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sábado, 17 de julho de 2021

Ao vivo - HANNAH CAVALCANTI

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Se é que ainda está aí
Me responda com o olhar sincero
De quem me compreende
Desculpa gastar sua bateria
De tanto esperar
Me comprimi
Enviei sem sucesso
Mas continuo pulsante,
Esperançosa
De que a minha energia
Desperte a sua
De que ainda haja formas
De lhe acessar
Estou sem aplicativos
Os meus dados estão corrompidos
Mas ainda sei sonhar
Não se sabe quem sobreviverá
Só se sabe
Que o sistema está fora do ar
Uma fresta de liberdade opaca
Me arrebata
E a letargia nunca me alcança
Até mesmo quando meu peito descansa
Minhas pegadas flutuam onipresentes
Profundas nas artérias do espaço-tempo
Invisíveis ao inimigo

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Homicídio culposo - HANNAH CAVALCANTI

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O vento fresco e o silêncio da noite me acariciam
Mas hoje matei uma flor
Fomos incapazes de nos comunicar
Para além da tv e o celular
O tempo mastiga o tempo
Roendo cada segundo
No limite mais profundo
Do absurdo
Mas hoje matei uma flor
E isso é tudo

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 23 de agosto de 2020

Verbo Intransigente - HANNAH CAVALCANTI

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Todo cuidado é rouco
Está histérico
De tanto sussurrar
Todo meu corpo está pálido
Sem conseguir gozar
E sem desespero suficiente
É tudo inconsistente
No meu caminhar
Qual foi o meu delito?
Qual foi o meu pecado patético?
Estou atônita
Perpendicular
Econômica
E bem informada demais
Meu corpo é uma ameaça
Aos grandes planos
De destruição
Do futuro
Mas aonde fica o presente ?
Soterrado pela luta
Intransigente
Me sobram palavras
Me falta fôlego
Me sobra vazio
Do que restou
Já não piso no mundo
Nem o sinto fecundo
Como antes
É um peso
de mais de 500 anos
Que minha alma escora
Um tempo fora do tempo
Nós que sabemos “a verdade”
Temos a obrigação de dizê-la
A nós mesmos
Que não sabemos
Na verdade
Nem como
Se dizer era pouco
Agora ficou mudo
Em terra de cego e surdo
Quem não repete é rei
Só nos resta a volta
Dos poemas
De revolta

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA