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sábado, 1 de fevereiro de 2025

Na Espera do Amor Perdido - Adriana Mayrinck

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
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Nas sombras da noite, ela espera em vão,
Com o coração pesado de saudade e dor.
O eco dos passos perdidos no chão,
Traz à memória o resquício do amor.

Deixou-o, cega, em meio à tempestade,
Pensando encontrar a paz que faltava.
Mas nas noites frias, só há a verdade,
De que o amor ausente ainda a guiava.

Nas janelas abertas, o vento murmura,
Segredos de um tempo que ficou pra trás.
O arrependimento, qual chama que cura,
Ilumina seu rosto, revivendo o que jaz.

Ela sussurra ao vento, à espera de resposta,
Na solidão, encontra força para lutar.
E em cada amanhecer, na esperança aposta,
Que o amor novamente retorne para este lugar

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 13 de outubro de 2024

Trompetista (Ecos de uma melodia) - Adriana Mayrinck

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Melancolia e trompete, em dança harmoniosa,
Na noite escura, ecoam sua melodia.
O silêncio, como um véu, envolve a terra,
Enquanto o trompete canta, em cada estrela.

O trompete, com voz alta e clara,
Desperta os sonhos adormecidos na noite.
O silêncio, paciente, escuta e espera,
Como um amante fiel, na penumbra açoite.

E assim, juntos, se olham e se entrelaçam,
O som e o vazio, a luz e a sombra.
O trompete celebra a aurora que se aproxima,
Enquanto o silêncio desfaz-se no vento.

A dor do trompetista ecoa, em ritmo lento,
Unida ao instrumento, parceiros na sinfonia,
Melancolia e trompete, criam a música da vida,
Em perfeita harmonia, sussurram segredos à alma.

EM - A ARTE DE POETIZAR - COLETÂNEA (organização de António Alves, sobre telas de António Dias) - IN-FINITA

sábado, 1 de junho de 2024

Apenas, Ela - Adriana Mayrinck

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ela amanhece como quem morre. 
Rompendo a alvorada
para uma outra percepção. 
Grita na inconformidade. 
Também sabe ser selvagem. 
Até agora desencontrara-se de si,
por querer estar no Outro. 
Quimeras!
Descaminhos no ópio da ilusão 
Entorpecida, percorria estradas.
Ele atingira a sua alma,
e não a aprisionou. 
Arrastava correntes com sorriso pálido
Olhos desencontrados. 
Devaneios 
E no corpo... o impalpável.
Que grande desvario
fazer-se incompleta! 
Era amor. 
Era sempre açoitada
pela irrealidade do instante 
Escolhas, sem abrigo. 
Cárcere na escuridão.
Tingiu de cor o insustentável
e revestida de pétalas,
fundiu-se ao vento,
agora em passos lentos.
Olhar longínquo.
Desfez-se do último habitante
e silenciou.
Recolheu seus fragmentos
e desejou não mais estar.
Entregou-se a madrugada fria,
olhou para as estrelas buscando
um porto para descansar.
Sem respostas,
exaurida,
recolheu-se em um clarão na montanha,
perto das flores e dos pássaros.
Emendou retalhos, fechou os olhos,
reflexos do que sentia.
Enfrentou a solidão,
o não pertencimento.
Mas a quem pertencia?
Eram chuvas de verão
tardes primaveris,
ou inverno sem fim
E sorriu.
O outono chegou, despetalando-a.
Era muito mais do que supunha,
enfrentou corredeiras, tempestades, ventanias
Renascida, viva, intensa,
liberta - em chamas
Apenas Ela, o vento, e a sua poesia.

EM - ESSAS MULHERES - COLETÂNIA - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Embriagada - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

As chamas ardiam em labaredas, em noite de lua iluminada
o corpo buscava ir além do que desejou e do que ousava sentir
pulsava nas horas tardias, em delírio de si mesmo, tentava fugir
de quimeras perdidas no vento, em ecos na estrada.

Debatia-se na ânsia de ser, consumir, sorver a euforia represada
inspirava sensações imaginárias em sentidos transbordantes,
era consumida por estados líquidos e emoções navegantes
mãos, toques, olhares - inquietantes e entregues a cena ousada.

Fundiam se entre pernas e suores, e a palavra - inflamada
eram dois em delírio, que entregavam-se, lentamente
ela precisava dele, em sensatez, equilíbrio, razão, latente
ousada e encantada, arfava poesia, na paixão desmesurada.

Na manhã gelada e cinzenta, aquecida pelo abraço, enamorada
é ninfa, deusa, em essência a mulher, recriada em desejos,
plena e pulsante quer mergulhar no lado de dentro - ensejos

incandescente cede, ao arfar dos beijos sedentos, embriagada.

EM - SER MULHER III - COLECTÂNEA - MOSAICO DAS PALAVRAS

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Com o tempo - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Aquele momento vira lembrança
Que entra porta adentro da alma
Aconchega-se no coração
E vive latente no presente
E permanece – para sempre

Com o tempo

A sensação desaparece
Mas é só ir buscar, que se repete
A onda do mar que envolve
Com aquela água quente,
O cheiro do sargaço e da maresia

Com o tempo

O gosto, que se repete
Do peixe na brasa e da caipivodka gelada
Do verão que aquece, na lembrança
Que permanece – no frio de agora
Do outro lado do oceano.

Com o tempo

Imagens ficam na mente,
Da tapioca com queijo e côco no Alto da Sé
Da baiana do acarajé de Salvador
Do passeio de jangada por Maceió
E das Dunas de Natal que não coloquei o pé

Com o tempo

Uma palavra se repete
Saudade, saudade, saudade
Da família, dos amigos, da nossa gente
De coisas que só existem na nossa terra
E agora, na parte de dentro

– que permanece.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 5 de julho de 2020

Procura - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

E ela volta no tempo das horas - esparsas.
Busca um lugar onde perdeu palavras - inexatas.
Percorre o olhar por instantes de entrega - farsas
e depois agarra-se às pedras e cantos
cambaleante, embriaga-se
em seus desencantos - equívocos
escala penhascos, mergulha no mar
grita em silêncio
sussurra ao vento - inquietação
procura aquela mão
para continuar o verso convexo.
E trazer de volta a magia da poesia.

EM - LIVRO ABERTO 2020 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Fluidez do tempo - ADRIANA MAYRINCK e JOÃO DORDIO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Líquido é o tempo
que baila na cor rubra
da essência que absorvo
Embriaga-me
e na consciência absoluta
de que não o retenho
passo em descompasso

Lembranças de eras
Distantes
desfazem-se em ecos
tímidos e inaudíveis
de um lugar que se perdeu
na memória quase insana.

E depois ele flui e não pára
Em bailado comigo sempre embriagado
Com líquido ou sem líquido
Porque o tempo é indiferente à minha alucinação
E continua a fazer casinhas de rugas
Pelas ruas das faces dos humanos desumanos...

E depois ele flui ainda mais
Com o bailado a precisar de mais sala
Com o líquido a precisar de mais corpo
Porque o tempo é indiferente a limitações
E aos problemas dos humanos desumanos.
O bairro de casinhas de rugas é cada vez maior...

O olhar desfocado
a pele marcada pelas passagens
Esconde-se
por entre paredes de dores e êxtases
e o corpo reage
Insaciável, grita exigente
com lentidão e mais firmeza

O ser resiste à inexistência
do que vai além da concretude
e baila na fluidez, escoando por escadas e passarelas
Liberto
levitando pelo tempo que lhe resta

E desconhece.

Fui de um tempo teu
Sou ainda de um tempo nosso
O tempo levou e trouxe
Os corpos levam e trazem
Mas tudo fica na mesma
Ainda que tantas vezes desfocado
O resultado é a fluidez da alma

Por mais que me esconda
O corpo traz-me as rugas
Caminhos de histórias sempre nossas
A fluidez é puta insaciável
Ninfomaníaca que constrói mais caminhos

E recomeços.

EM - DUETOS DORDIANOS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A embriaguez de uma saudade - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Passo em descompasso
por ares distantes,
desfaço-me em melodias
tímidas e inaudíveis
de um lugar que ficou retido na memória
quase insana e que traz saudade.

O olhar desfocado em miragens,
a pele marcada pelas passagens
de dores e êxtases
relembra outras paragens
que ainda cheira a maresia e ventos quentes.

O corpo reage incansável,
com lentidão e firmeza
e grita em silêncio a sua insatisfação.

Notícias vindas de longe
de um cotidiano massacrado,
de um país humilhado
que resiste a inexistência
do que vai além.

Revolta-me o aprisionamento
a matança e a destruição

Mas líquido é o tempo
que baila na cor rubra
da essência que absorvo
em uma taça inexistente
dos sabores tropicais.

Embriago-me e retenho
o que está ao meu alcance.

Faço redemoinho com o ar e a terra
Espalho a palavra em ecos que bailam
e que liberta a esperança,
que espera.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 20 de julho de 2019

Invisibilidade - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Olho através de reflexos
Invisibilidade
A luminosidade escaldante queima a retina
Não faço parte desse mundo incandescente
- Busco refrigério no vento
Aquele que leva para longe
- O pensamento
Busco um novo tempo
- De luz
Onde os caminhos são floridos e a melodia sentida
De perfumes suaves e sensações infindáveis
De abraço e sorriso
Onde o olhar se funde no outro
E os beijos embriagam a alma
Me sinto assim - em seus braços
Mas a vida consome as horas
E arrancam-me do abrigo
Jogo-me no asfalto e sigo pelo ar abafado
De olhares perdidos e mal-entendidos
A ilusão é a embriaguez de um tempo que não existe
Sigo arrastando correntes
O mar me seduz e me convida - hipnotiza
O que não faz sentido me proíbe
Estou aqui
No ar frio, entre quatro paredes e uma porta aberta
Que me aprisiona em grades invisíveis
É necessário esquecer a poesia
- Fincar os pés na materialidade da existência
Mas ainda posso sonhar
Fecho os olhos retornando ao lugar de instantes
Sedenta... caminho por labirintos
Encontro-me em sua boca

EM - LIVRO ABERTO 2019 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

domingo, 23 de junho de 2019

Mergulho em ti - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de estar.

A profundidade de onde me encontro
ultrapassa a razão.
Não me reconheço em outros tempos,
nada está ou é, além desse momento
em que me deparo preenchida de tudo
e totalmente vazia de lembranças.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de desejar.

O instante que se faz em nós
fusão e complemento
sedenta, liberta e preenchida
afasta ventos gelados.
Aqui o sol arde e faz morada
ofuscada por teu olhar.
Embriago-me no doce sabor de beijo
e permaneço no desejo incontido do eterno.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de ficar.

Silêncio na contemplação
do sentimento que transborda
e engole palavras que se repetem
na ânsia de permanecer.
Debato-me na calma e na certeza
de contar a nossa história.
Distancio-me dos reflexos de outrora.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de sonhar.

Entrego-me aos teus braços,
aquecida pelo calor do teu corpo
que me abriga e envolve todo o meu sentir.
Pulsante e extasiada, caminho
pelo lado de dentro ao encontro de nós.
Finco raízes no porto de chegada
e contemplo a imensidão do querer
que avassala e conforta.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de amar.

E em sussurros deixo ecoar no vento... amanheceu!

