Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Poeta - LITA LISBOA


Poeta vive a falar de amor,
Poeta vive a falar de dor,
Poeta informa,
Poeta grita,

e quem lê a sua escrita?

Poeta imagina,
Poeta cria,
Poeta sofre,
Poeta grita,

e quem lê a sua escrita?

Poeta voa,
Poeta inventa,
Poeta sonha,
Poeta grita,

e quem lê a sua escrita?

Poeta morre,
num labirinto de palavras,
num oceano ignorado,
com a ferida, jamais sarada,
da incompreensão.

EM - CREPÚSCULO - LITA LISBOA - TEMAS ORIGINAIS

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quero-te - RUTH CÂNDIDO


Quero-te.
Quero-te por ser tua
quero-te desesperadamente
como a noite precisa da lua
de um luar branco e luzente
como um rio beijando a vertente
deitada no leito nua.
Quero-te.
Para seres meu
querendo-me absolutamente
todo o meu ser, todo o meu eu
numa paixão ardente
por um amor estonteante
que dá a quem é seu...
Quero-te.

EM - UM SOPRO NO DESTINO - RUTH CÂNDIDO - LUA DE MARFIM

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

No meu olhar - CECÍLIA VILAS BOAS


No meu olhar, voam pássaros inventados
Contos lendários de príncipes e princesas
Centelhas de ventos sobranceiros
Violetas que perfumam o meu travesseiro.

Vejo névoas que encobrem castelos
Manhãs de bruma em dias soalheiros
Ondas oceânicas, que rebentam nas estrelas
Tudo cabe ali, na fantasia do meu olhar...

Nos meus sonhos perco-me em melancolia
Ainda lembro as brisas aladas do fim de tarde
E as magnólias do meu jardim...
Onde estão as magnólias do meu jardim?!

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Templo extremo - CLÁUDIO CORDEIRO


A hora é um templo extremo.
A água impõe um nome
a cada dia importado pelo vento.

Não me revolto com a luz.
É preciso coragem para suportar
as lágrimas do coveiro.

O tempo perdido é um punhado
de terra salgada...
... por palavras que secaram
a luz do dia.

EM - UM TUDO NADA ÁGUA - CLÁUDIO CORDEIRO - LUA DE MARFIM

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Os afectos - ANA CASANOVA

 
Porque se fecham portas e janelas
Porque se viram costas
Se negam palavras
Levantam muros de indiferença...
Tudo assim perde forma e sentido
Pois não existe maior porta
Que a dos Afectos
A que desbrava caminhos
E encurta as distâncias
Porque o amor
Recebêmo-lo em catadupa
Quando nos damos
 
EM - PINTURAS POÉTICAS - ANA CASANOVA - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 25 de novembro de 2012

Contra a árdua torrente * - ANTÓNIO GIL


Contra a àrdua torrente
do tempo que me recobre
água cristalina sobe
em busca de sua nascente

o fluir é este instante
em movimento contrário
partindo de largo estuário
desaguando a montante

memória: secreto labor
lugar de perpétua esgrima
alquímica matéria-prima
convertida em luz d'alvor

EM - OBRA AO RUBRO - ANTÓNIO GIL - LUA DE MARFIM

sábado, 24 de novembro de 2012

Perpetuar o amor - LUIS FERREIRA


Entre a poeira,
Existirão sempre degraus para pisares,
Uma luz escondida,
Entre jardins
Que irão brilhar ao teu toque.
Falei de ti,
Chamei pelo teu nome,
Germinando ecos no ventre da terra,
Entre as mais límpidas palavras,
Que acenderam as madrugadas.
Hoje,
No refúgio do nosso ninho,
Abrigo eterno...
Ainda sinto os ardores,
Que me levam a escrever os versos
Recordando todo o amor que fizemos.

EM - O CÉU TAMBÉM TEM DEGRAUS - LUIS FERREIRA - ESFERA DO CAOS

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A Alma - TELMA ESTEVÃO

Grandes são os labirintos,
da minha alma e os caminhos
Da minha vida.
Flutuam sem dimensão,
São fantasmas e fantasias,
Que cavalgam no meu tempo
E deixam rastilhos
De um fogo em brasa.
São os lamentos da dor
No rufar do tambor
Que rasga o céu.
Apenas por instantes,
Oiço os ecos do amor
E as palavras,
Na sua cor de mel.
Nesta valsa tocada,
Cai a noite estrelada
Também ela encantada.
Neste meu destino alucinado,
Sigo querendo manter oculto,
Este local tão desejado.

EM - PALAVRAS - TELMA ESTEVÃO - LUA DE MARFIM

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Na noite do quarto * - UNDERSCORE


Na noite do quarto,
todos os corpos são sombrios...
todos se assombram com a sua própria sombra.
Na noite do quarto,
a luz é um folgo de vida.
Na noite do quarto,
a luz é a velha esperança de
um dia de sol.

EM - VULNERABILIDADES NO DESERTO - UNDERSCORE - CHIADO EDITORA

* O poema não tem titulo, usei o 1º verso por razões logisticas

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A minha escolha - VERA SOUSA SILVA

Sou quem sabe da minha morte,
escolho o tempo
e a forma,
a banda sonora
e a sequência final.

Não quero flores
de quem nunca me as deu
com um sorriso perfumado.

Não quero lágrimas
de quem nunca me soube
amar, como mereci.

Não quero palavras
de quem nunca teve tempo
nem paciência para me ouvir.

Quero apenas poemas
num livro branco,
escritos pela alma
de quem um dia
morreu feliz.

EM - BIPOLARIDADES - VERA SOUSA SILVA - LUA DE MARFIM

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tela de palavras - MARIA JOSÉ LACERDA

 
Pinto-te
Nas palavras
Mais bonitas de mim
Na junção de cada uma
Tudo se arruma
Na perfeição.

Em cada conjugação
Na tela feita de palavras
O Sol e a Lua
Em perfeita sintonia
Misturam a noite e o dia.

Num sentido imperfeito
Cheio de perfeitos sentidos
Não há tempo perdido
Nesta tela de palavras
Consentida
E com sentido
Onde todo o Amor é unido
A fundo perdido.

EM - ESCRITUS E RABISCUS - MARIA JOSÉ LACERDA - UNIVERSUS

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Olhos de poeta - EDSON INCOPTÉ


Vejo o mundo
Como um mar de rosas
E vejo mesmo!
Algumas pisadas
Outras com espinhos
Mas vejo!

Vejo em cada pessoa
Uma rosa diferente
Em cada rosa
Um beleza presente

Vejo sem receios
Porque vejo ao meu jeito
Vejo com olhos de poeta
Que até o sofrimento
O inspira para mais um momento

EM - INSANA REBELDIA - EDSON INCOPTÉ - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 18 de novembro de 2012

Fado lembrança - JESÚS RECIO BLANCO

 
 

Um violino quebrado neste canto,
uma lua ferida na janela,
quatro cravos vermelhos e uma estrela.
Isto é tudo o que tenho, por enquanto.

Na minha sala um barco de amaranto,
entre ecos de mercúrio e de canela;
uma espada de vento em cada vela,
uma esteira de sombra, um nó de espanto.

Três espelhos de neve por meu rosto,
três pássaros sem peito e sem pegada,
um calendário triste e descomposto;

apenas o silêncio da almofada.
Isto é tudo o que resta desse agosto:
teus olhos de ar e musgo. A minha nada.

EM - SOBRE OS FADOS - JESÚS RECIO BLANCO - LUA DE MARFIM

sábado, 17 de novembro de 2012

Beijo de luz - JOSÉ M.M. PEDRO

 
Gota de água
pequenina
Feita de espuma
do mar,
Como estrela
que ilumina
- Numa noite de luar.

Nessa onda
a desmaiar
Baila, volteia
seduz
Vem o Mar
trazê-la à praia
- Um beijo de Luz

EM - AO SABOR DO VENTO E DA MARÉ - JOSÉ M. M. PEDRO - UNIVERSUS