltas pelos corredores.
Tinhas só uma certeza: a morte dava os seus passos seguros
naquele corpo acossado, cada vez mais só,
e que já não te via nem ouvia.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 29 de outubro de 2011
10 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Deixa crescer estes rolos de filmes
corridos pelos olhos cavados na infância
e depois pela cinza
que a vida foi deixando nos teus passos miúdos,
atravessando hotéis como monitora
de serviçais solícitas,
ou ludibriando amores em todos os semáforos
dos teus itinerários.
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corridos pelos olhos cavados na infância
e depois pela cinza
que a vida foi deixando nos teus passos miúdos,
atravessando hotéis como monitora
de serviçais solícitas,
ou ludibriando amores em todos os semáforos
dos teus itinerários.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
7 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Por isso eu desfolho o testamento
da que irá renascer após estas palavras.
Palavras ou rebanhos soltos, carne de morrer
em sacrifício,
inocente prosa que mal se desenvencilha
da roupa pegajosa
onde deixaste dormir os insectos
nascidos na pungência
das horas,
no calor dos casulos da dor,
da paciência.
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da que irá renascer após estas palavras.
Palavras ou rebanhos soltos, carne de morrer
em sacrifício,
inocente prosa que mal se desenvencilha
da roupa pegajosa
onde deixaste dormir os insectos
nascidos na pungência
das horas,
no calor dos casulos da dor,
da paciência.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 9 de outubro de 2011
6 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Este amor está preso aos pés da terra,
o seu caule é de ferro,
cresce na minha boca, estremece e resiste
nas frágeis construções
da nossa antiga, privada, fiel
arquitectura.
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o seu caule é de ferro,
cresce na minha boca, estremece e resiste
nas frágeis construções
da nossa antiga, privada, fiel
arquitectura.
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
5 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Mas eu hei-de soltar-te e tornar-te a criança
que se vê no mundo,
só,
com a sua bola de sonhar,
a sua rosa simples,
o seu vestido às bolas, assim, sozinha e solta,
no lugar mais ermo que te cabe
no alto do infinito.
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que se vê no mundo,
só,
com a sua bola de sonhar,
a sua rosa simples,
o seu vestido às bolas, assim, sozinha e solta,
no lugar mais ermo que te cabe
no alto do infinito.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 13 de setembro de 2011
4 - ARMANDO SILVA CARVALHO
Parece mais solene e menos verdadeiro
aos que nunca o viveram
o frémito das veias
com o estranho estrondo desse aparelho
a refulgir em sangue.
E o corpo nele erguendo-se depois no mais negro
silêncio, tenso animal dorido,
aceso em vela.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
aos que nunca o viveram
o frémito das veias
com o estranho estrondo desse aparelho
a refulgir em sangue.
E o corpo nele erguendo-se depois no mais negro
silêncio, tenso animal dorido,
aceso em vela.
EM - DE AMORE - ARMANDO SILVA CARVALHO - ASSÍRIO & ALVIM
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