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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Fugaz como a vida - CARLOS ARINTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto conexões neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

(A vida é um amor fugaz
Que se transforma em vento)

Existe um vento que abana as árvores
- Ah! Se fossem apenas as árvores.
Mas são as nossas almas, por dentro
Que se deixam abanar e se vergam
Com a força do vento, da vida e de tudo
- e de todos os mistérios -
Que nos tornam frágeis e inseguros.

Sim, resistimos e vamos curvados
Sendo açoitados pelo vento, na cara
No cabelo (em desfolhada) no corpo
Nos ombros (que oferecemos em luta)
Nas mãos crispadas que protegem
Os olhos que alimentam a direcção
Para onde queremos fugir.

O vento segue galopando
Fazendo o seu destino de ciclone
Tufão, ou apenas ventania
Desinquieta e assassina.
O vento só amaina quando nos vir
Curvados, submissos, derrotados.

Nada, derrota o vento!
Por isso, deixei-me ir com o vento
E em vento me transformei
Para ser igual ao vento. Só a ti amei!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Fronteira - CARLOS ARINTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Aprecio a inocência de uma aurora
Porque nem principio nem fim
São certezas da natureza
Tudo voa, esvoaça, saltitando
Mergulhando no eterno para depois
Passar ao efémero.
(Como hei-de explicar?
Ou tentar que se tenha vislumbre
Um qualquer sentido para a palavra)
Somos apenas o véu que ondula
Com a pressão da brisa
A certeza do momento, a incógnita
Do destino
E este farrapo leve, transparente
A erguer-se em soluço.
Em chama, em sorriso, em ocaso

É tudo o que temos.

Somos o tempo e a luz
Somos a fronteira
O passadiço que nos leva
Até onde existir vida!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS III - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sábado, 13 de outubro de 2018

300 graus a toda a volta - CARLOS ARINTO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CARLOS ARINTO

Bravo! Janelas! Luzes que entram por elas.
O mundo, o amor a alegria
O sonho a fantasia. Sento-me a um canto.
Ouço a chuva, a manhã, o poente
Endireito a saia, aliso o chapéu, adormeço.

É bom saber sonhar nos braços da alvorada.

Minha princesa,
                         meu amor,
                                         minha amada.

Lua todo o ano, sol e água fresca.
Regressa a casa sempre pela calada
Seja dia ou noite cerrada.

EM - CADERNOS DE POESIA - ANTOLOGIA - CÍRCULO ARTÍSTICO E CULTURAL ARTUR BUAL

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Quem sou - CARLOS ARINTO

Vivi sem nunca questionar: quem sou!
Pois sou o que sou e não importa melhor aprender
A definição do que sou ou os outros julguem saber
Quem sou!
Pode a pergunta não fazer sentido
Ser leviandade. Orgulho ou falsa modéstia.
Ninguém dirá que é interrogação
Descoberta, Felicidade!

O que será a felicidade? Pergunto,
Inquieto-me!

Onde anda essa faúlha no breve eclipse
Do momento? De que cetim são feitos
Os meus pensamentos, dúvidas, preocupações
Que algemas me agrilhoam?

Quem sou?

Por onde andam os meus farrapos
Filhos, avós, netos, irmãos, amigos
Sei lá... ódios, amores, alegrias e maldições
Por onde andam os meus pedaços?

Estou aqui. Agradeço. Sorrio.
Transformo-me em chuva e em luz
Cinza e pó. Desfaço-me em areias,
Em fúrias, em vento, em deserto. Morro
Pensando que sou aquele que te amou.

Vamos nos encontrar?
A opção seja no meio do caminho
Deixando os sonhos filtrar
Toda negatividade retirando o espinho
Favorecendo a energia à Luz Brilhar.

Vamos nos encontrar?
Despertando toda nossa velha memória
Histórias perdidas no livro a evocar
À lucidez da outrora oratória.

Vamos nos encontrar...
Quem sabe no meio do caminho
Sugiro um brinde à beira mar
Lá tudo fica escrito no pergaminho
Da vida de promessas...

Vamos nos encontrar...
Mas no meio do nada
Incitar toda a lembrança
Esquecendo nossa mudança
Física e espiritual...
Dar um abraço nostálgico
Onde tudo pode ser mágico
Antes do adeus final...


EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quinta-feira, 19 de julho de 2018

FFT - Fractal/Fetiche/Trado - CARLOS ARINTO

É na espreguiçadeira
Que te quero ver deitada
Com a saia no colo
Amor, sereia, namorada.
Um seio à mostra!
Os tornozelos (madrugada)

No cabelo uma andorinha
As coxas, tanto me faz,
Mas as pernas
São minhas.

Ninho, novelo, anca
Seio, cotovelo

Perfume na orelha
Olhos de cereja.

E depois
No cristal dos dias
Fica a luz do pensamento
Breve como os instantes
Louca, bravia,
Como os momentos

O luar é silhueta
indolência e chuva.
A vida, um abraço!

EM - TOCA A ESCREVER - ANTOLOGIA - IN-FINITA