Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Vou tecer um pano longo - ROSA MELO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Vou tecer um pano longo
uma manta ou um naperon
uma camilha rendada
para móveis
a contragosto.
Uma coisa que demore
uma adiada obrigação
dessas tardes de domingo
que virão todas as noites.
Acabar-se-ão as esferográficas,
a papelaria fechada.
Mesmo ali, next door,
os vizinhos vozearão
a sua opção de vida.
A minha música tocará baixinho.

EM - TRAGO POESIA OCULTA AO DEUS-DARÁ - ROSA MELO - CHIADO EDITORA

domingo, 29 de novembro de 2015

Extremos distanciados - ANTÓNIO MR MARTINS

No
Quilómetro
Da separação
Se enuncia
O afastamento

Na
Distância
Da observação
Se reporta
O pensamento

Há momentos
Em que estamos longe
Estando tão perto

Em muitos casos
Lado a lado

EM - ÁGUAS DE TERNURA - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

sábado, 28 de novembro de 2015

Névoas da vida - VIRGÍLIO CARNEIRO

Subi a serra num dia cinzento,
Névoa cerrada, orvalho constante.
Não via nada p'ra além desse monte...
Contudo, ouvia a surdina do vento.

E lá de longe, do fundo da encosta,
Subia o som do chocalho já gasto:
Era um rebanho na senda do pasto
Ou a manada, talvez, pouco importa.

Quedava a vista p'ra lá do caminho;
Nem as agulhas do verde pinho
Bem escondidas p'las gotas compactas!

A vida é assim, envolvida de enigmas,
Acicatada por tantas intrigas
Que tornam pálidos nossos bons actos!

EM - SONETOS SEM CHAVE E OUTRAS MÁGOAS - VIRGÍLIO CARNEIRO - EDITORIAL NOVEMBRO

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Telas - HELENA ISABEL

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Poemas sem palavras
Expressões sem sons,
Omissões de frases
Transmitindo quereres.
Misturas de cores
Reflexos de poesia
Telas a tinta lavradas,
Espíritos de fantasia.
Mutilações, vestidas de cores
Intemporais, banais... sem alvoradas
Autógrafos dactilografados a bisel
São telas escritas a pincel.

EM - MAR QUE ME ESCREVE - HELENA ISABEL - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

As manchas - VÍTOR CINTRA

As manchas, no mar, são sombras,
Que as nuvens deixam cair.
Sereias fazem as ondas,
Tentando delas fugir.
E nesse cavar de lombas,
Que descem mas vão subir,
A espuma torna-se em pombas,
Que voam, mas sem partir.

EM - ENTRE O LONGE E O DISTANTE - VÍTOR CINTRA - TEMAS ORIGINAIS

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Teseu não quis morrer* - GRAÇA PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Teseu não quis morrer.
O seu olhar respirou sangue
sobre a garganta do touro.
O seu corpo era tão jovem
que confundiu a face da deusa da beleza.
E ela esvoaçou nua dentro do seu peito.

EM - POEMAS ESCOLHIDOS 1990-2011 - GRAÇA PIRES - EDIÇÃO DE AUTOR

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Lado negro - LAURENTINA MOREIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Até tu céu ficas triste
com a maldade que existe
nem amam nem deixam amar
Tu que nunca magoas ninguém
e tão magoado ficas
ao ver o mal que te fazem
e entre os humanos tal crueldade
Amar é uma beleza sem par
é dar sem receber
apenas amar e sonhar
que tudo na vida é belo
O céu carregado está
de tanto ser mal tratado
de ver tudo mal amado!

EM - SONHADORA - LAURENTINA MOREIRA - EDIÇÕES OZ

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pela primeira vez choveu* - LILIANA ROSA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Pela primeira vez choveu
Chuva de amor e paz
Para trás ficou o que se esqueceu
Lembra-se apenas o que de bom se fez.

Das nuvens caem gotas de carinho
Partiste e ficou a saudade.
Porque quiseste ficar sozinho
Quando a paz ficou liberdade.

Sorrisos e abraços se trocaram
Mas faltavas tu para o conto
Cocktails de alegria se beberam
Concluí assim a minha história com um ponto.

EM - TRANSPARÊNCIA DAS PALAVRAS - LILIANA ROSA - CHIADO EDITORA

domingo, 22 de novembro de 2015

Belver - VÍTOR CINTRA

Ergueu-te Afonso Pais, Hospitalário,
Que assim mandou Dom Sancho, seu senhor,
Impondo a construção ao donatário,
No seu enorme afã povoador.

Defendes dos ataques da mourama,
Do alto desse monte, de granito,
O Tejo e toda a frente, que se chama
A linha de fronteira do conflito.

Dom Nuno, o Condestável português,
Sabendo o teu valor de posição,
Mandou fazer reforço à construção.

Mas o que qualquer guerra jamais fez
Causou o terramoto e, desses danos,
Seguiu-se o abandono tantos anos.

EM - NO CREPÚSCULO DAS AMEIAS - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM

sábado, 21 de novembro de 2015

Reencontro em mim - ANTÓNIO MR MARTINS

Redescobri-me
Por entre o respirar ofegante
Talvez soluçado
Mesmo desencontrado
De efeito penetrante

Não fora o sentido de mim
Rebuscado
Talvez desanuviado
Mesmo protestado
De efeito destemperado

Foi o voltar a sentir-me
Sem preconceito
Talvez rarefeito
Mesmo por defeito
No efeito (de outro jeito)

Acabei
Por me encontrar

EM - FOZ SENTIDA - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O ofício de poeta - ALVARO GIESTA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

O ofício de poeta
é mergulhar as mãos no fogo
e nele descobrir as raízes que florescem
como se fossem sol,

dos silêncios de pedra,
como se fossem cósmica semente
no espaço branco por escrever

É descobrir o vazio que espera a voz
rebento e grito da palavra;

é desvendar o instante e o azul,
que a raiz há-de rasgar
o chão
em manhã de nevoeiro,

pedra a pedra
rectilineamente
como o voo rectilíneo da ave
que procura o ninho para crescer

No vazio
esculpirá o poeta, o eco inicial
da palavra,
o grito e o sal
prestes a ser escritura

EM - UM ARBUSTO NO OLHAR - ALVARO GIESTA - CALÇADA DAS LETRAS

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fragilidade - SÍLVIA SILVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Tento impedir que o meu coração chore
Sentida em constantes apertos.
O sorriso que teima em se apagar,
Com as vezes que me tentam dividir!

Encontro-me frágil
Mais do que alguma vez quis...
... Não queria cair a este ponto
Mas é mais intenso que eu...

Não sei se choras também por mim
Ou se ficas reduzido à escrita,
Como eu.
Não vejo o tempo reclamar a tua falta

Só eu...
Sou nada mais, nada menos
Senão aquela
Que vive por conseguir viver...

Ele tudo sabe, mas nada revela
Só Ele sabe onde irei parar...
Ele saberá
Em que terrenos é que eu acabarei por entrar...

EM - SONHOS DE PRATA E OURO - SÍLVIA SILVA - UNIVERSUS

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dor silenciosa - FRANCISCO JÚNIOR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Choro por ti
uma lágrima de saudade,
pois havia tanto para dizer
tanto para sentir,
o medo bloqueou
e o silêncio cegava as palavras
que queriam divagar
pelas ideias confusas
da cólera do amor...
Da minha boca
jamais sairá mágoa
Dos meus olhos
jamais sairá rancor,
pois só o silêncio
ouve esta dor!

EM - A TERRA DOS SONHOS - FRANCISCO JÚNIOR - CHIADO EDITORA

terça-feira, 17 de novembro de 2015

São Paulo - VÍTOR CINTRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Cidade grande, um mundo de cimento,
Que chega aonde a vista nem alcança.
Qual é a explicação dum crescimento,
Que te levou, no sul, à liderança?

Amálgama de raças e culturas,
Metrópole de crenças e saber,
Brasília tem políticos, mesuras,
Mas tu tens o dinheiro e o poder.

O parque da cidade é um encanto,
Tal como a Catedral e o Mercado
E o largo onde nasceste, no passado.

Mas a Pinacoteca é o recanto
Onde nos deixas ver, emoldurado,
Imenso do que em tela foi pintado.

EM - POR TERRAS DE VERA CRUZ - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Rosto violentado e dorido - ANTÓNIO MR MARTINS

Te batem as ondas nos olhos,
lágrimas te molham o rosto,
tal te impedissem escolhos
de saborear o bom mosto.

Numa rudeza desconforme
te abatem tanta virtude,
o imo em pranto não dorme
e teu rosto perde quietude.

Te violentam e mal torces
a razão entre fundamentos,
mulher por magnificência.

sentes-te trapo no que forces
e te deixam sem alimentos,
com tamanha violência.

EM - MARGEM DO SER - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 15 de novembro de 2015

Ebulição - ÉLIA MORAIS ARAÚJO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Vagueiam tuas mãos p'las montanhas
Do meu corpo restrito e ausente,
Lírios que tal não são, só desgosto
Que à minh'alma vem e ao meu rosto.
Vão futuro, intempérie presente,
Em noite de dúvidas tamanhas.

