Longe de quanto eu amo, neste imenso
Deserto povoado onde ora eu vivo,
E aonde, por meu mal, fiquei cativo
Mais adentro que fora do que penso...
Teu carinho, criança, e o teu esquivo,
Doce riso, divino como o insenso,
São a fonte de graça, o lenitivo,
Pra todo o mal por sobre mim suspenso.
Se o teu olhar eu fito, e ainda hesitante
A tua voz mansinho vem e embala
Meu pobre coração, minh'alma errante...
- Humilde flor que um tal perfume exala! -
Fico a pensar se vem do céu distante,
Ou se é já céu distante, a tua fala.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
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segunda-feira, 28 de março de 2016
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Canção do tédio - DOMINGOS MONTEIRO
E de alma despejada,
Nem sequer o amavio
Anónimo do nada...
Uma tristeza morna
Sem causa, nem sentido
Uma frase que torna
Continuamente ao ouvido...
Nem dúvida, ou certeza
Esperança ou temor,
Para além da tristeza
E para além da Dor...
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Diferença - DOMINGOS MONTEIRO
Eu mandei-te saudades numa carta;
Mandaste-me lembranças simplesmente.
Saudades tem-as quem a amar se aparta;
Lembranças manda-as quem amor não sente.
Tu queres a explicação? Eu vou já dar-ta:
Longe de ti, meu coração é doente...
Tem mais saudades ainda que as da carta
O meu dorido afecto que não mente.
É que existe entre nós esta diferença:
O que em mim é tortura, é em ti cuidado,
O que ainda é sonho em ti, é em mim já crença.
Mas ouve, meu Amor, ouve, criança:
A lembrança é a saudade do passado,
E a saudade é o passado da lembrança.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Mandaste-me lembranças simplesmente.
Saudades tem-as quem a amar se aparta;
Lembranças manda-as quem amor não sente.
Tu queres a explicação? Eu vou já dar-ta:
Longe de ti, meu coração é doente...
Tem mais saudades ainda que as da carta
O meu dorido afecto que não mente.
É que existe entre nós esta diferença:
O que em mim é tortura, é em ti cuidado,
O que ainda é sonho em ti, é em mim já crença.
Mas ouve, meu Amor, ouve, criança:
A lembrança é a saudade do passado,
E a saudade é o passado da lembrança.
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
Soneto do meu orgulho - DOMINGOS MONTEIRO
Na ânsia do mais longe eu vivo absorto...
Subir, subir, subir, oh, quem me dera
Ir ver a noiva que há já tanto espera,
Entre as estrelas, perfumado horto.
Ó meu desejo, ó mar que não tens porto...
Cavaleiro fogoso da quimera,
Uma vez lá chegado adormecera:
Adormecia ou me ficava morto...
Porque nasci eu homem, se em mim sinto...
Se em mim... Se em mim, insaciado, erra
O desejo de ser mais do que sou?
Ó dor de me achar preso ao próprio instinto!
Ter um corpo que alguém prendeu à terra,
E uma alma que Deus em si tomou.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Subir, subir, subir, oh, quem me dera
Ir ver a noiva que há já tanto espera,
Entre as estrelas, perfumado horto.
Ó meu desejo, ó mar que não tens porto...
Cavaleiro fogoso da quimera,
Uma vez lá chegado adormecera:
Adormecia ou me ficava morto...
Porque nasci eu homem, se em mim sinto...
Se em mim... Se em mim, insaciado, erra
O desejo de ser mais do que sou?
Ó dor de me achar preso ao próprio instinto!
Ter um corpo que alguém prendeu à terra,
E uma alma que Deus em si tomou.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
domingo, 24 de agosto de 2014
Doce mistério - DOMINGOS MONTEIRO
Eu queria saber essa novela
Desse casal feliz, à beira-mar,
Daquela noivazinha casta e bela,
Daquele noivo d'olhos a sonhar.
Ele passa o seu tempo a olhar pra ela
E é cheiinho de luz o seu olhar...
E ela ainda tem arzinho de donzela
À beira da varanda a costurar.
E todo o dia estão ali na areia.
