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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

É tudo de repente - ALBERTO DE LACERDA

É tudo de repente
Muito lento
Insuportavelmente estranho

Os arcos sucessivos dilatando
Extremo após extremo
Deixam o ser inteiro
Perder o pé

No oceano ignoto

EM - O PAJEM FORMIDÁVEL DOS INDÍCIOS - ALBERTO DE LACERDA - ASSÍRIO & ALVIM

domingo, 16 de outubro de 2011

Cada cidade inventa - ALBERTO DE LACERDA

Cada cidade inventa
Uma floresta virgem
Que a cada instante inventa
Outra floresta virgem

Cada cidade é Shakespeare
Cada cidade encarna
Tudo quanto existe
Existirá e desde
O alvor dos tempos
Foi fabulosamente
Criado

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O ausente - ALBERTO DE LACERDA

Corpo suspenso
Da imaginação dolorosa

A distância
Permeando o desejo

Oceano
O impossível lençol entre nós dois

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Os vocábulos - ALBERTO DE LACERDA

Os vocábulos
Os olhos
O olhar
Os corpos
Regressam
Surpreendentemente
Modificados

Nunca se sabe

Nunca se apreende
O que nasceu no vértice da paixão

Contemplação ardente
De um leque que se abriu um dia
Para nunca mais se deter

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

V. S. - ALBERTO DE LACERDA

Maga
Adivinhavas
Nas cidades
O centro

Maga
Comunicavas

Decifravas
O labirinto

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

O refúgio... - ALBERTO DE LACERDA

O refúgio
                    o claustro
Invisível
Onde a alma
Refulge

O segredo
Que não sabe sequer
Que é segredo

Certos portais
Escrupulosamente
Cerrados

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Seus passos... - ALBERTO DE LACERDA

Seus passos na nave interminável
Enaltecem os vitrais
Prolongam a luz coada
No mármore

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domingo, 19 de junho de 2011

Desembarcarás... - ALBERTO DE LACERDA

Desembarcarás de um sol inonimato
de uma praia sem sombras

Perfil cada vez mais nítido
Para além das lágrimas
Que não sei deter

Olhar mútuo cada vez mais límpido
Depois de termos sobrevoado
Florestas virgens
Incomensuráveis

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pegadas - ALBERTO DE LACERDA

Pegadas

As pegadas do coração

As pegadas
Agora indeléveis
No coração

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Unidade - ALBERTO DE LACERDA


Em gradações subtis, cada vez menos
Intensas, os meus sonhos libertassem
Os traços convergentes e amenos
Emergindo de aonde as formas nascem

Uma unidade límpida viesse
Ao meu encontro, após a tempestade!
O nimbo antigo que o mistério tece
Quisera eu habitar sua verdade.

Vértice, inigualável convergência!
Aspiração à unidade austera:
A sumptuosa e pura, pura ausência
De quem espera num sonho, e o sonho espera.

Os sonhos cansam, mais do que a esperança
Busco a unidade, resta-me a mudança.

in... O pajem formidável dos indícios - ALBERTO DE LACERDA - Assírio & Alvim

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