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quinta-feira, 19 de março de 2026

Minha oração - Juraci Augusta da Cruz

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O corpo feminino e suas crises
Cansaço, suores, dores, temores e tremores.
Silêncio…
Há um refrigério, um consolo
Há um lugar de descanso
Um tempo de levantar o olhar
Um tempo de mudar a perspectiva

Mudo o olhar, vejo a chuva e permito-me banhar
As gotas de esperança descem pelo corpo
Posso descansar nessa cascata orante
Olho as pedras que estão ali, no meio do caminho
Sou água que brota da fé, círculo a adversidade em silêncio
Estou orando em correnteza
Levanto os olhos para as borboletas
O bailado colorido me leva à paz
Oro com o sopro da Ruach que mistura cor, brisa e perfume

Sim, eu oro em silêncio, quieta
No colo da divina mãe
Estou no mundo, mas não sou moldada por ele
Faço a diferença e celebro a crença
No amor, na partilha, na vida em comum
Manifestando o amor
E sendo calor
Na vida de alguém.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 13 de março de 2025

Eu e meus retalhos - Juraci Cruz

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Minha vida é de retalhos
E eu, tecelã que sou, fui exercitando costurar
Uns, feridas com suas dores
Uns, sonhos e seus amores
Vivi desafios
Superei medos
Guardei segredos, incontáveis até para mim
Meus pés foram furados por espinhos enquanto plantava o milho
E segui, sempre tentando colocar tudo nos trilhos
As mãos foram machucadas no moinho e no pau da lata d'água
Caminhei, e caminhando aprendi a arte de unir o diferente
Peguei cada retalho de vida
Costurei um tapete de sonhos onde meus pés foram acariciados
Fiz uma colcha de esperança e me protegi da falta de gratidão
Hoje, olho para mim
Vejo a diversidade das cores vibrantes
E danço no compasso do meu coração, sem pressa
Já não sou de pedaços
Me fiz inteira, bordada de luz
E os retalhos?
Se misturaram, e juntos ficaram fortes
Na minha força, sou única.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 8 de março de 2025

A chuva - Juraci Cruz

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ah, a chuva...
Cai de mansinho
Forma lago
Torna-se rio, depois cascata
Dribla as rochas
E segue, firme
Sem que nada detenha.
Correndo leva os entulhos
Limpa o caminho
E cumpre o chamado
De entrar no mar
Torna-se onda
Branqueia-se de espuma
Vira mundo d’água.

Assim são as pessoas
Que escolhem viver:
Mesmo quando frágeis,
Sabem a força que tem
Quando em adversidades
Tornam-se resilientes
Passam entre por entre frestas da vida
Na simplicidade, sabem o valor que têm
Tiram força do improvável
E viram mar
Mar de vida
Mar de cores
Mar de amores...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IX - COLETÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Gratidão em cada estação (excerto) - Juraci Cruz

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Minha vida não foi sempre sol
Quantas tempestades já me ameaçaram
Quantos outonos, com as folhas caindo
Aprendi com cada estação.

Se está tudo florido, sinto o perfume, ofereço um buquê
Na chuva, me banho, sinto cada gota, danço
Quando as folhas caem, faço um tapete.
Aproveito o filete de sol na fresta da vida,
Faço uma tocha, ilumino a vereda estreita e sigo
Sei que logo ali, a luz será plena
Depois da curva, o sol vai brilhar inteiro

Trilhei penhascos, corri riscos
Sobre o meu rosto suportei chuviscos
Meus pés, descalços superaram percalços
Foram machucados no aprendizado
Foram sarados a cada mão que se estendeu
...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Minha escrita - Juraci Cruz

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Já escrevi versos
Com o peito sangrando
Os olhos chovendo sequidão
Os lábios sorrindo prantos
Punhos serrados
Sem mãos segurando
Segui escrevendo

Já escrevi versos
Num grito de silêncio
Com olhos fechados
Vendo o mundo todo
Com o peito apertado sem ter um abraço
Segui tirando nós
E criando laços.

Já escrevi versos
Na solidão a dois, a três ou mais
Segui a multidão estando sendo eu e eu
Já fiz versos com as flores do canteiro vazio
Escrevi cachoeira
Onde nem uma gota de chuva caiu
Não me prendo no outono
Não conto as folhas que caem
Conto os galhos, antevendo os botões desabrochando
Sou primavera
Não importa quantas podas, volto inteira.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 7 de outubro de 2023

Escalei a montanha - Juraci Cruz

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Nasci cacto,
No chão seco do sertão finquei meus pés
Caminhei pelo chão empoeirado
Andei pelas veredas estreitas
Segui, nunca parei
Recebi pedradas, juntei as pedras
Fiz uma escada e subi a montanha
À medida que subia, removi os espinhos que tentavam
me sufocar
Aprendi a cada dia, fui moldada pelas adversidades
Os espinhos deram lugar as folhas da esperança
Busquei a luz, com ela me banhei
Saí das sombras, virei girassol
Cada pedra foi um impulso, o degrau subido
Hoje, escalei a montanha da vida
Estou no topo
Do alto da maturidade, tenho a visão ilimitada,
de todos os lados
Olho o infinito e tenho uma certeza
Sobre o chão seco, sempre vem a chuva do amor e da bondade
Espinhos, são para nos proteger e ensinar a respeitar o limite
do outro
Pedras, são pra virar travesseiro e nos mostrar escada.
E a vida? É a montanha do aprendizado.

EM - ELAS E AS LETRAS: SEMENTE, PRESENTE - UM LIVRO PARA MARIELLE FRANCO - COLETÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Sessenta - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Sessenta
Você senta-se e olha
Vê o quanto já viveu
O quanto já sonhou e realizou

Sessenta
Você senta-se
A pressa já passou
Já não se estressa
Porque a calma do tempo já chegou
A sabedoria já faz parte do dia a dia
A maturidade já chegou e com ela a paz
De quem já não faz as coisas com pressa

Sessenta
Uma vida, uma lida
Uma conquista e mesmo assim
Ainda tantos sonhos à vista.

Vivi, sofri, sonhei, sorri, pari, criei
Trabalhei, conquistei
E aprendi
Que tudo a seu tempo acontece
E que aos sessenta a gente se senta
E já não tem pressa.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Minha escrita - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Já escrevi versos
Com o peito sangrando
Os olhos chovendo sequidão,
E lábios sorrindo prantos
Mãos soltas buscando outra para me segurar
Segui escrevendo

Já escrevi versos num grito de silêncio
Com olhos fechados, vendo o mundo todo
Com o peito apertado por não ter um abraço
Segui tirando nós e criando laços.

Já escrevi versos na solidão a dois, a três ou mais
Segui a multidão estando só eu e eu
Já fiz versos com as flores do canteiro vazio
Escrevi cachoeira,
Onde nem uma gota de chuva caiu
Não me prendo no outono
Não conto as folhas que caem
Conto os galhos,
Antevendo os botões desabrochando
Sou primavera
Não importa quantas podas
Volto inteira.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 29 de julho de 2022

A orla e seus segredos - JURACI CRUZ

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Sol nasce
Raios de luz fazem desenhos na areia
A sombra se move à minha frente
O vento, bate na pele que reage com um leve arrepio
O mar, à frente do ilhote canta uma canção
A água faz balé, se veste de espuma branca e adormece na areia

Ao meio-dia, a orla veste-se do colorido dos guarda-sóis
O barulho das ondas se mistura às vozes
Os corpos molhados de mar, embelezam a areia
A beira-mar fica desenhada de passos
Nesse compasso segue a vida

Anoitece e sua Majestade a Lua, rouba a cena
Sobre o mar, ergue-se, faz-se espelho, tira o fôlego com tanta beleza
Atletas de verão correm ou caminham, enquanto os carros param
Namorados deixam-se abraçar pela brisa do mar, pelo clarão
Bocas se tocam, hálitos misturam-se
Os corpos ardentes de desejo se abraçam
Há um clima de entrega, de pertencimento
Onde os dois respiram o mesmo ar
Na beira do mar, a amar.
E a orla?
Discreta que é, guarda segredos dos amores que presencia
Guarda suspiros e respiros
E dorme...

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Terra da alegria - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Ouvi um chamado pra dançar o Nordeste
Oxente, cabra da peste!
No Maranhão, o Bumba-meu-boi lembra Pai Francisco
E faz o cortejo na Ilha do Amor
O Frevo desce as ladeiras de Olinda
Se encontrando com a Ciranda em Itamaracá
O Forró enche cada canto do Rio Grande do Norte
Se ouve o som da sanfona, do triangulo e da zabumba
E onde você chegar, vira sala de reboco
No sertão de Pernambuco o Xaxado conta história
Lembrando dos cangaceiros, chamando pra diversão.
O povo aqui é alegre, dança a vida e vive dançando
Xote, xaxado, baião, embolada, arrasta-pé
Aonde você chegar se disser que é Nordeste
Fique certo, te amor, tem comida e muita festa
O nome do nosso povo, esse menino, é festa!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Sinfonia no sertão - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Movido pela fé, o sertanejo se torna maestro
A baqueta é a enxada, cavando o chão seco, esperando
a chuva
As sementes são lançadas na cova junto com o sonho
da fartura
O rosto firme, marcado pela esperança olha o campo
O sertanejo sabe esperar melhores dias.

O tempo muda, o céu escurece, ouve-se um ronco
O som não é mais da terra seca
O relâmpago corta os céus iluminando tudo
Trazendo a música mais esperada: o trovão
A chuva cai
Não é apenas água
É água, fé, amor e esperança regando o plantio
A semente lançada na terra seca é abraçada, acariciada
e nasce
É milho, feijão e sonho, brotando
As mãos se juntam numa prece de gratidão
Ouve-se a canção da vida
A verdadeira sinfonia no sertão.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Calor do amor - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Tarde de calor na Cidade do Sol
Cochilo, sonho, e tu vens
Melanina, cheia de luz
Com o cheiro que só tu tens
Sem pedir licença, entra.
A janela fechada não te impede a presença
Seu calor enche o quarto, o ar
E, de repente, tudo muda
Contemplo teu corpo
Abraço-te, me enlaço em ti.

Estás longe, mas tão perto
Tão certo, tão meu
Sim, aqui nos pertencemos
Nesse quarto, temos liberdade
De matar a saudade
Numa tarde de calor
Em que o amor se aninha nos lençóis
Pois estamos sós,
Nós, o calor e o desejo
No silencio, entregamo-nos ao beijo
Misturamos a pele e o suor
E espalhamos no ar o cheiro de amor.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A lua e a vida - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Abro a janela e lá está ela
Branca e linda
Encantando a noite, iluminando a vida

É na noite escura que vemos a lua
E as estrelas
Bordando o céu
Com a prata da vida

É preciso chegar à noite escura
Para ver o céu estrelado
E a lua branca
É vivendo momentos difíceis
Que ganhamos coragem
Levantamos os olhos
Vemos a lua do amor abrindo horizontes
As estrelas da esperança
O céu claro da fé,
Que nos faz seguir
Acreditando

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 25 de abril de 2021

Me deixe ser feliz - JURACI AUGUSTA DA CRUZ

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Amor é vida
E a vida é linda

Ah, e as formas do amor?
Amar é a forma
A forma de tudo
E tudo se forma
E se transforma
Através do amor

Ah, mas é diferente...
O amor é diferente das fórmulas
E não cabe em rótulos

Ah, mas eu não entendo...
O amor é assim
E não se afeta pelo preconceito
Basta ser amor
E o amar é perfeito.

Eu vivo o amor
Apesar da dor de alguns momentos
E voo livre, vivendo sonhos e pensamentos
O amor que não se enquadra em moldura
O amor é vida, é doçura.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA