Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

incêndio - AL BERTO


se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha - não te assustes

são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão

EM - HORTO DE INCÊNDIO - AL BERTO - ASSÍRIO & ALVIM

domingo, 30 de dezembro de 2012

XX - VIEIRA CALADO


A luz também tem o seu repouso:

nas coisas que passam e se transformam
nos tons que dão à luz que permanece
e se transmutando abrem outras formas luminosas
em tons vigorosos da mesma configuração da luz.

E que dá alento à luz que permanece
seja no branco das neves persistentes de reflexos
seja nas clareiras tranquilas da floresta
ou no cinzento amargurado
da irremediável despedida.

E não se retrai a luz
perante a fogueira acesa dos excessos
para que se leia ou que se apague
   em suas cinzas
o testemunho da tranquilidade do tempo.

E é a tranquilidade do tempo o desvario
de nunca saber como olhar as coisas
com nossos olhos imprecisos
presos à luz que nos transforma
e transformando nos transporta.

EM - VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ - VIEIRA CALADO - PAPIRO EDITORA

sábado, 29 de dezembro de 2012

Sem as musas de outrora - MIGUEL ALMEIDA


Sem as musas de outrora,
Aos poetas de agora,
Só lhes resta ter fé
E saber acreditar,
Na capacidade,
Que têm,
Ou não,
Para fugir.
Poder cerrar
Fileiras,
Saltar barreiras,
Violar fronteiras,
Para onde vão,
Para onde podem ir,
Atrás dos próprios sonhos.

EM - O LUGAR DAS COISAS - MIGUEL ALMEIDA - ESFERA DO CAOS

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Foi por ti - ANA COELHO


Foi por ti
Que enchi rios
em afluentes de sal,
caminhei por margens rústicas
com as mãos descalças
e os pés suados de esperança...

Foi por ti
que da lua agarrei o sol,
pelo horizonte infinito
desci por fios de luz
para colorir em aromas
uma única existência...

Foi por ti!
Que parei... tudo deixei.

Agora aqui sentada
espero o som da tua mão...

EM - TECTO DAS PALAVRAS - ANA COELHO - EDITAME

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Canção - EUGÉNIO DE ANDRADE


Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.

Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.

Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.

Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.

EM - AS PALAVRAS INTERDITAS/ATÈ AMANHÃ - EUGÉNIO DE ANDRADE - ASSÍRIO & ALVIM

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Contemplação - LUIS PIRES

 
Podia ficar a sonhar
Toda a noite contigo
Que quando estivesse a acordar
Ainda a saudade quereria matar
 
Podia ficar acordado
Só em contemplação
Só para te ver respirar
 
Podia ficar só ao teu lado
A sentir em mim o teu coração
Podia ficar assim, agarrado
A sentir tudo e a não
Perder nada
EM - PARA TI - LUIS PIRES - CHIADO EDITORA

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Outro destino - AUSENDA HILÁRIO


Desnudam-se os pés
Das azáfamas luzentes.
Alas de fogo e de conforto
Que os aquecem,
Numa cor doce de mel e desvelo,
Mesmo que a neve lá fora
Dilacere as peugadas
de quem carrega a fome
nas pernas de farrapos indolentes
e horas cansadas
que, todos os dias, sonham alcançar
a porta de outro destino.
Outras tantas mãos cheias, rutilantes
de corrupios de risos
E diáfanas farturas
Alheias ao rigor das vidas,
Vão apagando dos dias
o brilho,
vincando a austera ausência
da partilha.

EM - LUGARES E PALAVRAS DE NATAL - ANTOLOGIA - LUGAR DA PALAVRA

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Festejo na aldeia - RITA FARIAS


Sol seco
Céu húmido
Tudo é nublado
Mas muito iluminado.
Chegou o Inverno
Árvores despidas
Marés enraivecidas
Vento assustador
Por vezes demolidor
Frio devastador.
É dezembro,
Época natalícia
Tudo se torna um sonho
Tudo é uma delícia.
O fumegar da lareira
Que faz sombra
À expandida luz
Em forma de anjo
De maneira estrelada.
Assim se reduz
À minha infância
Jamais esquecida
Naquela tradicional aldeia.
Que todos cantam e dançam
À volta da fogueira
Com os sinos a badalar
Os animais a aconchegar
E a família a festejar.

EM - LUGARES E PALAVRAS DE NATAL - ANTOLOGIA - LUGAR DA PALAVRA EDITORA

domingo, 23 de dezembro de 2012

Viagem - MARIA TERESA HORTA


Desejo-te que mordas
o meu pulso
desejas-me ir tocar o cotovelo

Entreabres-me as pernas
tão de súbito
e devagar afagas-me o cabelo

Debruças-te sobre a boca que tão ávida
se abre no meu corpo
e ao descê-lo

Vais nadando de bruços
e na viagem
preferes morrer de amor do que perdê-lo

EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE

sábado, 22 de dezembro de 2012

Nos teus olhos - LIDIA BORGES


Antes de todas as coisas
era a escuridão.
Era o frio que me doía nas mãos,
era a lenta passagem dos minutos, das horas
nos relógios de todos os invernos.

Depois tu vieste e eu descobri
que nos teus olhos
é que as primaveras se escondiam.

Acendeste as estrelas nas noites
e elas transformaram-se em dias.
Despertaste os chãos, os jardins
e todas as palavras
que se íam apagando de mim.

Dos meus dedos voaram borboletas
e a morte morreu nas cascatas de luz
das manhãs que tu inventaste.

 EM - NO ESPANTO DAS MÃOS - LIDIA BORGES - LUA DE MARFIM

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Por vezes - NUNO GUIMARÃES


por vezes eu também choro
dá-me na alma a revolta
de não estar sempre a teu lado
por vezes eu também tremo
sinto frio, dor e medo
de me encontrar no abismo
e só ser este o meu fado

no auge do sofrimento
transformo isto num sonho!

viaja célere no tempo
exorcizo o teu passado
ludibrio o teu presente
com futuro antecipado...

EM - RIO QUE CORRE INDIFERENTE - NUNO GUIMARÃES - TEMAS ORIGINAIS

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nosso amor - NATÁLIA CANAIS NUNO


No mais íntimo e resguardado
quando me abandono às tuas carícias
Fica meu corpo abrasado
Tuas mâos, fazem delícias.

Posso entrever enternecida
Teus olhos pousados nos meus
De olhar os teus fico esquecida
Até de agradecer a Deus!

Nosso amor é como um livro interrompido
Que se fecha com uma ponta de loucura
Na esperança de se ser surpreendido
Ao retornar a leitura.

EM - PESA-ME A ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - LUA DE MARFIM

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Adornos - ANA MARQUES GASTÃO


Valho-me de um ouvido
que quase não ouve
porque vê
em retrocedido olhar
do touro as asas.

Ó incorrupta voz
de suaves fragâncias
e tons de cáscara,
não exasperado
é o teu lugar de adornos.

EM - ADORNOS - ANA MARQUES GASTÃO - DOM QUIXOTE

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pinta minha tela - SUSANA MAURÍCIO


Saudades do brilho do teu olhar,
do terno abraço que me acalenta,
do beijo que me deixa sem respirar,
do desejo que me invade e alimenta.

Desejo-te a pintar minha tela,
com as cores quentes do arco-íris.
Desenha com a tua certeira fórmula,
o amor e paixão... bem mais que carnais.

O teu cheiro, toque, voz e palavras,
com os actos aumentam a excitação,
e um ao outro, em fogo nos entregamos,
dois seres distintos...
... que se dão e unem em comunhão.

EM - EROTICAMENTE TUA - SUSANA MAURÍCIO - UNIVERSUS 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A inspiração abandonou-me - JOSÉ ILÍDIO TORRES


A inspiração abandonou-me
Fugiu com um turco que vendia ventoinhas
Apesar de ser marroquino de outros fumos

Não que me tivesse traído, apenas desistiu
Tal qual um rebucador que nunca partiu de Ceuta
Arrastando Sebastiões no saltar intermitente dos golfinhos

Mas o pior de tudo, é que a maré como que se esvaiu
A cada golfada de dedos que não tocaram as anémonas
Receosos de envenenamento pela poesia dos cactos

Houvesse solução para as guelras
E em cada gargalo de tempo
Um pulmão ansiasse a felicidade como um cancro

EM - OS POEMAS NÃO SE SERVEM FRIOS - JOSÉ ILÍDIO TORRES - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 16 de dezembro de 2012

Acordar - JORGE BICHO


Do acordar de ti
serena
deslumbrante
nasce a incontida ternura
que se abre nos meus olhos
quando acordo.

Sabe-me a ti,
e à mais simples e feliz
história,
que começa
no tremor
dos meus lábios,
e das palavras
que nunca serão
e se transformam
neste lento hábito
de me deixar ficar
dormindo
sabendo-me a ti...

EM - POR DENTRO DAS PALAVRAS - JORGE BICHO - LUA DE MARFIM

sábado, 15 de dezembro de 2012

As árvores têm raizes* - SÓNIA RODRIGUES


As árvores têm raízes
enormes.
A raiz do ser
reflecte a sua vivência;
é enorme a sua capacidade
de sustentar o que dela
depende.
A nossa raiz é profunda,
mas as árvores
já cá estavam
quando nós
chegámos.
Temos de as respeitar.

EM - RENASCER - SÓNIA RODRIGUES - UNIVERSUS

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Apetece-me - PAULO CÉSAR


Apetece-me o amor,
Como uma concha no areal
Rente à espuma
Da rebentação!

Apetece-me o beijo,
Como a sombra suave
Numa tarde quente
De Agosto!

Apetece-me a nudez
Do teu corpo macio...
No começo um beijo
E outro e tantos
E depois o amor!

EM - NO CHÃO D'ÁGUA - PAULO CÉSAR - LUA DE MARFIM

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Saudade - RUY CINATTI


Ouvi dizer que a tua voz se ouvia
lá longe, em Timor, na outra banda do mundo,
e que era esse o profundo dilema
da tua casta, enamorada alma.
O que não ouço fere-me o ouvido
e há segredos, que ocultos soluçam...
De tanto sofrer, uma dor simples
vagueia errante... Uma gaivota alada...
A minha vida, uma perdida âncora
em praia ignota, que eu conheço a fundo.
Tardarei muito em encontrá-la,
mas será cedo para a vizinha morte.

EM - 56 POEMAS - RUY CINATTI - RELÓGIO D'ÁGUA

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Poema imperfeito - PAULO AFONSO RAMOS


Num fogo rendilhado
entre as brumas e ventos
deixei perdidos os meus momentos
ficaram caídos, esquecidos nos meus dias.
Perdi-me nas aguarelas
entre pincéis e telas
dos poeirentos quadros
entre apertos e alegrias
em que me deixei seduzir
entre estéreis estrias.

Ainda assim, refeito, volto
renovado e sem amarras
para recomeçar o meu caminho.
Nem que lute sozinho com as minhas garras
sem que tu, imperfeição, que me agarras
possas travar-me, sem que o possas impedir.

Trago-vos um recado
que é este poema sem pecado, inacabado
é dentro dele que vou sempre existir.

EM - PASSOS ESPALHADOS PELO CHÃO - PAULO AFONSO RAMOS - LUA DE MARFIM

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um copo - JOSÉ ALBERTO MONTEIRO RODRIGUES


És copo cheio
Meio
Vazio
Em que te pego
E levo comigo
Vazio
Meio
E cheio
De tudo e nada
Onde me encontro
E perco de ti
Cheio
Meio
Vazio
E transparente
Espelho
De mim.

EM - A POESIA É UM ANTIDEPRESSIVO - JOSÉ ALBERTO MONTEIRO RODRIGUES - TEMAS ORIGINAIS

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

II - PAULO EDUARDO CAMPOS


escrevo-te deste tempo ausente
com pupilas dilatadas.
escrevo-te quase só, exausto,
quase cego, quase louco.
ninguém escuta a minha voz sobre as ruínas,
o grito, a dor, nada.
há um poema que atravessa os muros,
um nó que se aperta na garganta,
um silêncio que entardece
quando todos partem.
sou, talvez, um caminhante solitário
pelas estrelas sem nome.
aquele que caminha quando todos dormem
fechando todas as portas
que o tempo não apaga.

EM - A CASA DOS ARCHOTES - PAULO EDUARDO CAMPOS - LUA DE MARFIM

domingo, 9 de dezembro de 2012

Estás longe-perto - EDUARDO ALEIXO


Onde estarás?
Só depois de partires
É que melhor te conheci
E mais te amei.
Estás algures longe-perto.
Será que um dia nos vamos encontrar
Quando eu partir para esse lugar?
Amo-te.
Faz hoje anos que partiste.
Tanto te amei.
Devia ter-te amado mais.
Mas há coisas que só vemos depois!
Tu sabes quais são!
Tens escutado a minha voz
E o meu pensamento.
Estás longe-perto!

EM - OS CAMINHOS DO SILÊNCIO - EDUARDO ALEIXO - CHIADO EDITORA

sábado, 8 de dezembro de 2012

10* - ALBERTO BRAVO


Cai uma chuva fina
que falsamente decora
a vidraça matutina
com ornamentos de outrora.

E como ainda há neblina
está melhor do que lá fora.
Na vidraça, a mão assina
o nome de ontem, agora.

Como uma dúplice andorinha
volteia uma recordação,
que é capaz de ser minha

como de outro, então...
(Dói-me a vírgula sozinha,
que separa, no coração).

EM - POEMAS OCASIONAIS - ALBERTO BRAVO - LUA DE MARFIM

* Os poemas deste livro não são titulados

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Canção de estar tão vivo - JOAQUIM PESSOA

Tivera eu morrido trespassado
e menos me custara do que estar
de pé. E de tão vivo, assassinado.
Que a morte é ter vontade de cantar.

Tivera eu partido e não voltasse
às margens quase puras do meu Tejo.
Tivesse eu uma rosa e caminhasse.
Que a morte é dar a vida por um beijo.

Pudera eu dizer, amor, de nós
a ternura cobrindo a nossa cama.
gritar por ti até perder a voz.
Que a morte está mais perto de quem ama.

Pudera então ao menos ficar mudo
e nada mais dizer. Nada cantar.
Como se já tivera eu cantado tudo
e a morte acontecesse devagar.

EM - 125 POEMAS - JOAQUIM PESSOA - LITEXA

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Flor de lótus - MARIA JOÃO CARVALHO MARTINS


Turva se desenha a curva
do meu corpo
na lama que o molda
e o alimenta
lhe toma o pulso e o inflama.
E da semente, cresço raiz
e emerjo, asa de gaivota
resgatada pelo sol.
Perene flor
alma solta.

EM - DO OUTRO LADO DO ESPELHO - MARIA JOÃO CARVALHO MARTINS - LUA DE MARFIM

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

De olhos em ti - EMILIO LIMA


foi mágico o nosso 1º olhar
os meus olhos perderam-se
nas finíssimas texturas
da tua fina pele preta

nas janelas do teu coração
podia ver-se a dança do amor
no ritmo da paixão

hasteámos a mais extraordinária
bandeira pintada com cenas de amor

EM - NOTAS TORTAS NAS FOLHAS SOLTAS - EMILIO LIMA - TEMAS ORIGINAIS

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mortuarium - FERNANDO SAIOTE


Não morre a morte,
Corre louca a vida
Em ventos que sorte
Trazem na despedida.

De negro velho trajada
Opas rasgadas e vazias,
A caveira mal tratada
Vai ditando profecias.

Por entre pedras chorosas,
Rastos de vida esquecida
Enfeites de belas rosas
No caixão da falecida.

Vivem nestas recordações
Em sombra de nuas árvores
Amores idos e seus corações
Inertes em brancos mármores.

EM - PRISÃO DE SENTIDOS - FERNANDO SAIOTE - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mulher - ISABEL LUCAS SIMÕES


Mulher,
Possuis um pensamento que domina,
Seduz.
Teu corpo é luz,
Plenitude
Felicidade.
Estar sempre ao teu lado
É ter o cheiro,
O gosto,
O prazer
De noite e de manhã.
Mulher,
És a melhor viagem,
Companheira que conduz,
Ao reino que nos seduz.
És o barco onde se embarca
Não interessa qual é o cais
Quando nem queremos chegar
E se viaja por viajar.
Mulher,
És sinal primeiro
És a fonte que nos dá a vida e prazer
És fêmea chama
Fogo que num instante se faz.
És mais que a lua e o mar
És brilho que nos ensina onde navegar
Chegar...

EM - SOLTO A POESIA - ISABEL LUCAS SIMÕES - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 2 de dezembro de 2012

Se já não escrevo - CRISTINA PINHEIRO MOITA


Hoje pensei num verso
que não escrevi
dizia tudo
o que merecias ouvir de mim
palavras fortes
que detonavam nas vogais
pelos cabelos, suores escorreram
e nada mais!
No meu corpo, os pêlos
arrepiaram querendo mais
num som bem extra
escondidos ancestrais
se já não escrevo...
Sinto a fome dos mortais

EM - FALUA DA SAUDADE - CRISTINA PINHEIRO MOITA - LUA DE MARFIM

sábado, 1 de dezembro de 2012

Relampejar - NUNO GUIMARÃES


os relâmpagos desta noite
trazem-me o desenho do teu corpo
bordado a ponto de luz
com costuras perfeitas nos teus dedos

vejo os teus olhos piscando
como estrelas que se foram apagando
antes da tormenta chegar

o relampejar
traz o teu cheiro diluido pela chuva
abro, em antecipação, a janela
encho a alma de flores
e como se fosse primavera
espero que as venhas apanhar...

EM - POR EU ME LEMBRAR DE TI - NUNO GUIMARÃES - WAF