domingo, 13 de dezembro de 2020

Amor na quarentena - BRANCA LESCHER

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plantei um limoeiro
limão macho, me disseram,
por anos infértil, acabrunhado,
macambúzio

mas recebeu meu limoeiro
abraços, afagos,
foi durante a quarentena
a família por perto,
as risadas, as conversas

meu limoeiro reagiu
floresceu, seu perfume de jasmim
encantou a família
os limões azedos sempre ignorados
nos adocicaram

os limões viraram geleia
temperaram o frango
são agora picolé
meu limoeiro saiu do armário
é laranja doce, perfumada
o que não faz um afago?

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Estrutura Histórica - ROBERTA WADNER

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Imponente
Quanto mais velha
Mais lembranças
Que testemunha
Do seu valor
Existente
Que deixa um legado
Com fruto
Eminente.

Assim pode ser esse
Monumento
Mas nesse momento
Me refiro
A essa família
Que traz a beleza
A essa imagem
Em cada um dos
Componentes.

EM - ALMA DESCORTINADA - QUANDO A POESIA GERA CURA - ROBERTA WADNER - IN-FINITA

sábado, 12 de dezembro de 2020

Aquarela brasileira em tons de rosa e azul - MARLI DIAS RIBEIRO

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Que cor usaria aquele que não tem opção
de escolha?
O desnudo.
Não existem príncipes e princesas no abandono
das ruas. Nos becos vestem farrapos coloridos
pela sujeira social.
São os sem cores? Não. Meninas ou meninos
invisíveis? Talvez.
Suas roupas tem a cor da ignorância dos que apenas
enxergam rosa-azul-preto-branco...
Que cores usariam se lhes permitissem
uma aquarela de oportunidades?

EM - PARDAS POESIAS: SOBRE SER, FAZER E SENTIR - MARLI DIAS RIBEIRO - IN-FINITA

Entrego-me - ANA LANDEIRO

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Aqui parei na impermanência do devir
No aconchego que está por vir
Na essência da melancolia
No seio da nostalgia
Quero-me bem
Busco o além
As minhas asas conseguem voar
Quando se trata de amar
Entrego-me
Entrego-me sem pudor
Quero sublimar a dor
Entrego-me
Entrego-me a mim docemente
Com calma aparente
A pensar no presente
Entrego-me

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Arte Sacra - ARLINDO ANDRADE

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Beleza do silêncio
e da luz,
caminho do desapego
e da santidade,
contemplação na escuta,
coração pleno e ritmado
de amor, oração,
adoração.
Sinais de plenitude
que suscitam a fé,
palavras ocultas
de sabedoria, mistério
que levam à ação.
A cruz da solidão
desabrocha em felicidade
que transcende a dor
numa caminhada
para o infinito... sem infinito!
Dogmas...
não se explicam!
O invisível em voz audível,
o presente e o ausente,
num sentimento que provoca
e preenche o anseio
de quem busca o absoluto
que transcende a razão.

EM - FIRME E HIRTO COMO O POILÃO - ARLINDO ANDRADE - IN-FINITA

O vírus Covid-19 - ARNALDO TEIXEIRA SANTOS

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Covid dezanove, pandemia
veio ensinar a muitas pessoas
que nada são e deverão ser boas
se todas vissem isto, bom seria.

Que cumprissem as regras, conviria
e solidárias, não egoístas
p’la negativa não darem nas vistas
e morte pouco aconteceria!

Problema é que há ignorância
e muita irresponsabilidade
pois no mundo há gente idiota

e da vida só querem ganância
só egoísmo e muita maldade
não se importando com gente morta!!!

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

 

Calíope - TITA TAVARES

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Ser poeta é ter do mundo a alma
Em seu peito e sentir-se vazio
De infinito. Morrer ardendo em calma
E de sede se afogar num rio.

Ser poeta é ter saudade de além,
Saber sonhar do sonho o não sonhado.
É ter fome de amor como ninguém.
Voar no mundo a cores, sem ser alado.

É mais que dar de si o que não tem.
Dar-se por inteiro, sentir-se aquém.
É, pois, viver feliz na agonia.

Gritando-o bem alto, não falando.
Fazer-se ouvir, sem ouvir, cantando.
É viver, morrendo, em cada dia

EM - O AMOR NÃO TEM SUJEITO - TITA TAVARES - IN-FINITA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Mário Moniz Pereira - FRASSINO MACHADO

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“Acróstico identitário”

Sol, chuva, frio, vento ou nevoeiro
Em terrenos suaves ou agrestes,
Nenhum entrave pelo dia inteiro,
Homem de um só olhar e o primeiro
Onde o dever perante vis interesses,
Rasgava um horizonte pioneiro.

Atento a cada hora às circunstâncias
Todos à sua volta o estimavam,
Lendo-lhe na ironia o que julgavam,
Era o farol e a luz nas litigâncias
Transformado nas ondas que geravam
Inigualável plêiade de sonhadores,
Sublimados por um mestre de eleição,
Mário Moniz Pereira, entre os melhores,
O astro que cumpriu a sua missão.

EM - A MUSA DOS ESTÁDIOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Palavras - VIEIRINHA VIEIRA

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Procuro as palavras certas
Estou certa que não desejo ferir
Mas quanto mais procuro
Mais sinto que estou a eludir.

Não sei porque as perco
Nem tão pouco porque as digo
Talvez, apertas demasiado o cerco
Deste porto de abrigo.

Palavras, são elas abram alas,
Não têm gesto nem direção.
Direções, sem essas palavras.
Tem como destino certo, o coração.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Inebriante... - FILIPA CARNEIRO

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Perdida sem folhas
Sem penas nas asas
Voo para teus braços
Em livre loucura

Enrola me no teu toque
Dançando na tua magia
Levito na euforia
Deslizo no teu azul

Mar branco do teu olhar
Entrelaçado dedilhar
Desnodoado amar
Que teima abraçar

Fujo do medo de mim
Encontro me na doce calma
No mergulho de minha alma
Em suspiro de amor carmim

EM - INDELÉVEL - FILIPA CARNEIRO - IN-FINITA

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O Olhar - ROBERTA WADNER

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Retrogrado
Ofuscado
Desenhado
Delineado
Cores
Tons
Focado
Desfocado
Centralizado
Desviado
Concentrado
Iluminado
Entediado
Perdido
Encontrado
O olhar
Apresentado

EM - ALMA DESCORTINADA - QUANDO A POESIA GERA CURA - ROBERTA WADNER - IN-FINITA

Refúgio - VERÔNICA OLIVEIRA

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Hibernar em teu abraço
Brasa de ébano
Fogo de incenso

Viajar no teu beijo
Doce dicotomia,
Entre o Maná
E a aguardente

Adentrar tuas paragens
Navegar teu lago
Receber tuas águas

Qual rio no mar
Desaguando em torvelinho

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O isolamento nosso de cada dia - ANDRÉ GALVÃO

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Triste constatar
que a rotina quarentenal,
mesmo sendo tão comum,
nos desafia e asfixia
por nos impor a convivência
com as pessoas que deveriam
estar sempre mais próximas

Triste consentir
que o nosso egoísmo
nos empurre contra nós mesmos,
atropelando qualquer bom senso
quando deveríamos
lutar coletivamente
contra o mal comum

Triste compreender
que só o isolamento compulsório
foi capaz de nos mostrar
que as coisas simples
que o cotidiano atropela
fazem tanta falta
e são tão importantes.

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O amor de plástico - FREDERICO DANTAS VIEIRA

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Empatia é uma rara habilidade
mas que grita em momentos necessários.
É sentimento profundo, não cabe superficialidade
nem sobrevive ao raso oportunismo barato.

Muitos são os de alma desesperada
na terra das maravilhas e desigualdades.
A situação de caos só torna ainda mais declarada
o lugar de privilegiados e dos que não tem lugares.

Vejo a fome ser aplacada à base de humilhação,
na foto inutilmente ostentada
pela força da vaidade de uma curtida desesperada.
Empatia planejada no artifício de pura pretensão.

A sociedade do espetáculo ainda não despertou
da letargia.
Muitos são os obstáculos.
De um lado, vencedores antes vistos como fracos
De outro, aqueles que fazem da solidariedade
mercadoria.

EM - PALAVRAS NÔMADES - FREDERICO DANTAS VIEIRA - IN-FINITA

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Desilusão - ANA LANDEIRO

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Não te queria desiludir
Nos caminhos árduos da vida
Quantas vezes disse basta
Sentia-me gasta

Voava assim iludida
No teu possível caminho
Onde tudo estava perdido
Por desconheceres o sentido

A tua vida rodopiava
As tuas perceções não eram nada
Desorientado como sempre
Querias-me por ti apaixonada

Estes versos são para mim
Que não aguento mais pressão
Preciso duma vida calma
E fugir da exaustão

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

Chorar... Sorrir... Florescer - VERA SILVA

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Hoje eu CHOREI...
Chorei para manter a sanidade
Nesse pedaço de mundo por vezes insano
Hoje eu CHOREI...
Por ver pisoteados, ignorados, ironizados
a vida humana, os valores humanos
Hoje eu CHOREI...
Pelo excesso de egos, individualismo, poder
falta de mediação, conciliação, paz
Mas enfim voltei a SORRIR
A esperança se refez
As lágrimas, como nuvens escuras se foram
Foi como o sol, aqueceu-me a alma
Vi a solidariedade e o amor surgirem
Se multiplicarem e em outros corações ressoarem
Vi Anjos de Luz a cuidar, doar, curar
Hoje eu voltei a SORRIR
Me senti contente
Vi inspiração em forma de gente
Na visão, pensar, agir
O bom senso, a sabedoria brotou
A empatia voltou e ventos contrários e contraditórios
em bálsamo, calmaria, transformou
Hoje voltei a SORRIR
Acreditar, sonhar, perseverar
e em ação me pus a missão realizar
Olhar firme e no horizonte de luz confiar
Com o poder divino, tudo florescerá. Floresceremos!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Vazios - MARLI DIAS RIBEIRO

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Os vazios, sem nome, ocos, sem cor, rarefeitos
Quem te explica?
Por que o que nos falta não sabemos nomear
O que nos une, estamos a procurar
O que nos move talvez revele, muito sobre nossas
buscas.
Então, por onde deixaremos

Nossos passos?
Serão sem caminhos, sem pegadas, vazios...
Quem, o que, os preencherá...

EM - PARDAS POESIAS: SOBRE SER, FAZER E SENTIR - MARLI DIAS RIBEIRO - IN-FINITA

domingo, 6 de dezembro de 2020

Encruzilhada - TITA TAVARES

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Faz tempo q’eu vibrava, entontecida
Ao ver tu’ sombra ao longe. Ai que tormento!
Viver um pesadelo, estarrecida
Colada ao chão e tu solto p’lo vento.

Inda me lembro bem e me dá pena
De mim, nesses momentos, desasada:
– o mundo me voava como pena
E na ânsia de o agarrar, ficar cansada.

E tudo foi fugindo e fui perdendo.
E só depois de finda eu entendo,
Esta história que tem que ser contada.

Faz tempo! E o tempo tudo leva e traz.
Contá-la agora, não me fere, me apraz.
Vi o caminho! Saí da encruzilhada.

EM - O AMOR NÃO TEM SUJEITO - TITA TAVARES - IN-FINITA

 

Dançando com o destino - VERA DI BOMFIM

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Ora passos demarcados,
Ora passos livres,
Pés calçados ou descalçados,
Eu sigo...

Talvez porque sim,
Ou quiçá sem porque,
Dançando em trampolim,
Eu sigo...

Tangida pelos ventos do acaso
Chamuscando-me no fogo das minhas paixões,
Talvez por acaso ou descaso,
Eu sigo...

Como correm as águas,
Que quedam vales, e
Serpenteiam estradas ambíguas, ou desambiguas,
Eu sigo porque nunca desisto.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Vem - ANA MARTA

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Mune-te do teu mais lindo sorriso
E deixa-te ir somente uma vez
Dá-me a loucura do improviso
Faz sim o tão desejado talvez

Não te permitas enganar por mim
Porque vou fingir que não te quero
Até negarei este meu frenesim
Mas, afinal, apenas desespero

Vem cá já e rouba-me um beijo
Faz-me flutuar sem sair do chão
Realiza meu secreto desejo

Dá-me tudo p’ra lá da excitação
As muitas sensações que ensejo
Liberta a minha mais doce paixão

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA