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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Chuvas - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Fui dois dilúvios.
Fui a boca torta.
A mão manchada.

O mudo!

Refleti uma nuvem densa.
Inominável.

As chagas de Cristo não me dirigiam mais a palavra.
Nem quando estávamos juntos e constrangidos atrás dos pés de jambo.

As chagas de Cristo.
Todas.
Serviam apenas pra nublar a pracinha do bairro.

E eu também.
Servia.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O frémito - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Encontrei, não lembro onde, uma mala.
Um terno preto.
E uma faca sem cabo.

Tremei, velha cidade!
Tremei!

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Segunda-feira - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Que dia bonito!

Esqueço tudo.

Sento na cadeirinha de balanço e fumo.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Placebo - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Se repetindo.
Se repetindo.

Eu já disse isso.

Já escrevi isso.
É típica a repetição.

É típico o movimento.

Feito meu cachorro.
Que vai escorrendo.
Virando água suja.

Bucha oleosa.

Eu também.
Vou escorrendo.
Virando água suja.

Bucha oleosa.

Meu cachorro já foi da família.
Já teve nome.

E agora...
... só fica ali.

No canto do muro.

Cachorro filho da puta.
Filho da puta.

Resolveu mudar de cor.
De tamanho.

Só falta me convencer de que é outro cachorro.

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sábado, 19 de janeiro de 2019

Salinidade - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Uma boa nova.
Uma aliança.

As pessoas agora olham nos olhos, se veem.
Temem ruas escuras.
Andam juntas.

E tudo por causa de mim.

Dessa minha nova vida.
Desse meu novo nascimento.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mais - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

O tempo não cabe nem no nome que tem.
Devia ter um nome maior.
Muito maior.

Fiquei na esquina. Só passado.
Nos bolsos.
Nas meias. Só lembrança.

Foi como morrer. Não. Morrer é melhor.
É ir pra algum lugar.

Ficar lembrando não.
Lembrança é cria acabrunhada da morte.

Vivo é o que cheira.
O que movimenta.

Pra mim lembrança não presta.
Lembrança não muda.

É a mesma coisa.
Até ficar velhinha.
E sumir.

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domingo, 23 de dezembro de 2018

Uma semana sem trabalhar - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Medo é para quem tem medo.
Quem não tem medo é gente besta.
Feito eu.
Que incendiei e matei uma capela e um representante público.
Gente que não tem medo é a danação.
Moléstia de chuva.
Gente nociva.
A verdade é essa.
Medo é pra quem tem medo.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Deserto dos sapos - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Que horas largas.
Que bairro movimentado.

Que bairro é esse?
Que casa é essa que não tem vizinho?
Só árvore.

Tenho andado.
Andado muito.
Sem descanso.

Batendo no que não é parede.
Olho tudo.
Formiga.
Abelha.

A quietude é infernal.
Repleta de movimento.
De convulsão.

No quarto só ando nu.
Feito menino.

Não me engano.
Tremo!
Mas não me engano.

Colheita é demorada.
Minha barba é demorada. Arrasta no barro.
No focinho da vaca.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Um minuto pro próximo minuto - PLÁCIDO VILLANOVA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Diazinho fraco sem viço.
Rua atrás de rua.
Ponte atrás de ponte.
E o Sol.
E a luz lá de cima.
O dia todo.
Caindo.
A luz cai.
O que ilumina o mundo é algo que cai.
O que ilumina e o que ilumina o réptil que me segue é algo que cai.
O réptil que me segue também cai, é bambo, e meio morto.
Coisa alheia.
Enfadonha.
Lambendo minhas costas.
Querendo subir na minha barriga pra sonhar de noite.
Pra me acordar de manhã.
Acho tudo aparentado.
Menos o quadro tenebroso pendendo na sala.
Que dia desses mudou.
Pra nunca mais.

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