Loucas, tanto as alegrias correm
Nas meninas dos olhos, ligeiras...
Mas incessantes, em ebulição,
Tuas mãos que meus lírios já não são
Apagam constelações inteiras...
Andromeda, Auriga, consomem.

No constante vogar desta Nau,
Armada de vento, sons melódicos
De sossego, é desassossegada
Por piratas do mar, enfrentada
Com os canhões... combates caóticos...
Eu, vaga, em mar de um sonho mau.

EM - A ESSÊNCIA DOS SENTIDOS - ANTOLOGIA - EDIÇÕES OZ

sábado, 14 de novembro de 2015

O lenço - ALEXANDRE CARVALHO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Talvez superstição
talvez estupidez
que sensação
o que é que ele fez?
provocou separação!

Ao dar um lenço
seja a quem for
não sei se penso
se possível em pudor
talvez não minta
não chego a consenso
o efeito em pessoa indistinta.

Pedir-lho seria solução
talvez desta vez
acabe a confusão.
Sim até talvez
pense que ela é mais brilhante
não tiro a conclusão
nem com vontade gigante.

Maldito lenço
que tanto me embaraça
idiotice penso
até parece uma trapaça.
Até quando ainda?
espero-a num abraço imenso
vejo-a sempre linda.

EM - AGUARELA DE POESIA - ALEXANDRE CARVALHO - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

V - VIEIRA CALADO

Ah, a nossa sapiência
de ir reinventando um país utópico,
uma urbe imaginária de ametistas
açucenas e rosas de resplendores

mesmo quando sobre o leito da terra amarelenta
já se exibem as cores do eterno esquecimento
pertença do reino absoluto da luz.

Mas onde recolheremos
para meditar sobre o fogo que arde a floresta
com labaredas de pólen arrebatado
voador?

Onde recolheremos para habitar o idílio
um último grão de trigo
a clamar uma gota de água para trazer de novo
a Primavera?

EM - VIAGEM ATRAVÉS DA LUZ - VIEIRA CALADO - PAPIRO EDITORA

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Lacrimatória 7 - JAIME ROCHA

Mas é nas tábuas de um corredor que cresce uma rosa vermelha. Ali está a sua sombra e a música e também o espaço que o homem encontra para respirar. Lá fora, em frente de uma cancela, uma outra mulher com um rosto de morta esconde as mãos entre o musgo que ocupa a madeira. Atrás de si, uma janela anuncia a presença de um corpo. É o terror que persegue o homem, uma imagem que se cola aos pulsos e o faz cortar-se com uma navalha. Não há consolo nem artifícios que consigam findar a agonia. O seu peito curva-se para dentro e quase lhe esmaga o coração. O homem inicia então o caminho da água e do sangue. Vai pelo mar, pelos rochedos, pisando todas as saliências que lhe cortam os pés.

EM - LACRIMATÓRIA - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

I - JESÚS RECIO BLANCO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Não há coragem na sede
nem nas profundezas das crateras.
Não há coragem nos espaços vazios.
A eternidade é tão fugaz
como o bocejo sonoro duma criança.

No entanto, lembro-me
de que houve beleza
sob os lintéis dum céu ínsone,
de que houve pássaros e flores,
de que o pó, antes de ser pó,
foi colina, estância invisível,
improvisado aguaceiro
no cenário dos sonhos.

Não há coragem nos caminhos
nem nas muralhas do horizonte.
não há coragem na transparência dos desertos.
A eternidade é um sol
gravado na pele dum planeta calcinado.

EM - CADENZAS - JESÚS RECIO BLANCO - CHIADO EDITORA

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Lembrando: João de Deus - VÍTOR CINTRA

Se, as muitas gerações que a folhearam,
Dissessem que a «Cartilha Maternal»
Não foi o melhor livro em que estudaram,
Seria analfabeto Portugal.

poeta, de lirismo incomparável,
Dos muitos que Coimbra sempre ouviu,
Boémio, companheiro sempre afável,
Até mesmo a estudar se distinguiu.

Talvez, por ser de origem muito pobre,
Aonde não se via mais saída
Senão ser serviçal por toda a vida,

Tornou-se o seu trabalho 'inda mais nobre,
Ao dar, numa atitude coerente,
um modo de aprender, a toda a gente.

EM - NAS MARGENS DO ESQUECIMENTO - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Arco-íris do amor - ANTÓNIO MR MARTINS

Essas as cores
que fortalecem
a nossa imagem.

Como suspiro,
enternecido,
em azul leve.

Um amarelo com
recheio de verde...
fotomontagem.

Laivos vermelhos
em fundo branco
dá rosa breve.

Belos lilases,
fora o castanho
de beje pálido.

Em cinza turvo...
loiro campestre
da cor de prata.

Ondas sonoras
batendo forte
no areal cálido.

Lindo arco-íris...
cores diversas,
que o amor retrata!...

EM - QUASE NO FEMININO - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 8 de novembro de 2015

Fio-de-prumo - DAKINI

Carpinteiros nas horas vagas
lembram da moléstia de um tempo
no rosto da manufatura
branca do lugar

Era preciso
encontrar um buraco negro
onde coubesse um luar aceso
e restos de fio-de-prumo
elevado ao cume
de um pensamento

EM - UIVAM OS LOBOS - DAKINI - CHIADO EDITORA

sábado, 7 de novembro de 2015

Meu Sol pela Lua vadia - CARLOS TEIXEIRA PINTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Roubaste-me a vida anunciando a morte
Falaste de azares levando-me a sorte
E a eterna noite começou nesse dia.
Nossas alegrias acordaram-te em tristeza
Gastaste o dinheiro na tua avareza
Chamando coragem a tal cobardia.
Pintaste de negro as cores da alegria
Chamando feia à beleza de um dia
Gritando em horror aos meus toques de cor
E achaste tão nobre tal patifaria
Trocar o meu sol pela lua vadia
Trocando o amor pela solidão e a dor.

EM - DE AMOR E POESIA - CARLOS TEIXEIRA PINTO - UNIVERSUS

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Perdida - DULCE GUARDA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Perdida nos pensamentos,
Perdida vou correndo,
Perdida sem achar
O lugar a que chamo lar.

Perdida mas encantada,
Talvez até iludida.
Pela vida que parece calma
Mas esconde falsas expectativas.

Perdida nos pensamentos
À margem me deixo ficar,
Atenta aos maus presságios
Que apenas por sorte
Consigo evitar...

EM - MOMENTOS - DULCE GUARDA - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Horizontes - VÍTOR CINTRA

Horizontes,
Raios de luz na distância,
Quando o amor, na infância,
Nos deu ternura e saber;

Horizontes,
Olhos sonhando um futuro,
Que se crê certo e seguro,
Sem que haja mal a temer.

Horizontes,
Crer que, num novo amanhã,
Bem mais feliz e mais sã
A vida se há-de viver;

Horizontes,
Vida a ganhar importância,
Sem que se tema arrogância
De quem não sabe perder.

EM - PEDAÇOS DO MEU SENTIR - VÍTOR CINTRA - TEMAS ORIGINAIS

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Personagem - MARIA ANDRESEN

Deixava que o olhar seguisse
meio perdido meio assente
em pormenores do terreno sem que os visse

era frio: e no entanto aquilo por que ia sempre fora

matéria ardente,
miragem de uma atenção alucinada

ainda não sei hoje que nome dar àquilo
o amor não é tão duro

EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Fogo - LUIS PIRES

Linhas quentes
Um fogo de gente
Ardes-me por dentro
Por onde entro?

Tremo, Vibro, Fervo, Vivo!

Será que tu sentes
O que sinto por ti?

Inspiro, Calo, Corpo, Falo!

Tempestade de mim
Investe sobre ti
Fustiga a pele
Como chuva de mel

Linhas de gente
Em corpo de seda
Uma labareda
Em quem te sente!

EM - PARA TI - LUIS PIRES - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Madrugadas - VIRGÍNIA DO CARMO

Eis que se ateiam
Sarças
Nas vésperas
Do meu sangue

E da ressurreição
Dos rios
Soprados
Ao fogo
Voam lâminas
Paridas
De dias
Bastardos

... Eis que me cegam,
As madrugadas

EM - SOU, E SINTO - VIRGÍNIA DO CARMO - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 1 de novembro de 2015

Quintela - VÍTOR CINTRA

Em pedra de granito aparelhada,
No, tão agreste, norte português,
Ergue-a Dona Alda p'ra morada,
No tempo em que reinava o "Bolonhês".

A posse dos Templários se seguiu.
Mas, dado o seu destino desditoso,
A Ordem bem depressa a transferiu
Passando p'ra o senhor de Vimioso.

Mais tarde foi do conde Montenegro,
Que dessa posso nunca fez segredo,
Dizendo-se "Morgado de Quintela".

Deixada ao abandono, finalmente,
É da dedicação de João Parente
Que surge então futuro para ela.

EM - NA SENDA DOS TEMPLÁRIOS - VÍTOR CINTRA - LUA DE MARFIM