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domingo, 18 de novembro de 2012

Fado lembrança - JESÚS RECIO BLANCO

 
 

Um violino quebrado neste canto,
uma lua ferida na janela,
quatro cravos vermelhos e uma estrela.
Isto é tudo o que tenho, por enquanto.

Na minha sala um barco de amaranto,
entre ecos de mercúrio e de canela;
uma espada de vento em cada vela,
uma esteira de sombra, um nó de espanto.

Três espelhos de neve por meu rosto,
três pássaros sem peito e sem pegada,
um calendário triste e descomposto;

apenas o silêncio da almofada.
Isto é tudo o que resta desse agosto:
teus olhos de ar e musgo. A minha nada.

EM - SOBRE OS FADOS - JESÚS RECIO BLANCO - LUA DE MARFIM

1 comentário:

  1. Apreciei a criatividade que dera lugar a este poema. Numa 1ª abordagem pensei poder tratar-se de versos soltos, após um cataclismo ter destruido um punhado de estrofes...
    Pensei,porém neste momento, poder integrá-lo num quadro de Picasso, na fase respectiva; queria eu ser artista...
    Está no meu blog,até se enquadra no meu ultimo texto. Agradeço.

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