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terça-feira, 27 de setembro de 2022

Revigorações - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Caminhares de prazer, lentos e extasiados,
Por saudosas praias de areias finas e molhadas.
Solitário ocasional abnegado à triste solidão,
Deixo marcas concavas e convexas em cada passo.

Olho a linha do horizonte longínquo, inatingível
Fixo o olhar no cordão de silhuetas desenhadas
Por nuvens condensadas e neblinas translúcidas,
Emergem ao pensamento figuras de entes já idos.

Alapam-se nostalgias entrelaçadas a saudades,
Provocadoras de algumas lágrimas surgidas
Em olhos, desejados de felicidade e alegria.

Abro as minhas mãos a suplicar as tuas
Ausentes por imperativos da vida traçada,
Desejoso aos afagos revigorantes do meu ser.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Gémeas - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Volta a alegria aos rostos cansados
Felicidade no reencontro marcado
Anos passados sem olhares e carinhos
Desejados e nunca esquecidos.

Olhos maliciosos e cúmplices
Resgatam às vivências de outrora
Imagens baças, ténues, já quase diluídas
Dos jovens namorados em namoros trocados.

Corpos agora anafados mas roliços
Escondem maleitas e dores sofridas,
Esquecidas mas recordadas de modo teimoso
Silhuetas torneadas, perliquitetes vistosas e sadias.

Trocaram cartas longas, descritivas à minúcia
Provocando riachos de lágrimas cristalinas,
Em olhares melancólicos aos retratos guardados
Repartindo vidas, maternidades e sofrimentos.

Num hoje de inesquecíveis recordações
Aos recontados anos volvidos e vividos
Dançam boleros, valsas e tangos ou swings
Relembrando idas infâncias e adolescências.

Doces e carinhosas, alegres e felizes
Olhos cerrados obrigam ao retroceder
Da mente, no tempo e na vida corrida
Recordar ascendentes e antepassados.

Cúmplices nas agruras e na felicidade
Sequiosas às partilhas diárias e constantes.
Amadas e amorosas, amando e desejando.
Gémeas, do útero à expiração vital!

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sábado, 17 de setembro de 2022

Vagueação - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ao meu querido Amigo Carlos Pissarra

Pressinto pensamentos a vaguear
Em areias próximas quiçá mares distantes
Tristezas, mágoas sofridas, desilusões,
Sempre transmutadas em amores constantes!

Correm em tuas veias seivas de leitos africanos
Raízes nascidas, criadas e endurecidas
Sob raios solares e luares inesquecíveis
Relembrados e desejados frente às ondas,
Marés, maresias e brisas sempre presentes!

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Eu - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Vivo tudo ao minuto e segundo
Nesta sociedade desenfreada e louca,
Palpitante à emoção e conhecimento,
Num hoje aqui, agora, de ser e estar,
Futuro desconhecido, apenas sonho!
Pouco ou nada me importa.
Cores de capas em livros editados,
A caminho de escaparates e críticos,
Todo um consumo baseado no ter,
Indumentárias, teres e pareceres.
O hoje do eu é estar e ser,
Consciência leve, limpa e liberta.
Sempre pronto à ajuda e solidariedade,
Tantas vezes criticada e mal-entendida
Por mentes mal criadas já deformadas.
Pasmem conhecedores do passado,
Incrédulos, maldizentes e malfeitores,
Aprocheguem-se sem hipocrisias
Tolerantes e ávidos à aceitação.
Sortudo num vibrante amor vivo,
Em semente que se tornou mulher,
Num coração que me fez reviver,
Acordar gargalhares já esquecidos,
Dos Amigos companheiros inseparáveis,
De todos os que me estimam
Por ser o que sou e quem sou.
Só por hoje, sou grato,
Solidário, voluntário e desapegado.
Tudo isto estou, sou e continuarei
No meu amado eu.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Sete - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Neste mundo criado em seis dias
Destinou o Criador o sétimo ao descanso,
Uma semana tem sete dias
Humanidade gira sobre sete massas,
Sete mares, sete maravilhas.
Nas artes, notas musicais e arco-íris
Sempre o sete desde criança,
Em amigos de Branca de Neve,
Gatos com sete vidas,
Em fantasiosas botas de sete léguas.

Menorah de sete braços
Hindus com sete iógas.
Cristãos nos sete sacramentos,
Pecados capitais e bem-aventuranças.
Pitágoras tem-no como sagrado,
Macróbio insere-o na numerologia,
Elo inquebrável entre humano e universo
Cuja chave Cícero era guardião.

Longos anos geraram palavras,
Formando prosas, versos e poesia
Em livro desejado, sonhado,
Dado ao conhecimento em dia sete.
Sejam filosofias, teorias, superstições,
Apenas, simplesmente o sete presente!

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Às minhas mães - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Olhos postos no firmamento
Noite cálida, calma e escura
Sem grande esforço na procura
Duas estrelas intensamente brilhantes
Mãos dadas para eternidade,
Vigilantes e protectoras
Dos entes queridos terrenos.
Ambas matriarcas amadas
Quando em passagem terrena,
Contínua saudade sentida.
Cada uma em seu tempo e lugar,
Ventres dilatados pesados
Deram vida aos seres
Unidos em bodas desejadas.
Ofertando-lhes como presente,
Tal Rhea grega ou Cybele romana,
Fruto germinado de amor vivido,
Filha amada, crescida, ora mulher.
Corre em suas fortes veias
Sangue das minhas Mães amadas.
Eternamente grato!

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

domingo, 28 de agosto de 2022

Saudades - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Hoje, mais do que nunca,
Tenho saudades.
Do teu cheiro alfazema,
Tua voz doce,
Tuas mãos macias
Agarradas que nem garras, às minhas,
Teu cabelo cinza,
Do corpo franzino
Torneado pela vida,
Da tua pele sedosa.
Hoje, mais do que nunca,
Tenho saudades.
Dos teus carinhos e abraços,
Até do teu dedo em riste
Indicador de repreensão, mas…
Logo seguido de uma boa gargalhada.
Hoje, mais do que nunca,
Tenho saudades.
Da Mãe que foste
Da Mulher que eras,
De todo o amor que soubeste dar.
Hoje, mais do que nunca,
Tenho saudades.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Lisboa encantada - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Lisboa virada ao Tejo,
Deste teu Cais das Naus
Outrora partiram caravelas,
Marinheiros atarefados e descobridores,
Lágrimas verteste na incerteza do seu regresso.
Hoje vês gentes em lazer
Debruçadas à margem do teu rio
Buscando descanso e encantadas
Pelo vai e vem das pequenas ondas
Que se desfazem aos seus pés,
Ou, à luz reflectida nas suas águas.
Ai Lisboa virada ao Tejo.
A cidade e o rio indissociáveis.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Mukankala - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Hoje ao acordar,
Senti as tuas mãos
Percorrerem meu corpo,
Sussurraste-me ao ouvido
Estalidos melodiosos
Como só tu sabes fazê-lo.
Entre gestos e sons
Entendemo-nos,
Amamo-nos.
Amor efémero,
Proibido.
Ainda hoje ecoam
Pela Tundavala e Serra da Leba
Nossos entendimentos,
Amores vividos.
Jamais esquecidos.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sábado, 13 de agosto de 2022

Noite - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Este é o tempo de descanso
Corpo, mente e espírito.
Sentado e em posição gassho
Mente vazia de pensamentos
Absorvo o manto prateado
De uma lua cheia,
Raios ténues das estrelas distantes
Restabelecem forças
Ao corpo cansado do dia vivido.
Espírito a vaguear para além-fronteiras
Delineadas outrora pelo consciente.
Assim permaneço
Segundos, minutos e horas.
Rejubilas pelo que provocas.
Só por hoje, sou grato
Pelo corpo restabelecido,
Mente cheia e espírito são.
Reencontro marcado, à mesma hora.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Uma vida - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Rodo a cabeça
Olho de soslaio
Queixo pousado no ombro
Tentando quantificar
Os que para trás ficaram
E se recusaram acompanhar-me.
Tantos criticaram,
Outros não me aceitaram,
Houve quem se deliciasse
Com cama, mesa e roupa lavada
E hoje, quase todos eles,
Os costados viram
À passagem do corpo velho e cansado.
Sinto o cheiro nauseabundo
Da amálgama entre hipocrisia e crueldade.
Olho decididamente em frente
Lutando contra as engrenagens
Deformadas ou já corroídas,
A passo de gastrópode,
Até atingir a desejada meta.
Perdoei e, sem rancores
Que gastam vitais energias
Anseio, lá para trás,
Alguém haja com a mesma vontade.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Amigos - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Como é bom tê-los.
Partilhar o escondido,
Rir dos melhores momentos,
Chorar nas piores tristezas,
Presentes mesmo na ausência.
Serão poucos para alguns
Muitos para um só.
Entendê-los cada um por si
Velhos, novos, ricos ou pobres.
Respeitá-los com defeitos
Virtudes, grosseiros, delicados.
Como é bom tê-los.
Contam-se pelos dedos de uma mão
Como estes, nenhum é igual.
Quando passam para a outra
Alegria infinita, felicidade desmedida.
Incompreensão compreendida,
Justificado inqualificável,
Perdoadas ofensas,
Mágoas esquecidas,
Como é bom tê-los.
Amá-los para sempre,
Incondicionalmente,
Amigos!

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Amantes - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Anseio tão desejados momentos
Olhar teus olhos amêndoas lazúli
Teu corpo bronzeado tactear
Suavemente acariciar teu rosto
Beijar tua boca doce mel.
Movimentos apaixonantes
Seduções desejosas, carnais,
Amores, paixões vividas
Cada segundo em horas contadas,
Desejadas infinitamente eternas,
Realidades sentidas, mas esquecidas
Vulcão de felicidades em erupção.

Calai bocas imundas conspurcadas
Arrecadadoras de línguas viperinas,
Fétidas, gosmadas e camaleónicas
Ignorantes desadoradas de paixão
Portadoras de mensagens maléficas
Aventadas de mioleiras formatadas
Por sociedades apodrecidas decadentes
Decepem minhas mãos e braços,
Tacteantes, abraçadores
Deste amado corpo que quero meu,
Novos ressurgirão sedentos de paixão.

Ressurgem brisas com sons de maresia
Oitivas em búzios estrombos
Deparados em areais de estios quentes.
Oiço turturinar rolas zebradas
Arrulhados sedutores galanteadores,
Acordes dedilhados em ukuleles,
Relembrando amores livres passados,
Eternizados.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sábado, 23 de julho de 2022

Idosos em solidão - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sentado num qualquer banco ou,
Recostado à cabeceira do leito
Agora aquecido pelo calor do meu corpo,
Olho sofregamente o horizonte limitado
A quatro paredes de branco pintadas,
Como se pela última vez o fizesse.
Vejo tudo claro como água,
Vazio, tentando esquecer amarguras
De uma vida outrora vivida,
Filhos criados, ausentes e desaparecidos.
Num hoje amargo de solidão
Aguardando a solidariedade,
Amor incondicional de alguém que
Comigo fala tentando abstracção
Aos pensamentos teimosos de tristeza.
Minha única esperança de carícia
Quiçá beijo respeitoso na testa
Por mim recompensados por sorriso
Vezes sem conta arrancado a ferros
Expressão única, possível e entendível
Deste meu estado aparente ausente e mudo,
Ainda hoje inaceitável e incompreendido.
Momentos que desejo eternos,
Me fazem sentir agarrado a esta vida terrena.
Rezo e peço perdão ao Criador,
Por alguma minha desumanidade.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O outro de mim - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O outro de mim
Visitou-me novamente.
Chega enérgico,
Obriga-me à busca
Do papel e da caneta em repouso.
Espicaça-me e alerta-me
Para a inércia instalada.
Alego cansaço,
Desumanização em redor,
Ausência de amor.
Sussurra-me fraqueza.
Injecta-me adrenalina
No coração fraco e cansado.
Melhor que ninguém
Sabe como me reactivar.
Olhamos a janela em frente
Revejo verdes vibrantes,
Movimentos constantes,
Antes lentos, até inertes.
Sol brilhante em verão ameno.
Abraçados regozijamos a vida.
Esqueço amarguras, pernas cansadas,
Coração doente, amor ausente.
O outro de mim,
Até ao último suspiro.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Amores sonhados - MANUEL MACHADO

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Hoje tenho-te desejado
Em todos os meus pensamentos,
Segundo após segundo,
Pensamentos encadeando angústias.
Tua ausência entristece-me,
A distância enlouquece-me.
Apenas o vaivém cadenciado das ondas
Acalmam estes meus ímpetos
Calorosos, fervorosos e amorosos.
Sinto como minhas tuas dores
Provocadas por grilhetas inquebráveis
Envoltas em teu corpo que quero meu.
Sonho, olhos esbugalhados
Procurando vislumbrar alguma realidade,
Beijar teu corpo milimetricamente,
Tua boca com sofreguidão
Em movimentos entrelaçados
Fundindo-as numa só,
Amarmo-nos até à exaustão.
Quero-me a morar em ti,
Amar-te eternamente.
Escorrem-me pelo rosto apático
Pequenos riachos de água cristalina e salgada.
Vejo-me de braço dado à solidão,
Encaro a realidade.
Amo a sonhar.
Ninguém mora em mim.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Outonos - MANUEL MACHADO

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Folhas amarelecem
Desprendidas de ramos,
Verdejantes há instantes
Irresistentes à passagem do tempo
Esvoaçam em brisas já frias
De noites e madrugadas gélidas,
Amontoadas pelas ruas.
Vielas agora desertas.
Nós, diáfanos amantes
Mocidades fúlgidas
Mutantes à vida destinada,
Verdes anos vigorosos
Agora esmorecidos,
Vividos à margem de um lago
Desejado calmo,
Sob manta de retalhos,
Peles apergaminhadas
Nossos corpos enroscados
Beijos quentes escaldantes
Apetentes à eternidade.
Sentidos e vividos outonos.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

domingo, 3 de julho de 2022

Hini - MANUEL MACHADO

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Foste tu que me escolheste
E não eras minha.
Seguiste-me enquanto possível,
Eras a minha sombra.
Fomos felizes, amámo-nos.
À hora da despedida
Olhos nos olhos, perdoámo-nos
Sem nada dizer.
Tristes memórias,
Angústias passadas.
O dia em que me senti só.
Olhei para o lado, nada tinha
Ninguém estava.
Apenas a esperança
do reencontro de um grande amor.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Esperança - MANUEL MACHADO

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Sento-me em praça pública
Sem nada dizer, nem fazer
Quedo, nem folha de papel
Rabiscadas palavras com mel
Sentidos escritos inesperados,
Desejando golpe de asa
Brisa tornada vendaval,
Poisando amenamente
Noutro tempo, em outro lugar.
Vendavais inexistentes,
Praça em vale desejos,
Palavras levadas ao vento
Regressadas incólumes,
Apenas reconhecidas
Cor do papel e caligrafia.
Pensamentos melados
Conscientemente escritos
Dando voz ao coração.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Amor - MANUEL MACHADO

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Amo as pedras da calçada
Com a mesma força e convicção,
Sem qualquer distinção,
Todos os animais que as pisam
De duas, quatro ou mais patas.
Amo tudo o que me alimenta,
Para me manter ser vivo
Rosas bravias, alfazemas, magnólias
Aromas que me fazem sorrir
Alimentam o invisível, o impalpável.
Amo o fruto da minha semente
Desde que rasgou o ventre materno,
As alegrias constantes,
Orgulho por atitudes e comportamentos,
Abraços longos e reconfortantes.
Amo tudo o que faço e em que toco,
Mesmo os que não me amam,
Esperançoso no amanhã.
Amo a vida como a mim próprio,
Só assim consigo amar em redor.

EM - MANUEL MACHADO - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA