Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

3 quadras - PINHO NENO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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IV
1
- Ninguém tenha ilusões. A tua essência
Mais profunda, marcante e genuína,
A que garante o dom da existência,
Tem raízes no Mar que é a tua sina.

2
Breve instante bastou para, alongado
Sobre ele o triste olhar, vital clarão
Te infundiste no rosto amargurado
O fulgor de sinérgica expressão.

3
- Faz sentido o que acabas de dizer,
Mas não na dimensão que se utiliza,
Pois quanto me permite reviver
Estende-se também para a Galiza.

EM - ACORDA, PORTUGAL - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A prenda - DUARTE MORENO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Escrevo um poema
numa prenda
e espero
que a surpresa
se desprenda
do laço da imaginação!

Rasgo o papel,
com a admiração
de saber
a feliz razão,
em crer
na partilha
de dar
e receber,
como a radical emoção!

EM - O PÁSSARO NO TRAÇO EM TRONCO NU - DUARTE MORENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

terça-feira, 28 de junho de 2016

Memória de um dia sem poesia - JOSÉ ILÍDIO TORRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

encalharam sem razão os barcos
os aviões pararam em pleno ar
uma gaivota ficou negra de crude

não havia correio nos marcos
não havia razão para reclamar
o afecto mais terno tornou-se rude

falharam o alvo dos amantes as setas
as crianças de colo deixaram o peito
uma cidade inteira ruiu nessa dor

não havia beijos, abraços ou metas
não havia mais que cadáveres no leito
o ódio sobrepôs-se sem dó ao amor

procuraram razões eternos ditadores
discursaram políticos a sua febre
culparam os poetas da ruína sem fundo

mas estes, indiferentes aos roedores
gritaram bem alto a razão da greve
gizando novos poemas para o mundo

EM - DISSERTAÇÃO ESCUSADA SOBRE A SOLIDÃO DAS ÁRVORES - JOSÉ ILÍDIO TORRES - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fiel divisa - PINHO NENO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Tolhido por letais contradições,
O País não avança, não progride...
O Estado não apoia, antes agride
O Povo com legais disposições,

E recurso a perversas proibições
Com que o baralha, trava, assusta, elide
E, sem vergonha e lógica, decide
Contra a moral de nobres tradições.

O País definha, perdeu valores
Que foram o bordão de seus Maiores
Na construção da Pátria que agoniza.

Ó versos de Camões, de Pascoaes,
De Junqueiro, Pessoa e doutros mais,
Sede vós da Nação fiel divisa!

EM - CHÃO PORTUGUÊS - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 26 de junho de 2016

Metáfora perdida - MENA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
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Saudade de sentir saudade
Inércia do pensamento
Perversa a realidade
Que me ocupa o momento...

Saudade da felicidade
Vivida algum dia
Obscura a tempestade
Longínqua a fantasia...

Saudade, ânsia da liberdade
Do vento na primavera
Dos lírios, da puberdade
Do coração que queima...

Saudade, metáfora perdida
Da esbelta silhueta da esperança
Dos goivos brancos da pradaria
Do mar perfeito da bonança...

Saudade de sentir saudade!

EM - FILIGRANAS DE PALAVRAS - MENA SANTOS - CHIADO EDITORA

sábado, 25 de junho de 2016

Viajo entre túneis...* - MARIETE LISBOA GUERRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Viajo entre túneis cansados do sono
como um cão vadio à procura
do único dono
Viajo em barcos sem remos fantasmas
onde o tempo volátil precede em busca
da minha alma cega
Viajo esperando memórias iluminadas
dos rostos que se perderam sem regresso
no livre arbítrio da partida
Viajo procurando portos de abrigo que não vejo
Exijo a verdade dos versos de pedras e cravos

a faca que dilacera a falsidade,
o tiro que perfure a desigualdade,
o raio que arrase a burocracia
prefiro o punhal ou foice
às palavras que se escamoteiam
darei a outra face na conquista da liberdade

EM - UM DIA HOUVE POESIA - MARIETE LISBOA GUERRA - EDITORIAL MINERVA

sexta-feira, 24 de junho de 2016

3 quadras - PINHO NENO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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II
1
- O cívico respeito que mereces
Impõe que me apresente disponível
Para escutar relatos que apeteces
Se fazê-los te for apetecível.

2
Sinto que tens real necessidade
De insanos sentimentos expelir,
De deixar de falar à puridade
E no discurso aberto persistir.

3
Afasta os pesadelos de tua alma
E confia no alor que dela vem,
Que assim alcançarás postura e calma
Para, vencendo o Mal, prover o Bem.

EM - ACORDA, PORTUGAL - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Águas - ISABEL BRANCO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Partindo... lá vamos a navegar
nas velas soltas da imaginação...
Águas... sejam rio, sejam mar,
do olhar nossa contemplação!

Doces águas por onde me levais?
Amarras a que me prendeis?
Águas salgadas que chorais
ondas que de meus olhos vereis...

Águas..., nuvens, presságios,
viagens, emoções que bebo
nas mágoas dos meus naufrágios.

Cachoeiras que, em mim, percebo
desenganos, fontes, apanágios,
brancas águas que hoje escrevo...

EM - PÁSSAROS SEM NINHO - ISABEL BRANCO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Havia o que não a via - JOSÉ ILÍDIO TORRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

havia o que não a via
e vestia
de vermelho lua

sapatos afiados na carne
saltos altos de luz

e trazia
na boca um halo de cometa
no ventre um quase poema

e despia
pelo céu da boca o beijo
a noite puta

e cobrava sonhos de menina
e vendia baloiços
e sortes macacas

em cada um que a via

EM - DISSERTAÇÃO ESCUSADA SOBRE A SOLIDÃO DAS ÁRVORES - JOSÉ ILÍDIO TORRES - LUA DE MARFIM

terça-feira, 21 de junho de 2016

Elegia ao sol e à lua - DUARTE MORENO

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Acredito no fogo.
Creio
no quente-frio do olhar,
e no sol
que adormece no mar,
sem queimar
o pano das velas
do barco
a ondular;
O vermelho
incendeia a noite
e o lago
parece um espelho
frio,
estilhaçado
pelo bater de asas
de muitos patos alcoólicos,
sonâmbulos,
perdidos
na direcção das esferas!

EM - O PÁSSARO NO TRAÇO EM TRONCO NU - DUARTE MORENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Fim de Abril - PINHO NENO

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Abril arrefeceu. A primavera
Tornou Inverno triste, aborrecido;
Esfumou-se também o colorido
Do cravo que não foi senão quimera.

Meu País sem comando, qual galera
Sem leme, pelos ventos sacudido
Deste Inverno chuvoso e desabrido,
O rumo que perdeu não recupera.

Aproxima-se o caos, o descalabro...
A fome não demora: já se sente
O desespero que ninguém ilude...

Ouve-se o som do bacanal macabro
Para onde sem pudor e torpemente
Se lança a generosa Juventude.

EM - CHÃO PORTUGUÊS - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 19 de junho de 2016

Casa grande - INÁCIO SEMEDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA CHIADO EDITORA
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Cinco as assoalhadas herdadas do dono
Paredes de madeira, cobertura o infinito, lajes de barro...
Árvores, nuvens, pedras;
Porta aberta para a vista correr mar fora
Três os caminhos navegados à sua volta
As estações da renovação da frota: quatro a revezar a norte
O hemisfério...
A sual, duas as mudanças apenas;
O azul que tinge, chora alimento água numa delas
A outra, muito não se dá! É mais estéril, mais séria...
Adentro, a mobília qu'importa:
O sopro da vida humana,
Bênção avalizada para se moldar igual, na diferença, o ventre da casa comum.

EM - SEM POEMAS - INÁCIO SEMEDO - CHIADO EDITORA

sábado, 18 de junho de 2016

Que fizemos de nós?* - MARIETE LISBOA GUERRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Que fizemos de nós?
Somos uma estrada sem paragem
sou hóspede do meu coração não lúcido

Agora,
devo só esperar o avesso das coisas, o forro dos bolsos,
o amor esquecido nos teus dedos

Amor,
olhar-te-ei como se nunca e sempre
olhar-nos-emos como se fôssemos morrer
O tempo perde o norte
bendigo a vida e beijo o teu retrato
que foi-é-será-sendo-agora

EM - UM DIA HOUVE POESIA - MARIETE LISBOA GUERRA - EDITORIAL MINERVA

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Silêncio - A. M. GUERREIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Não quero as explicações que me possas ter a dar
Nem se são necessidades ou urgências de explicar.
Razões são sempre o início das amarras. São corrente
Que nos colocam a um nível tão igual a toda a gente...

Quando se tem a sofrer, que se sofra com vontade.
Quando as coisas não encaixam, só o silêncio não é a mais.
Ele - o verdadeiro princípio e fim da intimidade,
Que dissipa as exigências e as mágoas. E é liberdade
De nós, quando sabemos ser universais.

EM - PAS(S/T)AGENS - A. M. GUERREIRO - CHIADO EDITORA 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Meu gémeo poeta - ISABEL BRANCO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Meu gémeo poeta
esgotado adormeceu.
Não! Não... Ainda não morreu!
Descansa, apenas, das sensações
buscando no sossego outra meta.
Do conflito das emoções
une fios da ténue teia...
Arrumou a caneta,
serenou o pensamento
e dorme... dorme...
Numa qualquer manhã
Fénix acordará
e rejuvenescido de intenções
seus versos, de novo, escreverá!
Dorme... dorme...
meu gémeo poeta,
outro lado do meu eu!

EM - PÁSSAROS SEM NINHO - ISABEL BRANCO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Lua morena - JOSÉ ILÍDIO TORRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

havia um quarto crescente
que a tristeza dos olhos mentia
e lençóis nos lábios de cetim

lua incandescente e quase nua

havia do amor um lado crente
que o outro lado também sentia
desejo de abraços sem ter fim

lua incandescente e quase nua

viagens de naves-caravelas
em todas as viagens singelas
vaga-lume aceso no teu sorriso

lua incandescente e quase nua

tempo do teu tempo preciso
quarto de luz despido nas janelas
lua morena ao fundo da minha rua

EM - DISSERTAÇÃO ESCUSADA SOBRE A SOLIDÃO DAS ÁRVORES - JOSÉ ILÍDIO TORRES - LUA DE MARFIM

terça-feira, 14 de junho de 2016

3 quadras - PINHO NENO

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I
1
- Que se passa contigo, Portugal,
Com esse ar abatido e deprimente?
Pelo rictus se vê que passas mal
E não podes negar que estás doente.

2
Desta vez o que foi que aconteceu?
Qual o vírus que o corpo te infectou?
A razão de viver esmoreceu?
Que sentida amargura te tomou?

3
Coberto de mazelas, queimaduras,
Caído do letargo em poço fundo,
Envolto no burel de desventuras,
Transmites sensação de moribundo...

EM - ACORDA, PORTUGAL - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Serei tua - MENA SANTOS

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Serei tua agora e sempre
Na mente no olhar
Sombra do meu corpo
No real, na ilusão
Da metamorfose perdida...
No grito permanente
Dizendo que estou viva
Estrofe ou canção
Poema, sinfonia...
Meu lado ardente
Em viva combustão
Sou sonho e gente...
Amor eloquente
Paixão de uma vida!!!

EM - FILIGRANAS DE PALAVRAS - MENA SANTOS - CHIADO EDITORA

domingo, 12 de junho de 2016

Os ecos da miséria - INÁCIO SEMEDO

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Fome, indignidade, morte...
Sinais alarmantes de um satrapear desprezível
Ressoam como sinos a badalejar uma fatalidade
Realidade de contorno impossível...
Dizem!?
Os que mandam, assim fazem crer.
Nada mais falso.
Impropério talvez, fatalidade não!
Nós o sabemos, os não hipócritas
tais ecos em nada abonam a favor dos miseráveis.
Pelo melhor das boas vontades que se erguem,
Ideias fundadoras de âncora progressista,
Enquanto o miserável se apresentar coberto com o manto desgraçado
Os ecos da carência continuarão a abafar o alcance da voz que se devia fazer ouvir.
Há que banir a miséria, o mal, a bem da paz.

EM - SEM POEMAS - INÁCIO SEMEDO - CHIADO EDITORA

sábado, 11 de junho de 2016

Outra vez o silêncio* - MARIETE LISBOA GUERRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Outra vez o silêncio
as árvores que fogem
as esquinas imóveis

As searas que oscilam as pregas verdes
o ar da tarde que pisa um chão desconhecido

Passeio os meus olhos indolentes
da tua espera pelo meus rosto

Neste meu alarido cheio de vento
sacio-me olhando a tua mecha branca
calo-me nos abraços que faltam
neste calvário de corvos
esperando pela hora sem sombras

EM - UM DIA HOUVE POESIA - MARIETE LISBOA GUERRA - EDITORIAL MINERVA

sexta-feira, 10 de junho de 2016

De vez em quando - A. M. GUERREIRO

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De vez em quando paramos,
Deitamos fora o já velho e sem notar, recomeçamos...
Novos trilhos mais sentidos - que o sentimento é mais forte.
Mais intenso e colorido. Nova arte, nova sorte.

Alteramos as rotinas, sorrimos ao acordar
Reganhamos a energia de viver e de sonhar.

De vez em quando acontece... Despertar do dia-a-dia.
E mal daquele que não troca
O linear pelo incerto, a tristeza pela alegria
E o real pela fantasia.

Recuperamos o sentido. Deixamos o sol entrar...
Sabemos, intimamente, que vale a pena mudar...

EM - PAS(S/T)AGENS - A. M. GUERREIRO - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O outro lado de nós - ISABEL BRANCO

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Transparecem fluídas
as vítreas imagens,
gémeos contrários,
retornos de nós
que a luz refletem
em verdades de cristal,
ambíguas, nos segredos
dos nossos espelhos
ao passar dos anos estilhaçados.

EM - PÁSSAROS SEM NINHO - ISABEL BRANCO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 8 de junho de 2016

De mãos atadas - JOSÉ ILÍDIO TORRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

de que te servem essas mãos atadas
horizontes fechados como janelas
criadas para te servirem anafadas
se não sabes a que cheiram as vielas

de que te servem as heranças, os dotes
os títulos, os diplomas ou as comendas
mais as orgias e outros que tais fartotes
se até nos teus amigos colocas vendas

respondo por ti se não te importas:
- Não te sobra dessa vil aliança
restos de carne e outras coisas mortas

entra por isso de peito aberto na dança
escreve direito por linhas tortas
semeia em cada homem, uma criança

EM - DISSERTAÇÃO ESCUSADA SOBRE A SOLIDÃO DAS ÁRVORES - JOSÉ ILÍDIO TORRES - LUA DE MARFIM

terça-feira, 7 de junho de 2016

Era uma vez - DUARTE MORENO

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um menino,
de sexo masculino
que brincava num jardim,
entre flores quietas;
Brincava e crescia
como o sonho,
que nas flores
são as pétalas,
a ganharem cor
na pressa de encantar,
como o menino
a pedalar
num triciclo de gladíolo!

EM - O PÁSSARO NO TRAÇO EM TRONCO NU - DUARTE MORENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Presságio - PINHO NENO

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Esta noite sonhei - que pesadelo! -
Que o pátrio solo fora retalhado,
Na lota da desonra leiloado,
Posto covardemente ao desmazelo...

Pude, então, conhecer o falso zelo
Com que o sofrido Povo foi logrado
E da forma mais vil abandonado
Por quem o quis trair, não defendê-lo...

Esta noite sonhei... Um sonho horrível...
Acreditar não quero que possível
Se torne este meu sonho alguma vez...

Capaz de tal vileza e tal traição
Decerto não existe na Nação
Honrado e verdadeiro português.

EM -  CHÃO PORTUGUÊS - PINHO NENO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 5 de junho de 2016

Passe a palavra - INÁCIO SEMEDO

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A quem do teu lado se confronta
Consigo próprio, dúvidas ou tentações nas mãos
A dividi-los, os rios nunca deixam de desaguar no mar
Formam ondas, empurram navios, emparedam com a terra...
Água salgada e água doce, só o sobrenome as separa;
A cor do líquido, o paladar não a distingue;
Seja límpida ou suja, a degradação das vidas amarga a boca como a vista.
Olhos de água que pela face se derrama...
A troco de sofrimento e perdas desnecessárias,
Passe a palavra a quem do teu lado não entende
Que para se construir uma nação, a palavra passe é a união.

EM - SEM POEMAS - INÁCIO SEMEDO - CHIADO EDITORA

sábado, 4 de junho de 2016

No ocaso das pedras...* - MARIETE LISBOA GUERRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

No ocaso das pedras que rolam
vivo na floresta, sossego numa fonte escondida
Teu rosto, minha aparição divina
toco-te minha avidez peregrina
buscando as raízes dos sentimentos
minha solidão na poesia
embriago-me na total consciência
a casa, o abrigo, o segredo de assim ser
Já não choro com o olhar dentro da lágrima
os pés descalços suicidam as dores do peito
Danço contigo deixando a noite cair

EM - UM DIA HOUVE POESIA - MARIETE LISBOA GUERRA - EDITORIAL MINERVA

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Só - A. M. GUERREIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Só. Inevitavelmente só em mais um ano que passa.
Sem esperança nem paciência de lhe dar alguma graça.

Só e nunca só - sempre intermédio de tempos.
Incoerência constante. Divergência de momentos.

Só. Inevitavelmente só no percurso já traçado.
Descobrindo a cada passo um caminho já marcado.

Só e nunca só - sempre intermédio de mim.
Valha-nos a certeza do aproximar do fim.

Só, sempre só na alvorada.
Quanto maior o silêncio
melhor será a minha estrada.

EM - PAS(S/T)AGENS - A. M. GUERREIRO - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Basta - ISABEL BRANCO

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Basta de ideias
em livros enclausuradas.
Haja vontades!
Basta do sonambulismo
que se vive nas cidades.
Haja vozes determinadas.
Basta de delírio
das pessoas amarfanhadas
desocupadas, desempregadas...
Haja pão, haja razão...
Haja frontalidades!
Basta de comiseração
e indulgência.
Haja uma tomada de posição,
uma poética interferência,
uma resoluta afirmação.
Basta de negação!
Haja alguma condição...

EM - PÁSSAROS SEM NINHO - ISABEL BRANCO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Estrela decadente - JOSÉ ILÍDIO TORRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

eu venho de todos os lugares da perda
semeando cadáveres pela planície
os bolsos cheios de armas e só merda
sou da fome o mais astuto artificie

eu venho de onde não tenho nome
garganta funda para dizer a liberdade
pau para toda a obra de quem tome
mentira como a mais pura verdade

eu venho dos bairros da fome como lata
cântico negro a roer-me de poesia os ossos
eu venho de matar o silêncio com esta faca

eu venho de todos os lugares tão vossos
já derrubei para um canto o que me mata
visto-me da bonomia cadente dos destroços

EM - DISSERTAÇÃO ESCUSADA SOBRE A SOLIDÃO DAS ÁRVORES - JOSÉ ILÍDIO TORRES - LUA DE MARFIM