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 25 de março de 2019

In-contida - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

O lado de dentro Dela. Borbulha.
Os caminhos são percorridos por lava incandescente. Vermelho vivo.
Transborda pelos poros, sentidos.
O pulsar latente sufoca a alma que busca saídas. Labirintos.
A palavra está em carne viva, e já não há mais o grito.
São sussurros, contidos.
Joga-se no espelho do Outro, e sem reflexos recua.
Ela precisa ligar as palavras, fazer sentido.
Traduzir-se, mas como? Se só sabe ser mulher.
Ecos, desertos, silêncios, ventos. Isso se explica por si só.
Mas ele quer artigos, preposições, entendimentos.
Ela percorre caminhos, nas entrelinhas, decifrando enigmas.
Incompreensível.
Simples seria uma rima, quando o lê compreende.
Mas assim tao exposto, a céu aberto, parece pássaro em voo,
Inalcançável.
O olhar se perde no horizonte, nos entendimentos, nas percepções.
Respira profundamente e se joga na maresia.
Ela tem a alma exposta, aberta e arde.

EM - À SOMBRA DO SILÊNCIO/À L'OMBRE DU SILENCE - ANTOLOGIA BILINGUE - MOSAICO DAS PALAVRAS

domingo, 2 de dezembro de 2018

Outros ventos - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Ar abafado
Solo incandescente
Verão luso
Igual ao que passou
Na minha terra.
Vento seco e alma contida
Noutro lugar, estou
Quimeras de outrora
Distante do que vivi
Outros rios, outros mares
Outras paisagens
Uma promessa cumprida
Trago as palavras
Da vida severina
Da vida renhida
Da vida sertaneja
Da vida benfazeja
Nos ecos dos poetas
Das palavras concretas
Da alma que eleva
Do Ser Nordestino
Em outra esfera
Em outra quimera
À beira do Tejo
Ouço as vozes
E mato a saudade
De outras margens.


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sábado, 1 de dezembro de 2018

Ar-Recife - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Aqui reencontro-me

Para respirar.

No tempo
De pés descalços na areia
No tempo de sabores tropicais
No tempo da alegria.

Aqui estou
No tempo do colo, do abrigo
Na terra do sol
Na lembrança
Do meu pai e do meu avô
No tempo que passou.

Aqui sempre estive
No tempo da poesia
Das estradas, dos sonhos.

No tempo do tempo
Guardo a minha história
E apenas, caminho.

Um tempo.
Para recomeços e voos.

Cheiro a maresia
Visto-me no vento quente
No tempo do agora.


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Sede - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA HELVETIA EDIÇÕES

O corpo permanece adormecido,
no ópio de um sonho bom.
As palavras borbulham,
querem derramar em corredeiras.
Retenho-as.

Por entre sorrisos que findaram,
nas sombras da noite
e no vácuo do sono,
que solitariamente dissolve instantes,
desfaço-me.

Amanheço empurrada para a vida,
entontecida,
por um desejo que me consumiu.
E como tudo o que é farto e não sacia,
tropeço nos raios de sol,
ofuscada pelos ecos que ficaram.

EM - A VIDA EM POESIA 3 - ANTOLOGIA - HELVETIA EDIÇÕES

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Re-canto - ADRIANA MAYRINCK

É mais do que um encontro, no meio das esperas
É mais do que um desejo a realizar
Não é fugaz
Não é só um momento
Não é só paixão
É o calor que aquece as horas
É a sintonia que completa, espaços
É o olhar que se aprofunda e encontra reflexos
É a luz que guia e clareia os instantes
É a melodia no canto dos pássaros
É a profundeza e calmaria dos oceanos
É o despertar do tempo que chegou
É o querer em brasas que renasce, em chamas
É o dia contado em eternidades
É a alma que pousou
É a palavra amor, com significados
É unicidade e completude
É o jardim que atrai borboletas
Espalha perfumes e chamamentos

É o meu corpo, o teu recanto, que abriga, acolhe, aconchega

E te faz voar

EM - LIVRO ABERTO - ANTOLOGIA - EDIÇÃO DE AUTOR

quinta-feira, 22 de março de 2018

Hoje o céu resolveu seduzir a terra - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem seguir a autora neste link

Hoje o céu resolveu seduzir a terra.
A lua derreteu-se em luz e espalhou-se.                              
Árvores e flores pratearam-se.
Tudo é magia aqui.

Estrelas cadentes, vento bailando.                                              
Melodia no silêncio.                                                                     
Cheiros, percepções, sentidos, encantamento.
E a sua ausência.

EM - IN-FINITA - ADRIANA MAYRINCK - DOWSLLEY EDITORA

segunda-feira, 12 de março de 2018

Re-canto - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem seguir a autora neste link

É mais do que um encontro, no meio das esperas
É mais do que um desejo a realizar
Não é fugaz
Não é só um momento
Não é só paixão
É o calor que aquece as horas
É a sintonia que completa, espaços
É o olhar que se aprofunda e encontra reflexos
É a luz que guia e clareia os instantes
É a melodia, no canto dos pássaros
É a profundeza e calmaria dos oceanos
É o despertar do tempo que chegou
É o querer em brasas que renasce, em chamas
É o dia contado em eternidades,
É a alma que pousou 
É a palavra amor, com significados
É unicidade e completude
É o jardim, que atrai borboletas
Espalha perfumes e chamamentos
É o meu corpo,o teu recanto
que abriga, acolhe, aconchega
E te faz voar !

EM - IN-FINITA - ADRIANA MAYRINCK - DOWSLLEY EDITORA

sexta-feira, 2 de março de 2018

Corredeiras - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem seguir a autora neste link

Sentidos e palavras desaguam.
Rios de momentos findos escorrem para não voltar.
Lavada a alma, 

Ela busca intensidade. 
No olhar, nas mãos deslizantes, 
no gesto que envolve, 
no calor que entorpece.
Nada é. 

E não está.
Vazios nas águas que deslizam sem rimas, nem versos.
Letras pingam invadindo a noite e rasgando o dia ... 
Em esperas e esquecimentos.

Quimeras.


EM - IN-FINITA - ADRIANA MAYRINCK - DOWSLLEY EDITORA

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A-mar - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem seguir a autora neste link

A pele queima no asfalto efervescente.
Raios solares ofuscam e sigo cega
acompanhada pela minha inquietação.
Um sentir em ebulição é retido pelos poros. 
Implosão. 
Sufoco desejos em teu nome. 
Espero.
E será vasta essa necessidade de amar.
Tão longínquo e tão certo. 
Revisto-me de tua presença - por dentro.
E tropeço em meus próprios passos, 
nesse caminho tortuoso de te encontrar.
Consome-se o tempo e todas as vontades 
de ser- estar- permanecer. 
Permaneço ancorada em teu coração.
Ilusão.
Dias de calmaria e reflexos. 
Noites de tormentas e temporais.
E seguindo pelas horas desconheço-me.
Mas sou.
E tudo arde num sopro gélido 
que vem de longe. 
Palavras fixam horizontes entre o que se é 
e o que oculta-se. 
Redemoinhos. 
Vejo aridez, sinto devastação.
Mas a floresta é de um verde escuro quase negro
e esconde segredos 
do outro lado que não posso chegar.
Igual ao teu olhar.
Mas há o mar... 
e nele jogo-me entre rochas 
e ondas violentas -absoluta.
Entrego-me a esse inebriante momento 
em que deixo-me evaporar.
Liberto-me das sombras que vagam
e que empurram-te para desvios e atalhos. 
Estou aqui. 
Seguro tua mão, entre pedras, sol e estrelas.


EM - IN-FINITA - ADRIANA MAYRINCK - DOWSLLEY EDITORA

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Agonias - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem seguir a autora neste link

E todos os ventos fundiram-se em redemoinhos.                                                      
Em labaredas incandescentes, a lembrança do fogo                                                     
que crepitava em nosso olhar.
A ventania, arrastou-a para longe.
Ele, silenciou.
As noites de escuridão total consumiram-na.
Mas o sol ainda queimava a cada dia, tragando-a.
Debatia-se entre a noite e o dia.
Ressurgia.
Foram inúmeros os dias de inquietação.
Mares e agonias.
Pedras.
Mergulhou no fundo de si mesma.

Amou.

EM - IN-FINITA - ADRIANA MAYRINCK - DOWSLLEY EDITORA