sábado, 8 de junho de 2024

Véus se sobrepõem - Ana Acto

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Véus se sobrepõem
Impostos por quem os usa
Castrando o que sonho
Encobrindo incautos meus medos

Enclausurei-me na minha inóspita ignorância
Cerquei-me de muros e cercas
E sim, sei
Que muros podem ser derrubados, cercas puladas
E a ignorância
Bem! a ignorância sempre me foi abstrata

Nem sei bem que receio
Nunca me cingi ao escrutínio alheio
Expectativas criadas?
Talvez, mas somente minhas
Respiro devagar
E me embargo cautelosa a um mar tempestuoso

Por isso vos peço
Não me procurem nem esperem na amurada
Nem tampouco toquem os sinos à minha chegada
Pois nem eu sei de minha partida

EM - MALDITA - ANA ACTO - IN-FINITA

Porém eu pouco sabia - Tito Lívio Lisboa

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Porém eu pouco sabia
Das garruchas e dos desterros
Cerzia fios de estrelas
E claros véus dos espelhos

Porém eu pouco sabia
Da morte e dos seus enredos
Flauteava à louca lua
Entre nardos forasteiros

Despia-me dos vestidos
E das tranças dos cabelos
Erguia um facho amarelo
Com que dispunha os enleios

Porém eu pouco sabia
Meu sonho era um mar cheio

EM - 7 JANELAS PARA O TRANSITÓRIO - TITO LÍVIO LISBOA - IN-FINITA

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Atenta - Renata Lima

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Mãos nas ventas
A pensar
No coração
Um tic-tac sem parar
Na garganta um choro a arranhar
No estômago tem uma vela a queimar
Estou quente e fria
Mornando a febre de despertar.

EM - QUE SEJA MAIS - RENATA LIMA - IN-FINITA

Lua - Elizabete Nascimento

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Cheia de sonhos, 
Composta por promessas. 
Ramos de outono dourados, 
no cheiro da relva molhada, 
no corpo tocado pelas águas. 
Lua cheia de aromas, 
de águas, 
de luzes, 
de barcos e velas, 
me trazem você. 
Nascimentos! 
raízes sem chão: 
deriva e retrocesso. 
Escuridão de águas e luzes, 
reflexos, relâmpagos 
labaredas sem fogo, 
barco sem remo, 
me levam você. 
Esquecimento! 
Cinzas adubam outra terra. 
E, eu?! Terra árida, 
improdutiva, infértil, 
cheia de solidão acompanhada.

EM - GRANADA - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Almas - Elisa Lago

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Senti sua boa energia
Do outro lado da tela
Quis poder e abraçá-lo
E selar o desejo
Com um doce beijo.

Cheguei a imaginar-me
Criando numa aquarela
Novos belos horizontes
Para um sonho interrompido
Pelas forças do destino.

De fato, estive com ele
Em tempo distante
De vida passada
Com tanta emoção vivida
Num amor forte e vibrante.

Cindidos pelo destino
Seguimos por caminhos diferentes
Porém o laço de afeto
Manteve-se ligando nossas almas
Em forma de encantamento.

Assim, em dado momento
Acontece o reencontro
Que me parece perfeito
Enquanto me causa calma
E me dá leveza à alma.

EM - ESSAS MULHERES - COLETÂNIA - IN-FINITA

Lisboa cidade minha - Tito Lívio

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Lisboa, cidade minha 
De amor/medo pelas ruas 
E o som de uma guitarra 
Em suas paredes nuas. 

Lisboa deram-te um Fado 
Da gente que te povoa. 
O fado não é só canção 
O Fado também é Lisboa. 

Lisboa, secreta miragem 
Que trago dentro do peito, 
Longe de ti morreria 
Sem ver do Tejo seu leito 

Lisboa, meu estranho amor 
Nascida à beira do mar 
Onde estão teus barcos/velas 
As cartas de marear? 

Lisboa, cidade grande 
De muitos povos e gentes, 
Preciso é construir um fado 
Com palavras diferentes.

EM - VIAGENS PELO CORPO - TITO LÍVIO - IN-FINITA

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Cansei - Therezinha Lima

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Um dia vou cansar
Não tarda a acontecer
Nesse meu caminhar
De passos confusos, sofridos
Caindo, levantando
E nesse sofrimento
A verdade me acorda
Querendo me erguer
O sentimento fortalecer
Para nunca mais voltar
Seguir! Te esquecer!
Com força vou lutar
Para esse dia chegar.

EM - LACUNAS DA ALMA - THEREZINHA LIMA - IN-FINITA

O meu fado - Maria Antonieta Oliveira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Se o mar falasse o que dita o coração
Ai mar, não fales, fica calado
Deixa em ti os meus segredos
Não os contes a ninguém
São sonhos, são enredos
São virtudes e desenganos
São passados e presentes
São vivências por viver.

Retém em ti meus sentires
Sê sempre meu confidente
Não fales, fica calado
Fica em segredo este meu fado
Fado triste e malfadado
Como o fado de outro alguém
É só nosso este segredo
Não fales, fica calado, ó mar.

EM - QUANDO O CORAÇÃO FALA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

terça-feira, 4 de junho de 2024

Navegam em mim - Fernando Silva

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Minha mãe
“Beijam-me as palavras...
meu alento!
Trazido por teus lábios
de poesia.
Navegam em mim
num profundo lamento,
os traços de inevitável agonia”

Mãe, está escrito nas estrelas do céu!
“Vou amar-te para todo o sempre”.

EM - SUBLIME OLHAR DE MÃE - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

E depois do adeus - Carla De Sà Morais

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

É preciso acabar
Com estes revolucionários
Levar-nos-ão à ruína
Mancharão de vergonha
Este belo país à beira-mar plantado
Tentam dividir para melhor reinar
É preciso cortar pela raiz
Toda esta rede que se espalha como lava
Além-fronteiras
É preciso acabar
Com todo este correio humano clandestino…
Foram anos vividos de desolação
De opressão
A esmagarem-lhes os ossos
A dilacerarem-lhes a carne
A corromperem-lhes a mente
Anoiteceres aterradores
Amanheceres derrotados
Com o medo agarrado à barriga
E um coração a pulsar coragem
Este bando de revolucionários
Lutou sem parar, sem nunca desistir
Muitos, foram presos e torturados
Outros, foram mortos
Muitos, as suas famílias serviram de chantagem
Outros, puseram termo às suas vidas
Os que restaram guardaram a esperança
E fortaleceram-se no sonho de viver em liberdade
Não houve P.I.D.E que os parasse
E numa aurora de Abril
Depois do adeus
Veio a Grândola vila morena
Irromperam as vozes das gargantas
Há muito estranguladas
Das bocas há muito amordaçadas
E o grito vindo das entranhas
Viva a Liberdade
Ecoou em Portugal e no mundo inteiro

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Eu tenho uma cama - Elizabete Dente

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Eu tenho uma cama 
E tenho um pijama, 
Tenho o papá, 
Tenho a mamã, 
Mas sei que há, no mundo, 
Um choro profundo, 
De muitos meninos que não têm mimos, 
Não têm pijama, 
Não têm cama, 
Não têm papá, 
Não têm mamã. 
Vou pedir, então, por esses meninos, 
Para que os amem e lhes deem mimos.

EM - JANELA DA MINHA ESCOLA - ELIZABETE DENTE - IN-FINITA

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Fixas teus olhos nos meus - Ana Acto

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Fixas teus olhos nos meus
Mas não me veem
Que pensarás tu?
Pareces divagar entre este mundo e
E uma qualquer outra dimensão
Tua, só tua

Acorda amor!
Vive o tempo de que somos feitos
Sente-me estremecer na ponta de teus dedos
Essa é a única realidade

Beija-me, e deixa o sonho para depois
Quando todos os demónios, reféns, adormecerem
Saciados no prazer da consumação num doce ritual
Onde me embrenho possuída a desfavor
Em decadência de gemidos e odores

Diz-me agora amor
Que pensas tu?
Quando os teus olhos adentram nos meus… 

EM - MALDITA - ANA ACTO - IN-FINITA

O teu corpo - Tito Lívio Lisboa

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

O teu corpo é manhã quando descobre
No espanto de uma aurora, azuis profundos...
Como cantos cerúleos, como mundos
Renascidos após a noite em dobre

O teu corpo vem pálido na bruma
Acendendo a manhã que adormecida
Percorres o caminho pela escuma
E vens te deportar à hora esquecida

Como na comunhão de duna e brisa
Tudo no teu sussurro se estremece
E tudo se deflora e paralisa

Deixe-me que ao silêncio eu te ame, em prece
E de entre tuas coxas, à flor lisa
Esse sangue de auroras se confesse

EM - 7 JANELAS PARA O TRANSITÓRIO - TITO LÍVIO LISBOA - IN-FINITA

domingo, 2 de junho de 2024

O que sou? - Renata Lima

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Sou uma mulher.
Não sou rocha,
Nem pedra, nem chão.
Às vezes nuvem transpassada por avião.
Brisa que não incomoda ou borboleta da estação.
Búfala, fera retida! Hoje caça na multidão.
Chora lágrima sentida, não por falta de carinho, mas por exaustão.
Ouço vozes, leio ordens: você é forte! Não se engane!
Não é possível ser o tempo todo, não!
Todos os tudo inquietam a mente, o corpo e o tal do coração!
Não me perco, não sou solidão!
Mas, me deixe chorar!
Me deixe chorar, então!
Mesmo que seja em vão, por qualquer vão!
A correnteza de lágrimas se forma e é irmã da gratidão.
A cachoeira onde desagua, é súplica de redenção!
Sou uma mulher...

EM - QUE SEJA MAIS - RENATA LIMA - IN-FINITA

25 perdido! - Alberto Cuddel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Nostálgica liberdade,
Pelo povo desejada,
Militares ensaiada,
Na rua conquistada,
Na voluntariedade de agir,
Esquecida nos pais,
Moribunda nos filhos,
Dos netos desconhecida!

Liberdade esquecida,
Que de consciência não se faz,
“Alguém” que por mim fará,
Aquilo que deixei de fazer….
Sangue novo saído,
Ao estrangeiro impingido,
Perdida a jovialidade,
Desta pobre liberdade!

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Coisa ilimitada - Elizabete Nascimento

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Sou ventania, às vezes, tempestade. 
Desejo, vazio, 
solidão e serenidade. 
Sou presa fácil, adepta a afetos, 
massagens, música, viagens 
e conversas regadas a gargalhadas. 
Às vezes, música alta; 
outras, sinfonia baixinha, 
tocando apenas dentro do peito. 
Sou como quero, inconstância, 
às vezes, introspectiva, ingrata e, 
até mesmo, sem jeito. 
Vivo intensamente tudo, o ódio e o amor. 
Furacão! 
O amor sempre vence, sou generosa comigo! 
Deixo-o ter razão. 
Ando colada na vida e morro de medo da morte. 
Das mortes que não nos carregam, 
que nos mantém vivas, aos montes. 
Sinto que para me entender 
é preciso ser árvore, como diria Manoel de Barros. 
A mim mesma sou indefinição, 
coisa ilimitada. 

EM - GRANADA - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

sábado, 1 de junho de 2024

Apenas, Ela - Adriana Mayrinck

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Ela amanhece como quem morre. 
Rompendo a alvorada
para uma outra percepção. 
Grita na inconformidade. 
Também sabe ser selvagem. 
Até agora desencontrara-se de si,
por querer estar no Outro. 
Quimeras!
Descaminhos no ópio da ilusão 
Entorpecida, percorria estradas.
Ele atingira a sua alma,
e não a aprisionou. 
Arrastava correntes com sorriso pálido
Olhos desencontrados. 
Devaneios 
E no corpo... o impalpável.
Que grande desvario
fazer-se incompleta! 
Era amor. 
Era sempre açoitada
pela irrealidade do instante 
Escolhas, sem abrigo. 
Cárcere na escuridão.
Tingiu de cor o insustentável
e revestida de pétalas,
fundiu-se ao vento,
agora em passos lentos.
Olhar longínquo.
Desfez-se do último habitante
e silenciou.
Recolheu seus fragmentos
e desejou não mais estar.
Entregou-se a madrugada fria,
olhou para as estrelas buscando
um porto para descansar.
Sem respostas,
exaurida,
recolheu-se em um clarão na montanha,
perto das flores e dos pássaros.
Emendou retalhos, fechou os olhos,
reflexos do que sentia.
Enfrentou a solidão,
o não pertencimento.
Mas a quem pertencia?
Eram chuvas de verão
tardes primaveris,
ou inverno sem fim
E sorriu.
O outono chegou, despetalando-a.
Era muito mais do que supunha,
enfrentou corredeiras, tempestades, ventanias
Renascida, viva, intensa,
liberta - em chamas
Apenas Ela, o vento, e a sua poesia.

EM - ESSAS MULHERES - COLETÂNIA - IN-FINITA

As minhas mãos - Tito Lívio

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

As minhas mãos, quando tocam o teu corpo, são como as cordas 
de uma harpa soando numa música de acordes dóceis e vibrantes. 

EM - VIAGENS PELO CORPO - TITO LÍVIO - IN-FINITA

Que a terra lhe seja leve 1 - Júlio Pomar

Se educação tem
seja delicado
peça perdão
da distracção
diga obrigado

EM - PRIMA CONTRADIÇÃO - JÚLIO POMAR - ASSÍRIO & ALVIM