Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
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domingo, 13 de maio de 2018

O cachopo - ALBANO SOUSA JORGE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR ADRIANA MAYRINCK

O rio corre para o mar
o tempo corre para Dezembro
e se o encontro do rio é agitado no sal
o encontro do tempo é nas ruas... chegado que é o Natal !
Naquela esquina
... como se ela fosse a margem de um rio,
onde, o caniço prende das águas o lixo...    
um CACHOPO, estende a mão a quem passa
e, quem passa, no turbilhão da indiferença
deixa-lhe as sobras de uma crença.
Umas vezes, tudo acontece, num nevoeiro mudo
Noutras, tudo acontece, por gestos mandados:
“ -Filho, vai dar esta esmola ao menino...

Mas, se o caniço prende do rio o lixo que nele navega 
A boina do cachopo, na esmola que alberga,
oculta, nas grades das mãos, o cárcere da santidade apregoada.

O rio corre para o mar. 
O tempo desagua no Natal!
O cachopo caminha ao encontro do nada
entre…
o silêncio das trintas moedas que na sua boina guarda
e o anunciado sussurrar das águas da ribeira.
Num segundo… as moedas desaparecem nas águas.
- O CACHOPO… não se vendeu!

EM - VOZES IMPRESSAS - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

1 comentário:

  1. Uma história narrada em tom poético, da época do Natal.
    "o rio corre para o mar.O tempo desagua no Natal"

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