Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Às vezes...* - GRAÇA PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Às vezes vêm de muito longe:
de fatigadas viagens,
de mortes prematuras,
de excessivas solidões.
Mas vêm.
E trazem a inicial pureza das fontes.
E a lâmina do silêncio.
E a desordem da noite.
E a luz extenuada do olhar.
Tão cúmplices, as palavras.

EM - POEMAS ESCOLHIDOS 1990/2011 - GRAÇA PIRES - EDIÇÃO DE AUTOR

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dia 355 - JOAQUIM PESSOA

Espírito das danças, espírito das estrelas,
espírito das crianças, espírito das velas,
espírito que te escondes nos risos e nas tranças,
nas músicas mais intensas e mais belas,
ó espírito que persistes, não desistes, e não cansas
de transformar esquecimentos em lembranças,
de trocar, por amor, desconfianças
e de pintar essas mudanças
com doces e brilhantes aguarelas,
espírito do mar, espírito do ar, das coisas mais singelas,
leva-me contigo ao país da noite, quando avanças
por entre estrelas apagadas, sem esperanças,
que eu gostaria tanto, mas tanto!, de acendê-las.

EM - ANO COMUM - JOAQUIM PESSOA - EDIÇÕES ESGOTADAS

domingo, 28 de setembro de 2014

IV - JESÚS RECIO BLANCO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Tenho o fato cansado
de tanto espreitar pela janela;
de tanto silêncio, de tanto nardo.
D'este canto vejo as estrelas.

Posso enxergar a noite ferida,
posso ouvir o latejo do nada.
Os meus olhos são o espelho da brisa.
Amanhece dentro da minha casa.

Este é o meu ninho,
estas são as vagas que me consomem.
Este é o caminho
que escolho para ser homem.

EM - CADENZAS - JESÚS RECIO BLANCO - CHIADO EDITORA

sábado, 27 de setembro de 2014

É este o meu querer - TELMA ESTEVÃO

Quero ser o teu perfume
Em toque de Primavera.
Quero ser gota de orvalho,
Em toda a madrugada.

Quero ser a luz do teu luar
E ver-te brilhar.
Quero ser o teu arco-íris,
E vestir o teu corpo
Com todas as cores.

Quero ser o teu sorriso,
Na moldura do teu quarto,
Quero ser a tua nuvem
Para proteger-te do sol.

Quero ser teu portal e transportar-te
Com as minhas palavras,
Para a magia de outro lugar.

É este o meu querer...
Beijos e carícias,
Quando estou perto de ti.

EM - PALAVRAS - TELMA ESTEVÃO - LUA DE MARFIM 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Livro perfeito - ANTÓNIO MR MARTINS

Há a página aberta
no livro da perfeição;
é leitura descoberta
com grande satisfação.

Noutra página incerta
nos traz à leitura rigor;
anseio que tal desperta
ao menos atento leitor.

Seu conteúdo envolve
a mensagem majestosa
e a palavra manobra.

A mente assim dissolve
a poesia deliciosa
do conteúdo da obra.

EM - MARGEM DO SER - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dia de sol - JORGE DE SENA

Sob a teia de sombra dos galhos outonais,
passaram crianças
guiando na aragem
a outra já morta.

Não era a mãe nenhuma das mulheres.
falavam tranquilas;
quase não vivera,
tão pequeno ainda.

E, rio acima, iam subindo barcos,
hora a hora menores,
na distância tão grande,
que alisava as águas.

EM - ANTOLOGIA POÉTICA - JORGE DE SENA - GUIMARÃES

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Eu cantarei...* - MARQUESA DE ALORNA

Eu cantarei um dia da tristeza
por uns termos tão ternos e saudosos,
que deixem aos alegres invejosos
de chorarem o mal que lhes não pesa.

Abrandarei das penhas a dureza,
exalando suspiros tão queixosos,
que jamais os rochedos cavernosos
os repitam da mesma natureza.

Serras, penhascos, troncos, arvoredos,
ave, ponte, montanha, flor, corrente,
comigo hão-de chorar de amor enredos.

Mas ah! que adoro uma alma que não sente!
Guarda, Amor, os teus pérfidos segredos,
que eu derramo os meus ais inutilmente.

EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Da áurea... - ANTÓNIO GIL

Da áurea luz nascido
após o negro mais denso
e o branco mais intenso
coração enrubescido

aqui chegou sem labor
sem custo ou artifício
o sol que inicia o ofício
obrando sobre rubra cor

seja por sua alquimia
mágica, cada palavra
que pura, puro o consagra
pelo oiro de cada dia

e que seu canto lapidar
ainda doure as searas
e faça refulgir esmeraldas
no verde manto do mar

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

18 - JAIME ROCHA

As árvores secaram. Um uivo colorido
atravessa uma alameda. É o rasto de uma águia
que destrói os carros e cospe para as pedras.
Alguém corre debaixo de arcadas de madeira mas
os seus pés tornam-se pesados quando tocam no
cimento. A águia volta depois com um manto
vermelho sobre as asas e engole os restos de carne.

EM - DO EXTERMÍNIO - JAIME ROCHA - RELÓGIO D'ÁGUA

domingo, 21 de setembro de 2014

Raiz do amor - LUÍS FERREIRA

Hoje sim...
Digo que te amo
Dissolvendo todas as lágrimas,
Que rasgam os timbres da emoção.
As palavras,
Impelindo as flores,
No crepúsculo dos sonhos
Que perfumam os teus olhos.
Hoje sim...
Moldamos orgasmos,
Fazendo crescer em nós
Todas as raízes do amor.

EM - O CÉU TAMBÉM TEM DEGRAUS - LUÍS FERREIRA - ESFERA DO CAOS

sábado, 20 de setembro de 2014

Viva - ANA CASANOVA

Não sentir a mágoa
a revolta, a dor
Quem chega a esse estágio
atinge um plano superior
"Sou o que quero Ser"
Percorrendo caminhos
de becos, encruzilhadas
estradas tortuosas
onde bocas maldosas nos espreitam
corações duros, fechados
mentes empedernidas...
Percorrendo caminhos
sentindo as pancadas maldosas
mas Viva!
Enquanto os algozes
apodrecem sentados
vendo a vida passar.

EM - PINTURAS POÉTICAS - ANA CASANOVA - TEMAS ORIGINAIS

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Fundação de Roma - RUY BELO

Grande te chamo cidade. Ainda há
o espaço em ti de um domingo
para as folhas caírem
Talvez até
com o gládio do espírito eu possa
rasgar à tua volta um areal de silêncio
onde o sol ilumine os cristais dos meus dias

jerusalém é o teu nome cidade

EM - TODOS OS POEMAS I - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Dormes - MIA COUTO

Dormes.
Não há no mundo senão teu rosto.

O céu sob o tecto
espera comigo que despertes.

O meu único relógio
é a sombra imóvel no chão do quarto.

A curva da terra
em tua pálpebra desenhada:
no teu sono me embalas.

Dormes-me.

EM - TRADUTOR DE CHUVAS - MIA COUTO - CAMINHO

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Mas dia a dia* - RICARDO REIS

Mas dia a dia
Com lapso gradual vai hora a hora
A vida vã tornando-se mais fria,
Vai descorando a face,
E a alma, acompanhando

Ah, saibamos mostrar
À vida a força de a aceitar,
Indiferentes tanto
Ao riso como ao pranto,
E, spectadores de nós próprios, nada
Na nossa consciência elucidada.

EM - POESIA - RICARDO REIS - ASSÍRIO & ALVIM

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Adagietto - DAVIS MOURÃO-FERREIRA

Fujo de mim   Atinjo-me adiante
nesta sombra enlaçada com a tua
nesta garra de fumo que se expande
mas que vai colocar-te na cintura

um cilício de cílios todo em sangue
uma teia de esperma toda espuma

Fujo de mim   Ou só do que me atinge
nesta sombra que nunca te abandona
neste banho de incandescente cinza
onde à noite mergulha a tua roupa

E é uma festa dos fins dos anos Vinte
E serve-se em redor leite de loba

EM - MATURA IDADE - DAVID MOURÃO-FERREIRA - ARCÁDIA

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Inquietude - CECÍLIA VILAS BOAS

Ouço-te silêncio.
Diz-me o que sinto
O que anseio
O que me sufoca!

Esta inquietude permanente
Sem razão aparente de ser
O vazio profundo
Do querer e não querer.

Estou aqui
Vou, não sei onde
De onde venho, não recordo!

Nas horas do desencontro
Fecho as pálpebras da vida
Perfumo de tomilho a alma
E parto, nas pétalas dos lírios brancos.

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS

domingo, 14 de setembro de 2014

Olhos - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

É fácil desenhar olhos que divagam
Pelo quadro todo
Mas só até ao instante em que se tornam
Os que vão à proa do barco

Olho do piloto fito
No real
Atento
À rota nunca recta

EM - ANTOLOGIA MAR - SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - CAMINHO

sábado, 13 de setembro de 2014

Se... - ROSAMAR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Se existem lágrimas
seriam
para matar a sede
da boca...

Se existissem rosas
beijariam,
incansavelmente,
os pés...

Se existisse tempo
seria para acelerar
o fim
do sofrimento...

Se houvesse Deus
abrir-lhe-ia
os
olhos...

Adormeceu...

A sede
a fome,
matam
os filhos
do céu

EM - POVO DE NOVO - ROSAMAR - EDIÇÃO DE AUTOR

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Se o vires... - MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que me sento na cama, distraída, a dobrar demoras
e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.
Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por
causa dos outros laços que não desfaço, sei que o
amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se

o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso
sempre, mas não demais; e que os invernos que ele
não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos
separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,
mas só para guardar os beijos que me deu. Se o vires,

diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.

EM - POESIA REUNIDA - MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA - QUETZAL

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Perseguição - RUY CINATTI

Caio de bruços e no alto uivam
os cães do céu e uma nívea nuvem.
O que oiço, lento, desfaz-se em soluços
e um rio corre e um homem discorre
absorto no seu denso pensamento.
Longe, na terra, outros cães perseguem
no vento a alma e o homem treme e morre,
de frente sorrindo ao mistério da vida!...

EM - 56 POEMAS - RUY CINATTI - RELÓGIO D'ÁGUA

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Na fronteira do sono... - ANTÓNIO GIL

Na fronteira do sono, às vezes uma ou outra palavra, um ou outro verso, saltavam do escuro como faúlha imprevista ou rasto de estrela cadente: a sua luz intensa, fazia-me cair para o lado da vigília...

... e logo depois todo o processo se reiniciava: lento mergulhar, súbita emersão...

o corpo roçando o caule espinhoso, jurava desfolhar a rosa da insónia até desfazer a última pétala de trevas...

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A escolha das palavras - ANTÓNIO MR MARTINS

Andam palavras à solta
pelo trem do pensamento,
expressando sua revolta
em salpicos soltos ao vento.

Desfilam no seu percurso
por entre cada estação,
esperando pelo seu uso
mesmo sendo à condição.

Se as palavras têm alma
respiram se as escrevem
no verso que as acolhe.

Uma ríspida, outra calma
são as certas se merecem
enlevo de quem as recolhe.

EM - MARGEM DO SER - ANTÓNIO MR MARTINS - TEMAS ORIGINAIS

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Acordar tarde - AL BERTO

tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte

procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer

irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia

EM - HORTO DE INCÊNDIO - AL BERTO - ASSÍRIO & ALVIM 

domingo, 7 de setembro de 2014

Esta noite - JORGE GOMES MIRANDA

Não me fales como se eu estivesse só,
envolto em celofane,
qual uma angústia ou um riso.
Não me fales como se pelas ruas
da tua cidade de província
passasse uma companhia de circo itenerante
e eu fosse aquele que arruma os adereços
entre cada actuação.

Fala-me como se eu fosse um muro
no recreio da escola
e chegasses tu, spray na mão,
e o cobrisses de sinais, traços, nomes
obscenos.
Fala-me como se diante dos teus olhos
solares e teatrais
esta noite eu fosse o acrobata ou o domador de leões.

EM - ESTE MUNDO, SEM ABRIGO - JORGE GOMES MIRANDA - RELÓGIO D'ÁGUA

sábado, 6 de setembro de 2014

Tristão da Cunha - VITOR CINTRA

Fidalgo, explorador e cavaleiro,
Do rei Dom Manuel de Portugal,
Da Índia, vice-rei foste o primeiro,
Embora sem saúde para tal.

Mais tarde, quando já recuperado,
O rei te confiou a grande frota,
Ousaste entrar em mar inavegado,
Traçando, co'o teu feitio, nova rota.

E, dando ao arquipélago o teu nome,
Tomaste, então, o rumo do canal,
Aonde abastecer-se era normal.

Embora muita inveja dimensione,
O feito, de modesto para o mapa,
O rei fez-te enviado, seu, ao Papa.

EM - ROMEIROS DOS OCEANOS - VITOR CINTRA - LUA DE MARFIM

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A letra escarlate - MARIA ANDRESEN

Usarei a Letra porque assim me fiz
no ar rarefeito, no sacudir do vento

o meu rosto será pacífico e sem pactos

não rogarei um lugar no coração do sítio
respiro como se eu própria criasse um ar

de acidez e frio

e um grande dia nasce
neste encorpar de Março

EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Litania - EUGÉNIO DE ANDRADE

O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;

o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece

navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor de um fruto, o peso de uma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror;

são a grande razão, a única razão.

EM - AS PALAVRAS INTERDITAS/ATÉ AMANHÃ - EUGÉNIO DE ANDRADE - ASSÍRIO & ALVIM

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

45 - CAMILO PESSANHA

Desce enfim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como um véu de luto.
podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor,
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste...

Ias andar, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação...

EM - CLEPSYDRA - CAMILO PESSANHA - RELÓGIO D'ÁGUA

terça-feira, 2 de setembro de 2014

III - JESÚS RECIO BLANCO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

Fita p'ra mim o relógio.
E nesse olhar desalmado,
dou por mim que não tem olhos,
que o tempo está a ser pensado.

E desse pensar calado
surgem sombras, todavia.
Parecem barcos alados,
são palavras fugidias.

As horas passam sem pressa,
o tempo não faz sentido.
Fico preso à minha mesa,
a esperar pelos navios.

EM - CADENZAS - JESÚS RECIO BLANCO - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Renascimento - JAIME CORTESÃO

Nasci de novo. Eis-me liberto enfim!
Foi por um Céu, d'estrelas todo cheio,
Numa visão de Amor, que um Anjo veio
Descendo até poisar ao pé de mim.

O beijo que me deu não teve fim...
Apertou-me nos braços contra o seio,
Abriu os lábios, segredando... e a meio
Bateu as asas e levou-me assim.

Ai! como é doce o seio que me embala!
E como tudo é novo e mais profundo!...
Mas já nenhum de vós me entende a fala;

Noutro Mundo melhor eu vivo absorto,
E logo conheci que a esse Mundo
Que vai não volta, ou, quando volta, é morto!

EM - POESIA - JAIME CORTESÃO - INCM