quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Abrir ao belo - ANA ACTO

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Levanta os olhos do chão e abre o teu olhar
Repara como dançam as nuvens
Quais bailarinas nos seus tules brancos
Delicadas, deslizando majestosamente sobre o céu
Fosse ele um palco
E tu... olhando-o de baixo
Repara... talvez hoje dancem para ti
Escuta... Por entre os mil ruídos, a melodia
Apenas se quiseres a escutarás
Abstrai-te e sintoniza, as notas soltas pelo ar
Que se escapam das janelas
De um assobio distraído ao passar
Sinfonias improvisadas
Em esforço ao esquecimento
Mas que por momentos, te levam a levitar
Ah... e os aromas
Libertos em profusão
Da cozinha da vizinha, do forno do pão...
Os céus, poderão continuar cinzentos
Os ruídos ensurdecedores
E nem sentires o aroma das flores
Mas se te abrires ao belo
Ao simples, a acreditar...
O mundo, se te moldará
E te mostrará, quão real pode ser aos que o sentem
Aos que o sonham...

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Perdidamente sou - IRENE MATIAS

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Sou febre ardente
Sou brasa incandescente
Sou carne vibrante
Sou amor escaldante
Sou mulher terna e pura
Sou um ser cheio de ternura
Sou a minha verdade
Sou a minha liberdade!

Não quero nunca esquecer
Aquilo que não fui e sou
Porque sou arrependimento
Porque sou esquecimento
Porque sou aquela que sou
E para o mundo sou...
Sou a minha liberdade!

Perdidamente sou...
Um ser que não se conhece
Mas conhecendo-me...
Sou um ser contraditório
Que tem no seu reportório
Uma enorme lista incompleta...
Do que sou e não sei
E do que sei e não sou!

EM - AMANHECEU... RENASCEU! - IRENE MATIAS - IN-FINITA

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Dia de aniversário - PETRUCIA CAMELO

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Quando a vida diz que sim,
rompe todas as barreiras,
sem deixar espaços vazios,
irrompe sobre águas, paus e pedras...
E o tempo olha a vida com o olhar de
orvalho, bruma, prata e ouro,
que se faz derramar como se fossem águas
do rio no continuo ondear da vida.

Mas a força da vida faz nascer tantos rios,
que dançam com o tempo como bailarinos,
fazendo como as borboletas voando,
embalsando as transparências dos vitrais.
Quando a vida paira sobre nós, recobra as forças
ao deparar com o que mostra a sua criatividade.
E sente e diz, como é doce a vida!
A vida é doce como água fresca de um rio.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Voltei - ZULEICA SILVA ALVES

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Voltei pra mim,
Voltei com asas de poeta,

Voltei livre,
Virei revolta,
Quebrei as correntes.

Agora sou eu,
Em silêncio solto
O grito da liberdade,
Libertei a esperança
Que se afogava dentro de mim.

Soltei-me
Na brisa do mar,
Onde o sol se põe,
Onde acontece o encanto,

Onde a saudade já
Queimou um dia.

Voltei a abraçar as estrelas,
E sarei as minhas feridas,
Bebi o cálice da esperança,
E me embriaguei
Com a vontade de viver.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O primeiro códex - EUGÊNIA CORREIA

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O mundo já estava lá
As águas, os ventos, o frio
A concha já estava lá
Quando a espuma aconchegou seus contornos
Mas a vida
Só deu por si
Quando alguém abriu aquilo
E fez-se o rastro na página virada
A pálpebra, a pérola,
Um olhar respirando.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

As andorinhas regressaram - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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As andorinhas regressaram
Ao ninho que para elas está reservado
Não retornam todos os anos
Devem rumar para outro lado.

Este ano elas estão de volta
Sinal de bom agoiro
Vão por ovos e criar uma ninhada
Até o sol ficar bem loiro.

No outono tornam a partir
Sem sabermos quando regressam
Quando o frio chegar
Elas se apressam.

Entretanto, nascem andorinhas
Passa a primavera e o verão
Elas voltam a partir
E um dia destes elas regressarão.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Papel em branco - PEDRO CALDEIRA SANTOS

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O papel branco
Caído da mesa, no chão
Aguardando letras que o possuam
Sem certezas
Esquecido na solidão do soalho
Abandonado

O papel amarrotado, encolhido
meio rasgado
por omissão da inspiração
Permanece pálido, sem cor
alheio à tristeza, à alegria
ao ódio ou amor

Sentimentos ausentes
Contos esquecidos
Historias, memórias
Viagens perdidas no tempo

O vazio

Cai chuva
O papel molhado
manchado pelos pingos
encarquilhado
permanece magoado
Voando empurrado pelo vento

O sol teima em não brilhar
Mantém-se escondido
Impede a sua luz de nos envolver
apesar da ansiada claridade
que nos ilumine

Fome

Fome de frases
De letras
De flores
De lamentos
De soltas gargalhadas

De relatos inspirados
De relatos de acontecimentos
De corpos embrulhados
De beijos trocados

O papel, amarrotado
Ressequido, esgotado, já amarelado
Vegeta no solo quase sem vida

A tinta secou
A alma, moribunda
perde-se no rescaldo da poesia ausente
descontrolada
Desencontrada de um poema incompreendido.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Poema do mar - ZULEICA SILVA ALVES

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Eu vi de longe
As tuas ondas severas,
Longas e desaforadas.
Os teus galhos
Em águas,
Cristalinas sugantes.
Eu vi a tua fúria
A bater nas rochas,
Nuas desta terra,
Serralhando-as pouco a pouco.
Eu vi transparente energia
Vindo em direção aos meus pés,
Descalços na areia.
Chegaste sereno,
Deixaste a tua fúria pra trás,
Beijaste-me os pés
Um beijo molhado bem frio.
Um beijo relâmpago...
Em seguida voltaste atrás,
À procura de outra revolta
Pra depois voltares inquieta
Pra beijar-me os pés de novo,
E levar a minha angústia.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Sonhos meus - ELIANI SILVEIRA VIANA

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Toda desgadelhada
De chinelinho de dedo
Simplesinho, Bem surrado
Que, por mamãe, fora reaproveitado.

De redes de cebola lançadas ao descarte,
Com tranças foi remodelado
Feito aquele vestido de chita
Que a mãe costureira remendou
E fez um lindo babado

Queria ser professora
Mas deixaram em minha mão
Apenas uma vassoura

Feito a gata borralheira
Toda suja de carvão
E naquele velho fogão de lenha
Chamuscada na cinzeira
Sonhava a menina tristonha,

Quando lia, viajava,
Para outro mundo se transportava.
Não sonhava em ser princesa,
Queria ser a que o mundo mudava

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

domingo, 3 de outubro de 2021

Fecundante - RITA QUEIROZ

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Do ventre brotam as lembranças
Junto com as águas
Que banham meus olhos,
Feridos pelas unhas de Cronos!

Dos pés vêm os riscos,
Traçados nos manuscritos
Que se dissipam nas trilhas
Iluminadas nas bocas de lobo do destino!

Das mãos nascem as filhas e os filhos
Untados de sangue e saudades,
Que se espalham com as folhas mortas do inverno,
Refletidas no espelho sem memórias!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Tempo que por mim passas - PAULO GALHETO MIGUEL

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Olho para ti, triste e incrédulo
Sinto que me roubaste o desejo de saber
Neste viver amorfo e sem aplausos, uma aferrada dúvida
O que é que eu ando realmente, cá a fazer

Mesmo sendo uma causa desarmada
Um tempo, cada hora marcada, que não dispara
É a lágrima que me escorre lenta, na face avermelhada
Como um laivo do coração, que se nota, à vista
desarmada

Olha tu agora para mim, de frente
Faz com que o passar das horas e dos dias; das coisas boas,
me torne crente
Sei que também és douto e dormente
Sabedor e de versado andar paciente

Porque estás fixo a uma base e te moves com a astúcia de
um ponteiro
Tão declarado e tão explícito, nesta tela de palavras
De tudo o que no Mundo se passa, o teu cunho pessoal, é
o pioneiro
Formal e preciso, neste teu rasto tão marcante, o meu
quotidiano, tanto LAVRAS !!...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Recolhimento - ZENILDA RIBEIRO

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Antes de se mostrar linda
E voar por sobre flores
Exibindo as variadas cores
A borboleta foi lagarta
No tempo certo
Recolheu-se no casulo
Sofreu todas as dores
Na solidão fechada
Até a bendita hora
Da completa metamorfose
Recolhimentos são necessários
O casulo é necessário
Mas é morada temporária
Aproveitar o tempo
Em que estamos recolhidos
Para nosso autoconhecimento
Escutar nossas dores
Escutar nossos medos
Sem receios ou culpas
E no tempo certo
Ganhar asas e voar
Qual linda borboleta.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Retrato - ELIANE DEBUS

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Não se mexam!

A lua espia
sobre suas cabeças,
talvez, para fotografar
o beijo roubado
o bêbado torto,
abraçado à garrafa.

A saia curta da garota nova,
na esquina da rua velha.

Um close para ela.

Olha o passarinho, ou
melhor, a lua.

Um sorriso.
Um beijo.
Uma despedida.
Um vômito.

Um fato,
talvez, um retrato.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sábado, 2 de outubro de 2021

Equação do Poeta Virtual - JACKMICHEL

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Sou pessoa inspirada, sonhadora...
De mente pirada, sem simulação.
Ao sensível consagro minha imaginação,
Não existo realmente como potência de representação.
Escrevo versos, poetizo...
Por meios eletrônicos da virtualização.
Poeta virtual digo-me,
Por mera apresentação!

EM - JACKMICHEL - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Amor impossível - MAURO PROFETA

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Não me peça uma noite,
Pois só posso lhe dar a lua e as estrelas.
Não me peça sequer um dia,
Pois só posso lhe dar a luz do sol.
Não peça a minha boca em beijos,
Pois meus lábios só podem lhe dar sorrisos.
Não me peça o meu olhar no seu,
Pois você verá a verdadeira emoção
Que transborda do âmago do meu ser.
Não me peça a minha mão na sua,
Pois a energia será um gerador de sonhos.
Não peça que eu lhe acolha em meu abraço,
Pois você nunca mais sairá de dentro dele
E da vastidão do meu coração pulsante.
Seu perfume invadirá as minhas entranhas,
Seu corpo quente incendiará o meu
E a fogueira arderá por noites adentro.
Das cinzas dos nossos desejos insatisfeitos,
Sempre renascerá a Fênix do sentimento
Expresso nas nossas faces enamoradas.
Não me peça para lhe acompanhar,
Pois as palavras sairão sempre avessas
E o não poder transcenderá o meu querer.
Ficará comigo o seu semblante lindo,
O lampejo do seu olhar exalando a libido,
O seu sorriso que a minha alma entorpece
E o mágico toque da sua mão em minha face.
Mesmo se restar apenas uma despedida insana,
Não me peça o adeus que tanto me custa dar.
Peça-me um poema com uma rima rica,
Um verso escondido que seja só seu
E que será o abrigo do nosso sentido de tudo.
Nele residirá a última lágrima cristalina
E a verdade do grande e silencioso amor
Que em nossos corações sempre gritará.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Meu corpo, minha alma - ZENILDA RIBEIRO

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Ignoras meu ser,
minhas dores, não vês,
nos meus sonhos não crês,
minhas lutas não lutas,
mas queres meu corpo.
Desejo torpe.
Esse corpo que queres
tem alma, tem vida.
Esse corpo sente,
se a alma é preterida
e de alma doída,
esse corpo não deseja,
o teu corpo abrigar.
Esse corpo me abriga
e me desobriga
do sexo desconexo
da alma e da vida.

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A liberdade de bater a porta - EDNA SANTOS ALMEIDA

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Sempre amei os peixes
E todas as vezes que quis tê-los
Falhei em alguma coisa
Frase sublimar: peixes são seres, não se tem.
Chorei por peixe morto ao lado de meu filho
Doloroso não senti-los!
Tudo que é muito belo exerce certo medo.
Hoje sei que ao tê-los em uma fonte
Ou mesmo um vidro
É a mim que prendo!
E a liberdade de bater a porta e ir embora.
Nem peixes, nem pássaros
As plantas fertilizadas pelas aves me esperam
Domar só as heras e os jasmins sem limites
Porque domar-me é necessário!
Sou um mar de sonhos em silêncio
Preciso ser livre não aprisionando nada.
Aprisionar algo me impede de evoluir
Preciso sentir a química da liberdade nesse corpo
Solto, solto, solto...
Enlaçado só de amor?
Amor não prende.
Sou um ser também dourado...

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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Paco - MARIÂNGELA TOLOI

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É a segunda vez que perco para essa peçonha
Ela rouba e envenena os meus amores
O primeiro, enlouqueceu, causou dores infinitas
Que o mataram lentamente, longe de mim
Fiquei desvairada, achei culpas que me dilaceraram,
Chorei lágrimas em versos tristes
Sobrevivi
No segundo, ela agiu às escondidas
Esperou que eu saísse e roubou o meu amor
Dissimulada!
Aproveitou-se das fraquezas dele e o cegou
Tentei salvá-lo, era tarde.
Não fugi
Andamos lado a lado até que ele tombasse
Enfrentei a agonia do fim olhando nos olhos dele
Até que a morte trocasse o brilho castanho
Pelo branco leitoso das córneas inertes
O oxigênio foi pouco para nós dois
Não chorei, não tive culpa
A maldita peçonhenta
Estilou o veneno da solidão
Deixou-me sem amor para amar,
Deixou-me sem carinho para dar
Agora não há poesia que me console mais

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Todos os sonhos - VÍTOR COSTEIRA

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Deitei-me
numa cama sem chão
e dormi todo o sono
de uma vida inteira,
de uma só vez.

Assim que acordei...
sonhei!
Sonhei todos os sonhos
que me lembrei
de sempre querer sonhar!

Agora...
agora, não quero adormecer!

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Solto as amarras - IRENE MATIAS

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Encontro tudo do avesso
Mas vou discreta no encontro,
Não sei mesmo se te conto
Ou se vou ficar á espera
Sou livre de me expressar
Solto assim as minhas amarras,
Enfrento agora às claras
Aquilo que antes não fazia,
Solto em mim a poesia...
Faço-a agora atingir
O meu eu escondido
Dizendo para vocês!
O carinho, o amor, a afeição,
Nada é proibido,
Chora, porém, a razão
Outrora desanimada,
Não encontrando no fundo
Naquele mergulho profundo
Que a vida nos ensina,
Por ela tenho uma estima
De ser racional... que pensa...
Que para ser feliz
Apenas é necessário
Soltar as amarras
Entrar na liberdade de expressão
Através da minha escrita
Que escrevo dentro...
... Do meu coração!

EM - AMANHECEU... RENASCEU! - IRENE MATIAS - IN-FINITA