E quanta vez, se à noite há lua cheia,
Eles ficam sorrindo a olhar o céu...
Se não dizem palavras, mãos unidas,
As almas têm conversas bem compridas,
Mas das falas da alma não sei eu.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Desse casal feliz, à beira-mar,
Daquela noivazinha casta e bela,
Daquele noivo d'olhos a sonhar.
Ele passa o seu tempo a olhar pra ela
E é cheiinho de luz o seu olhar...
E ela ainda tem arzinho de donzela
À beira da varanda a costurar.
E todo o dia estão ali na areia.
E quanta vez, se à noite há lua cheia,
Eles ficam sorrindo a olhar o céu...
Se não dizem palavras, mãos unidas,
As almas têm conversas bem compridas,
Mas das falas da alma não sei eu.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Entardecer - DOMINGOS MONTEIRO
Começa a entardecer. Pelo caminho,
orlado d'oliveiras, vai andando,
arrimado ao cajado, um pobrezinho
em passo vacilante, meditando...
Ao longe desce o sol, devagarinho,
o seu manto de púrpura arrastando;
e na várzea sombria, junto ao ninho,
ouve-se um rouxinol que está cantando.
Hora cheia de unção a do sol-pôr!
Nos pinheirais as rolas, com amor,
noivam sorrindo, arrulham docemente.
E o pobrezinho continua a andar...
mas parece mais vago o seu cismar
e maior a tristeza que ele sente.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
orlado d'oliveiras, vai andando,
arrimado ao cajado, um pobrezinho
em passo vacilante, meditando...
Ao longe desce o sol, devagarinho,
o seu manto de púrpura arrastando;
e na várzea sombria, junto ao ninho,
ouve-se um rouxinol que está cantando.
Hora cheia de unção a do sol-pôr!
Nos pinheirais as rolas, com amor,
noivam sorrindo, arrulham docemente.
E o pobrezinho continua a andar...
mas parece mais vago o seu cismar
e maior a tristeza que ele sente.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
sábado, 17 de agosto de 2013
Violetas - DOMINGOS MONTEIRO
Violeta! penso eu
Que não há outra mais bela;
Tens a graça da donzela,
Da donzela, que morreu...
Virgem tombada do céu,
As tuas folhas escuras,
São rosários d'amarguras
São a noite que desceu...
Nossa Senhora das Dores
Quando lhe cingem com flores
Suas vestes de brocado,
Com seu olhar que adormece,
O seu vestido parece,
De violetas talhado.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quarta-feira, 13 de março de 2013
Os meus nervos - DOMINGOS MONTEIRO
Os meus nervos são cordas que, tangendo,
Aos poucos eu tornei desafinadas...
Fios aonde as aves, assustadas
Dos presságios cruéis, ficam gemendo.
Qual a razão de ser? E eu penso vendo
O tombar de ilusões, às revoadas,
Que as almas que na vida vão morrendo
Talvez sejam na morte compensadas.
Porque é que eu sofro uma alegria e gozo
Na dor uma volúpia estranha e ardente,
Junto um beijo de amor a um ferro em brasa?
Não sei. Jamais sabe explicar a gente
Porque no olhar mortiço dum leproso
Há muita vez a ânsia de ser asa.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Papoilas - DOMINGOS MONTEIRO
Tuas pétalas vermelhas
Parecem sangue vertido,
Prenda que te hão concedido,
E em que inda hoje te espelhas.
Essa tua haste, tão leve
Que faz meneios à brisa,
Tem movimentos de neve,
Que a ti própria sintetiza.
Quando morre na quebrada
O sol, e vai de langada,
Inda mais olho, mais vejo,
Com teus requebros, vaidosa,
Que te quer's fazer formosa,
Que és a virgem do desejo.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Parecem sangue vertido,
Prenda que te hão concedido,
E em que inda hoje te espelhas.
Essa tua haste, tão leve
Que faz meneios à brisa,
Tem movimentos de neve,
Que a ti própria sintetiza.
Quando morre na quebrada
O sol, e vai de langada,
Inda mais olho, mais vejo,
Com teus requebros, vaidosa,
Que te quer's fazer formosa,
Que és a virgem do desejo.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Recolhimento - DOMINGOS MONTEIRO
Às estrelas ergui o olhar em prece,
Como um pastor que o seu rebanho pasce,
Já tão fora de si que, quando o erguesse,
Também aos céus a alma alevantasse.
- Sombra que à luz doirada se esvaece,
E à sua própria sombra outra voz nasce...
Ou sonho que em tua alma adormecesse,
E em tua boca aos beijos despertasse -
Ó noite, ó treva iluminada e ardente,
Alta flor que em alma se desfolhe,
Perfume - reza dum jardim aos céus...
Porque será que uma alma virgem sente,
Quanto mais em si mesma se recolhe,
A presença santíssima de Deus?
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
domingo, 31 de julho de 2011
Legenda - DOMINGOS MONTEIRO
A noite é escura e eu sou a noite escura
Espírito que és sombra, que mais queres,
Do que a Dor, o sacrário da amargura,
Se precisas da Dor para viveres?
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Espírito que és sombra, que mais queres,
Do que a Dor, o sacrário da amargura,
Se precisas da Dor para viveres?
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Hermengarda - DOMINGOS MONTEIRO
Ó Hermengarda, ó pálida donzela,
Ó pálida donzela enlouquecida,
Que à porta da caverna adormecida
Sonhavas com Eurico, à luz da estrela.
Ó Hermengarda, ó pálida donzela,
Rosabranca de luz, emurchecida,
Canção d'amor, triste canção dorida,
Que uma alma santa, um coração, revela.
Amo também a tua sombra altiva,
Amo também essa memória viva
Do teu nome, espalhada em derredor,
E no Além, nas trevas do passado,
Eu vejo ainda o teu olhar velado
Quase a sorrir, enlouquecer d'amor.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Ó pálida donzela enlouquecida,
Que à porta da caverna adormecida
Sonhavas com Eurico, à luz da estrela.
Ó Hermengarda, ó pálida donzela,
Rosabranca de luz, emurchecida,
Canção d'amor, triste canção dorida,
Que uma alma santa, um coração, revela.
Amo também a tua sombra altiva,
Amo também essa memória viva
Do teu nome, espalhada em derredor,
E no Além, nas trevas do passado,
Eu vejo ainda o teu olhar velado
Quase a sorrir, enlouquecer d'amor.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Velas II - DOMINGOS MONTEIRO
Partir convosco, ir também, seguir
Convosco sempre pelo mar afora,
Era o desejo meu, que a toda hora
Na minha mente, em mim, anda a sorrir.
Como um romeiro antigo sem partir,
Sempre ao meu lábio doloroso aflora
Esta ânsia tremente, criadora,
Meu supremo desejo, também ir...
E já partem as velas, docemente,
E eu sinto em mim, angustiadamente,
A saudade d'alguém, que nunca vi;
Mas as velas lá vão, lá vão, seguindo
Por sobre as vagas, que se vão florindo,
Por sob a luz do sol, que lhes sorri.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Convosco sempre pelo mar afora,
Era o desejo meu, que a toda hora
Na minha mente, em mim, anda a sorrir.
Como um romeiro antigo sem partir,
Sempre ao meu lábio doloroso aflora
Esta ânsia tremente, criadora,
Meu supremo desejo, também ir...
E já partem as velas, docemente,
E eu sinto em mim, angustiadamente,
A saudade d'alguém, que nunca vi;
Mas as velas lá vão, lá vão, seguindo
Por sobre as vagas, que se vão florindo,
Por sob a luz do sol, que lhes sorri.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Velas I - DOMINGOS MONTEIRO
Velas brancas, tão brancas que parecem
Todas feitas d'alvíssimo luar;
Tais frémitos de sol que esmorecessem
Na mansidão da luz crepuscular.
Desejos alongados amanhecem
No vento que vos leva sobre o mar;
Almas de sonho e almas que padecem
Num lento, doloroso agonizar.
Asa num voo aberta; como é lindo,
Por sobre as vagas que se vão florindo
Como flocos de neve, uma por uma,
Sentir poisar o vosso dorso d'ave,
Num cântico de luz triste e suave,
Numa alvorada d'hálitos de espuma.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Todas feitas d'alvíssimo luar;
Tais frémitos de sol que esmorecessem
Na mansidão da luz crepuscular.
Desejos alongados amanhecem
No vento que vos leva sobre o mar;
Almas de sonho e almas que padecem
Num lento, doloroso agonizar.
Asa num voo aberta; como é lindo,
Por sobre as vagas que se vão florindo
Como flocos de neve, uma por uma,
Sentir poisar o vosso dorso d'ave,
Num cântico de luz triste e suave,
Numa alvorada d'hálitos de espuma.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
terça-feira, 21 de junho de 2011
Para o além - DOMINGOS MONTEIRO
Pálida e linda, como um lírio doce
Partiste um dia, e eu nem sei sequer...
Talvez, talvez contigo também fosse
Esta minha alma em corpo de mulher.
Pálida e linda, como um lírio doce,
Olhos tristes, magoados de sofrer...
Ainda estou a ouvir a tua tosse
Dizer por ti, como quem 'stá a dizer:
Sou um lírio dorido do sol-posto,
E dum país de lenda este meu rosto,
Este corpinho, magro e delicado...
Eu vou partir; não chorem, avezinhas,
Como partem, sorrindo, as andorinhas,
Quando chega o Outono amargurado.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Partiste um dia, e eu nem sei sequer...
Talvez, talvez contigo também fosse
Esta minha alma em corpo de mulher.
Pálida e linda, como um lírio doce,
Olhos tristes, magoados de sofrer...
Ainda estou a ouvir a tua tosse
Dizer por ti, como quem 'stá a dizer:
Sou um lírio dorido do sol-posto,
E dum país de lenda este meu rosto,
Este corpinho, magro e delicado...
Eu vou partir; não chorem, avezinhas,
Como partem, sorrindo, as andorinhas,
Quando chega o Outono amargurado.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
sábado, 11 de junho de 2011
Amor II - DOMINGOS MONTEIRO
A tua graça aérea, indefinida,
Graça de branco cisne, a agonizar,
Lembra a estrela da tarde adormecida
Na embaladora e doce voz do mar.
Como eu sofri... que angústia a despedida,
Nos meus olhos sem luz, do teu olhar,
Minha eterna sonâmbula, dorida
Dum sonho que a minha alma anda a penar.
Teu corpinho de lírio frouxo ao vento,
Teu porte de açucena desmaiada,
São o meu lindo e único tormento.
Curvo-me, ajoelho, ponho-me a rezar,
Madona dos meus sonhos adorada,
Uma oração d'amor a murmurar.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Graça de branco cisne, a agonizar,
Lembra a estrela da tarde adormecida
Na embaladora e doce voz do mar.
Como eu sofri... que angústia a despedida,
Nos meus olhos sem luz, do teu olhar,
Minha eterna sonâmbula, dorida
Dum sonho que a minha alma anda a penar.
Teu corpinho de lírio frouxo ao vento,
Teu porte de açucena desmaiada,
São o meu lindo e único tormento.
Curvo-me, ajoelho, ponho-me a rezar,
Madona dos meus sonhos adorada,
Uma oração d'amor a murmurar.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Amor I - DOMINGOS MONTEIRO
Amei-te muito, amei-te tanto, tanto...
Como ninguém assim te amou, talvez.
Mais do que amara ainda um português,
Em horas de doçura e de quebranto.
Amei-te muito, amei-te tanto, tanto...
E tu bem sabes, meu amor, bem vês,
Como a minha alma lírica desfez,
Em halos d'oiro e mármore, este encanto.
Amei como amo; ainda mais aumenta,
Como um rumor longínquo de tormenta,
Esta afeição suprema e desvairada.
Tu és, amor, a estrela que me guia,
A minha eterna e santa aleluia,
Na noite do Infinito a madrugada.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Como ninguém assim te amou, talvez.
Mais do que amara ainda um português,
Em horas de doçura e de quebranto.
Amei-te muito, amei-te tanto, tanto...
E tu bem sabes, meu amor, bem vês,
Como a minha alma lírica desfez,
Em halos d'oiro e mármore, este encanto.
Amei como amo; ainda mais aumenta,
Como um rumor longínquo de tormenta,
Esta afeição suprema e desvairada.
Tu és, amor, a estrela que me guia,
A minha eterna e santa aleluia,
Na noite do Infinito a madrugada.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Alvorada II - DOMINGOS MONTEIRO
Vai para os campos, para trabalhar,
Que já nasceu o dia, o cavador,
Levando n'alma a mansidão do lar,
Da madrugada ao cândido palor.
A luz parece um trémulo luar
De beleza balsâmica e d'amor.
E ao longe os pinheirais a murmurar
Soltam cantigas d'amargura e dor.
Pla estrada coleante, de longada,
Uns bois vão a passar, com a carrada,
Num clamoroso anunciar da vida.
E no cimo do monte verdejante,
Num lampejo de luz, esfuziante,
A branquejar ao sol, vê-se uma ermida.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Que já nasceu o dia, o cavador,
Levando n'alma a mansidão do lar,
Da madrugada ao cândido palor.
A luz parece um trémulo luar
De beleza balsâmica e d'amor.
E ao longe os pinheirais a murmurar
Soltam cantigas d'amargura e dor.
Pla estrada coleante, de longada,
Uns bois vão a passar, com a carrada,
Num clamoroso anunciar da vida.
E no cimo do monte verdejante,
Num lampejo de luz, esfuziante,
A branquejar ao sol, vê-se uma ermida.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
domingo, 15 de maio de 2011
Alvorada I - DOMINGOS MONTEIRO
Quando rompe a manhã, a cotovia,
Alma de luz, d'amor extasiada,
Vai pelos ares a anunciar o dia
Numa oração de crente afervorada.
Tão linda, a estrela d'alva inda alumia,
Com luz suave, a lânguida balada,
Tristíssima, cantante litania
Na grande paz risonha d'alvorada.
Nasceu agora o sol - moeda d'oiro,
Senhor Deus, do enormíssimo tesoiro
Que vós acumulastes, lentamente.
Agora a cotovia já não canta;
Mas de todas as coisas se alevanta
Um cântico d'hossana, docemente.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Alma de luz, d'amor extasiada,
Vai pelos ares a anunciar o dia
Numa oração de crente afervorada.
Tão linda, a estrela d'alva inda alumia,
Com luz suave, a lânguida balada,
Tristíssima, cantante litania
Na grande paz risonha d'alvorada.
Nasceu agora o sol - moeda d'oiro,
Senhor Deus, do enormíssimo tesoiro
Que vós acumulastes, lentamente.
Agora a cotovia já não canta;
Mas de todas as coisas se alevanta
Um cântico d'hossana, docemente.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A ti, lírio divino - DOMINGOS MONTEIRO
A ti, lírio divino do meu seio,
Hóstia de luz, d'amor doirado e lindo!
A ti, sagrada voz donde me veio
O sorriso de fé, que estou sorrindo;
A ti, profundo e doloroso anseio,
Alma e doçura lânguida florindo...
Meu livro pobrezinho; abençoei-o
Co'a tua graça sobre mim caindo.
Guarda-o na paz oculta do teu peito,
Virgem dorida, coração eleito,
Na sombra divinal dos olhos tristes.
E nunca o esqueças, nunca, meu amor,
Pois ele é o teu perfil talhado em dor;
Nele vives chorando, nele existes.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
Hóstia de luz, d'amor doirado e lindo!
A ti, sagrada voz donde me veio
O sorriso de fé, que estou sorrindo;
A ti, profundo e doloroso anseio,
Alma e doçura lânguida florindo...
Meu livro pobrezinho; abençoei-o
Co'a tua graça sobre mim caindo.
Guarda-o na paz oculta do teu peito,
Virgem dorida, coração eleito,
Na sombra divinal dos olhos tristes.
E nunca o esqueças, nunca, meu amor,
Pois ele é o teu perfil talhado em dor;
Nele vives chorando, nele existes.
EM - POESIA - DOMINGOS MONTEIRO - INCM
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